domingo, janeiro 15

Bom exemplo


"Vencer todas as finais" Tonel

Não é o melhor central português, nem tão pouco será sequer o melhor central do Sporting. Mas é absolutamente imprescindível pelo rigor e atitude que tem demonstrado. Quando a qualidade não abunda é desta fibra que se precisa.

Quem te viu e quem te vê, leão!

Confirma-se. O futebol anda de luto para as bandas de Alvalade. Espero que as coisas se alterem, para ver se, pelo menos, conseguimos lutar por uma vaga de acesso directo à Champions League. Os rivais perderem pontos hoje também seria uma injecção de moral.

Segunda feira espero que o sorteio da Taça seja amigo. Nesta fase da época, qualquer equipa do fim da tabela faz do Sporting o que quer.

P.S. Se o Beto tivesse jogado, ontem teria estado em campo a equipa que eu considero como a mais forte do Sporting actual. Como se pode ver, nem foi pelo Beto, os centrais estiveram bem.

sábado, janeiro 14

Pré-campanha

Escreve o João Sanches no Jogo que "Soares Franco conta com o apoio de Miguel Ribeiro Telles. A proximidade e a comunhão de valores, também no plano ideológico e desportivo, são factores que, no novo enquadramento pré-eleitoral do Sporting, poderão deixar antever o regresso a Alvalade do antigo presidente da SAD"

Numa altura em que já se vive de forma intensa a pré-campanha (basta ver alguns dos principais blogs sportinguistas e sobretudo o fórum Sportingcp.artinova), este apoio de MRT, alguém que é visto como um dos possíveis "salvadores", ao rumo que FSF pretende seguir em Alvalade, não deixa de constituir um trunfo de peso para FSF.

A corrente do primado do futebol está em marcha. A alienação da posição na SAD e a alienação de património imobiliário, em nome de maior capacidade de investimento no motor do grupo - o futebol, marcam uma notória separação com os ideais defendidos inicialmente por Roquette, para quem todas as actividades em redor do futebol seriam o suporte para o caso em que algo corresse mal. Seriam as receitas do imobiliário, a reconversão de um estádio velho numa fonte potencial de receitas a ajudar a suportar o investimento sustentável no futebol. Agora isso está a ser colocado em causa. Existe aqui um linha de ruptura clara e há quem insista, incrivelmente, em colocar tudo no mesmo saco. Como se o chapéu "Projecto" servisse da mesma maneira a todos estes homens. O eventual apoio de MRT a FSF poderá deixar os menos atentos algo surpreendidos. Esquecem-se do motivo pelo qual outros, como JEB, tinham saído de lá.

Pontas de Lança, quem precisa deles?


Segundo aparece nas notícias desportivas os 3 grandes, leia-se, FCP, SCP e SLB (não vá o Eng.º Rui Alves estar a ler isto e começar a fazer confusão) andam no mercado para reforçar os seus planteis com pontas de lança. Enquanto lia sobre as novelas Adriano e Marcel parei um pouco e perguntei-me, será mesmo necessário reforçar esta posição? Senão vejamos.

FCP - Joga tipicamente num sistema de 4-3-3, portanto somente com um ponta de lança. No plantel tem os seguintes jogadores que fazem essa posição: McCarthy, Hugo Almeida, Lisandro Lopez, Sokota e Bruno Moraes, também tinha Helder Postiga, mas entretanto este emigrou para esse gigante do futebol francês que é o St. Etienne. Ora, considerando que Sokota e Bruno Moraes estão lesionados, se bem que este último na fase final de recuperação (já treina integrado) e McCarthy está na CAN, que termina no próximo mês, Hugo Almeida e Lisandro não serão suficientes para fazer o lugar? E esta questão colocar-se-ia se tivesse existido uma gestão mais correcta do caso Postiga? A minha conclusão é não é necessário mais ninguém para esta posição e a questão nem seria colocada se Co Adriaanse tivesse gerido o seu plantel de forma mais competente.

SLB - Aqui tenho algumas reservas em relação ao esquema táctico mais utilizado, com Simão é um claro 4-3-3, e vamos pensar que este fica e fica o Benfica mais forte até ao final do campeonato. Assim temos para o lugar: Nuno Gomes, Miccoli, Mantorras e ainda o surpreendente Giovanni. Haverá necessidade de ir buscar Marcel? Acho que não. E se o figurino táctico for alterado com a saída de Simão? Também acho que não. Os novos reforços para as faixas indicam que Koeman não está a pensar em jogar de outra forma.

SCP - Paulo Bento tem apresentando um 4-4-2 em diamante, se não estou em erro. Precisando para isso de jogar com dois avançado, não dois pontas de lança. No seu plantel, os jogadores existentes para cobrir estes lugares serão: Liedson, Deivid, Sá Pinto, Douala, Silva e já teve Manoel, Pinilla e Wender. Considerando que os lugares, salvo problemas disciplinares ou de lesão, serão ocupados pelos dois primeiros apresentados, os restantes garantiram a cobertura necessária para algum azar e mesmo flexibilidade táctica para mudar o estilo de jogo, usando Douala ou Wender se este não tivesse voltado à precedência. Se a gestão de recursos tivesse sido mais cuidada estou convicto que não seria necessário reforçar esta posição e mesmo com o figurino actual, e considerando a tão profícua academia, creio que o SCP tem soluções internas para resolver esta situação.

Bottom line, eu acredito que a contratação de um novo ponta de lança, em qualquer uma destas equipas, não é imprescindível neste momento (por muito que a imprensa goste de fazer parecer, porque afinal são os golos e as polémicas que vendem jornais) e se estas mesmas equipas tivessem tido mais cuidado com o plantel com que iniciaram a época, principalmente Porto e Sporting, esta questão nem se colocaria. Haverá outras posições dentro destes clubes que necessitem maior atenção e reforço que a posição em epígrafe referiada? Pergunta o ávido leitor. Ah pois há.

Condições psicológicas

"A ausência de Beto do lote de convocados para o embate de hoje, com o Belenenses, está directamente ligada a uma decisão pessoal... do jogador. Este entende que não existem condições psicológicas para competir" in o Jogo

Será que os regulamentos internos do Sporting permitem alegar razões psicológicas para não jogar? Não compreendo que condições psicológicas têm que existir mas enfim. O ano passado já existiu um caso semelhante que obviamente eu e todos os sportinguistas repugnámos. Acima de tudo, o que me preocupa, é perceber que não há saúde mental... no seio do grupo. Isso é que é o problema. Seria preciso um líder que devolvesse um espírito saudável, erradicasse os conflitos e voltasse a construir a coesão do balneário. Será P. Bento homem para isso? E como se deve rir Pinto da Costa y sus muchachos com o que se está a passar na 2ª circular.

Não sai. Recupera. Empréstimo.

Simão Sabrosa deve mesmo ficar até ao final desta época, ao serviço do SLB. As propostas não chegam aos 20 M€ pretendidos pela direcção "encarnada" e, a confirmar-se a permanência do "capitão", considero esta a melhor aquisição de Inverno.

Cesár Peixoto foi operado com sucesso mas tem uma longa paragem pela frente. Estou a referir-me a este jogador porque foi, desde o início da éppoca, uma aposta minha para melhor lateral esquerdo do campeonato. Com a lesão, essa competência não ficará totalemnte aprovada se bem que, pelas exibições que fez nesta primeira metade, não terei falhado por muito. Já agora: uma boa e rápida recuperação.

Entretanto, uma "santa aliança" entre o Engenheiro Rui Alves e Pinto da Costa dá os seus frutos. Adriano vai para o FCP e não para Alvalade porque, diz o Engenheiro Alves, o Nacional não quis "reforçar um concorrente directo na Liga". Toma lá e embrulha.

sexta-feira, janeiro 13

Anderson e Miccoli muito esforçados no treino da manhã.

É bom ver que os atletas do SLB estão unidos. Nos treinos agora é vê-los a lutarem por cada lance como se da última refeição das suas vidas se tratasse.

Claro que estas cenas de agressões são lances normais, não é? Epá, e estes gajos da Comunicação Social parece que não têm mais nada para fazer. Quantos golos marcou o Nuno Gomes no treino? Não interessa. O que interessa são as agressões entre jogadores. Abutres estes gajos, não é?

Entretanto os adversários rejubilam com estes casos, mesmo aqueles que noutras alturas consideraram este tipo de "confraternizações" entre jogadores a coisa mais normal do mundo.

PS: passe a ironia do "post", resta-me dizer que algo vai mal no balneário benfiquista.

Aí está...

Finalmente, aquilo que muitos dos sportinguistas já esperavam há algum tempo(especialmente aqueles que seguem mais de perto o que se vai passando na Academia em Alcochete).Zezinando entra pela primeira vez numa convocatória da equipa sénior. Face ás más exibições de Custódio e á indisponibilidade de Loureiro, Zezi pode ter assim a sua primeira oportunidade. É caso para dizer que há males que vêm por bem. Fica só faltar a esperada estreia de Paím.

Quaresma, (ir)regularidade e imaturidade: uma luta a dois?

Está a começar a segunda volta do campeonato, podendo fazer-se uma previsão para o que a época ainda nos reserva. Para já, a certeza de que os 65 pontos que há um ano garantiram o título ao Benfica serão insuficientes para coroar o novo campeão. Aliás, isso era previsível e meio campeonato bastou para o FC Porto somar 40 pontos. Por outro lado, a constatação de que, se os portistas perdessem, na segunda metade da prova, os mesmos pontos que perderam na primeira, para ser campeão, o Sporting teria de ganhar todos os jogos. Tempos difíceis, portanto, para os leões. Atrevo-me mesmo a prever uma luta a dois até final do campeonato, pelas razões a seguir expostas.
FC PORTO e a Quaresmodependência - O FC Porto teve dois grandes méritos na primeira metade da época: o trauma de uma frustrante participação na Liga dos Campeões não se ter reflectido na Liga portuguesa e, nesta, não ter perdido pontos com as equipas da segunda metade da tabela (o Marítimo - 9.º lugar - é o pior classificado que conseguiu roubar pontos aos dragões). Existe, no entanto, o reverso da medalha: das 5 equipas que lhe sucedem na classificação, só derrotou o Nacional. Fica, por isso, a questão de saber como se sairá nos jogos decisivos da segunda volta, em que estará em Alvalade e na Luz, entre outros campos e também da importância que essas partidas terão. Há, ainda, outra questão: viverá a equipa numa excessiva Quaresmodependência? Não há mal nenhum em aproveitar ao máximo o talento de um jogador, mas estar na sua dependência representa um risco elevado (lesões, castigos, abaixamentos de forma). É evidente que o 'plantel' conta com outros valores seguros para o ataque, mas Quaresma tem garantido ultimamente muitos pontos. O FC Porto de Mourinho foi capaz de desmentir a Decodependência, conseguirá o actual demonstrar que o ataque não é (quase) só Quaresma? As respostas a estas questões poderão ser a chave para a recuperação do título de uma equipa que, com seis pontos de avanço, é a favorita.
BENFICA e a regularidade na irregularidade - A participação do Benfica tem sido caracterizada por uma estranha regularidade na irregularidade: três jogos iniciais sem vitórias quando o treinador não parecia saber o que fazer com os jogadores que tinha; cinco vitórias consecutivas, assim que as coisas estabilizaram; quatro encontros sem triunfos, na fase das lesões; nova série de cinco vitórias seguidas (ainda em curso). Se fizer uma segunda volta semelhante, é certo que não revalidará o título. Estou convencido de que aquilo a que chamei regularidade na irregularidade pertence à história. O 'plantel' parece mais forte... desde que Simão não saia. Só não aponto o Benfica como principal candidato porque já tem seis pontos de atraso. E está proibido de perder mais, num momento em que se aproxima um 'derby' com o Sporting.
SPORTING e a imaturidade - Jardel, João Pinto, Paulo Bento, Pedro Barbosa, Rui Jorge, entre outros, já pertencem à história. Beto parece ter a porta de saída aberta. Sá Pinto caminha para o final da carreira. O Sporting parece rodeado de imaturidade. Tem jovens com enorme potencial, mas que não parecem capazes de garantir estabilidade. E nem tal deveria ser-lhes exigido, quando parecem tão... desacompanhados. Até porque não podemos esquecer o que já passaram desde o início da época: afastamento da Liga dos Campeões; eliminação traumatizante na Taça UEFA; substituição do treinador, do presidente e dos dirigentes da SAD; episódios menos agradáveis com alguns jogadores (agressões em treino; atrasos). Não será demais para estes jovens e, até, para um treinador que está a iniciar a carreira? Por este e outros aspectos (atraso pontual e menor valia do 'plantel' quando comparado com os dos rivais), não acredito no Sporting campeão. Trabalhar bem na formação e ter um 'ponta-de-lança' fora-de-série não me parecem suficientes para chegar ao título. Ainda que Romagnoli possa vir a ser o motor que faltava.

quinta-feira, janeiro 12

O rumo do futuro


Filipe Soares Franco na SIC Notícias.

O PROJECTO
O provável candidato a presidente do Sporting enumerou os 4 pilares do seu Projecto para o Clube:
1) Alienação de património (Edificio Visconde de Alvalade, Alvaláxia, Holmes Place, clínica CUF)
2) Fecho das actividades deficitárias (Bingo, modalidades)
3) Reorganização dos serviços da Sociedade Sporting
4) Diminuição da posição do Sporting na SAD - dos actuais 80% para 51% numa 1ª fase e eventualmente para posições minoritárias no futuro.
Tudo em nome de maior investimento no futebol profissional. Para aqueles que pediam alteração do rumo e se queixavam de falta de aposta no futebol, aqui está uma possível estratégia.

FILHOS E ENTEADOS
Segundo o Relatório do Tribunal de Contas, sob pretexto do Euro 2004, as ajudas da CML ao Sporting totalizaram 10 milhões de euros. As ajudas da CML ao Benfica rondaram os 49 milhões. As ajudas da CMP ao FC Porto andaram na casa dos 150 milhões. Repito, são números do Tribunal de Contas. Assim, tornar-se-ia mais fácil comprar o Simão ou o Quaresma.

MODALIDADES
O eclectismo do Clube passará por modalidades amadoras não profissionais. O Sporting apenas terá estrutura para 3 modalidades profissionais. Implicações directas: umas das actuais quatro - futebol, futsal, andebol e atletismo - será fechada. Lá se vai o andebol...

FUTEBOL
Sobre os erros de não se terem colmatado algumas saídas importantes no plantel (P. Barbosa e Rui jorge) "Não vou nunca criticar o passado, mesmo que no passado não tenha concordado com tudo.

Sobre P. Bento: "Está a fazer um excelente trabalho (...) é sportinguista e conhece os cantos à casa (...) A formação é a base do nosso Projecto. O Paulo bento conhece os jovens do Sporting."

Sobre o caso Wender "Aqueles que nos acusam agora são os mesmos que se indignaram por o Leiria não ter colocado o jogador frente ao FC Porto. (...) a realização do negócio naquela semana foi planeada. Não tínhamos Beto, nem Hugo nem Polga e não havia certezas sobre a inscrição de Caneira. Logo havia expectativas de jogar com M. Garcia a central e nesse caso Abel seria o lateral."

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Gestão racional

(Peço antecipadamente desculpa pelo tamanho do post mas, como há muito não dava notícias e o Sector me paga ao caracter, tenho de tentar compensar a tempo de tapar o rombo que o Natal provocou na carteira.)

No início de 1979, a NBA (National Basketball Association) não passava de uma liga secundária no panorama americano, cuja popularidade e implantação estava longe de ombrear com a de outras organizações, ligadas a outras modalidades. Hoje é um negócio de milhões, implantado à escala planetária.

A mudança deveu-se à extraordinária visão de David Stern que, desde então, governa os destinos da Liga, mas também a um factor humano invulgar: a chegada de Earvin "Magic" Johnson e Larry Bird à competição. A rivalidade entre estes impulsionou a NBA para o topo do mercado americano, algo que o surgir de Michael Jordan só veio a amplificar no final da década.

De que é que eu estou a falar? É simples: os norte-americanos são o perfeito exemplo do cultivar das personalidades, dos símbolos e, sobretudo, do respeito pelo sucesso. Basta observar de forma superficial a forma como tratam quem contribuiu para uma organização para perceber que a mentalidade é diametralmente diferente da nossa e... resulta.

Quando, já no início da década de 90, "Magic" Johnson foi obrigado a retirar-se em virtude de ser portador do vírus HIV, foi-lhe dedicada uma cerimónia, durante a qual, como é hábito com os grandes jogadores, foi retirada a sua camisola, para sempre pendurada no tecto do pavilhão. Ao seu lado - apenas para dar mais um exemplo da diferente abordagem cultural - estava o rival de sempre, Larry Bird. Entre os dois disputaram a atenção nacional durante o liceu, o título na universidade, o prémio de "Rookie" do ano e quase todos os títulos da NBA da década de 80, estando reunidas todas as condições para uma sincera animosidade mútua. Em vez disso, Bird fez questão de estar presente no adeus do "inimigo", revelando ao público de Los Angeles os seus sentimentos. "Nunca houve outro igual. Se me tornei bom, foi graças a ele, pois obrigava-me a tentar ser melhor, todos os dias, para poder competir com ele. É o melhor que já vi e, se não tivesse o privilégio de ter esta profissão, pagava bilhete só para o ver jogar", afirmou, então, Larry Bird. Meses depois "Magic" retribuiria a presença e o discurso semelhante na cerimónia dedicada ao rival.

E tanta conversa para quê? Porque estas atitudes VENDEM e DÃO DINHEIRO!

"Magic" Johnson nunca foi o jogador com o salário mais elevado dos Lakers, pelo contrário, todas as temporadas acabava por abdicar de parte do seu ordenado para que a equipa - limitada pelo "salary cap" - pudesse contratar melhores jogadores. Quando o contrato chegou ao fim, ou melhor, quando "Magic" se retirou, a ligação de mais de 13 anos aos Lakers podia também ter terminado. Mas não, não neste filme. O camisola 32 transformou os LA Lakers numa empresa multimilionária, numa organização de sucesso. Em troca, estes não o dispensaram, não olharam para o outro lado nem contrataram... Edson... Ofereceram-lhe, em troca dos serviços prestados, uma gigantesca fatia das acções da equipa, no valor de milhares de milhões. E, acreditem, o homem já não tinha problemas financeiros.

Claro que, antecipando o argumento óbvio, são muito poucos os que atingem o patamar de sucesso de Larry Bird ou "Magic" Johnson, são raros os que possuem as características pessoais destas duas lendas. Mas, entre todos cujas camisolas pendem dos tectos dos pavilhões americanos, estarão grandes atletas e homens menores. É o conjunto de todos eles que permite que surjam os maiores, é o respeito por aquilo que cada um fez que separa o negócio mesquinho de uma actividade de sucesso, apoiada na sua história.

Cansado de pregar no deserto sobre esta matéria, continuo a assistir à incapacidade que o desporto nacional - e o futebol em particular - revela para cultivar o valor dos seus praticantes como alavanca das suas organizações. Mas, dizem-me, isto é um negócio e não há lugar a emoções. Temos de ser racionais.

Infelizmente, a resposta é óbvia mas, pelos vistos, difícil de compreender: que vende o desporto senão emoções?

Quem lê o que habitualmente escrevo está habituado à minha defesa da gestão racional dos clubes de futebol, da necessidade de adequar o volume do negócio à realidade da actividade - gastar menos em transferências e salários -, da obrigatoriedade de transparência nas contas para garantir a leal concorrência...

Perceber que são as emoções o principal produto da actividade de um clube é um acto básico de gestão... racional. Perceber que é importante manter elementos que contribuam para uma fácil identificação entre o "produto" e o "target" deveria estar ao alcance de qualquer aprendiz na área do "marketing".

Para honrar uma organização com história e garantir o seu futuro é necessário respeitar o passado. Para o fazer, dia a dia, com sucesso, é preciso saber orientar uma transição digna entre passado, presente e futuro.

Os clubes portugueses são pródigos no negligenciar dos seus ídolos quando se aproxima o final do "prazo de validade" - excepção feita ao FC Porto, na maioria dos casos, o que explica muito do sucesso alcançado nos últimos 20 anos - mas, de entre eles, há um que insiste em se destacar.

Vítor Damas, Manuel Fernandes, Pedro Venâncio, Oceano, Carlos Xavier, Cadete, Pedro Barbosa, Rui Jorge ou... Beto são apenas alguns dos nomes que o Sporting fez por esquecer no momento de decidir. Pouco importa se todos são, ou foram, grandes jogadores, se são, ou foram, grandes líderes ou, sequer, boas pessoas. Ao afastá-los pela porta pequena, o Sporting está a afastar os seus sócios e adeptos - os "clientes" do seu "produto" - e todos os atletas que, um dia, poderiam tomar atitudes em favor da organização.

Acreditamos todos que Vítor Baía, Secretário e Paulinho Santos sejam modelos de comportamento, atitude e liderança? Acreditam muitos porque o FC Porto assim o quis, e bem!

Se já não é novidade que o Sporting teima em não perceber a importância de criar figuras que marquem o imaginário - e, sem manchas, a memória - dos adeptos, há algo que me custa a entender: Paulo Bento que, há apenas dois dias, pôs em causa a política de gestão da SAD leonina -
"De uma vez por todas, o Sporting deve ficar com jogadores que estejam aqui com prazer, e não abdicar de jogadores, como tentou fazer, que gostam de estar, que queriam estar aqui, que sentem realmente o clube. Esses é que são importantes. Mesmo quando passamos por situações adversas e difíceis" - mudou de ideias ou Beto, afinal, não é destes? Afinal, o capitão era dos que não estavam com prazer, não sentiam o clube ou não queriam estar ali?

Não sei nem me interessa o que motivou o diferendo entre técnico e jogador mas, se acredita nas palavras que proferiu - e acho que acredita - Paulo Bento deveria ter consciência da importância da permanência de Beto e para isso deveria ter tentado contribuir. Mesmo que, em última instância, Beto tivesse vontade de sair, como outras vezes sucedeu no passado.

Numa altura em que muitos dos objectivos da temporada estão já comprometidos, o Sporting abdica do único elemento - a par de Sá Pinto, que já anunciou a retirada para o final da época - capaz de fazer a ligação entre o passado e o presente do clube - aos olhos de quem compra os bilhetes e as camisolas -, prescindindo, simultaneamente do seu - no meu entender - melhor central.

Gestão racional...

JEAN-PAUL LARES

NÃO! NÃO! POR FAVOR, NÃO!

"O central dirigiu-se à bancada onde se encontra a claque organizada Juventude Leonina e ofereceu uma camisola, num gesto evidente de despedida. O camisola 22 seguiu depois para o balneário, a chorar."
Não pode haver sportinguistas verdadeiros indiferentes a isto.

"As referências devem permanecer, se não perdemos a identidade" Sá Pinto

Depois de Barbosa e Rui Jorge. Em vésperas do abandono de Sá Pinto. Beto não pode sair. Não pode. Quem pensa que um Clube não precisa dos jogadores-referência não percebe nada de futebol. Mas nada mesmo. Para além de aumentarem o rendimento da equipa, ajudam a integrar os novos e fazem a identificação do Sporting com os adeptos. O Sporting é o Beto e o Sá Pinto. Não é o Douala ou o Luis Loureiro, por muito mérito que lhes reconheçam.

Há jogadores que solidificam a estrutura. Há jogadores que têm estatuto porque o merecem, porque lhes é reconhecida a capacidade de levar um grupo para a frente. Um Clube não se pode privar desse tipo de jogadores. Nem pode depender somente de outros que nem 3 anos de Sporting têm.

O Bordéus negou hoje de manhã o interesse em Beto. Será que o Sporting está interessado no seu capitão?

Beto de saída!

O Sporting perde a sua principal referência (16 anos de leão ao peito!). Parabéns a quem o conseguiu colocar fora do clube!

quarta-feira, janeiro 11

Sporting 2 - Vizela 1

O Sporting sofreu para vencer o Vizela, chegando mesmo ao intervalo em desvantagem. A entrada de Sá Pinto acabou por ser decisiva. O nº 10 marcou os dois golos e mexeu com a equipa, bastante apática durante o primeiro tempo e dependente do talento de Nani (o melhor dos primeiros 45 minutos). Outro dos destaques vai para Romagnoli. O argentino jogou menos de 10 minutos mas foi o suficiente para mostrar atributos. Na primeira vez que tocou na bola, conduziu a jogada do segundo golo e poucos minutos depois fez um passe magnífico que colocou Liedson em frente ao guarda-redes contrário, mas o brasileiro falhou escandalosamente!
Também em bom plano esteve Abel. O lateral foi dos mais dinâmicos e destacou-se nas acções ofensivas. Teve um lapso no início da segunda parte mas corrigiu a tempo.
Pela negativa, realce para Custódio (saiu ao intervalo, mas já justificava a substituição bem antes!) Uma desgraça! E também tivemos mais uma exibição à Polga. Inseguro e desconcentrado, perdeu mais lances do que ganhou no confronto com Bock e ainda deixou Dani à vontade para marcar o golo do Vizela. Parece que as férias prolongadas não afectaram o rendimento do brasileiro...

P.S. Muito fraca a assistência no Estádio José Alvalade! No entanto, o jogo acabou por dar razão a quem ficou em casa! Foi pobre e com uma arbitragem muito pouco competente!

Solução ou... problema?



Ninguém duvida ou coloca em causa a valia do Caneira. As várias reacções quer de sportinguistas quer de benfiquistas (onde jogava a defesa esquerdo) ilustram isso mesmo. Agora a pergunta que se impõe é, quais serão as consequências da contratação do Caneira?

1) A utilização ideal do Caneira seria na posição de defesa esquerdo. Tello não é, comprovadamente, uma boa solução solução. Paíto já saiu e A. Marques não conta para o totobola. Logo, a contratação de Caneira estaria justificadíssima, não fosse o próprio jogador já ter declarado publicamente que não veio para o Sporting para ser lateral e que pretende é jogar a central.

2) A utilização de Caneira a central coloca desde logo um grande problema: nem Beto nem Polga têm estatuto para ir para o banco de suplentes, quanto mais para a bancada. Mais, ambos têm objectivos desportivos elevados e salários igualmente elevados para justificar. Mesmo Tonel, face ao que se tem visto, pode ser primeira opção para o eixo da defesa. Não esquecer que este ano, praticamente quase só sobra a Taça de Portugal como competição para ganhar, logo uma estratégia de rotação não fará grande sentido.

Não me parece que a SAD o tenha contratado para jogar a central. Não faz sentido a menos que Beto tivesse saído já em Dezembro, o que não aconteceu. Sendo assim, ou Paulo Bento "dobra" o jogador, em prol do colectivo, ou teremos um problema de difícil resolução. Alguém vai ter de ceder. Quem será o elo mais fraco?

Alguém se espanta?

As manchetes dos desportivos de hoje não são nada agradáveis para o meu clube, mas acabam por não me espantar, uma vez que espelham a extrema inabilidade até hoje revelada por Ronald Koeman para gerir o chamado 'capital humano' que tem ao seu dispor. E prefiro tocar na ferida agora que estamos na mó de cima, para não cheirar a desculpa esfarrapada por maus resultados. Uma das mais importantes tarefas de um treinador é a gestão dos recursos humanos à sua disposição, de modo a conseguir ter todos os jogadores (ou a esmagadora maioria) motivados. Há quem seja particularmente competente nesse aspecto (Mourinho ou, até, Scolari, quanto aos jogadores que convoca), mas também há quem não demonstre grande jeito para essa tarefa. E os dois treinadores holandeses que temos no nosso futebol, Adriaanse e Koeman, são disso exemplo. Há uns tempos, admiti que o treinador do FC Porto pudesse vir a ter grandes problemas pela estratégia de encostar alguns jogadores: Quaresma e Diego no banco; Postiga na equipa B; Jorge Costa na bancada, entre outros. Afinal, isso não se concretizou, pois Adriaanse arrepiou caminho em relação a alguns (Quaresma e Diego) e livrou-se de outros (Jorge Costa e Hélder Postiga). As vitórias e a liderança do campeonato fizeram o resto. Como é evidente, é mais fácil fazer ondas quando os resultados não são bons.
Mas voltemos ao Benfica, que é o que aqui interessa. Desde o início da época, têm sido vários os exemplos da má estratégia de Koeman. A certa altura, afirmou que o Benfica contava com três grandes defesas-centrais, como quem diz "Alcides, tem paciência, mas aqui não tens hipóteses". Com meia-dúzia de treinos, Miccoli remeteu, no jogo de Alvalade, Nuno Gomes para o banco de suplentes. No mesmo jogo, Karagounis foi titular depois de fazer apenas um treino (!) com os colegas. Também Quim não deveria andar muito satisfeito, depois de ouvir o treinador dizer que era suplente por Moreira ser mais novo, factor que nunca poderia alterar. Nuno Assis e Dos Santos sabiam que não eram muitas as hipóteses de jogar.
Na fase das lesões, as coisas pareceram melhorar. Koeman teve de chamar alguns dos "proscritos", os quais até deram boa conta do recado: Nuno Assis foi titular em alguns jogos com desempenho positivo; Alcides sentiu-se útil, ainda que como defesa-direito, e o próprio Dos Santos foi sempre convocado e até chegou a ser utilizado (em Setúbal, depois da lesão de Ricardo Rocha, toda a gente - ou quase - terá percebido que a equipa melhorou com a sua entrada). Porém, com o novo ano, tudo piorou. A forma de Koeman retribuir o sacrifício de Quim, por ter jogado em deficientes condições físicas, foi sentá-lo no banco assim que Moretto chegou; dois dos outros reforços (Manduca e Robert) foram logo convocados, deixando de fora Nuno Assis e Karyaka, e utilizados, deixando no banco Mantorras e Karagounis; Dos Santos ficou a perceber que, na melhor das hipóteses, é a quarta opção para lateral-esquerdo, depois de Léo, Ricardo Rocha e Nélson; Karagounis, depois de uma boa segunda parte em Setúbal, voltou para o 'banco' (esta pode aceitar-se porque foi para permitir a entrada de Simão, mas poderia ter entrado na segunda parte, como forma de lhe dizer "Está descansado que conto contigo!"). Perante todos estes incentivos, Koeman apenas diz que os suplentes têm de trabalhar para inverter a situação. Não admira, pois, que Quim queira sair e Karyaka manifeste o seu descontentamento. E não serão os únicos a não estar satisfeitos...

Liga Record - Sector B32

Example

A classificação apresentada é a registada ao fim de 16 jornadas. Bem sei que podia ter esperado pela classificação final da primeira volta mas não sei se o poderia fazer, por isso, aqui fica.


Comentem as vossas actuações, agora que estão sentados no "banco". O que vão mudar nas vossas equipas? Que jogadores vos desiludiram? Quem vos deu mais pontos? E na segunda volta, quais os objectivos das vossas equipas?

Não me adaptei, e o vosso país é uma bela merda.

"Portugal é um país atrasado e penso que Lisboa está 20 anos atrás de Moscovo. Lisboa, a grande cidade (risos)."

Karyaka, no Mais Futebol.

Depois das críticas a Koeman, Karyaka tem esta tirada sarcástica e que em nada o ajuda a adaptar-se ao país, à cidade e ao Clube. Nem me quero alongar, mas se um país onde o prato principal de uma refeição é uma garrafa de "vodka", a principal diversão são casas de putas e quem tem o poder - além da máfia assassina, claro, essa merda que acolhemos à força em Portugal - são políticos que deixam morrer dezenas de pessoas enfiadas num submarino por qualquer coisa que ninguém percebeu... é o local certo para jogares à bola, meu amigo Karyaka, volta para lá, escolhe uma equipa e nunca mais cá ponhas os pés. Aliás, a malta ficou sem perceber para que é que os queres - com muita pena nossa.

PS: o russo quer ir embora, está claro. Mas aproveitem e multem-no por conceder uma entrevista não autorizada, sempre se poupa algum.

terça-feira, janeiro 10

Bruno Vale lesionado

A Bola noticia o seguinte: "(...) Buno Vale falha convocatória amadorense. O internacional português não recuperou da lesão sofrida no jogo da última jornada da Liga frente ao Vitória de Guimarães e não integra assim os convocados do Estrela da Amadora para o jogo de quarta-feira frente ao Souropires, para a Taça de Portugal(...)".
Alguém sabe contra quem joga o Estrela na próxima jornada da Liga?