terça-feira, maio 16

Ainda as escolhas de Scolari

Desculpem insistir no tema, mas gostaria de deixar aqui algumas notas relativas aos nomes ontem anunciados e que confirmaram a lista avançada pelo jornal 'Record' na semana passada - ao que consta, propositadamente, para atenuar a contestação que poderia ser gerada. Mas prometo também que o faço pela última vez. Vou criticar a escolha de Scolari e não voltarei a falar no assunto. Quando muito, poderei discutir o 11 que o seleccionador escolher para cada jogo (o da estreia já todos saberemos qual será!). Nem tão pouco vou falar dos ausentes. Limitar-me-ei a apontar os casos que me parecem flagrantemente disparatados. E, como é evidente, não o faço por ser portista, pois esta é característica que não faz parte das minhas qualidades (ou defeitos).
A questão central seria a de saber se vamos apresentar os melhores 23 e isso parece não acontecer. Uma das dúvidas que tinha era a de saber o que levou Scolari a escolher estes. E parece-me que, num comentário a um 'post' anterior a resposta foi dada: 18 dos eleitos são representados por Jorge Mendes. Face a isto, ninguém consegue convencer-me de que esse facto não foi determinante nos nomes ontem pronunciados por Scolari.
Vejamos a situação em que se encontram alguns dos eleitos:
Quim - Acaba a época como terceiro guarda-redes do Benfica.
Bruno Vale - Emprestado pelo FC Porto, é o 3.º ou 4.º guardião na hierarquia do clube.
Ricardo Costa - Encostado depois da derrota do FC Porto em casa com o Benfica, poucas vezes voltou a ser titular.
Nuno Valente - Esteve recentemente lesionado, chegando a duvidar-se da possibilidade de participar no 'Mundial'. A sua condição física levanta sérias dúvidas.
Costinha - Desempregado.
Maniche - No Chelsea, alterna entre a bancada e o banco. Nestes meses em Londres, só se destacou por ter sido expulso com uma dúzia de minutos jogados numa partida em que a sua equipa estava a perder.
Hugo Viana - Suplente do Valência.
Hélder Postiga - Dispensado pelo FC Porto, os poucos golos conseguidos no St. Étienne não chegam para convencer.
A juntar a estes, resta saber como estarão Simão e Nuno Gomes depois das recentes lesões, como responderá um Figo que já está bem dentro dos 30 e se Deco não se ressentirá da duríssima época que teve (há dois anos, foi evidente que 'rebentou' no jogo dos quartos-de-final, frente à Inglaterra, não conseguindo manter o rendimento nos jogos das meias-finais e final). Outras questões poderia levantar, mas só estas já me parecem demasiadas para que não temamos o pior.
Posto isto, que fazer? Como sou ateu e não rezo, ficarei à espera que tudo corra pelo melhor. Apesar destas críticas, não tenham dúvidas de que apoiarei a selecção e sofrerei com ela. Espero que daqui a cerca de um mês e meio todos estejam a 'bater-me', gritando: "Estás a ver? O Scolari é o maior!"

Scolari, estamos contigo.

Os 23 eleitos por Scolari foram apresentados. Do lote escolhido, há vários jogadores que eu nunca escolheria, por razões meramente desportivas: Ricardo costa, Nuno Valente e Hugo Viana.

Outros, como Maniche e Costinha, acredito que, em condições físicas normais, são uma mais valia. O primeiro, parece-me, ainda chegou a contar para o "onze" de Mourinho, o segundo, duvido que acedesse se não se sentisse preparado.

As outras opções são a base que não surpreende ninguém. São o resto do grupo que tanto orgulhou o país, há dois anos atrás. Ricardo é o "nosso" guarda-redes, por muito que custe aos "amantes" de Baía que, como facilmente se constatou ao longo desta época, está em declínio desportivo. Ricardo voltou às boas exibições e espero que, definitivamente, se calem com o Baía. Já mete nojo que o "irmão mais novo" ande sempre em redor da selecção, a provocar polémicas sem sentido. Ricardo merece o lugar, tanto como não mereceu a desfeita do "homem dos alhos", no Mundial passado. Ainda na defesa, Caneira é uma excelente solução para fortalecer o sector, debelado com a ausência de Jorge Andrade.

No meio campo defensivo haverá Petit e os já citados Costinha e Maniche.

No meio campo ofensivo, Deco, Figo, Simão, Boa Morte, Ronaldo e Tiago, vão tratar de encontrar os caminhos da vitória, que será selada, espero eu, por Pauleta ou Nuno Gomes. A estes dois, pode somar-se o nome de Postiga, um jogador que, na Selecção, tem tido um rendimento bem melhor do que nos clubes por onde tem passado - 22 internacionalizações e 9 golos marcados.

Temos uma boa equipa. As dúvidas são sempre muitas, especialmente em matéria futebolística e, ainda mais especialmente, quando alguém tem de escolher apenas 23 entre muitos. Scolari privilegia o grupo e, ao contrário do Jean Paul, acho mesmo que os resultados têm de dar-lhe razão. Porque todos nós fomos à Final do Europeu e fizemos uma qualificação para este Mundial sem qualquer derrota. Esses são os resultados actuais, não precisamos de esperar para avaliarmos o trabalho que tem sido feito.

Quaresma não foi convocado, e bem. Penso que teria dificuldades em "entrar" no grupo e, apesar de todos lhe reconhecermos qualidades, não me parece que fosse uma carta válida, pela inexperiência, aliada ao facto de sobre ele cair, em demasia, o espectro da resolução de todos os problemas.

Claro que alguns adeptos portistas - e não só, certamente - não compreendem esta decisão de Scolari, e isso eu até percebo. Mas a lista está feita e, tirando o Quaresma, quem mais o FCP podia ter na Selecção? Ninguém. E esse é capaz de ser o problema de alguns.

segunda-feira, maio 15

Os 23

Tenho evitado escrever sobre este tema, mesmo quando há muito sabia correcta a lista publicada pelo jornal "Record".

Faço, em primeiro lugar, um ponto prévio: tenciono apoiar a Selecção Nacional e deposito nela todas as esperanças legítimas de um português: que ganhem, por todos nós.

Dito isto, não posso concordar com aqueles que vêem no silêncio o remédio para todos os males, na crítica a obra de papagaios e profetas da desgraça.

Não me digam, tão pouco, que todos teremos de esperar até ao final das competições para avaliar, seja de que forma for, o desempenho de quem conduziu e geriu o projecto. Pelo contrário, a crítica responsável é legítima, serve justiça a quem sai prejudicado e mostra um espírito alerta a quem se crê impune.

Li, nos comentários resultantes de um post anterior, um argumento fortíssimo que ajuda a justificar as opções do seleccionador - o próprio recorreu, há minutos, ao mesmo preceito: dizem esses amáveis visitantes que não podemos esquecer a existência de um importantíssimo europeu Sub-21, a realizar no nosso país.

Pois... Só lamento que Scolari prive essa selecção de Cristiano Ronaldo... Mais, Ricardo Carvalho, Deco, Simão e Figo deveriam ser poupados, excluídos dessa competição menor que vai ter lugar na Alemanha, de forma a que pudessem participar na formação técnica dos pupilos de Agostinho Oliveira...

Onde vão estar Rooney, Walcott, Mertesacker, Odonkor, Podolski ou De Rossi - entre tantos outros? Na Alemanha, claro... Já Quaresma e João Moutinho, o melhor que têm a fazer é ir para Melgaço...

Não brinquem comigo: em ano de Mundial, não há competição Sub-21, 31, 13 ou 99 que interesse. Em 2006, o futebol internacional começa e acaba na Alemanha, ponto final.

Aqui fica também um breve registo sobre as escolhas, matéria que, confesso, me provoca alguma irritação.

A chamada de Ricardo Costa é, à partida, absurda, mas transforma-se num atentado à inteligência depois de justificada por Scolari. Apesar de lento, conflituoso, desprovido de sentido de posicionamento e especialmente talhado para erros decisivos, o rapaz foi, segundo o seleccionador, muitas vezes internacional, além de capitão das selecções olímpica e de Sub-21.

Estou certo que, para dizer uma coisa destas, Luiz Felipe Scolari não pode ter visto um único encontro da referida selecção olímpica, nem lido nenhum relatório sobre o que se passou em Atenas ou, antes ainda, no processo de escolha de José Romão. A participação de Ricardo Costa naquele desastre mereceu honras de "starring role", dentro e fora do campo.

Como recompensa.. venha o Mundial.

Mesmo se, por uma questão de princípio e filosofia, sustento a posição de Scolari quanto à construção de um grupo, independentemente da forma pontual deste ou daquele jogador, parece-me difícil de aceitar a presença de nomes como os de Costinha ou Nuno Valente. Estará qualquer deles em condições de participar em sete encontros no espaço de um mês?

Provavelmente, não...

Há, contudo, um factor mais importante. Se a construção desse grupo é um passo importante para alcançar resultados, torna-se essencial que seja composto pelos melhores elementos ou, pelo menos, com os que possuem as características adequadas aos processos comuns. Ou seja, é difícil de compreender as presenças de Hugo Viana e Boa Morte.

Scolari entendeu prescindir de Quaresma para apostar no avançado do Fulham. Este é um dado incontornável, que prejudica as hipóteses da formação lusa. Boa Morte só acrescenta alguma coisa à equipa se esta actuar em contra-ataque, pois apenas no aproveitamento de espaços largos, nas costas da defesa, se torna útil. A manifesta incapacidade para combinar em espaços curtos ou entender o futebol apoiado deveriam torná-lo incompatível com as Quinas mas, em vez disso, já tem bilhete para solo germânico.

A minha discordância vai, como alguns de vocês saberão, bem mais longe, mas prefiro cingir-me às opções que, manifestamente, arriscam epíteto de má gestão e incompetência.

Restam-nos, por outro lado, os principais aliados de Scolari, que tantos e tão bons resultados lhe trouxeram no passado: a Madonna de Caravaggio, a macumba, Gilmar Veloz e a Nike. Não... Esperem... Estes dois últimos - pelo menos - vão estar pelo Brasil...

Embora me pareça pouco provável que Deus se meta nestas coisas, o melhor que os portugueses têm a fazer é rezar...

Até já, que vou começar por uma Avé Maria...


JEAN-PAUL LARES

E se...


... em vez de um espantalho, tivéssemos um presidente a sério na FPF? Seria tudo igual?

Venham as bandeirinhas às janelas. A partir de hoje temos 23 jogadores para apoiar.

P.S. Vale a pena espreitar o relatório Boronha do ultimo Mundial. Entretanto o próprio Boronha escreve que, já em 2002, Ricardo Quaresma foi preterido pelo então seleccionador Oliveira. Deve ser karma...

domingo, maio 14

Duas de seguida.

Com todo o mérito juntámos á conquista do campeonato a vitória na taça.
Indiscutivelmente o Porto é, e foi, a melhor equipa durante a época.
Fui daqueles que acenou lenços brancos, não pedras, após um certo entusiasmo inicial em relação a Adriaanse. Mas a verdade é que o nosso chefe conquistou os seus primeiros títulos, os possíveis, na primeira oportunidade como técnico do F.C.Porto.
Para o ano há mais.

sábado, maio 13

Surpresa?

Moutinho e Quaresma fora do Mundial. De nada adiantou a ambos a boa temporada realizada. O Scolari é o maior! Só falta mesmo o R. Costa ser convocado...

sexta-feira, maio 12

Défice por um canudo

Depois de, no início do ano, ter revelado um desvio de tesouraria na ordem dos 15 milhões de euros - a maioria dos quais da responsabilidade da SAD -, o Sporting enviou à CMVM o relatório correspondente ao terceiro trimestre do corrente exercício, que aponta para um resultado positivo da ordem de 702 mil euros.

Apesar de não ser possível prever com exactidão o termo do exercício, a verdade é que os "indicadores existentes apontam para a obtenção de uma exploração equilibrada, com um 'cash-flow' e um EBITDA muito positivos", como se pode ler no documento enviado à CMVM.

O enorme esforço para reduzir os custos é a razão apontada para a surpreendente "recuperação".

Refira-se, por correspondência com o post anterior, que os custos com pessoal não deverão ultrapassar os 17 milhões de euros - eram cerca de 20 no exercício anterior -, padrão muito inferior ao apresentado pelo FC Porto. Um mero registo.

Que pensará disto António Dias da Cunha?

JEAN-PAUL LARES

Ricos e pobres.

É assunto corrente afirmar que o Porto tem o maior orçamento, o que é verdade, números são números.
Se por um lado importa ver como foi ganho, por outro importa ver como foi gasto.

Temos o maior orçamento. Pois temos. Ganhamo-lo, não vendemos kits porque somos poucos, somos pequenos, regionais e humildes. Não vendemos património (aqui não o digo com muita convicção porque só nos resta o Dragão), ou melhor, vendemos o património que importa, vendemos uma equipa campeã europeia, fizemos a travessia no deserto, longa para nós, um ano em seco.

Resistimos a tentação de não vender o melhor jogador, e no negocio recuperar um jovem internacional. E ainda sobrou para investirmos em dois jovens ambiciosos vindos da Argentina. Fizemos as contratações milionárias do Pepe, do Helton, do Alan, do Jorginho, do Paulo Assunção e do Adriano. Promovemos os consagrados Raul Meireles e Bosingwa. Juntámos a estes todos os que já lá estavam Benny e Pedro Emanuel e aqui está a melhor equipa.
Olhamos para o banco e ainda lá temos os consagrados e milionários, Ricardo Costa, Ivanildo, Hugo Almeida, Cech, Bruno Alves, Ibson. Pondo de parte o castigado Diego, e a “incógnita” Anderson, é na verdade uma rica equipa mas nem tanto uma equipa rica.
Vendemos o património que tínhamos, ganho a jogar à bola, ganho a custa de vitórias, e investimos numa equipa jovem e ambiciosa, que nos garante o presente e nos tranquiliza o futuro.

p.s. O orçamento inclui os negócios dos “Leo Lima” e afins, mas a equipa campeã, os mais utilizados, não leva uma fatia assim tão elevada.
p.s.1 – parte deste texto já o tinha escrito após a vitória em Alvalade e depois de ler uns tantos comentários no sentido de que maior orçamento implica ganhar. Não o vejo assim.

E agora um pouco de futebol...

Sem querer retirar a importância da renovação do Sá, do regresso do Barbosa, da renovação do Paulo Bento ou dos convocados de Scolari, lembrei-me que talvez pudéssemos fazer uma pausa para voltar a falar do jogo... o futebol... lembram-se?

É com um misto de alegria e pena que vejo o dia da final da taça chegar. Alegria porque posso ver o meu clube a disputar mais uma final, tristeza porque vão passar uns largos meses até que volte a ver as camisolas azuis (que não celeste) e brancas nos relvados verdejantes.

Numa temporada em que o mister Adriaanse chegou a ver vidros a voar à sua frente, fruto de adeptos descontentes e certamente educados num clima de guerra civil, arrisca-se a terminar a época com o pleno a nível interno. É verdade que a campanha europeia foi uma vergonha, mas quem é que se vai lembrar disso se o Pedro Emanuel levantar a taça no Jamor? Os fuinhas, mesquinhos e aleijadinhos nos cotovelos.

Um Vitória moralizado, com vontade de defender o título e um Porto com vontade de fechar a época em grande, duplicando o número de títulos do treinador, adivinham um jogo interessante e competitivo. O meu prognóstico é 3-1 para o FCP com golos de Lucho, Quaresma e Adriano com um de Carlitos.

....ou talvez não!!!


Não sei muito bem porquê, mas estou com a sensação que esta história não vai acabar nada bem. Sá Pinto deseja continuar, Paulo Bento não pensa desta maneira e segundo a A Bola já comunicou ao jogador que não conta com ele ( prefiro pensar que será apenas por questões técnicas). Teremos novo braço de ferro em Alvalade!?
Depois de Beto, teremos novamente um dos jogadores mais carismáticos do plantel a sair pela porta pequena?
Por aparentemente não pertencer ao grupo que toda a gente conhece e que aos poucos está a entrar em força em Alvalade, não justificará um maior respeito e consideração!?
Pode ser que a história esteja ainda muito mal contada, mas o que sim é certo é que um tema como estes já deveria ter sido tratado pelos responsáveis leoninos, evitando assim toda esta especulação na praça pública. Não beneficia o jogador, o treinador, o clube e....para além disso, Sá merece muito mais!!!

quinta-feira, maio 11

Sá Pinto mais um ano.

Sá Pinto afinal vai jogar mais uma época. Acho bem. Tem o apoio principal: colegas e adeptos.

Entretanto, O Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) revelou que oito clubes da Superliga têm ordenados em atraso. A saber: Boavista, Vitória de Setúbal, Estrela da Amadora, Marítimo, Gil Vicente, Belenenses, Rio Ave e Penafiel.

Olha os pequeninos, olha...

quarta-feira, maio 10

Mais uma do Iluminado...

O Tonel fez uma época de grande nível? O Ricardo Rocha demonstrou ser capaz de preencher qualquer lugar na defesa e de 'marcar' mesmo os jogadores da maior craveira? O Nunes foi decisivo para que o Maiorca não descesse de divisão? O João Paulo jogou tanto que justificou a contratação pelo campeão nacional? Que importa tudo isso? A julgar pelas notícias hoje divulgadas, recebemos mais uma lição do nosso iluminado seleccionador: o 'central' que vai à Alemanha é aquele que, a partir do momento em que foi colocado no seu lugar, a equipa em que joga praticamente deixou de sofrer golos. Queriam melhor? Depois do 'trinco' que não está inscrito, do centrocampista que quase não jogou nos últimos meses, do avançado que marca dois golos por ano, entre outras preciosidadaes, é mais uma demonstração de que Scolari está acima de todos nós: só ele compreende o que faz...

De volta?

Mais cedo do que se esperava, Pedro barbosa pode regressar ao Sporting. O ex-capitão, que se encontra a concluir a sua pós-graduação em Marketing Desportivo, pode substituir Manolo Vidal como director para o futebol. O Clube deve preservar os seus símbolos, mas não deixa de se notar que um círculo de amigos tomou de assalto o futebol do Sporting!
Na foto, Barbosa ri-se dos seus detractores.

Bento & Freitas

Sem querer entrar em debates filosóficos sobre o que é bom futebol (sobretudo quando se confunde bom futebol com futebol bonito à vista...) a verdade é que são os resultados que dão confiança. Não é segredo nenhum que a equipa do Sporting foi espremida até ao máximo e a série de vitórias consecutivas da 2ª volta apoiou-se mais no estado anímico dos jogadores do que na excelência do futebol praticado. Mesmo nessa sucessão de bons resultados, foi praticamente unânime que o futebol jogado pelos leões era de fraco nível.

Numa equipa que tem apenas 7/8 jogadores acima da média, era talvez difícil fazer melhor. Muito mérito por isso para Paulo Bento que, percebendo as limitações do plantel de quer dispunha, optou pelo pragmatismo em vez do lirismo. É por isso que o grande desafio de Paulo Bento começa agora. Vai começar uma época de raiz e tem alguma margem de manobra para moldar o plantel à sua imagem. Pelo menos em termos de dispensados, já que em contratações não abundará o dinheiro para satisfazer as expectativas dos adeptos mais sonhadores. Beneficiando de um aparente apoio da SAD – 2 anos de contrato, e tendo a seu favor o apoio da maioria dos adeptos sportinguistas, a prova de fogo começa agora.

Carlos Freitas estará também sob pressão. Depois de Paulo Bento “exigir” a continuidade do director, depois de Freitas dar, aparentemente, todo o apoio a Paulo Bento, os resultados da equipa na próxima temporada serão decisivos também para Carlos Freitas. Carlos Freitas tem já bastantes anticorpos na massa associativa o que não jogará a seu favor. No entanto, o fim do deserto de títulos significará reconhecimento e prestígio. Mas se porventura as coisas não correrem bem à equipa principal, não será só Paulo Bento a ficar em maus lençóis.

A bem do clube – o jejum já vai em 4 anos – era bom sinal que tanto Bento como Freitas ficassem no Sporting os próximos 2 anos.

terça-feira, maio 9

Por que (não) vamos à bola?

O isco está lançado no 'post' anterior, mas deixo o desafio para que todos, 'bloggers' e comentadores, relatemos aqui as nossas experiências e expliquemos por que vamos ou não ao futebol. Faltando disputar apenas a final da Taça de Portugal, parece-me que pode ser feito um balanço. Para tal, deixo o meu caso como referência: este ano, assisti 'in loco' a 24 jogos, 23 dos quais no Estádio da Luz e um no Alvalade XXI (o Sporting-Rio Ave, aproveitando o facto de um colega me ter cedido amavelmente o seu cartão anual). Na Luz, vi 15 jogos da Liga Portuguesa, 5 da Liga dos Campeões, 2 da Taça de Portugal e 1 particular. Só falhei dois da Liga (Gil Vicente e Naval) e um amigável (Juventus). Os motivos? Dois por estar de férias e um por ter a minha mulher doente.
É curioso verificar que, apesar da minha paixão pelo Benfica, não acompanhei a equipa em nenhum jogo fora. Por outro lado, mesmo gostando de futebol, não fui ver, ao contrário do que outrora fazia, qualquer clássico, fosse Sporting-FC Porto, Belenenses-Sporting ou outro. Porquê? Normalmente, por duas razões: custo (preço dos bilhetes, nos jogos próximos de Lisboa; idêntica razão e custos de deslocação, nos desafios mais afastados) e necessidade e prazer de também estar com a família. Aliás, por esta última razão, também foram poucos os jogos das outras modalidades do Benfica que vi ao vivo, apesar de ser um amante de basquetebol, desporto que tive o prazer de praticar durante 15 anos. No fundo, a vida é mais do que uma bola (é, não é?).
Digam de sua justiça...

segunda-feira, maio 8

"Annus horribilis"

Num futebol sem adeptos, com estádios vazios, a despromoção de Belenenses e Vitória de Guimarães assume proporções catastróficas.

São tão poucos os emblemas que representam uma genuína base de apoio que a ausência destas duas bandeiras empobrece ainda mais uma Liga que se quer profissional, organizada mas, sobretudo, bem sucedida.

Poucos serão os que, no plano nacional, despertam tanta simpatia como o CF "Os Belenenses", e nenhum, à excepção dos "grandes", movimenta massas como os minhotos - 18 mil bilhetes de época vendidos na época da desilusão.

Para o bem de todos, voltem depressa...

JEAN-PAUL LARES

Adeus

Koeman já disse adeus.

Venha o próximo...

Longa se torna a espera.

Acabou ontem a liga e já sinto saudades. Ainda falta a final da taça e temos este ano o Mundial para nos empanturrarmos de futebol. Mas a nossa, dos nossos clubes, competição vai ter uma interrupção de três meses.

Na próxima época esta interrupção será de quatro meses. MENOS UM MÊS DE JOGOS, conseguem imaginar?
A redução na quantidade de jogos até pode ser benéfica para alguns clubes e para as selecções, mas, ou a calendarizarão dos jogos obedecerá ao calendário escolar, com férias da Páscoa, Carnaval e mini férias de Natal de um mês, ou por esta altura do próximo ano já discutiremos, há muito, os supostos reforços referenciados nas primeiras páginas dos jornais.
Já nem vou tocar no aspecto económico com a redução de receitas de dois jogos em casa, por exemplo.
A redução sempre me pareceu a medida, óbvia, a adoptar. Hoje já não estou tão certo disso, ou pelo menos a redução pela redução.
Todavia continuo susceptível em relação a este tema, gostaria que contribuíssem com a vossa opinião.
Menos um mês de futebol! Vou ver o que? Tourada?

Também serei um 'special one'?

Excertos do meu diário de treinador:

"O Karagounis chega amanhã, na sexta é apresentado aos colegas, treina e ponho-o já a jogar no sábado. Com quem é o jogo? Sporting! Porreiro, este já está!"

"Não esquecer de colocar o Beto a extremo-direito"

"Este não sofre golos há alguns jogos. Está mesmo na hora de o substituir pelo matacão brasileiro que acabou de chegar"

"Hoje choveu imenso aqui em Guimarães. Ainda bem! É o tempo ideal para estrear o Marco Ferreira a titular"

"Aproveitar os centímetros do Miccoli para o colocar no meio dos 'centrais' adversários"

"Não esquecer de utilizar o Manduca"

"O matacão está farto de sofrer golos. Tenho de fazer alguma coisa. O Moreira já recuperou da operação. Está na hora de mandar o Quim para a bancada. Assim não entra mais uma!"

"Não esquecer de colocar o Beto a extremo-direito"

"O Mantorras tem marcado uns golos. Não esquecer de nunca o colocar a titular. 10 minutinhos por jogo são suficientes."

"Não esquecer de utilizar o Manduca"

" O Petit lesionou-se em Liverpool e deu-me cabo do esquema. Felizmente aqui, em Barcelona, posso jogar com o meu meio-campo preferido: Beto, Petit e Manuel Fernandes"

"O Alcides lesionou-se e o minorca da esquerda está a jogar bem. Que saudades tenho de uma defesa só com 'centrais'!"

"Utilizar a grande velocidade do Robert sobretudo na direita"

"Estamos na penúltima jornada. Que tal se experimentasse uma estratégia só com três defesas, como faz o meu conterrâneo? Ainda irei a tempo de ser campeão?"

"Último jogo. Há que acabar em beleza. Tem de ser com o Karyaka, que não joga há seis meses. Importante: não esquecer de colocar o Beto a extremo-direito e de utilizar o Manduca"

Fim da Superliga.

Terminou a Superliga. Para um benfiquista já foi tarde. Ontem, mais uma exibição assustadora, com Koeman a mostrar que também ele quer sair do clube. Ainda bem.

O Campeão:
O FCP foi um justo vencedor. Pode fazer a dobradinha e "apenas" falhou na Liga dos Campeões (LC), com um vergonhoso último lugar no grupo. Podia e devia ter feito melhor, mas seriam agora eles os campeões? Adriaanse ganhou várias apostas - Costa, Baía, Jorginho, "três defesas", entre outras - e teve ao seu dispor os dois melhores jogadores do campeonato: Quaresma e Lucho.

Segundo lugar, com acesso à LC:
O SCP garantiu, de forma absolutamente justa, o segundo lugar. Os "leões" fizeram uma excelente segunda volta e nem sequer mereciam ficar em terceiro. Moutinho e Liedson confirmam-se, Nani promete, Abel surpreende, assim como Tonel. Douala, Deivid, Carlos Martins podem e devem dar mais. João Alves desilude, Beto e Rogério não fizeram falta. Uma boa época para os sportinguistas, sem títulos, é certo, mas com uma boa base para o futuro. E a Liga dos Campeões.

Terceiro lugar, com acesso à pré eliminatória da LC:
O SLB "garantiu" - dizia o rodapé da TVI - o terceiro posto. Não merecia mais, mas também não merecia menos. Koeman revelou toda a sua inaptidão para gerir esforços, entre LC e Superliga, e isso paga-se caro. A carreira na LC foi boa, mas era o que menos interessava. Para o ano voltam as dúvidas porque esta época não houve progressão, antes regressão. Boa temporada de Petit, Luisão, Léo.

4º e 5º lugares, Taça UEFA:
O Braga de Jesualdo fez um bom campeonato, mas ao nível de muitas outras equipas, em anos passados. Sinceramente não vejo neste Braga nada de especial e continua muito longe dos três primeiros. Mas os adeptos podem orgulhar-se da sua equipa.

O Nacional conseguiu a Europa, com o quinto lugar. Fez uma primeira volta muito boa, mas a verdade é que na segunda pouco fez. E com o orçamento que tem, tem condições para repetir a dose, na próxima época. O Presidente é que não ajuda nada.

6º lugar:
O Boavista, apesar do bom campeonato, não conseguiu regressar à Europa. Estou convencido que o "dragão", a.k.a. Carlos Brito, pensava que o quinto lugar havia de ser seu. Excelente época do João Pinto, um orgulho vê-lo a jogar como o fez.

7º lugar:
O Leiria acaba por ficar em sétimo lugar. No início foram muitos os que disseram e escreveram que os homens do Lis eram os primeiros a "morrer". Mas se calhar foi só porque, na altura, foram goleados pelo SLB.

8º lugar:
O Setúbal fez um campeonato acima das expectativas. Cedo garantiu a manutenção, e pôde dedicar-se quase em exclusivo, à Taça de Portugal que, meritoriamente, vai disputar pelo segundo ano consecutivo. Fiquem com o Carlitos que pelo menos aí joga. E bem.

9º lugar:
O Estrela da Amadora surpreendeu-me. Bom futebol, alguns bons resultados (vitória em Alvalade e vitória na Reboleira, frente ao FCP) e a manutenção mais do que merecida. Parabéns.

10º lugar:
O Marítimo começou mal e não terminou muito melhor. Dos madeirenses espera-se mais do que o décimo lugar. Muita irregularidade na gestão do plantel, técnicos incluídos.

11º lugar:
O Paços de Ferreira com uma vitória esclarecedora sobre o SLB, na última jornada, atestou a permanência. Já na Luz tinha ficado com boa impressão do futebol que praticavam. Ontem, infelizmente, confirmei isso mesmo.

12º e 13º lugares:
O Gil Vicente e a Naval saíram ilesos do último combate. Garantiram a manutenção mas assim de repente só me lembro de duas palavras: fraco e anti-jogo.

14º lugar:
A Académica foi a última carruagem do comboio da Superliga. A 10' do fim do jogo, Joeano não falha o pénalti e os "estudantes" garantem o precioso ponto. Vingada continua a sua carreira cheia de sucessos. Dentro do estilo.

Descem à segunda divisão
15º lugar:
O Belenenses sofreu e acabou por descer. Não discuto a justeza da despromoção mas é uma "pequena calamidade". Couceiro falhou, mais uma vez. E também falhou como treinador.

16º lugar:
O Rio Ave nem jogava mal contra o SLB. Mas, como atesta a descida e os pontos conquistados, jogava bem pior com todos os outros. Um dos melhores relvados despede-se da Superliga.

17º lugar:
O Guimarães merece indiscutivelmente, a descida. Os jogadores nunca conseguiram dar a volta. Alguns adeptos acharam que resolviam os assuntos à moda antiga. Para eles, é bem feita. Saibam perder, saibam comportar-se. Vítor Pontes diz que "isto é futebol". E alguma incompetência tua, no mínimo.

18º lugar:
O Penafiel fez 15 pontos. Mas afinal quem é que perdeu pontos com o Penafiel?