segunda-feira, agosto 4

Petróleo no Dragão!?

Acabo de ver agora mesmo num desses programas desportivos onde quem comenta nada tem a ver com futebol, a dizer que do lado do Porto: "Não há qualquer problema, porque já arrecadamos 70 milhões"

Eu, pensando que uma pessoa que até deve estar a receber bem para estar ali, pelo menos conseguisse questionar isso, ou que então algum outro lhe diga:70 milhões....como assim!?
As contas segundo este senhor são fáceis de fazer = 15 do Iturbe, mais 15 do Fernando, mais 40 do Mangala.

Então vamos lá fazer contas.
1) Iturbe - Segundo as noticias que pude ler, o Porto vendeu sim o Iturbe por 15 milhões, mas a grande noticia aqui é que só tinha 45% do passe. Ora, arrecada menos de 5 milhões de euros. Um pequeno pormenor portanto.

2) Fernando - Também aqui são 15 milhões. Ora o que ninguém explica, é como o Manchester City que o podia levar o jogador a custo 0, aceite pagar assim de bom agrado 15 milhões passados 6 meses. Sim, já sei, têm muito dinheiro, mas mesmo assim!? Só sou eu que acha que esta história está mal contada?

3) Mangala. Eu acho uma piada que o valor do Mangala é sempre 40 milhões. Jogue bem ou jogue mal, vá ao Mundial e não faça sequer um minuto sequer, tenha feito o Porto uma boa época ou não. São 40 milhões e ponto final. Não há discussões de preços, tentativa de baixar o preço, nada disso. Mas esqueçamos isto por agor Admitamos então  que são 40 milhões mesmo. Ora como é fácil de comprovar o Porto tem neste momento 55% do passe, o que faz com que fique com 22 milhões de euros, fora comissões, impostos e  tudo isso. Outra pequena grande diferença digo eu.

Assim, façamos de novo as contas: 5 do Iturbe, façamo-nos de parvos e admitamos 15 milhões do Fernando e por fim os 22 do Mangala. Total = 42 milhões brutos.
Ou só assim uma diferença de quase 30. Pouca coisa, por certo. E isto com n condicionantes que por certo alterarão este valor.

Por fim uma última noticia, que já nem é de hoje:

http://www.ionline.pt/artigos/desporto/fc-porto-resultado-liquido-consolidado-acumulado-negativo-38-milhoes

Pois é, e ainda há gente que ache tudo isto normal.....

Jesus carrega a cruz, leões e dragões atiram pedras

Perto do fim (thank God!) vai a pré-época portuguesa. E pelo meio dos habituais chorrilhos de desculpas que a enevoam, fica, ao menos, claro que os lusos não a sabem viver. Bem pelo menos os adeptos, visto que, pela sua parte, os treinadores vão (sempre) indiciando que em termos de resultados as mesmas não valem de nada. Ganhe-se ou perca-se, o tempo - esse bastardo - nunca ajuda. É sempre preciso mais para afinar, e o relógio torna-se o actor principal enquanto as massas estão mais interessadas em cortar o pulso que o segura. Claro que daí até às conclusões apressadas condicionarem a moral das equipas é um 'tirinho'.


 Veja-se o caso do Benfica que de campeão indiscutível passou a não ter margem de erro. Parecia impossível gastá-la toda no defeso mas a desmembração da equipa, e algumas lesões inesperadas, levaram Jesus a montar - pela enésima vez - uma defesa. E se o spot publicitário que inunda a BTV garante que "o treinador não ganha títulos sem o suporte da direcção", Luís FIlipe Vieira não poderia ter feito 'melhor' atentado às ambições de JJ. Os anéis deixaram os dedos e os valiosos ornamentos do campeão ficam reduzidos a duas, três, jóias que, pasme-se, ainda podem sair. Gaitán e Enzo poderão então servir para equilibrar (mais ainda?) as contas ou, por outro lado, montar uma base (que ainda vai receber Luisão para comandar a defesa) para o ataque a um 'bi' há muito inédito. E no desfecho dessas novelas de verão estará a resposta a quem se interroga sobre o que a SAD encarnada realmente quer: ganhar títulos ou dinheiro?

Isto por mais estratega que JJ seja. Lembre-se, e sublinhe-se, que o seu maior desafio é bater um FC Porto competente. E nas três vezes que isso aconteceu (AVB, Vítor Pereira), Jorge Jesus acabou sempre derrotado. Claro que para isso contará muito outra interrogação desta pré-época: será Lopetegui mais AVB, ou VP? ou será mais Jesualdo ou Fonseca? E seguindo o Everton-FC Porto, fica a ideia que é melhor que os encarnados se cuidem. É que, se exceptuarmos o erro crasso de Fabiano - algo normal para quem sai sempre a jogar (o FC Porto bateu a bola uma só vez durante o jogo) - que permitiu o golo dos toffees, os dragões mostraram no Goodison Park autoridade e competência suficientes para controlar um adversário sempre difícil no seu reduto. E enquanto as equações da silly-season vão medindo os tempos de preparação, as cargas e as 'unidades de treino' da equipa de Roberto Martínez, o FC Porto de Lopetegui mostrou finalmente para que serve tanta largura. Extremos e laterais bem abertos, para virar o jogo até à exaustão... do adversário. Depois, bem... depois é encontrar os buracos por onde Herrera, Óliver, Brahimi ou Quintero vão furar - que é como quem diz, dançar o Cha Cha Cha. Muita bola mas também boas indicações defensivas de uma equipa que soube reagir ao momento da perda ou fechar no momento da organização. Indi - titular, jogou os 90' - joga fácil e 'pela certa', tornando-se assim um alívio para uma defesa farta das 'shenanigans' de Reyes e Danilo.

Mas se ainda lembramos uma luta entre dragões e águias, que dura há várias épocas, mais vale também não esquecer que considerar Marco Silva uma evolução a Leonardo Jardim é mais fiável que muitos boletins meteorológicos. Isto mesmo por entre as nuvens de uma pré-época que mesmo assim mostrou o raio-de-sol que pode ser o novo jogo interior leonino. Esqueçam os cruzamentos, cruzamentos e mais cruzamentos, e dê-se atenção ao que podem Adrien e André Martins (ou João Mário) fazer. E reparando mais no 'pequeno' André, impossível é deixar de lado a sua enorme chegada à área sub-aproveitada por Leonardo Jardim. Assim, se a aposta em Montero se mantiver, o Sporting surge como um adulto candidato, personalizado e, claro, endiabrado. Não se apressem é, depois destas linhas, a colocar o Benfica fora da questão, até porque desastres, esses, acontecem a quem privilegia o deslize adversário ao invés de querer uma Liga forte que enfrente uma Europa que não perdoa. Torna-se então escusado avisar... que atire a primeira pedra quem nunca levou 5 no Emirates (ou no Allianz).

sábado, agosto 2

Realinhamento do "sistema"?!

Foi notícia nos últimos dias que foi criada uma espécie de comissão, envolvendo Benfica, Sporting e Porto, para dar destino à Liga de Clubes no futuro.
É curioso o timing escolhido.
É curioso o alto-patrocínio do Presidente da FPF, em tempos (?) o homem forte da SAD do clube de Pinto da Costa.
O porta-voz escolhido foi o não menos curioso Júlio Mendes, que é conhecido nos meandros do futebol como próximo das hostes do FCP. E digo curioso porque se Emílio Macedo foi próximo das hostes benfiquistas, e foi a “gritaria” que foi, o silêncio de hoje dos pseudo-vimaranenses é enigmático.
Vejamos o timing:
- O Benfica acaba de se sagrar campeão nacional (e não só), e reconhecidamente com uma equipa extremamente competente;
- O Porto fez uma época desastrosa;
- O Sporting fez uma época em que superou todas as expectativas e os indícios são que vai melhorar;
- Benfica e Sporting deram sinais de aproximação em termos estratégicos para o futuro do futebol. Há quem diga que as “bocas” entre os clubes fazem parte da estratégia. A ideia seria quebrar a hegemonia do Porto que dura há largos anos;
- O Porto está a reconstruir a equipa de futebol, e para um clube que se dizia à boca pequena que tinha salários em atraso e as contas completamente descontroladas (afinal porque saiu Angelino Ferreira?), tem feito um investimento astronómico. A aposta parece de risco, e foram jogadas todas as fichas no investimento;
Pergunta-se então:
- O que aconteceria se Benfica e Sporting conseguissem quebrar a hegemonia do Porto?
- E se o Porto não ganhasse nada na próxima temporada?
Pinto da Costa ainda é o melhor estratega neste tabuleiro, e consegue antecipar o futuro com relativa facilidade. Percebeu que não podia ficar de fora e deixar que as coisas acontecessem sem mais, sob pena de isso significar a queda do Porto. Provavelmente vendo que nesta altura ficar contra ambos os rivais de Lisboa em simultâneo era o pior que lhe podia acontecer, lá arranjou maneira de virar o jogo a seu favor e estar no centro de decisão, e podendo de certa forma controlar a “aliança” entre Benfica e Sporting sem que braço de ferro com os rivais ou dar parte de fraco.
Do presidente do Benfica nada se estranha e basta recordar que em tempo não muito distantes, LFV deixou antever (numa entrevista que não tenho bem presente a data mas posso pesquisar...) que estava receptivo a uma aproximação ao Porto desde que fosse para bem do futebol português. Para quem se auto-arroga o porta-estandarte da luta contra o sistema, não deixa de ser estranho. Claro que os benfiquistas evangelizados pela “religião Vieira” têm uma justificação para isso. Eu não, nem aceito.
Estranha-me a posição de Bruno de Carvalho, que em pouco tempo demonstrou ter mais visão da coisa que o LFV, mas parece estar a ceder no tabuleiro da estratégia.
No final da época passada ouviu-se no meio da euforia, um significativo número de adeptos do SLB a anunciarem a queda do FCP e do seu domínio no futebol. Não acreditei, e agora acredito ainda menos. As condições estavam criadas, e a oportunidade era de ouro. O Benfica optou por delapidar um plantel campeão (tal como fez em 2010, e cujos resultados já conhecemos). O outro pilar que podia sustentar a revolução parece que está a ser minado, pelo que antevejo que tudo irá continuar como dantes.
Não consigo acreditar em gestos de bondade em favor do futebol, seja da parte de Pinto da Costa ou de Luís Filipe Vieira. Tenho pena que o presidente do Benfica seja uma pessoa com visão tão curta (ou um interesseiro).

Espero estar enganado…

segunda-feira, julho 28

O 'tiki' ainda 'tranka'

O Dragão quer acordar e, claramente por isso, o mote da festa azul e branca que serviu para apresentar o plantel aos adeptos foi esse mesmo. Julen Lopetegui é o escolhido e, até este domingo, conseguiu criar a 'ilusión' num Tribunal que, antes da bola rolar, estava demasiado optimista enquanto assistia a uma coreografia estilo oriental que também contou com a presença do novo timoneiro do FC Porto. Mas, no entanto, o jogo encarregou-se de trazer ao de cima um 'cheiro a novo' que os (perto de) 46.000 que encheram o Estádio do Dragão não conseguiram suportar. E se a primeira-parte - que iniciou com algumas caras que não se afiguram no 'onze-ideal' - ainda teve desculpa, a segunda chegou mesmo a enervar um público que esperava pressão, trocas de bola fluídas e, claro, golos. Mas... nada disso. O 'tiki-taka' de Julen ainda tem 'trankas' e emperrou claramente na saída-de-bola (constante - o FC Porto nunca bateu um pontapé-de-baliza para o 'ar'), nas tímidas laterais e num meio-campo sem recuperação de bola, acabando por ver Fabiano a salvar a equipa de um resultado bem mais negativo.



Porém, costuma dizer-se, para todos os males há remédio, e, desde logo e também por isso, argumentos não faltarão para quem não quiser entrar já a pés juntos ao novo dragão. Desde logo, a falta de tempo será um deles. É que pedir um mini-Barça que trucide 'Saint-Étiennes' é fácil, mas trazê-lo à realidade pode empancar na falta de lucidez que os portistas entregaram ao jogo e na falta de entrosamento num momento defensivo que... ainda não existe. Fossem eles os 'antigos' (Ricardo, Quaresma, Maicon, Reyes, Danilo, Alex Sandro e Herrera, jogaram na primeira-parte, sendo que a defesa se manteve até ao fim) ou os 'novos' (Tello, Adrián, Brahimi e Casemiro jogaram na segunda), pouco se viram no meio de um adversário bem organizado e aguerrido mas que não tem o potencial do FC Porto. Daí pedir-se mais a um 'colectivo' que consegue juntar, por exemplo, Óliver e Quintero ou Tello e Brahimi. Interessante será reparar que o técnico espanhol quer que o prodígio colombiano parta de uma ala, encerrando assim a discussão sobre quem será o patrão no 'miolo'. Óliver será o homem, num desafio que não se lhe adivinha fácil.

Mas enquanto se debatem as contingências temporais e físicas, o FC Porto-St. Étienne deu já para ver que os laterais portistas não terão muita liberdade e que na saída-de-bola não passarão do meio-campo. Mais ainda, nunca o trinco portista (fosse ele Rúben Neves ou Casemiro) foi buscar a bola aos centrais. Já os alas (fossem eles Quaresma e Ricardo, ou Tello e Quintero) raramente terão a liberdade para sair da linha em busca de jogo no centro do terreno. Uma escolha algo 'vulgar' e que ainda poderá sofrer evolução mas que, para já, condicionou Danilo e Alex Sandro à pressão adversária, assim como encurtou as linhas de passe a meio do campo. Sami (jogou os primeiros 45' na posição 9) foi, assim, uma 'ilha' e Adrián López (jogou toda a segunda metade) nunca conseguiu formar, pelo menos, uma península. Mas também aqui, é certo, se invocará o tempo. Resta saber se ele servirá para os adeptos portistas pedirem uma torre maior para Lopetegui (o espanhol grava os treinos em vídeo com o auxílio da altura) ou se esta chega bem. É que a 'meia-altura' no Estádio do Dragão, deu bem para ver que os seus 4x3x3 e 3x4x3 apesar de bons teoricamente ainda precisam de imensa afinação. Use-se então à vontade o 'lugar-comum' que reza que as pré-épocas servem mesmo para isso...

FC Porto-St. Étienne, 0-0

sábado, julho 26

O mito do “Milagre Financeiro” do Benfica - Parte I

Já há muito tempo que estou para fazer um post sobre as finanças do Benfica. Agora que tenho mais disponibilidade e tendo em conta aquilo que tem sido a pré-época do Benfica (vender, vender, vender e vender), penso que é a altura ideal. Como existe muita informação para partilhar e vários comentários a fazer, irei escrever vários posts.
 
Utilizei como base os Relatórios e Contas de 2008/09 a 2012/13, portanto 5 anos fiscais. É importante referir que não tenho nenhuma inside information.

Há uns anos quando o Benfica começou a aumentar drasticamente o investimento em jogadores (terá sido em 2008 ou 2009), em conversa com o J., não me mostrei muito preocupado, pois no meu optimismo/ingenuidade pensei que na Direcção do Benfica estivessem pessoas responsáveis, que sabem que uma empresa/organização não pode manter durante muito tempo uma política de investimento contínuo que não seja compatível com as Receitas geradas. Estava enganado, pois parece que a Direcção do Benfica não se preocupa tanto com a saúde financeira do Benfica, preferindo que se acumulem prejuízos de ano para ano. 

Começo por analisar os Proveitos Operacionais (excluindo-se portanto os Resultados com transacções de jogadores e os Resultados Financeiros):

Proveitos Operacionais                      2008/09     2009/10     2010/11     2011/12      2012/13
Publicidade e patrocínios 11 542 14 499 14 207 17 094 16 920
Transmissões televisivas 10 073 8 844 8 410 8 463 8 175
Quotizações 8 228 8 982 9 508 8 365 7 163
Receitas de Bilheteira 5 974 12 370 6 711 9 420 8 462
Merchandising 2 767 2 908 3 116 3 194 3 365
Cativos 2 563 2 823 3 789 2 977 2 316
Seat Rights e Bilhetes de época 2 160 4 091 3 786 3 525
Corporate 3 720 8 513 7 516 8 197
Prémios Competições Europeias 305 2 903 13 966 22 379 21 708
Rendas de Espaço 0 1 551 3 091 2 857 2 596
Cachets 2 043 2 225 330 0
Receitas outras Competições 726 2 019 1 098 0
Cedência Temporária de Atletas 1 185 2 365
Outros                                   5 428 2 853 3 247 2 455 3 514
Total Proveitos Operacionais 46 880 66 382 82 893 91 119 88 306


Começando pelos Proveitos Operacionais, é notória a evolução global positiva que teve esta Rubrica nos últimos 5 anos. Podemos verificar que o aumento é constante com a excepção do último ano, em que houve um “ligeiro” decréscimo de aproximadamente 3 Milhões. Mesmo assim, se comparamos com a época 2008/09 é um aumento de 88% Este crescimento está, no entanto, um pouco “inflacionado”, pois as receitas da Benfica Estádio apenas consolidam na SAD a partir de meio de 2009/10. Excluindo as receitas da Benfica Estádio (essencialmente “Seat Rights e Bilhetes de Época, Corporate e Rendas de Espaço), o aumento seria de aproximadamente 58%.

Passamos agora a analisar cada uma das rubricas:


Publicidade e Patrocínios

Verifica-se um aumento de 47% em relação ao primeiro ano de análise. Parece estar a ser feito um bom trabalho neste item. Segundo os R&C a origem deste aumento deve-se a prémios e melhorias contratuais relativo a Equipamento (aumento de aproximadamente 2 Milhões em 2009/10) e a melhorias contratuais com a Central Cervejas (2011/2012, não está especificado o valor). É a principal fonte de rendimento do Benfica (excluindo transferências de jogadores), com 74 Milhões de Euros acumulados em 5 anos.

Prémios Competições Europeias
A principal fonte de crescimento de receita vem desta rubrica e é fácil de explicar: no primeiro ano em análise valor foi pouco mais que zero. A época de Quique Flores a nível europeu foi um desastre e por isso não houve prémios de monta. Para além disso, os direitos televisivos dos jogos da fase de grupos eram negociados à parte e por isso as correspondentes receitas incluídas noutra rubrica (Transmissões Televisivas). Nos últimos 2 anos conseguiu-se manter a fasquia elevada, com mais de 20 Milhões em ambos os anos e, apesar de não existir ainda o R&C de 2013/2014, deduzo que se tenha superado a fasquia dos 20 Milhões outra vez. Estes valores têm significado, nos últimos 2 anos, 25% das Receitas Operacionais. No entanto este é um item bastante volátil e basta uma má época (como já aconteceu) para se reduzir drasticamente os proveitos totais da SAD. O total desta rubrica em 5 anos (4 na prática) é de 62 Milhões de Euros.

Transmissões Televisivas
Com a excepção do primeiro ano em que, como referido anteriormente, os direitos televisivos dos jogos da fase de grupo da Liga Europa eram negociados pelo Benfica e por isso as receitas ultrapassaram a barreira dos 10 milhões, nos outros anos ficou-se sempre na casa dos 8 Milhões. Estou curioso por saber a evolução destas Receitas agora que a Benfica TV é paga. Não espero nada inferior a 20 Milhões anuais, passando assim a ser a principal fonte de Receita da SAD (mais uma vez excluindo transferências). O valor global dos últimos 5 anos foi de 44 Milhões de Euros.

Receitas de Bilheteira
Neste item é visível o quanto pode afectar o rendimento desportivo na adesão aos jogos por parte dos adeptos. A época com maior receita (de longe) é a de 2009/10, ano em que fomos campeões. As épocas em que ficamos longe do título são também os 2 piores anos (metade da receita em relação ao melhor ano). Total acumulado: 43 Milhões de Euros.

Quotizações
Nos 3 primeiros anos em estudo, as receitas das quotizações estavam a subir ligeiramente. No entanto nos últimos 2 a queda foi abrupta chegando-se a 2012/2013 com -12,4% em relação ao primeiro ano. As justificações prende-se com a alteração das taxas de IVA (o principal motivo), mas também com a diminuição das cobranças aos sócios. O que me faz imaginar que o número de sócios com a sua situação regularizada difere bastante do número de sócios que periodicamente é anunciado (já que não houve diminuição do preço das quotas). Melhor trabalho terá de ser feito na retenção de sócios pagantes. Valor total do período: 42 Milhões de Euros.

Corporate
Este item refere-se às receitas com a venda de Camarotes e executive seats. É um valor bastante significativo. Nos 3 anos completos (em 2009/2010 apenas a partir de metade da época passou a ser integrado na Benfica SAD) o valor andou sempre muito perto dos 8 milhões, somando 28 Milhões de Euros, durante o período em análise.

Merchandising
Relativamente a esta rubrica, existe um pequeno aumento anual, que resulta em 20% de aumento quando se compara o primeiro com o último ano. É de estranhar que não exista nenhuma correlação entre época desportiva e as receitas de Merchandising. 15 Milhões de Euros acumulados.

Cativos, Seat Rights e Bilhetes de época
Nestes item é notória a relação da receita com os resultados desportivos da época precedente. No entanto no resultado final a variação destas rubricas têm um valor bastante residual, já que mesmo no melhor ano apenas correspondeu a 9,5% das receitas, por isso uma subida ou queda de receita terá pouco impacto. O que me faz pensar que talvez se pudesse baixar os preços de modo a ter o Estádio mais cheio, eventualmente sem quebra de receita, mas com vantagens a nível desportivo, o que permitiria também aumentar o preço dos bilhetes para os lugares que sobrassem. Total global: 28 Milhões de Euros.

Cachets, Receita de outras competições, Cedência temporária de Atletas, Outros
Nestas rubricas os valores são residuais, por isso não merecem particular análise, com excepção da rubrica “Outros”, que no entanto não tem detalhe, por isso não sei a que se refere.

Pontos Positivos
- Aumento considerável das Receitas Operacionais entre a primeira e a última época (88%), apenas com um ligeiro decréscimo na última (3,1%).

- Aumento considerável (e sustentável) das receitas entre a primeira e a última época, na rubrica Publicidade e Patrocínios (46,6%).

- Aumento enorme dos Prémios das Competições Europeias: de 305 mil euros para valores acima dos 20 milhões nas duas últimas épocas.

- Margem de melhora para as receitas com as Transmissões Televisivas, com o fim do contrato em vigor em 2012/13.

Pontos Negativos
- Receitas com as Quotizações a descer e que apenas parcialmente é explicado pela mudança das taxas de IVA, o que é estranho visto que o número de sócios aumenta todos os anos, segundo a informação que vem a público.

- Excessiva dependência dos Prémios das Competições Europeias nos resultados Operacionais (aproximadamente 25% nos últimos 2 anos). Aliás no meu ponto de vista este tipo de receita deveria ser considerado extraordinário, pois nunca se sabe o que irá acontecer durante o ano e as diferenças entre um ano e outro podem ser enormes. Deste modo os Resultados Operacionais seriam menos maquiados, o que ajudaria a uma melhor gestão de recursos.

- Receitas de Bilheteira: estão demasiado dependentes do sucesso desportivo. O departamento de Marketing não está a fazer um bom trabalho neste aspecto, apesar de algumas medidas que tem adoptado. Tem de se conquistar mais adeptos de Estádio.

sexta-feira, julho 25

Engenharia financeira - conclusões com os factos disponíveis

No início da semana o FCP anunciou a compra da totalidade do passe de Brahimi, ao Granada, por 6,5M€. Passados 2 dias comunica que é vendido 80% do passe ao fundo Doyen por 5M€. Comunica também que existe uma opção de compra, mas não refere as condições para o exercício da mesma. 


Com isto ficamos a saber que em 2 dias o jogador desvalorizou 200 mil Euros (80% de 6,5M€ são 5,2M€) e já só temos 20% do passe. E pronto.

quinta-feira, julho 24

Mitos.

Durante os últimos anos tem-se vendido o mito aos benfiquistas que o LFV recuperou financeiramente o clube, ainda que o passivo tenha aumentado cerca de 7 a 8 vezes.

Contudo, os mesmos que apregoam a grande obra de Vieira, são os mesmos que defendem a necessidade de realizar dinheiro com as vendas. Em que ficamos então? Há saúde financeira, e assim não se compreende a necessidade de realizar dinheiro; ou a recuperação financeira não passa de um mito?

E se é preciso vender como explicar "torrar-se" dinheiro em jogadores, muitos de qualidade duvidosa?

Para aqueles que dizem que é preferível vender a ter um jogador contrariado, apenas posso dizer que se assim é, é demasiado fácil sair do Benfica: basta dizer que se fica contrariado.

E porque é que aos outros batem-se as cláusulas de rescisão? Para que servem as cláusulas de rescisão nos contratos celebrados com o Benfica? No Benfica actual a gestão destas matérias é uma farsa de todo o tamanho.

A boa notícia: a ser verdade a primeira página do Record, Javi seria um excelente reforço!

quarta-feira, julho 23

Entrar com o pé direito.

O Eliseu entrou com o pé direito: "Não queria sair, mas pagaram um bom valor. Falei com o clube, treinador e ficou claro que contava comigo. Foi tudo à última hora, antes da viagem para a Austrália", afirmou o atleta à rádio espanhola.

In Correio da Manhã.

Se pelo menos fosse um bom jogador...

Lopetegui inova com táctica surpreendente

Acabo de ver confirmada a contratação do Brahimi, médio ofensivo argelino de grande qualidade, pelo menos no youtube. Verifico que Quintero regressou de férias e que Oliver Torres também por lá anda, emprestado, sem opção de compra. Não digo que seja táctica para começar logo os jogos todos, mas quando já tivermos com 2 ou 3 golos de vantagem e precisarmos de segurar o jogo, podemos usar o figurino seguinte e é jogar à rabia até que o relógio chegue aos 90 e picos.


É só uma ideia e ainda tem uma vantagem adicional, permite fazer descansar os extremos, que são poucos, os médios defensivos e de transição, que são poucos e mesmo os laterais que, surpreendentemente, também são poucos. Os centrais ficam quietinhos para não estragar.

terça-feira, julho 22

Mas que ganda joga!!!

Já há algum tempo que ando a tentar ver os jogos dos putos sempre que tenho oportunidade. A qualificação 100% vitoriosa dos sub21, o torneio de Toulon dos sub20 e agora o europeu dos sub19.

Confesso que estava á espera de ver um futebol aos repelões, aos soluços e de pouca qualidade, um pouco á imagem da selecção de Paulo Bento. Afinal de contas se há uma alguma coisa que esta crise conseguiu trazer ao nosso país foi a de tirar as esperanças a uma geração que neste momento o máximo que aspira é conseguir um contrato chorudo lá fora.

No entanto, as surpresas têm sido positivas. Os sub-21 juntam nomes que mereciam oportunidades no nosso futebol: João Mário, Esgaio, Mané, B.Silva, G.Paciência, etc......Os sub-20 acrescentam outros como Tobias, Bruno Fernandes, Hélder Costa ou Ricardo Horta. Hoje vi qualidade acima da média em André Silva, Gélson Martins, Ronny Lopes, Tomás P. num jogo em que despachamos a selecção local por uns claro 6-1!!!

Numa altura em que muito falam de uma morte anunciada do futebol português, acho que se calhar deveriam olhar com mais atenção para toda esta gente, fazer justiça e dar-lhes uma oportunidade a sério entre nós.

domingo, julho 20

Um bom Sporting e um Benfica á procura de si mesmo

Foi um bom jogo aquele que assistimos hoje no Restelo. Com um árbitro a deixar jogar, foi possível assistir a um jogo bem disputado e a bom ritmo, servindo assim para deixar notas interessantes para ambos os treinadores.

O Sporting teve na defesa um ponto de estabilidade, um meio campo com um bom Rosell a servir de tampão e com um Adrien sempre competente. Mas o problema talvez esteja mais lá á frente. André Martins continua a não me convencer muito apesar dos golos marcados, Capel insiste em jogar sempre da mesma maneira e Carrillo apesar do bom jogo de hoje continua a não decidir bem a maior parte das vezes. Assim, Montero fica sempre muito sozinho lá na frente.
João Mário vai ter que jogar já nesta equipa. Que toque de bola e que classe. Tive pena em não ver Shikabala e rezo para que o próximo a sair seja o Heldon.

Este Benfica obviamente não será aquele que vai começar a época. Falta ali muita gente e se calhar este Benfica ainda vai ter que buscar mais reforços neste mercado de transferências. Gostei dos laterais e do nov central. Talisca pareceu-me muito trapalhão, Ola John inconsequente e na frente temi sempre o Lima.
Mas eu sou daqueles que não acha que se justifique esta onda de alarmismo nos lados da Luz. Daqueles que sairam, acho que só se têm que lamentar a sério pelo Garay. Todos os outros acho que serão facilmente substituiveis pelo excelente departamento de scouting e pelas relações privilegiadas com certos empresarios. E ainda por lá estão jogadores como Salvio, Enzo e Gaitan, e isto meus amigos, quer dizer muita coisa.
  

quarta-feira, julho 16

Benfica

Estou muito apreensivo com aquilo que está a acontecer no Benfica. Parece que a ideia não se resume a mutilar a equipa, é mesmo destruí-la por completo. Depois de Garay vendido a preço de 2ª rebaixa nos saldos, Oblak, Rodrigo, Enzo que está preso por questões burocráticas, o próximo será Gaitán, podendo-seguir-se Maxi Pereira.
O "caso" de Oblak nunca me convenceu, e agora as negociações para aquisição de 2 jogadores do Atlético, levantam-me ainda mais suspeitas. Não acredito que os espanhóis batam os 16M. Na compensação o valor vai ficar substancialmente mais baixo. A rábula serviu apenas para iludir aqueles que (ainda) acreditam na gestão de LFV. Se fosse tudo verdade, o Benfica deveria ter exigido o depósito dos valores na sede da liga e o pagamento dos impostos, de forma a dar sinal ao mercado que não tolera falta de respeito a jogadores e a outros clubes. Mas o presidente é LFV e não há muito mais a dizer...
Em sentido contrário temos Pizzi e Candeias. Não vai ser por aqui que vamos equilibrar as coisas, isto se ambos ficarem no plantel e não forem buscar 3 ou 4 estrangeiros de menor qualidade para os substituir.

Nesta altura a melhor notícia seria o Benfica anunciar que alienou o seu presidente a custo zero! É pena que não passe de uma utopia.

Siga para mais 5 anos de seca...