sexta-feira, agosto 8

O mito do “Milagre Financeiro” do Benfica-parte II



No post anterior, relativo a este tema, falou-se dos Proveitos Operacionais excluindo os Resultados com Transacções de jogadores, passamos agora para os Custos Operacionais (estão igualmente excluídos os Resultados com Transacções de Jogadores). Este ainda não será o último post sobre este assunto (nem penúltimo).

Tal como no post anterior, é preciso ter em conta que os resultados da Benfica Estádio apenas começaram a ser englobados a partir do 2º semestre de 2009/10, o que tem especial influência na rubrica de Amortizações e e menor medida nos Fornecimentos e Serviços de Terceiros.

Com a observação do quadro seguinte e se o formos comparar com o do post anterior, percebe-se que apenas num dos anos (2011/12) os Custos não foram superiores aos Proveitos (7,6 milhões de lucro). De qualquer forma o saldo total é de -16,4 Milhões. Uma média de prejuízo de 3,28 Milhões/ano (recordo que estou a excluir os Resultados com Transações de jogadores).



Custos Operacionais (3)     2008/09      2009/10    2010/11      2011/12     2012/13
Fornecimentos e serviços de terceiros -17 693 -21 188 -22 921 -23 683 -26 633
Custos com o pessoal -37 129 -38 263 -42 343 -48 130 -50 431
Amortizações -1 805 -5 265 -9 231 -8 855 -8 932
Provisões e perdas de imparidade -638 -2 192 -5 718 -891 -2 076
Outros custos operacionais -2 653 -5 606 -3 182 -2 004 -4 552
Total Custos Operacionais -59 918 -72 514 -83 395 -83 563 -92 624




A primeira rubrica a analisar é a de Fornecimentos e Serviços de Terceiros. Nos Relatórios e Contas é possível obter mais detalhe, no entanto este meio não é o mais apropriado para os exibir. Na variação existente do primeiro para o 2º ano o Relatório justifica com o Empréstimo de Keirrison, viagens para as competições Europeias e Custos de Comissões de Bilhética.

A variação entre o 2º e o 3º ano prende-se principalmente a integração da Benfica Estádio nos resultados da Benfica SAD durante todo o ano fiscal e não apenas metade.

Entre o 3º e o 4º ano, apesar de se verificar a redução assinalável de custos nalguns itens (de 3,7 Milhões para 2,9 em Trabalhos Especializados, de 1,36 Milhões para 1 Milhão em Subcontratos e de 1,89 para 1,20 em Outros Fornecimentos e Serviços) os custos aumentaram devido principalmente aos Honorários (1,29 para 1,94 “influenciada pela distribuição de prémios variáveis à estrutura de apoio à equipa de futebol profissional“), Equipamento Desportivo (1,30 para 1,94 “os quais não tem impacto líquido no resultado do exercício, dado que o custo é compensado pelo proveito registado na rubrica de patrocínios, conforme estipulado no contrato celebrado entre a Benfica SAD e a Adidas“); Comissões (0,76 para 1,07); Acordos e Protocolos (0,01 para 0,30).

No último ano em análise houve um aumento significativo dos custos com os Fornecimentos e Serviços de Terceiros que gostava de perceber. Analisando item a item vê-se que nos Trabalhos Especializados assistiu-se a um incremento de 2,9 Milhões para 4,5! Uma variação de 54% que não aparece justificada!

Outro custo importante refere-se a Deslocações e Estadias (de 2,1 para 2,8 Milhões, 33%). Aqui a explicação (aumento de jogos das Competições Europeias) não tem muita lógica, pois apenas se fez mais 1 jogo: houve o mesmo número de jogos em casa e fora e apenas houve a deslocação extra a campo neutro na Final. Se alguém conseguir explicar, agradeço.

Outro aumento significativo, sobretudo percentualmente, é o da Publicidade e Propaganda (de 554 mil para 833 mil, ou seja 59%). Não sei a que se deve o aumento, nem se teve o efeito desejado, mas seria interessante saber.

Passando aos Custos com o Pessoal, o principal responsável pelos custos da SAD, dá para perceber que a gestão tem sido irresponsável. Não se pode passar de 37 Milhões para 50 Milhões em 5 anos, sobretudo em anos de crise económica. Pior é perceber que é uma linha crescente e que em nenhum ano se reduziu! Dos 392 Milhões de Custos Operacionais, esta rubrica é responsável por 216 Milhões (55%). É preciso ter menos jogadores e mais baratos.

Em relação às Amortizações não há muito a dizer, relacionam-se principalmente com o Estádio e com o Caixa Futebol Campus.

Provisões e Perdas de Imparidade
O grosso do valor relaciona-se com Provisões para Clientes de Cobrança duvidosa. Vendo a evolução do Balanço (não confundir com valor anual da Demonstração de Resultados) verifica-se que o total de provisões era em 2009/2010 era de 3,6 Milhões e em 2012/13 o valor é de 11,2 Milhões! Daquilo que conheço dos processos de transferências de jogadores (só o que sai nos jornais), normalmente são exigidas Garantias Bancárias aos compradores portanto, partindo do princípio que grande parte deste valor refere-se à venda de jogadores, não percebo como é que se chegou a esta situação. Para acrescentar alguma coisa digo apenas que parte do valor provisionado refere-se à venda do Roberto. Na melhor das hipóteses apenas vislumbro uma gestão irresponsável da Direcção do Benfica, ao não acautelar as suas Vendas. 

Outros Custos Operacionais
Esta rubrica que inclui “Impostos” e “Outros Custos Operacionais” tem valores bastante irregulares e os comentários existentes nos vários R&C são genéricos o suficiente para não se perceber a origem detalhada dos custos. Ponho o exemplo de 2012/13, que ainda assim nos dá um valor:
A rubrica de imposto engloba os encargos com os impostos directos, indirectos e taxas, incluindo no período corrente um valor de 970.072 euros referente a um processo fiscal relacionado com IMI, conforme referido na nota anterior.
Os outros gastos e perdas operacionais incluem as indemnizações acordadas relativas a processos judiciais ou relacionadas com a actividade e os pagamentos efectuados referentes a réditos do Totobola dos Clubes/SAD’s que não aderiram ao processo de dação das receitas do Totobola. A variação face ao período homólogo explica-se essencialmente por regularizações de operações correntes de anos anteriores.



7 comentários:

J. disse...

Comparando com os Beneficios Operacionais, o deficit de exploração não é assim tão acentuado.

Acho que estes posts mais que dar respostas, servem para lançar ainda mais perguntas.

Entretanto, preferem mandar mais areia para os olhos e lançar as atenções para outros lados....

Iniesta de Mundet disse...

J. o défict de exploração não é assim tão acentuado, mas existe. Ou seja continua-se a cavar o buraco. Sobretudo quando se vê a "fotografia" toda, percebe-se que os custos operacionais estão demasiado elevados. Se no anterior post comentaste que a até se esta a fazer um bom trabalho no aumento da receita, pela mesma lógica dirias que se está a fazer um mau trabalho, pois os custos estão a aumentar na mesma medida (ou ainda mais).

Sim, estes posts servem para lançar perguntas. Mas o LFV na próxima semana já irá acalmar as hostes e dizer que está tudo controlado, que respiramos saúde financeira e que somos o exemplo a seguir no mundo inteiro.

J. disse...

Sim,sim....tens razão.
Mas pensava que o buraco era maior.
O que só me confunde mais acerca de todas estas necessidades de vendas.

Iniesta de Mundet disse...

Quando vires o resto dos posts vais perceber ;)

Adolfo Sapinho disse...

Por falar em milagre financeiro:

como é que o fcp vende 56,67% dos direitos económicos que detinha, do jogador profissional de futebol Eliaquim Mangala, pelo valor de
30.500.000 € (o que faz com que o passe completo tenha o valor de 53,82M€) quando a cláusula de rescisão quando o fcp tinha 100% dos direitos do jogador era de 50M? (http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR35176.pdf)

Manteve-se a cláusula de rescisão para benefício exclusivo do fcp quando o mesmo vendeu os 43,33% a alguém?

O City é assim tão bipolar que consegue negociar o Fernando por 15M€ mas depois paga por um central acima de 50M€, acima do valor da cláusula de rescisão?

Se existia assim tanto poder económico, porque demorou tanto tempo esta novela?

Não sei se o salgado deu alguma formação lá nas antas, mas aqui há muito mais do que "arte" para negociar e vender.

Vá lá que a cmvm só pensa no "novo banco"...

SL

J. disse...

Era isso e vender aqueles putos da formação por 45 milhões.
Isto já é caso para a Interpol...
:-)

Em relação a Mangala falam "apenas" de uma venda de 32 milhões de libras, isto é, 40 milhões de euros.

http://www.bbc.com/sport/0/football/28280454

jamsilva disse...

ta visto! agora até os valores das vendas vos mete confusão...
será assim tao dificil de perceber q
c o fernando n havia margem de negociação??
e q a situação do mangala foi completamente diferente?!

Por tras disto tudo ha muitas jogadas de bastidores (q nem sequer nos passam pela cabeça) e criticar qd nao se tem os dados todos na mao fica mal.....