segunda-feira, fevereiro 29

Sporting revisitado #13.

"O presidente alertou para a propalada campanha alegadamente colocada em marcha pelo Benfica, com o intuito de desestabilizar o Sporting. "Pelos vistos, o Facebook não chega para que as pessoas entendam que o Sporting é o maior clube português, o mais eclético, com 35 modalidades, mais nove adaptadas, o clube de Figo e Ronaldo... Não chegam ex-dirigentes a comentar, ou ovelhas tresmalhadas em almoços... Nada disto chega para nos derrubar", garantiu, aludindo ao encontro recente entre Dias da Cunha e Menezes Rodrigues, ex dirigentes leoninos, e Luís Filipe Vieira e João Gabriel, presidente e diretor de comunicação do Benfica."

A doença.

A campanha está em curso. Começou com o Football Le... com o coiso, passou para as queixas às agressões repetidas de Slimani (isso é coisa que se faça ao argelino?) e continuou em almoços conspirativos, feitos à vista de todos, para disfarçar, claro, onde se discutiu a agenda que definirá a aniquilação do clube de Alvalade que ameaça a hegemonia do Benfica.

Curtas

1 - Tenho de começar inevitavelmente pelas declarações de Luís Filipe Vieira. "Espero que nenhum jogador do Sporting seja impedido de defrontar-nos". Oh, tão simpático! Que palavras tão cordiais. Só é pena ter sido o Benfica a entrar com o processo contra Slimani.

2 - Continuando em LFV. Para aqueles benfiquistas que gostam muito de associar o Sporting actual à Coreia do Norte, imagino que terão sentido algum desconforto com o que se passou no sábado na entrega das medalhas pelos anos de filiação. O discurso do grande líder, com os soldadinhos todos atrás e as bandeiras... Terá sido um embaraço, ainda para mais quando há benfiquistas que contestam os 50 anos de sócio do seu presidente e o clube decidiu antecipar em quatro anos e meio a comemoração dos 112 anos...

3 - O União da Madeira treinou ontem no Seixal e hoje faz novo treino mas no Estádio da Luz. Diz que vale três pontos. Norton de Matos já disse que o importante não é pontuar mas dar boa imagem...

4 - Tonel... Então, pá?! Fazes um penalty contra o Sporting, marcas um autogolo contra o clube que te formou. Os adeptos do clube que te paga o ordenado estão em brasa contigo. A sério, que lance ridículo.

5 - O Sporting joga hoje em Guimarães, num teste difícil. Os minhotos estão a crescer de produção mas o Sporting costuma responder bem quando colocado sob pressão. Adrien não joga e tendo em conta o seu rendimento na presente época, é uma baixa de peso. Slimani vai ver o amarelo e falhar o derby. Mas também vai marcar...

quinta-feira, fevereiro 25

Realismo 'Doutromundo'

Não se pode secar demais a roupa. Se está seca, está seca. Queimá-la já é outra história, tal como a do ultra-realismo. Se é ultra, não é realismo. Se realismo será realismo, e por isso último degrau da realidade, o ultra-realismo cai no erro de querer emprestar uma outra realidade à realidade. Confuso? Talvez olhando para o onze do FC Porto e para as opções tácticas de José Peseiro num jogo em que se confessou uma "vontade enorme" de virar uma desvantagem bem desconfortável, se possa perceber o 'ultra-realismo' que seria cumprir tal desiderato com Marega, Varela e José Ángel em campo. Realismo ultra que visava ter de virar o 2-0 trazido de Dortmund, pensando primeiro - tal como na 1.ª mão - em arranjar maneira de não sofrer golos. Fica assim cada vez mais notório o limbo onde Peseiro caminha (entre atacar bem e defender melhor) em muito ajudado por uma situação contratual indefinida. 

Com Corona, Herrera e Brahimi a verem do banco, o FC Porto demonstrou uns bons três minutos(!!!) de pressão-alta. Aliás, três é um número que fica ligado a mais uma prestação insossa deste novo Porto na Europa League. Se três eram também os golos que os dragões teriam de marcar (sem sofrer) daria jeito que o Dragão visse os azuis-e-brancos passarem a barreira dos três... passes seguidos. Se ao bom número de recuperações altas (que surgiam quando os pupilos de Peseiro não ficavam à nora com a dose industrial de posse-de-bola no meio-campo defensivo operada pelo Borussia) a decisão seguinte fosse sempre a de baixar a cabeça, correr pelo relvado e rematar para o Dolce Vita (isto na primeira metade) mais complicada haveria de ficar a vida para quem, como sempre, oferece sempre um brinde ao oponente.

Que o Borussia haveria de marcar, lá no fundo, no fundo, todos sabíamos. Aliás, José Peseiro sabia-o tão bem que, nesta eliminatória em que usou a célebre 'não-desistência' do portismo, começou, como em Dortmund, a pensar em não sofrer. E se Julen Lopetegui - já com um 6-1 na bagagem mental - foi jogar à Luz com enormes receios defensivos, José Peseiro seguiu-lhe as pisadas e, desta vez, pensou mais em si, do que no clube. E se tanto elogiado foi Peseiro, quando assumiu que o importante era a «entidade patronal», desta vez as soluções defensivas nas alas para ajudar as laterais não colam com o discurso tão propalado do Somos Porto! 

Acima, dizíamos que ao número bastante aceitável de recuperações altas nos primeiros 45 minutos, o FC Porto viu os seus jogadores decidirem como se um guna lhes apontasse, a cada jogada, uma navalha. Mas, olhando para o ambiente no Tribunal, de nada se podem queixar os peseiretes que não de apoio incondicinal, da sua própria falta de estofo, carisma, inteligência e intuição. Até Rúben Neves - tido como um talentoso decisor - teve nos pés várias chances de estabelecer o FC Porto no meio-campo adversário. Mas a bola queimava, e se não era a redonda seria o momento, o medo, a incapacidade ou a falta de experiência. E se este Porto se pode equiparar a outros conjuntos azuis-e-brancos que nestes momentos (jogando contra colossos, leia-se) vêem o seu cérebro toldar em função da pressão adversária, terá de preocupar os responsáveis da equipa que, jogando em casa, esta prestação com bola seja em muito parecida com os Marítimos, Moreirenses e Aroucas da nossa bela Liga.

Não que o objectivo não fosse imenso e hercúleo. Não que as adversidades sofridas na 1.ª mão não fossem evidentes. Mas é o jogo operado com essas adversidades que marcará sempre a diferença. E se na cabeça estava a ilusão (em bom português) de lutar pela eliminatória, o jogo não podia fazer perder tempo (e dinheiro) a quem foi ao Dragão para ver mais que um treinador a jogar para não ser despedido no final de uma época em que não terá um goleada germânica às costas. Peseiro está assim fora da Europa (League) e talvez possa agora pensar mais calmamente na imagem que tem de dar para que, para a próxima temporada, a sua manutenção não seja vista com desconfiança. E se a cartada da Luz lhe deu um balão de oxigénio (curiosamente com muita bola no pé e pouco repelão), depois da inoperância e do ultra-realismo contra o Borussia, a vitória no Clássico pode muito bem ser coisa pouca para a certeza de um FC Porto dominador e de pé para pé. Esse é um FC Porto longe do repelão de Evandro, do semi-cabeceamento de Varela (com enorme defesa de Bürki) e da bola à barra de Brahimi (entrado na 2.ª parte). É que na retina fica a inoperância para roubar uma bola que andou, infinitamente, de lado a lado, pelo meio-campo defensivo, nos pés dos jogadores do Borussia, num controle do jogo quase imperial (e nada fino, como na Invicta). Uma saída-de-bola deveras conhecida e que, por isso, merecia mais pressão e mais tino na hora de a guardar o esférico para roubar o protagonismo a uma equipa que, sem nada disso para a tentar travar, saiu do Dragão a rir.

FC Porto-Borussia Dortmund, 0-1 (0-3); (Casillas p.b. 23')

quarta-feira, fevereiro 24

Waiting for the miracle

Natural Born Killers começa assim, soberbo, com Leonard Cohen. Mas é a tal coisa dos filmes - podem meter violência, corrupção, homicídios, que ninguém se importa. É só um filme, não é? Na vida real é mais complicado e menos glamouroso, nem as personagens são tão inteligentes, nem andam com as fantásticas OST's, que Scorsese ou Tarantino escolhem para as suas películas, atrás. Ainda assim,conseguem fascinar quem se deixa levar pela ilusão de que o futebol, até o futebol português, garanto, é demasiado grande para um só clube o controlar. Só mesmo achando que há muita inteligência nas estruturas dos nossos gangsters é que se podia acreditar numa coisa dessas. O problema, e grande falácia nessas teorias, é que os dirigentes abrem muita vez a boca para confirmarem as suas limitações. Daí que o melhor mesmo seja focarmo-nos naquilo que realmente interessa, não acreditando que os erros provenientes de limitações e incompetência, são fruto de masterminds que pura e simplesmente não existem. 

Em todos os jogos de futebol as regras são vilipendiadas para gáudio dos adeptos. Ao contrário dos protagonistas, os supporters têm acesso a informação que os protagonistas, na hora, não têm. Podem por isso passear a sua sabedoria comprada em milhentas repetições. Lá, dentro do campo, age-se por convicção, por intuição, por inclinação. Na poltrona age-se por conspiração, até porque na maioria das vezes temos a resposta certa em nosso poder. O que dá um certo gozo e noção de superioridade. Mas lá, a coisa é tão inclinada que deixa de haver respeito. Conta a nossa caixa mental e mais nenhuma e, se não reclamarmos, ela, pensamos, não será tida em conta. Temos de a forçar, portanto. O problema é que no caminho, omitimos tudo aquilo que possa causar mossa à teoria. Desvalorizamos com exemplos de outros jogos, de outros lances, de historiais. Raramente o nosso erro desbloqueia jogos, «porque eles seriam ganhos à mesma» ou porque «jogos houve em que fomos claramente prejudicados». É o equilíbrio, portanto.

Discussões eternas que para qualquer adepto do FC Porto são fáceis de ver acabar: 30 anos de corrupção, acena-se. Embrulha, que nada contam 30 anos de incompetência rival à luz da fruta e do café com leite. Não há argumento possível para um adepto portista, a não ser rebater com mais conspirações e espalhar mais o lixo. E se já houve alguém que tentou beneficiar de arbitragens - como fica claro no processo Apito Dourado - é óbvio que toda esta história fica manchada. O que não é óbvio é que em cada erro arbitral esteja uma peça de fruta, especialmente quando esse erro beneficia os dois clubes da Alface. Assim, embora manchado e com cicatrizes para a vida, o Porto segue o seu caminho, com a complacência dos seus adeptos (curiosamente são os resultados a pôr agora em causa Pinto da Costa, e não as acusações por corrupção de há uns anos). Tentou penitenciar-se, deixando de lado a coacção habitual - por via de acusações aos berros - e, por coincidência, viu o Benfica ganhar quatro campeonatos em dez anos, tornando-se bicampeão nos últimos dois. E há mesmo quem acredite que o Benfica se tornou bicampeão pela influência genial da sua rede na arbitragem. Jorge Jesus não tem nada a ver com isso. Assim como não tem com o 1.º lugar do Sporting. Os árbitros e quem os controla fazem ganhar quem eles querem. Grandes mentes!

Daí que o Porto europeu tenha surgido pela confiança dos seus resultados caseiros. É de esperar que com um erro a proporcionar uma reviravolta no último jogo, o futebol esqueça a enorme diferença de qualidade entre o Borussia 'Doutromundo' e o FC Porto actual, aquele que vive no fio da navalha. Esqueça-se também a desvantagem de duas bolas e a diferença de intensidade e poder nas divididas. Ao FC Porto bastar-lhe-ia controlar o árbitro para passar esta eliminatória, mas na Europa há mais redes de interesse e, então, o FC Porto só pôde ganhar uma Taça dos Clubes Campeões Europeus, uma Champions, uma UEFA, uma Europa League, uma Supertaça, e duas Intercontinentais. Foi o que se pôde arranjar. O que ainda assim é mais do que o historial do que a Sudtribune pôde mostrar no Westfallenstadion, em mais um fantástico mural. 


 Porém, não vai ser a história a ganhar este jogo ao FC Porto. Até porque o que fica das conquistas apontadas acima é a capacidade de desenvolver grandes equipas, mas apenas em anos pontuais. O FC Porto não é um colosso habitual. Não é sequer um colosso, acrescente-se. O que conseguiu na Europa é fantástico e absolutamente exemplar, mas não deixa de ser pontual. O hábito é ceder frente àqueles que, pontualmente também, andam por cima. O Borussia é um deles. E, trazendo ao Dragão, um jogo de controle bem afinado, rotinado, e podendo criar quer em transição, quer, pontualmente, em organização (organização que serve mais para controlar e empurrar), os germânicos têm tudo para marcar um golo ao FC Porto de meio-campo adversário que Peseiro se esforça por criar e equilibrar. E, nem com o seu trabalho excelente até ao momento, os dragões poderão sequer sonhar em não sofrer um golo que matará qualquer aspiração. Uns dirão que as grandes equipas se vêem nos grandes momentos. Eu direi que este FC Porto tem muitas dúvidas para ser uma grande equipa. Se elas pudessem ser criadas em semanas, por muita garra, muito querer e muito das tripas coração, a história do futebol, ou do próprio FC Porto, não tinha lógica. É por isso por um milagre que os portistas esperam. Disso ou de um árbitro comprado. É só isso que é preciso, não é? 

terça-feira, fevereiro 23

Benfica ridículo #1

Slimani mandou as calorias à fava 

Aconteceu por estes dias. Slimani mandou as calorias à fava e foi mesmo jantar pizza a um restaurante italiano. É certo que ainda faltavam 72 horas para o Sporting jogar, mas a verdade é que Slimani resolveu mesmo sair da linha. E eu não acredito que haja nutricionista que coloque uma pizzasaborosa e cheia de queijo mozzarella na ementa perfeita. Slimani jantou no Restaurante Di Casa, no Centro Comercial Vasco da Gama.

Cuidadoso 

Quem também vi ao almoço foi João Mário. Mas, verdade seja dita, o português foi muito mais cuidadoso do que o argelino. João almoçava no Rio’s no domingo mas não comeu o buffet de cozido à portuguesa. O jogador sportinguista foi cuidado. Preferiu um carpaccio de novilho e uns ovos mexidos, mas com muito pouca farinheira e muita salada de rúcula.

By Carlos Dias da Silva, jornalista da Benfica TV

Sporting revisitado #12.

"Ao outro, que é uma caixa de ressonância, digo que é melhor ele analisar o processo do Rodrigo Tello, o prémio de quando foi campeão e fazer-lhe lembrar – a ser verdade aquilo que me disse muitas vezes – como foi capaz, se é tão sportinguista, de esconder o Futre durante 8 dias para desviá-lo do Sporting para o FC Porto, finalizou."

Carlos Pereira

Augusto Inácio nasceu para o futebol no Sporting mas foi no FCP que alcançou o sucesso. Durante anos conviveu de perto com a máquina de vitórias instalada a norte. Até pela forma como se refere ao lance do Maxi neste fim-de-semana se percebe que Inácio continua com uma ligação muito forte ao seu antigo patrão e símbolo de tantas glórias desportivas.

Ao serviço do Sporting tem desempenhado um papel brejeiro, violento e pobre, à imagem de tantos outros dirigentes.

Todos conhecem a história com Jesus mas, como seria de esperar, Inácio preferiu manter o lugar (diz que é relações internacionais) desse lá por onde desse.

Se serve o clube, duvido. Mas que se serve a ele próprio, serve.

segunda-feira, fevereiro 22

Vitória importante...

... Como serão todas até final. Sem casos de arbitragem, apesar da mesma não ter sido famosa. Fosse assim em todos os campos e a vantagem seria bem maior. Ainda esta semana se viu o descaramento com que se beneficia os rivais, entre mergulhos ridículos e cortes na bola transformados em penalty.
Quanto ao jogo, Jesus poupou muito mais jogadores hoje do que com o Bayer, o que deita por terra muitas teorias que se criaram em relação a prioridades e desistências.
A exibição não foi das melhores mas foi suficiente. Não sofremos golos, o que é sempre importantíssimo (são 3 jogos seguidos sem sofrer, creio).
Boa exibição de Schelloto e classe de Ruiz. Patrício muito seguro.

Curtinhas.

1. Fim-de-semana sem campeonato inglês e um gajo tem de gramar com a miséria cá o burgo. No Sábado, já se sabe, o Benfica venceu sem gandes dificuldades. Apesar das queixas todas, o penálti sobre Jonas existiu mesmo (obrigado, Bruno, pela confirmação). O próprio Jonas confirmou que sofreu falta e sendo o brasileiro um exemplo dentro do campo, só temos de aceitar e seguir em frente. Com isto, o campeonato dura mais uma semana para o Benfica. Nada mau.

2. O FCP deu a volta e só se fala do penálti do Maxi. Não vi o lance, nem vou ver. Aparentemente um dos golos do Moreirense nasceu de uma bola fora não assinalada. Duas coisas a reter deste jogo: não há jogos sem polémicas e havia de ser giro perceber que o Benfica tinha perdido há uma semana com uma equipa que eria derrotada em casa pelo Moreirense (uma equipa fraquíssima).

3. Hoje joga o último dos "grandes" e Jesus lá teve de responder se Carrillo poderia ser opção no futuro. Veio o "tio Patinhas", obviamente. Qual era o sentido de colocar em campo um jogador que já assinou pelo grande rival? Está tudo parvo?

4. O Canelas continua em grande. Polícia?

5. É um final de carreira tristíssimo. Felizmente os adeptos não o esquecem.

6. Barcelona, Bayern, PSG praticamente campeões em Fevereiro. Juve na frente, depois de um início penoso. Leicester a fazer sonhar o mais românticos dos adeptos.

7. Os meus posts (e apenas os meus) vão ter os comentários fechados por algum tempo. Há demasiada agressividade de todos os lados (do meu, também, obviamente) e quando eu achar que as coisas estão mais calmas e desportivas volto a abrir. Até lá, boa Páscoa.

... não dar o corpo pela alma

É preciso ter calma, não vá o FC Porto jogar como se estivesse em 1994 com um cartel colombiano a escrutinar os seus resultados. Peseiro e os seus dragões, já se percebeu, querem (ainda) ganhar a Liga. E isso é legítimo. Não me parece é que, primeiro, alguém vá linchar a equipa se isso não acontecer, como não me parece, segundo, que ganhar a Liga deva ser a primeira preocupação de uma equipa com tanta coisa a resolver para poder... ganhar a Liga. Contudo, olhando para o Moreirense-FC Porto, de domingo passado, fica na retina que o FC Porto se propõe desmesuradamente a um objectivo suicida. Toda a pressão de ter ganhar, sem saber bem ainda como, porque o dragão «não pode perder pontos», está a ser aproveitada, de forma excelente diria, pelos adversários dos portistas. Outrora o Dragão era um local que inspirava respeito, como outrora o FC Porto já entrava com vantagem psicológica sobre os adversários - fruto do seu melhor jogo (normalmente o melhor da Liga). Mas hoje, depois de duas ligas perdidas para o Benfica, sobram dúvidas em relação a uma remontada épica, que - segundo dizem - não acontecia há 40 anos. 

Já não chegava assim a falta de reviravoltas com Lopetegui, e aquelas já operadas por Peseiro, virando margens mínimas, tem agora o FC Porto de dar cambalhotas em jogos no Dragão(!) perdendo por 0-2? A questão, por si só, devia já dar bastante clareza aos que (ainda) apostam no FC Porto campeão nesta época, e o que faltasse para se compreender a situação portista seria facilmente vislumbrado vendo as repetições do primeiro e segundo golo dos Cónegos. Chidozie, aquele miúdo nigeriano que cumpriu na Luz e que parece muito bom de bola, sem o esférico é... um pesadelo. E caso os azuis e brancos perdessem esse jogo seria de repensar o nome da Alameda adjacente ao estádio. Foi incrível a forma como o miúdo abriu uma auto-estrada a Boateng, preferindo ganhar-lhe o lado de fora e deixar caminho aberto para o irrequieto avançado do Moreirense poder enfrentar Casillas. Depois há mais falhas, claro: Danilo, tal qual William Carvalho, parecem saber ler muito bem. Os jornais e não o jogo. É que tanto um como o outro gostam de divididas e brilham na garra. É disto que os adeptos gostam, porque as falhas no posicionamento defensivo passam-lhes ao lado. E se Danilo não é ainda uma referência (para o autor desta crónica) no 'miolo' do FC Porto, é por lhe faltar essa capacidade sem bola, como lhe falta com ela (o que já não acontece com William).


E é com esta anarquia que José Peseiro tem de lidar. E, como se não lhe bastasse a sua própria anarquia (a sério que para fazer golos, o FC Porto tem de se expôr assim tanto?), o coruchense tem tudo menos tempo, e tranquilidade, para corrigir erros que Lopetegui - que só pensava em ter a bola de modo fácil para não ter de defender (também não atacava, mas podia ser que alguém resolvesse aquilo com um 1 para 3) - erros que Lopetegui, dizia, nunca quis saber. Ao basco dava-lhe igual que os centrais defendessem ao homem e que abrissem clareiras. Esse não é o caso, sabemos, de Peseiro, que, ainda assim, vai ter de rever a sua política ofensiva se quer sair vivo de uma etapa onde vai apanhar mais Aroucas que Benficas. Que é técnico de jogo grande, e que mesmo não ganhando esses jogos (costuma) fica(r) na retina o estilo futebolístico que imprime às suas equipas, já todos sabemos, mas as pontuações atingidas nos seus dois projectos de Liga portuguesa não cobrem a cova de um dente do Porto tricampeão com AVB e VP. E isso terá que ter razões.

Daí que confiar que o FC Porto, que no meio de uma batalha para melhor título das suas crónicas caseiras tem de escolher entre Dragões de casa desesperados ou Dragões à beira de um ataque de nervos, possa ser campeão é fechar os olhos a toda a pressão que o clube construiu para si. E quando não se pode falhar, não se pode falhar, não se pode falhar, já sabemos o que, mais cedo ou mais tarde, acontece. Seria contra todas as leis do Universo que o FC Porto se focasse em não falhar sem ter o falhanço na consciência. Mas talvez este 3-2 (como o 1-2 ao Benfica) lhe permitam focar-se em acertar, acertar, acertar.

Porém, calhou que, no meio da inoperância futebolística, o 0-2 (sofrido de forma magistral com uma excelente chegada de um médio à enorme área a descoberto) tenha ao menos sido um teste mais real àquilo que os dragões vão encontrar na próxima quinta-feira. Cumprido o desiderato de tornar a coisa o mais perfeita possível, o FC Porto lá mandou subir Maxi e lá desviou Corona da linha - dois que andavam em movimentos ainda lopeteguianos, a mastigar jogo pela ala. Depois, foi tempo de ganhar o bónus que o Dragão tem acumulado. Com a pressão de ter sido desfavorecido e de ter penálties a haver a Maxi, poucos seriam os árbitros que quereriam errar em desfavor de um FC Porto que já se sabe: não pode falhar, não pode falhar, não pode falhar. E como é que claro que o conta, nisto dos penálties, é arranjar o melhor advogado, até quase que ficamos sem saber se é penálti ou não. Quase.

Talvez por isso, dissertar sobre os critérios de uns e de outros, vai dar ao mesmo que marrar com um comboio. E, ainda que literalmente ninguém queira isso, metaforicamente é o que fazem todos os que tentam encontrar um toque, um corte, um contacto, com os olhos guiados por palas na direcção de quatro pés ou quatro braços, tentando achar-se algo fazendo usufruto de quatrocentas repetições. Pelo menos, é assim que eu me sinto quando tento vislumbrar um lance polémico. Ainda que chegue a rápidas conclusões, mais visualizações são precisas porque fulano diz que há um toque e porque sicrano diz que já não chegava à bola. Quer então isto dizer que aparte das conclusões do video-árbitro (sim, já existe: somos nós todos e raramente nos entendemos) Layún acabaria por reduzir e fazer o FC Porto acreditar numa reviravolta que antes de o ser já tinha visto bolas na barra e um par de lances perigosos na área dos visitantes. Depois da bola bater no cordame, a pressão foi de tal forma intensa que - assemelhando-se à que o FC Porto carrega de jogo para jogo - José Peseiro foi aos arames com a falta de minutos de compensação dados pelo mesmo árbitro que assinalou o penálti. Cheirava a empate.

Claro que o 1-2, com 45 minutos, mais um pozinhos, e com aquilo bem jogadinho, daria sempre para virar. Mas o FC Porto vive um momento especial. Aliás, olhando para os seus jogos caseiros, sinto uma espécie de dejà-vú que só é estragado pela cor das camisolas e pelo bonito estádio que o despoleta. Antes, era isto um jogo do Sporting, como antes de Jesus era isto um jogo normal do Benfica. Por isto entenda-se a falta de controle emocional, o desequilíbrio constante, o desfecho imprevisível, fruto de vantagens ridículas, ou empates concedidos ao adversário. E os dois golos que consumaram a remontada provam que, com mais calma e, sobretudo, mais saber, não era preciso que fosse o Moreirense a testar, por duas vezes, Casillas no início da segunda metade. Sim, o FC Porto estava há 40 anos sem conseguir virar um 0-2. E nos últimos 30, alguma vez foi preciso?

P.S. Iuri Medeiros é tudo aquilo que falta ao ataque do Sporting.

domingo, fevereiro 21

Como as coisas funcionam atualmente



Troca de cadeiras no poder

A época da "fruta e café com leite" acabou. Estamos agora em plena época de " vinho tinto e torresmos"

Sporting revisitado #11.


Diz o sportinguista e leitor do Sector B32 há muitos anos, Riga/V-1-Boy:

"Para ajudar um pouco nos tais lances: O Bruno Moreira teve sorte em não ir para a rua por simulações, em lances em que se quisesse até conseguia continuar a jogada. No primeiro a repetição por trás da baliza tira todas as dúvidas: o Samaris encolhe a perna e o gajo do Paços tenta provocar o contacto; no outro lance até sem repetições se vê o Bruno Moreira a puxar a camisola do Jardel. Quanto ao penalty do jonas é falta, mas não é do primeiro gajo que ele ultrapassa, na repetição por trás da baliza dá para ver que o número 20, o Andrezinho, quando percebe que o colega foi ultrapassado, estupidamente, estica a perna para acertar no Jonas".

Em relação ao lance do golo do sueco (que maravilha), não está fora-de-jogo. Só tinha visto o lance corrido, sem repetições e parecia que estaria adiantado. Mas não faz mal, o Peyroteo já viu uma falta de Jardel no lance. E quem precisa de ajuda psiquiátrica são os outros.

sábado, fevereiro 20

Paços de Ferreira-Benfica (tipo ao vivo).

Ao intervalo
Jogo fraquinho do Benfica na primeira parte. Dificuldades na criação, dificuldades em controlar o adversário.

Grande jogada para o primeiro golo e espectacular golo do empate do Paços (que começou em falta sobre Almeida), marcado por um jogador que será do Benfica na próxima época.

De penálti, Jonas deu vantagem. Muitas dúvidas. Esperemos pelo comunicado de BdC.

Segunda parte
Golo do sueco (há quantos anos não dizia isto de um golo do Benfica?). Pareceu-me haver fora-de-jogo. Aqui o Inácio não ajudou.

Jogo aparentemente resolvido. É pôr o Salvio, o Talisca e o Guedes. Viver no limbo.

Posso dizer que prefiro o Carcela a esta versão do Gaitan meio coxo?

60 ' o Benfica faz tudo para o Paços reduzir.

Este Mitroglou pode ser que se faça jogador. Quem sabe...

Se se confirmar o golo do sueco (deixem-me repetir!) em fora de jogo vai ser bonito, ninguém agarra o Peyroteo).

Vai entrar o Marcelo do Real Madrid, no Paços. 67 minutos e uns frames.

A bola cola nos pés do Carcela. Deve ser a mesma que usa no cabelo...

Renato no MU por 80 milhões. E o William Carvalho no pacote. E o Pizzi. E o Jimenez. E o Victor Andrade.

72 minutos e só penso porque raio não comprei tremoços.

O Benfica às vezes não se percebe se joga bem ou se joga mal. Será arte?

Reparei agora que a cor do cachecol do Rui não é do Pantone correcto. Se for preciso invocamos este facto quando for despedido.

O Pizzi saiu e ninguém quis saber.

O Paços joga muito. Mal.

Já ia um tremoço. O Eliseu não é a mesma coisa.

Olha, parece que ganhei um iPhone. Clico no link?

Estamos agora a jogar com 10. Ah, afinal foi só o Almeida que saiu. Continuamos com 10 como desde o início.

Assusta-me às vezes o ar do Rui. Tipo "o que é que se está a passar no relvado?".

Adoro comentários em turco.

Amarelo bem mostrado ao gajo do Real Madrid.

Bem, Eliseu! Amarelo num lance de lançamento lateral e num jogo em que estás a ganhar por dois. Perde tempo! Perde tempo!

85 minutos e futebol nem vê-lo.

Momento emocionante no jogo! Choque de cabeças entre dois jogadores.

Foda-se. Porque é que o polícia veio atrás de mim?!

sexta-feira, fevereiro 19

Sporting revisitado #10.

"Internacional brasileiro tinha uma cláusula no contrato com o Estoril que lhe permitia sair a custo zero. De manhã rescindiu com os canarinhos, à tarde assinou pelos leões até 2020.

O DN sabe que Bruno César tinha estipulado no contrato de trabalho com o Estoril uma cláusula que lhe permitia sair, sem custos, desde que fosse para um grande do futebol português."

Isto foi o que nos foi dito na altura.

Meses depois, afinal custou 1,3M, pagos a um intermediário (teoricamente representante do jogador), pagamento acordado um dia depois do contrato com o jogador ter sido assinado.

Convém saber que:

- O Intermediário deve requerer previamente o seu registo sempre que participe numa transação.

- O contrato de representação é celebrado em quadruplicado, sendo uma cópia para cada uma das partes, outra para a FPF e outra para a LPFP, quando os contratos digam respeito a jogadores ou clubes que participam nas suas competições, e tem que conter, pelo menos, os seguintes dados:
a) Identificação das partes, incluindo o número de registo do Intermediário;

- O clube ou o jogador devem assegurar que qualquer contrato de transferência ou contrato de trabalho celebrado com o recurso a serviços de Intermediário contém o nome e assinatura desse Intermediário e o seu número de registo na FPF.

Conclusões? Só para gente muito habituada a justificar trafulhices.

Vemo-nos no Dragão?

Tivesse o Porto perdido em Dortmund, por 2-0, em qualquer ano que não o de 2016 e o assunto pareceria estar arrumado. Mas entre o presente deste 19 de fevereiro, e o passado, não muito distante, que envolveu uma espécie de embate com o maior dos colossos germânicos - que terminou da pior forma para os portistas - há realmente algo que suaviza a derrota naquela que foi a 1.ª parte da eliminatória. Suaviza, dizia, porque há expectativas que se criam. E essas, em muito boa parte, vão arranjar força para se manter vivas na vitória portista frente ao Bayern Munique (3-1), aquela que dá uma réstia de esperança de que os gigantes desta Europa podem tombar no Dragão por diferenças de dois golos. E como casos desses são raríssimos mas possíveis, foi ver o FC Porto - qual Maccabi Haifa quando vem à Invicta - não a viver, mas a sobreviver, não a agir, mas a reagir, para segurar uma... desvantagem que lhe permitisse sonhar.


A contingência, essa maluca, colocou Peseiro a mexer em todos os sectores e levou os dragões a terem medo da própria sombra. O horripilante - para o adversário - Westfallenstadion tem esse condão, assim como tem um Dortmund poderoso no posicionamento defensivo, na agressividade e, por consequência, na dividida. A somar a isso, a excessiva circulação de bola germânica iria sempre empurrar para trás uma equipa com Layún a central, com Varela mais central do que lateral e com Marega mais lateral do que ala. Depois, a insuficiência defensiva de Rúben Neves levou também com um tampão (Sérgio Oliveira), para que num registo semelhante ao dos últimos 20 minutos na Luz (equipa recolhida nos últimos 40 metros) os azuis e brancos pudessem ver em 1.ª mão a tal circulação por fora do Dortmund e resistir às raras movimentações interiores do conjunto de Tuchel.

Mas, ironia do destino, o FC Porto de organização defensiva não iria sobreviver à primeira bola parada do Borussia, partindo assim, para o resto de um interminável jogo, não só em desvantagem como a pensar, quer no desastre de Munique, quer em manter a diferença o mais reduzida possível. Assim, o dragão atarantado teve mesmo de arranjar outro dia para sonhar, porque ontem, no Signal Iduna Park, a realidade não o deixava ganhar as primeiras, nem as segundas bolas, não o deixava pressionar alto, nem dividir o jogo, como não o deixou (pela maior parte do jogo) passar a barreira dos... três passes seguidos.


Contudo, o menor dos males acabou por ser conseguido. Com tanta alteração (em maior número do que aquelas que seriam forçadas) acabou por ser algo surpreendente que os portistas estabilizassem em organização defensiva. Se quanto ao ataque estamos conversados até ao justo 2-0 (71'), o sistema defensivo do FC Porto acabou por provar que o Borussia tem o seu quê de lopeteguiano. É que para um impressionante domínio da percentagem de posse-de-bola - algo extremamente útil quando se consegue uma vantagem aos aos 6' - o ataque dos germânicos é extremamente previsível (exceptuando o segundo golo tem uma só oportunidade de bola corrida). Só assim se explica que Kagawa - homem destacado para jogar entre-linhas - só tenha aparecido a espaços - um pouco como o tal jogo-interior (ou falta dele) que Tuchel não pede como norma.

O favor do colega alemão a Peseiro acabou por deixar antever que o FC Porto podia, e deveria, ter feito mais. Claro que o perigo de subir e destapar uma autobahn para Aubameyang (a tal previsível solução na transição) era enorme, e talvez esse mesmo perigo assente no medo (sempre presente), e não na confiança, tenha ajudado a relembrar o velho problema portista quando defronta um colosso. Um problema bem português aliás, aquele de não conseguir arranjar tranquilidade para, com bola, ser fiel ao seu futebol. Com tanta tremideira sempre que se faziam coisas normais - como atrasar para um 'central' (quando se fala nos centrais deste Porto temos de lhes arranjar aspas) - era impossível de imaginar que as (coisas) difíceis (segurar o máximo de tempo possível a bola no meio-campo ofensivo e ir arranjando brechas para tentar um golo milionário) seriam realmente feitas. Sem surpresa assim não foi - tirando uma ou duas excepções já depois do golo de Reus (com Suk, por exemplo, a ter o golo nos pés).

O FC Porto trouxe, assim, da Alemanha o já referido menor dos males. Sendo que o 1-0 não era possível por razões de justiça universal (a defesa portista não tinha assim tanta organização e o ataque do Dortmund não é assim tão parco em soluções como alguns podem querer entender destes dois últimos textos), o 2-0 abre uma janela de esperança para aqueles que acham que este Borussia não é o papão que todos pintam por aí. Mais ainda, jogando fora será difícil que o FC Porto não condicione a sua forma de jogar, metendo a nu algumas das suas deficiências. Um forcing que, porém, terá sempre o fantasma do golo fora para transcender. Assim, por mais que as tais deficiências do Dortmund sejam expostas, torna-se difícil falar neste parágrafo na hipótese de uma vitória clara e sem espinhas frente a um dos mais poderosos conjuntos alemães. É que para essa acontecer tem de se (realmente) acreditar nela, antes de se reproduzir a ideia em campo. E essa crença vai ser a maior dificuldade de Peseiro e dos seus jogadores, para uma 2.ª mão que, olhando para os rostos de confiança germânicos, se prevê bastante interessante. 

Dortmund-Porto, 2-0 (Piszczek 6' e Reus 71')

quinta-feira, fevereiro 18

Sporting revisitado #9.

"Afinal CML foi mais generosa para o Sporting. Segundo o Expresso, isenção dada aos leões é mais generosa do que a concedida aos encarnados".

Tudo a comer.

Perceber o Signal

Reus, Aubameyang, Mkhitaryan, Kagawa, Hummels, Gundogan... O Borussia Dortmund reinventa-se (poderiam contar com Götze, Lewandowski...) e não chora pelo passado. Um pouco à imagem de Benfica e, do seu adversário desta quinta-feira, FC Porto, o clube de Dortmund vê sair as suas pérolas mas, ao contrário dos lusos, vê algumas voltarem (Sahin, Gundogan e Kagawa), o que só por si já diz muito da diferença de poderio financeiro para os dois clubes portugueses referidos (no campo de vendas milionárias no qual o Sporting se incluirá a breve prazo). Isto porque para David Luiz, Otamendi, Di Maria, James, Witsel, Hulk... voltarem, os salários teriam de ser infinitamente superiores. Já o Borussia Dortmund pode perder os já referidos Götze e Lewandowski, mas pode recuperar aqueles que não se afirmaram noutras paragens e, ainda assim, manter o seu Marco (Reus). Pelo meio, vai segurando também o seu cobiçado patrão (Hummels) e arranjando maneira de lançar Aubameyang e Julian Weigl - uma interessante espécie de Rúben Neves que pontifica no meio-campo defensivo dos alemães. Mas o que realmente define este colosso, para além da espectacular relação com os adeptos e do vibrante ambiente do Westfallenstadion (Signal-Iduna Park), é a aposta, muito germânica, no modelo de jogo. Foi-se Klopp, mas agora há Tuchel. A mudança trouxe diferenças, óbvias, mas o perigo mantém-se para quem visita Dortmund. 

Então porquê fazer as malas e seguir viagem? Com um só central de equipa A, sem o lateral mais experiente da equipa e sem o equilíbrio de Peseiro no 'miolo' (Danilo), o FC Porto não verá muitas apostas feitas em seu nome. Na mente segue o fantasma de Munique (onde Danilo, Alex Sandro e o próprio FC Porto cumpriram castigo) e longe dela está já a esmagadora vitória em Bremen (0-5, 30 de março, 1994). Jogos que não contam porque o futebol continua, e continuará, a dar oportunidades para mudar o rumo das histórias. Ou, pelo menos, não deveriam contar. No entanto, olhando para a maioria das deslocações dos portistas às mansões dos colossos, a mente volta a fazer das suas. Será da intensidade do Allianz? do carrossel do Emirates? Resta aos dragões o Teatro dos Sonhos, onde, ainda assim, se ganham empates de quando em vez.

Isto para lembrar que qualquer resultado positivo na casa de um colosso é épico. Sobe o patamar dos jogos comuns e torna-se daqueles onde os jornais, simbolicamente, atribuem nota 10 a todos os jogadores. É incrível, é fantástico, é maravilhoso, mas não deixa de ser futebol. Porém, para além dos golos que entram (a mais do que os do adversário), é a preparação, a todos os níveis, de uma equipa que joga fim-de-semana a fim-de-semana com margens de erro muito mais elevadas (ninguém compare a Liga NOS à Bundesliga), que conta. Essa [preparação] e o estudo aprofundado do adversário. É esse que debela os mitos e é esse que, juntamente com a crença nas próprias capacidades, que eleva a probabilidade de se fazer história. E, olhando para este Borussia, há um paralelo curioso com o passado (bem) recente dos dragões.


Olhando para o Borussia, dizia, vêem-se os germânicos estendidos no relvado. Hummels vai conduzindo, Subotic abre e Weigl ou Gundogan baixam. Fazem-no junto da linha que marca o  meio-campo, ou até mais à frente, se o adversário o permitir. Esse remete-se, normalmente, aos últimos 40 metros. Os laterais aproveitam então para subir. Gundogan sobe e estabelece-se mas, enquanto vamos buscar salgados ou coisa que o valha para apreciar um dos futebóis mais trendy da Europa, reparamos que, apesar de os extremos pedirem por dentro e de Kagawa se posicionar entre-linhas, começa a faltar qualquer coisa. Qualquer coisa que, na Bundesliga, define quem fica em primeiro e quem fica em segundo. É aqui, que depois de algumas dezenas de minutos a seguir a equipa de Tuchel, o paralelismo com o FC Porto de... Lopetegui fica evidente.


Não deixa de ser curioso que, depois de ter mostrado estofo para ganhar na Luz (discuta-se o resultado, as oportunidades adversárias e Casillas, mas não se discuta o facto de que o FC Porto não quis e fez para ganhar), José Peseiro tenha de fazer o primeiro jogo europeu pelos portistas contra um modelo extremamente semelhante ao do seu antecessor. É, o futebol tem destas coisas. Mas o Zé - aquele que os dragões querem que seja o novo Zé - não tem tempo para se perder em romantismos. Há que fazer com que essas semelhanças se tornem a favor da sua nova entidade patronal. Um pouco como, se quisermos, fez, quando encontrou uma equipa que não sabia o que era o corredor central. E a noção que fica do Borussia é, também, essa. Muita, muitíssima, posse pelas faixas - onde é mais segura mas menos perigosa para o adversário - mas pouca incursão dentro do bloco do opositor (apesar de várias unidades posicionadas aí). Pelo contrário, a [posse] que Peseiro defende, não é passiva, não tem tanta intenção de controlar por si só mas, incisiva, quer acabar dentro da baliza.


Estarão então, mais logo, lá para as 6 da tarde, dois estilos completamente diferentes em questão. De um lado o lateralismo controlador do Dortmund - que a espaços, tal como o anterior Porto, vai encontrando umas chegadas à área, e uns movimentos interiores bastante perigosos -, do outro um FC Porto que gosta de jogar no meio-campo adversário ferindo-o com tabelas e tabelas por dentro. Tudo isto faz com que se torne óbvia a melhor arma dos portistas para a 1.ª mão destes 16 avos-de-final: a pressão alta. Só impedindo a saída-de-bola germânica é que o FC Porto não acabará remetido ao seu meio-campo e poderá, sequer, sonhar em marcar fora nesta eliminatória. Por outro lado, sem dividir o jogo, o FC Porto evitaria as transições (quase suicidas) que tem mostrado o seu novo futebol. É José Peseiro quem o diz, lembro, em relação às suas equipas: em organização raramente temos problemas.

Contudo, assentar um jogo desta importância na organização defensiva, sem ter Maxi, Marcano e Danilo, tendo que confiar nos devaneios (e falta de qualidade de Indi), num qualquer júnior - que não aquele que já deu provas (Chidozie) - e na menor capacidade de Rúben Neves para ganhar, sozinho, o meio-campo defensivo (urge que o puto se inspire cada vez mais na capacidade de antecipação), dará que pensar. Depois, há o velocista Aubameyang para fazer tremer aqueles que se lembram das crateras mostradas na Luz enquanto o FC Porto se tentava estabelecer no meio-campo do Benfica. Dá muito que pensar, não dá? Seja então aquilo que Peseiro quiser. O Dragão está à espera de um Signal.

quarta-feira, fevereiro 17

O salt(e)ador do golo perdido

Golo perdido, falando do Benfica, é capaz de ser exagero. Mas, ainda assim, as águias andaram, nestes últimos dois jogos, bastante tempo sem marcar. Bastante mais tempo que o costume, de resto. Aí olha-se para Jonas, claro. Olha-se para ele porque marca muito e depois, quando não marca, apetece que ele diga como Ronaldo, referindo-se aos adeptos merengues: "É como um pai para um filho. Um dia damos-lhe tudo, se no outro não dermos...". A comparação com CR7 até é feliz. Se compararmos, por exemplo, o Benfica ao Real Madrid (por mais goleadas que as águias possam ter no seu registo desta época - e por mais derrotas nos jogos mais empolgantes) teremos de o fazer à escala. Já se compararmos, nesta época, Jonas a Ronaldo, poderemos destacar o brasileiro numa corrida que o madeirense já se fartou de ganhar. Mas, adiante, o Indiana deveria, sempre, ser o último dos questionáveis, quer no Benfica, quer em Portugal inteiro. E talvez por isso tenha 'escolhido' o último momento do Benfica-Zenit para oferecer a vitória ao bicampeão nacional. 

Claro que até lá toda a nação benfiquista teve de revisitar a velha história do porquê de Jonas não aparecer nos jogos, ditos, grandes. Contudo na equação estava também um dilema bem português. Com sangue inglês, é certo, mas bem português. Sublinhe-se então a nacionalidade de André Villas-Boas até porque, ontem, o portuense nada tinha para enervar os benfiquistas. E se os portistas, no qual ele se inclui, desesperavam por alguém que os guiasse a novas conquistas na Luz, nesta terça-feira o mentor desses pesadelos benfiquistas tinha uma mão-cheia de nada para levar a Lisboa. Refugiou-se na estratégia que quase deu um pleno histórico aos russos na fase-de-grupos (cinco vitórias e uma derrota) mas a paragem invernal impediu-o - ao que parece - de ir provocando o Benfica, deixando-o em sentido com transições que lhe valeram os tais 15 pontos na 1.ª fase da Champions. Ele [AVB] ou como quem diz, Hulk, Danny, Dzyuba...

Não o conseguindo, Villas-Boas, ainda assim, não deixou cair a máscara do bluff e deixou Rui Vitória sem a vertigem que o tem feito um homem (algo) feliz na Luz. Vitória escolheu subir, com bola, André escolheu descer sem ela. Ambos ficaram sem o jogo-partido que tanto gostam, mas por uma parte - a primeira - formaram um pacto de não-agressão, só quebrado por um remate algo perigoso de Pizzi. Mas à medida que foi ficando evidente que a movida de São Petersburgo não tinha andamento para a noite lisboeta, o crescimento dos encarnados até ao último terço fez adivinhar o golo que os destacaria neste regresso às noites de gala europeias. Sim, a defesa do Zenit ia controlando e haveria sempre um homem a tapar, ou a impedir, a melhor sorte de Jardel, de Almeida ou de Jiménez. A tal ponto que o velho e real fantasma que nos coloca a discutir o melhor sistema para o Benfica (dois avançados ou três médios) nos revisitou. Contudo, para acabar com certas parvoíces que vão entrando nas mentes de quem gosta de ver a bola a rolar, Jonas (quem mais neste jogo iria marcar?) saltou e achou o golo que tanto faltava. E as coisas só estão perdidas quando não se sabe onde estão. La Palisse não diria melhor e, talvez por isso, quase não seja necessário relembrar que se há alguém que sabe onde andam os golos, as boas decisões e outras maravilhas, esse alguém é Jonas, ponto final parágrafo.

O que nos remete para a idiotice já visitada, ainda que de raspão, acima. Pode pôr-se em causa o sistema, pode pôr-se em causa o modelo, mas pôr-se em causa Jonas só pode ser besteira. Mentes mais atentas repararão que, mesmo jogando com dois avançados, o Indiana não tem jogo nas etapas de montanha. Claro que, pedalando nesta metáfora, os grandes trepadores têm sempre grandes equipas por trás. E tendo o Benfica capacidade para ser uma grande equipa, porque raio é que o seu melhor jogador não aparece, sem ser a espaços (às vezes suficientes para usar o seu melhor argumento: o golo)? Algo que só se pode dever à produção de uma equipa que, nesses tais malfadados jogos, nunca consegue o controle absoluto do jogo. Nunca o consegue porque é sempre forçada a alterar os padrões que fazem com que Jonas mostre a sua qualidade estratosférica. Quer seja porque os laterais não se estabelecem no meio-campo ofensivo, quer seja porque Renato (se até sozinho se destaca naquele vazio chamado 'meio-campo' do Benfica..) não tem apoios para procurar o jogo-interior, Jonas desaparece tanto como desaparece o outro avançado. Ou alguém se lembra ontem de Mitroglou?

Daí que Rui Vitória tenha de sair fora-da-caixa em que se meteu. Uma caixa que ainda guarda, apesar de muito rasurado, o nome de Jorge Jesus. Com ele, o dilema era praticamente o mesmo. Saiu a tempo de Jonas não o fazer pensar de mais (é bom que aguente a sua imagem de marca: o cabelo), mas Vitória não se livra de ter que, obrigatoriamente, fazer evoluir o modelo. Mas para isso tem de deixar de ser aquela expressão tantas vezes usada por um amigo benfiquista, com quem gosto de passar noites a falar sobre esta e outras polémicas. Parece que o estou a ouvir a aumentar o volume: Básico! Este gajo é um básico! E para deixar de ser aquilo que tem sido, Vitória vai ter mesmo de deixar de acreditar que Jonas não pode jogar sozinho na frente de ataque, como vai ter de arranjar um companheiro para Renato Sanches. E se a segunda é consensual, a primeira carece de sentido quando se afirma, às vezes à boca-cheia, que um jogador com toque, com as melhores decisões, e com golos (muitos golos!) não vai encontrar forma de tabelar com o mesmo Gaitán, com o mesmo Sanches e com Pizzi. Se faltar gente na área, incluam-se as diagonais de Guedes e faça-se do transmontano o tal companheiro de Sanches. Depois, como dizia Jesus (o de Nazaré) bata-se à porta até que ela se abra. É que Jonas aparece, mas para isso têm de o procurar. E quanto mais controle, posse e corredor central os três médios oferecerem - com o apoio de Gaitán, ainda por cima! - mais Jonas vai responder à chamada, cheio de avançados na frente de ataque. 

E se fosse assim em Portugal também?




Sporting revisitado #8.

"O treinador adjunto de Jorge Jesus, em virtude de o técnico principal ter sido expulso, compareceu no flash interview e não poupou nas palavras contra Cosme Machado.

O Sporting mostrou novamente que tem equipa para disputar o jogo contra qualquer equipa, mas hoje teve que jogar contra duas. Isto foi uma autêntica vergonha da equipa de arbitragem. O árbitro tira a decisão do auxiliar, não marca um penálti, dá um amarelo ao Adrien que não se percebe. Foi uma autêntica vergonha, muito, muito, muito mau, criticou, em palavras à Sport TV."

Definição de arbitragem vergonhosa segundo Raúl José: num jogo de 90 minutos, o árbitro corrige acertadamente uma péssima decisão do seu fiscal de linha e dá um amarelo erradamente (algo nunca visto em futebol - e resta saber se foi de facto mal mostrado).

Isto num jogo em que o treinador Jorge Jesus puxou o braço ao fiscal de linha, numa tentativa clara de condicionamento.