Pé ante pé até os mais intransigentes vão deixando de acreditar no sucesso de um Porto orientado por Vítor Pereira. Os sinais, já aqui por mais discutidos, tornam-se evidentes a cada decisão da equipa em campo que é reflectida pelas decisões, e falta delas, da equipa técnica. E se no meu caso pouco mais há a dizer para ajudar a conhecer a opinião, que dirão os irredutíveis defensores (SAD incluída?) de uma performance futebolística que roça o medíocre? Entretanto, a selecção qualificou-se para o Euro e os seus responsáveis sentiram-se na obrigação de defender o seu trabalho. Afinal de contas os resultados deram-lhes razão, mas tal como na questão 'Porto' serão esses resultados um copo meio cheio ou um copo meio vazio?Muito se fala em resultados. Afinal são eles quem dita e quem não dita o sucesso das equipas e por isso mesmo são considerados a fonte mais fidedigna para prever esse mesmo sucesso. E por incrível que pareça são esses resultados que foram a principal fonte alimentadora da tolerância para com Vítor Pereira no seu 'reinado'. Tudo começou com vinte minutos de pressing frente ao todo-poderoso Barcelona e a ousadia de correr atrás de todo e qualquer jogador
blaugrana - Valdés incluído - trouxe crédito a uma estratégia que se preocupou mais com imagem deixada do que propriamente com uma vitória ou com um futebol que a garantisse.
Desde aí tem sido assim que a equipa técnica tem, conscientemente ou inconscientemente, procedido. Primeiro a imagem. Há que provar que são dignos sucessores de alguém que pelo seu próprio pé, tranquilidade, inteligência e ideias, obteve uma das melhores épocas de sempre no clube. Assim se cumprem serviços mínimos e se deixa o futebol de lado pois importa ir calando as ondas com um, dois talvez, apontamentos por jogo, esquecendo-se que o futebol tem tanto de complexo que não basta querer ganhar ou querer fazer por isso. Tem de se ser completo, metódico e... regular. E isso este FC Porto de Vítor Pereira não é, e provavelmente nunca será.
E é tão grande a minha certeza que já nem os habituais devaneios na escolha do onze titular me dariam qualquer tipo de esperança. Quem viu o jogo com o Olhanense pode rapidamente perceber-me, pois até poderíamos ter o Zidane ou o Deco no meio-campo e nunca teríamos consistência no mesmo, pois o lugar de playmaker está entregue aos centrais. Futebol à boa maneira Distrital onde não imperam ligações nem planos. Uma equipa que trata mal a bola, que não a quer quando a perde, pode ir ganhando a cepos mas até o indicador dos resultados e números se vai esvaziando quando até a cepos não se ganha.
"Não preciso que me assobiem para beber água"Na selecção mais uma vez os resultados condicionaram semanas de trabalho. Derrota na Dinamarca, 'queda' para o play-off e os habituais arautos da desgraça já previam à sua boa maneira uma humilhação indigesta para a equipa das quinas. E são mais uma vez os resultados que distraem e formam convicções exageradas, porque a qualquer pessoa de boa senso lhe seria possível ver que mesmo perdendo, no pior dos cenários, em Zenica, a diferença entre as duas selecções é tão grande que só por milagre (nem com uma noite horrível do árbitro) os bósnios não sairiam goleados da Luz.
Mas são esses mesmos profetas da desgraça que depois enchem os peitos aos responsáveis da selecção para andarem à 'caça aos tordos' nos flash-interviews posteriores ao sucesso, dizendo barbaridades como a que faz de título a estes parágrafos.
Toda a gente sabe que o jogador de futebol de alto nível, é um bicho estranho capaz das maiores parvoíces. Jogadores entre os 20 e 30 anos com popularidades imensas, pagos a milhões de euros e que militam nos maiores clubes do Mundo são ainda mais peculiares e a sua formação como homens foi posta em segundo plano em detrimento da formação que agora lhes vale a vida. Se alguns vão surpreendendo e são verdadeiros senhores fora e dentro do campo, a outros terá que se lhes desculpar a falta de desculpas ou a falta de educação. Então a isto se lhe somarmos o ego ganho a fazer parte de clubes planetários com salários de milhões...
E é isto que Paulo Bento não entende. O que até me parece ridículo visto que ele foi um jogador de futebol de alto nível por muitos anos, e a sua falta de entendimento para lidar com 'casos' pode-nos custar o desmembramento da equipa. É que a ideia de abandonar a selecção (e não a selecção o jogador) até veio da parte da sua geração de ouro. E que fez Bento aos seus amigos da altura? Deixou de lhes falar?
Convém é começarmos a pensar que o treinador de futebol também é um bicho muito estranho...