quinta-feira, outubro 6

Limites

A rivalidade entre clubes é saudável mas esta "guerra" entre Benfica e Sporting está já a entrar por caminhos pouco recomendáveis. É certo que isto tudo começou com a mudança de Jesus para Alvalade, situação mal aceite pela "comunicação" do Benfica, aliado ao incómodo que Bruno de Carvalho provoca, ao contrário dos seus antecessores. O Sporting optou por responder à letra, e fê-lo através dos seus orgãos oficiais.
Aí, convenhamos, foi um erro do Sporting pois transmite a ideia que se trata de representantes oficiais de um clube a entrar num "bate-boca" com paineleiros de outro clube. No fundo, toda a gente sabe que esses comentadores não transmitem a sua opinião pessoal mas sim o que a direcção do clube lhes manda dizer. No entanto, podem sempre utilizar esse pretexto e alguns acreditam e muitos mais fingem acreditar.
Ainda hoje, passados 16 meses da saída de Jesus, as indirectas ao treinador são constantes e por vezes insólitas e revelando um profundo mau gosto pelo local e contexto. Anteontem, no velório de Mário Wilson, ao invocar a memória desse grande senhor do futebol português, José Eduardo Moniz não se coibiu de a realçar a honradez, integridade e fair-play ao contrário de "alguns treinadores que só procuram protagonismo".
Dito isto, não quero desresponsabilizar o Sporting em toda este conflito. Principalmente após a entrada deste novo director de comunicação, as intervenções escritas e publicadas nas redes sociais são muitas vezes infantis e desprovidas de senso. Se o Sporting se sente atingido deve responder com elevação e sempre na defesa dos seus interesses. Não deve, por exemplo, emitir opiniões sobre as eleições do Benfica. Além de desgastar a imagem da comunicação do clube, é um assunto que em nada interessa aos sportinguistas.
Acredito que, com a profusão de programas dedicados a discutir bola, a comunicação dos clubes seja um departamento em alerta constante, mas seria melhor que, em vez de responder a "papagaios", se dê destaque ao que realmente importa. E há tanto para destacar no universo Sporting. Esta direcção tem feito um trabalho notável em várias vertentes (nº de sócios, expansão da marca pelo mundo através de academias, etc.). É essencial estabelecer limites na rivalidade, até como forma de respeitar a história destes dois grandes clubes.

quarta-feira, setembro 14

Champions

Começou ontem a mais importante competição de clubes com três equipas portuguesas em prova. Cada qual em grupos com graus de dificuldade diferentes, sendo que a fava calhou ao Sporting e a sorte sorriu ao Porto. É óbvio que esta situação se deve também ao pote em que estão inseridas as equipas nos sorteios mas este grupo do Porto, não desmerecendo, mais parece da Liga Europa...
O primeiro a entrar em acção foi o Benfica, que empatou com o Besiktas. As ausências nos encarnados apontavam para um jogo complicado e equilibrado. E foi isso mesmo que aconteceu.Mais Benfica na 1ª parte com vantagem justa ao intervalo. Mais Besiktas na 2ª com Talisca a tirar proveito da sua melhor característica, o remate, para empatar aos 92 minutos.
Este 1-1 é, à partida, um mau resultado para o Benfica (que tem agora duas deslocações complicadas) e na cabeça dos adeptos ficará aquele falhanço de Guedes após disparate de Quaresma. O jogador do Benfica não terá reparado que ao seu lado aparecia André Horta que, recebendo o passe, entraria com a bola pela baliza adentro...
Hoje entram em campo Sporting e Porto. Os dragões recebem o Copenhaga e não podem pensar noutro cenário que não seja a vitória. Ainda que este Porto não me convença minimamente, os dinamarqueses não devem causar grandes problemas, ainda que tenham no ataque os jogadores mais interessantes, principalmente Cornelius. O Porto ganha, e até Depoitre é capaz de fazer o gosto ao pé.
Por último, o Sporting. Sejamos sinceros. Este jogo causa grande apreensão. E causaria a qualquer equipa portuguesa. Visitar a casa de Real, Barcelona ou Bayern muitas vezes acaba com derrotas pesadas. A última vez que o Sporting visitou o Bernabéu foi num amigável e ao intervalo estava 5-1 (acabou 5-3)...
Ainda assim, este é um jogo em que o Sporting nada tem a perder e espero que possa dar boa imagem em Madrid. Pontuar seria extraordinário mas pouco expectável.

terça-feira, setembro 13

CHAMPIONS!!!!

Estamos todos lá! Vamos ver quem é que ganha mesmo.

http://uclfantasy.uefa.com/en/leagues/join?leaguecode=4120436C6F636B776F726B204F72616E6765232333373936352323536563746F7223233337393635533751

Ou isto ou fechamos o blog :).

quinta-feira, junho 9

EURO 2016 - Fantasy League - Sector B32 - 81685MWK

Está na altura de voltarmos a testar os nossos conhecimentos futebolísticos com uma Fantasy League do EURO 2016 e ver quem é que percebe de futebol.

Toca a inscrever em http://eurofantasy.uefa.com/en/fantasy16/leagues e a liga tem o seguinte código: 81685MWK.

terça-feira, maio 24

Gerações de Ouro

Não é tema de que se fale demasiado nem se dê ainda grande valor.
Durante algum tempo tivemos uma sucessão de várias gerações não tão talentosas que fez com que a selecção nacional tenha sido composta maioritariamente por jogadores mais veteranos, em curvas já descendentes da carreira, salvo algumas raras excepções.

No entanto, eis que neste ultimos anos Portugal encontra uma sucessão de varias gerações com enorme potencial e capazes de levar de novo as cores do nosso país ao mais alto nivel mundial.
Falar da actual selecção sub-17, que se sagrou campeã de europa recentemente, seria ainda demasiado precoce. Na verdade, por ser composta na sua maioria por jogadores do Porto e Benfica, não lhe vejo também grande futuro também. :-)

Mas sem fazer uma grande pesquisa, podemos enumerar Anthony Lopes ou André Moreira para a baliza, Cancelo na direita, Guerreiro na esqueda, Ruben Semedo no centro á espera da afirmação definitiva de Paulo Oliveira.

No meio campo então, é só escolher. Danilo Pereira, William Carvalho, Ruben Neves, João Mário, Renato Sanches, André Gomes, Bernando Silva, entre muitos outros.

Nos extremos falta talvez um valor mais seguro, mas é impossivel não reconhecer potencial a Gelson Martins, Gonçalo Guedes, Rafa, Diogo Jota ou Iuri Medeiros.

Até na frente, essa dor de cabeça crónica em cada selecção nacional, parece que estamos bem servidos com André Silva ou com aquele puto do Benfica dos sub-17.

Por fim, e algo que também custa reconhecer aos sportinguistas mas acho que para bem do futebol português, vemos hoje também Porto e Benfica reconhecendo os beneficios (e lucros) dessa aposta na formação.

Haja então esperança!!!

segunda-feira, maio 23

Que época maravilhosa!!!


Uns dirão que é uma época para esquecer, para mim será uma para recordar. Afinal de contas, desde que acompanho o meu clube mais de perto, é muito mais difícil encontrar uma época de frustração como esta do que épocas recheadas de títulos e glórias. 

Ontem doeu, como dói sempre quando o nosso clube perde. Mas não é o fim do mundo, é o jogo que é mesmo assim. Ainda no outro dia jogávamos uma final contra aquela mesma equipa e vencíamos um troféu europeu e ainda ontem gritava um golo nos descontos como gritei outro que nos deu um campeonato.

A imagem é coloco é uma provocação e uma fuga com ironia de uma época que ficou sempre curta. Foi assim o ano inteiro e eu estive sempre lá. Uns dias acreditei mais, outros acreditei menos, mas acreditei sempre e acredito que com alguns ajustes vamos voltar a ser campeões já no próximo ano. O trabalho que está a ser feito ao nível da formação vai-nos suportar durante a próxima década e sei que vou voltar a ter imensas alegrias com o meu clube. A última vez que me lembro de termos ficado três anos seguidos sem ganhar nada fomos campeões europeus e arrancámos para uma década de domínio do futebol português onde ganhámos tudo o que podíamos ganhar (menos a taça da liga e a supertaça europeia, se queremos ser rigorosos, mas lixa-me a prosa). Portanto, que razões tenho eu para não estar optimista?

Um abraço forte a todos e parabéns aos vencedores.

quinta-feira, maio 19

Curtas

1 - A imprensa bem o quer colocar fora de Alvalade mas parece que Jesus vai continuar no Sporting. Excelente notícia. Além de grande treinador, tem uma grande empatia com os adeptos. Quem vai ao estádio percebe perfeitamente a consideração que Jesus tem por quem apoia a equipa do princípio ao fim. É um de nós.

2 - Fernando Santos divulgou a lista para o Europeu. Nenhuma surpresa. Obviamente que a única preocupação era saber se Renato Sanches seria convocado ou não. Para alívio geral, foi. Veja-se esta deliciosa notícia da Rádio Renascença (http://rr.sapo.pt/noticia/54447/renato_sanches_e_mais_22_convocados_para_o_euro_2016).
Seria estranho um jogador comprado pelo Bayern por 35 milhões não fazer parte dos 23. Por isso, é perfeitamente normal que seja convocado. Não me choca nada, desde que não jogue...
De resto, fico de pé atrás com o quarteto de centrais. Demasiada veterania. E dou algum destaque ao seguinte: 10 jogadores formados no Sporting, 3 no Porto e Benfica...

3 - Feito verdadeiramente incrível do Sevilha. Vencer 3 vezes seguidas a Liga Europa é obra. Vencer 5 das últimas 11 edições (entre Taça UEFA e Liga Europa) é espantoso. Está de parabéns um jogador que esteve presente nas últimas três finais e parece um pouco esquecido: Daniel Carriço.

segunda-feira, maio 16

Uma lição à Benfica.



Quando em Outubro passado o Benfica perdeu o dérbi lisboeta por três golos, na Luz, mandei a toalha ao chão. Ao início fraco do Benfica, os mais directos adversários respondiam com vitórias e sem piedade. E eu, ainda mais fraco, desisti, logo ali.

Rui Vitória não me inspirava confiança e o clube parecia à deriva. A equipa dirigente mostrava o nível habitual e apenas os jogadores, com grande destaque para Gaitán e Jonas, davam alguma cor a tão grande desânimo.

O Benfica, e os benfiquistas, pareciam definhar neste primeiro terço da época. O futebol era de repelão, de emoção, de desnorte guiado apenas pela qualidade de alguns jogadores.

Na Europa, contudo, o Benfica mostrava uma alma e uma qualidade maior. Parecia que era naquele palco que a equipa melhor se libertava das amarras do passado recente. Uma extraordinária vitória em Madrid colocou a equipa nas primeiras páginas dos jornais. O Benfica começava a renascer, sob a bitola da maior prova de clubes do mundo. Era um sinal.

O segundo terço da época foi, sem dúvida, o melhor. Às constantes lesões de jogadores-chave e outras ausências Rui Vitória respondia com coragem e mestria. Primeiro Guedes, depois Semedo, Lindelof, Renato e, finalmente, Ederson. Meia-equipa.

A equipa jogava bom futebol, arrasava adversários internos e despachava o campeão russo com duas vitórias saborosíssimas, alcançando os quartos-de-final da Liga dos Campeões, com muitos milhões no bolso.

Na equipa, Jonas mantinha um elevadíssimo rendimento, Pizzi estava no seu melhor, e Carcela aparecia a tapar as ausências de Gaitán. Renato já era dono do meio-campo encarnado e no ataque, frente ao Estoril, Vitória juntou o ponta-de-lança brasileiro ao grego Mitroglou, para uma dupla letal, sempre coadjuvada pelo mexicano Jiménez, cujo passe ficou pago com os golos e exibições frente à Académica, Rio Ave, ou Zenit, por exemplo.

A perseguição ao líder era feroz, e a equipa respirava saúde e não vacilava. Saía Samaris, entrava Talisca. Entrava Fejsa, saía Almeida. E assim continuou até ao dérbi mais importante da época. Saiu Júlio César e entrou um puto que, apesar das boas indicações na Taça da Liga, acabou por ser a última peça de um tabuleiro defensivo profundamente alterado em relação à época passada.

Esta era já uma hora de confiança. A paixão leva sempre a melhor e, com a liderança a uma vitória num campo onde habitualmente se vence, a onda encarnada renasceu com uma força imparável.

Na Europa, mais dois jogos altamente desgastantes. Os benfiquistas dividiam-se: havia quem achasse que o acumular de competições nas pernas era um factor de motivação e havia quem achasse que o desgaste de tanta intensidade ser-nos-ia fatal na prova maior nacional. Obviamente, eu estava no segundo grupo. A minha crença era muita mas precisei de levar mais umas chapadas do Benfica para acordar para o que estava a acontecer todas as semanas.

A prestação europeia terminou com dignidade, perante uma das melhores equipas do mundo, liderada por um dos três melhores treinadores do mundo. Um estádio cheio despediu-se da Europa dos grandes e a equipa vestia o fato de macaco para o que restava do Campeonato Nacional.

Último terço da época. Sofrimento. Alegria imensa. Um amor arrebatador e uma paixão lancinante. Que lição me deu o meu Benfica. O Benfica, que acordou do pesadelo do início de época bem antes de mim, mostrou-me o que é o Benfica. Mostrou-me a imensidão que há na sua história feita de glória. Mostrou-me de que são feitos os homens que conhecem o Benfica por inteiro.

Na sua grandeza, o Benfica deixou-me entrar para os últimos dez minutos, sem espaço para rancores, sem espaço para lições de moral. Deixou-me entrar para me sentar nas bancadas, para poder gritar “Benfica!” e abraçar todos os golos do Jonas.

Pronto. Já tinha o Benfica dentro de mim, outra vez. Já podia ser feliz, outra vez. Já podia tudo, outra vez.

Jogo da época, no Bessa. Muitas alterações e ainda mais lesões. A equipa jogava mal, talvez o pior jogo dos últimos 30. Os boavisteiros não davam tréguas. O Benfica parecia incapaz de crescer naquele relvado. Mas já havia Benfica dentro de mim. Havia aquela esperança absurda num golo ainda mais absurdo. Havia um passe tenso de Eliseu, um toque de cabeça do improvável Carcela e um pé de gelo de Jonas. Havia golo e um sonho que se começava a viver.

Despachado o Braga, voltámos a jogar fora. Em Coimbra, contra uma equipa que jogou no limite. Fechada a sete chaves. E ainda por cima adiantada no marcador no único remate que fez em 90 minutos. Mas deu Mitro e deu Jiménez. Deu a volta e deu Benfica, numa exibição muito competente, depois da visita à Alemanha.

De volta à Luz. A nossa vida já era isto. Passar a semana sem querer saber bem como. Esperar pelo jogo, à sexta, ao sábado, ao domingo ou à segunda-feira.

Em meia-hora frente aos sadinos, e depois do último jogo europeu, fizemos mais do que em jogos inteiros do primeiro terço da prova. Futebol louco, oportunidades, malabarismos e golos. Uma segunda parte de nervos, acabou bem, porque o Benfica já merecia o melhor. Eu, pelo menos, dava o meu melhor, sentado no meu lugar. No lugar que o Benfica me devolveu.

Vila do Conde. Jogo difícil contra mais uma equipa muito capaz a fechar todos os caminhos da sua baliza. Valeu-nos o Benfica, caraças. Valeu-nos um conjunto de jogadores e treinadores cheios de brio, dedicação e paixão. Faltou-nos Jonas e Gaitán, com o pé direito e com o pé esquerdo, de frente para a baliza, mas selámos os três pontos com a cabeça do mexicano que grita sempre “bamos, bamos!”.

Vem aí o Guimarães, vai de goleada! Estamos em grande, nesta altura. Os estádios rebentam de benfiquismo, a equipa rebenta de benfiquismo. E o Benfica observa, ao longe. Pés na terra, camaradas.

Um-zero chegou. Golos falhados pelo nervosismo que aumentava a cada passe. Passes errados pela pressão sobre os ombros de putos de vinte e poucos anos, de dezoito anos, titulares feitos à pressa, mas cheios de Benfica, sim.

Já só se queria, eu já só queria, o campeonato. Mas o Benfica olhou de lado para mim e perguntou-me: mas vais desistir, outra vez? Um lugar na final na Taça da Liga é para ganhar. Carrega Jonas. Carrega, Benfica!

Vamos à Madeira. Vejo preços e pondero viajar. Infelizmente, não posso mesmo ir. Mas o Benfica anotou o meu pensamento e escreveu no meu cachecol: “Vê-me onde quiseres. Mas vê-me”.

Finalmente o Benfica dizia-me que precisava de mim, outra vez. Que precisava dos benfiquistas, todos, os que foram iguais a mim há seis meses atrás e mandaram também a toalha ao chão.

Com dez, por expulsão do fascinante Renato Sanches, a equipa continuou com 11. Nós jogámos aquele jogo. Eu fui à Madeira e ajudei o Mitro e o Talisca, e o resto da malta toda.

Fiquei à tua espera, nessa noite, Benfica. Peguei no meu telemóvel, deixei a minha namorada aniversariante sozinha mas compreensiva, e sozinho fui ver-te aterrar no Aeroporto, às duas da manhã. Tenho o vídeo! E tive frio!

O resto foi ontem. Foi hoje. Foi amanhã e será para todo o sempre. De ti, do Benfica, nunca se desiste. Pode não haver uma segunda oportunidade.

Para terminar: muito obrigado, Benfica, e muito obrigado ao Miguel e ao Peyroteo por me terem convidado para este SectorB32 há muitos anos atrás. Foi um prazer imenso e só levo coisas boas deste espaço porque é assim que tem de ser. Um abraço também aos outros: Gonçalo, Jorge e Marco, que aventura, esta.

A felicidade que sinto neste momento é indescritível. Viva o Benfica!

O primeiro dia do resto das nossas vidas....

Estava aqui á espera que alguém afecto ao clube vencedor, pudesse postar e celebrar assim publicamente a vitória de ontem. Face a ausência desse post, constato apenas que seja com uma certa normalidade então que eles registam estes momentos, algo próprio de quem se habitou a ganhar, certamente!

Primeiro de tudo, há que dar os Parabéns ao Benfica. Não vi ninguém do meu clube a fazer isso e é algo que nos fica mal institucionalmente. O Sporting tem que ser um exemplo de desportivismo. Agora e sempre!
Obviamente que há razões óbvias para não o fazer (que são de conhecimento geral), mas que numa última instância, não pode nem deve servir para diminuir aquilos que nós somos como clube só porque os outros  são como são. Este é o para mim o ponto em que mais discordo com esta direcção (concordando em quase todos os outros).  A imagem pública que se está a dar do clube actualmente.

Mas voltando ao assunto do post, acho que o Sporting falhou basicamente em 2 pontos:
- Não teve "estaleca" de campeão quando se encontrou confortavelmente na frente. Apenas se soltando como equipa, quando já estavamos em segundo lugar;
- Entrou no jogo do adversário,perdendo claramente quando estes levaram a luta para terrenos mais "pantanosos". E enquanto o Sporting tinha que responder com o seu presidente, director para o futebol ou director de relações internacionais de uma forma quase sempre errática, o Benfica apenas jogava com  as figuras secundárias e sem importância (ainda que altamente pornográficas) na actual estrutura do clube;

Resultado final: Apesar dos méritos óbvios da equipa do futebol, o Sporting não se concentrou em si mesmo quando tinha tudo para o fazer. Ao invês de mostrar uma tranquilidade própria de quem sabia que estava a fazer bem as coisas, foi passando apenas uma certa imagem de nervosismo, de guerrilha e quezilias desnecessárias.
Só para terminar, e só para demonstrar que esta terá sido a nossa maior derrota deste ano. No ano dos vouchers; das portas 18; das tochas nas Champions, das acusações públicas á falta de profissionalismo de certos jogadores, equipas ou treinadors em detrimento de preferências clubisticas ou incentivos materiais que nunca se chegaram a provar; das noticias encomendadas em certos orgãos da comunicação social, etc, etc, etc; é o Sporting que passa por ser hoje em dia o clube dos "metralhas", das faltas de desportivismo e do eterno conflito.

Algo para pensar certamente....

Venha a próxima

Obviamente que estou desiludido por ver terminar o campeonato sem o ambicionado título. No entanto, nem um pouco desiludido com o desempenho dos jogadores e equipa técnica.
Vejamos, o Sporting fez o melhor campeonato que me lembro (provavelmente da sua história), fez mais 9 e 11 pontos em relação aos últimos dois títulos (99/00 e 01/12, respectivamente). Marcou mais golos, sofreu menos. Ou seja, em circunstâncias normais, chegaria perfeitamente para conquistar o campeonato.
Vencer na Luz e no Dragão também não é normal. Se lhe somarmos a vitória em Braga, são 3 vitórias nos campos mais difíceis com 10-1 em golos...
Superar estes números será uma tarefa muito complicada. Esse será o principal desafio de Jorge Jesus, creio. Resta saber com que armas o poderá fazer. Certamente algumas das maiores figuras vão sair. Slimani é certo, João Mário muito provável. Aqui também se pode medir o sucesso da aposta em Jesus. Vão entrar nos cofres do Sporting valores que só estamos habituados a ver nos rivais.
E lá vem o defeso, que consegue ser ao mesmo tempo irritante e fascinante...

quinta-feira, maio 12

Curtas

1 - Acaba no domingo. Benfica ou Sporting? Tudo leva a crer que seja o Benfica, que só perdeu 3 dos últimos 60 pontos disputados. 3 pontos em 20 jogos... Dificilmente falhará agora. Além disso, o Sporting tem de vencer o seu jogo, que é tremendamente complicado. Mas estou convicto que ambos vencerão as suas partidas e assim o Benfica conseguirá o tricampeonato, impensável a certa altura da época.
O Sporting arrisca-se a fazer a sua melhor época de sempre e mesmo assim não conseguir o caneco. É quase dramático mas é futebol.

2 - O processo de Renato Sanches a Bruno de Carvalho. Merece uma gargalhada. Primeiro porque claramente esta situação não parte do jogador. Depois porque em momento algum o presidente do Sporting colocou em causa a idade do jogador. Esta notificação, a poucos dias da jornada decisiva, deve fazer parte da campanha de desestabilização e guerrilha que o Sporting tem feito ao longo da época. Como se sabe, todo este clima de suspeição e conflito é responsabilidade do clube de Alvalade...

3 - Paulo Bento vai voltar a treinar. O ex-seleccionar vai dirigir o Cruzeiro de Belo Horizonte. Uma opção interessante. Talvez mais para Bento do que para o clube brasileiro. O tempo o dirá...

4 - De vez em quando acontece. O Newcastle de Wijnaldum, Mitrovic, Krul, Coloccini, Sissoko, De Jong, Doumbia, Papiss Cissé, etc., desceu de divisão. Lembro-me de ter acontecido algo parecido ao Atlético Madrid... Muito dinheiro gasto, pouco ou nenhum futebol.

terça-feira, maio 3

O poder do silêncio

Para quem clamava pelo justiça e transparência no futebol em contraponto com o comportamento de alguns que insistem em levar o bom nome do futebol português para a lama, esta semana tem sido uma verdadeira paródia.

Logo a começar o sempre acertado director de comunicação João Gabriel com o seu jogo da mala. De seguida temos um vice-presidente do clube Rui Gomes da Silva  a falar de negociatas, para logo depois encontrarmos um administrador da SAD a questionar o profissionalismo e empenho de certas equipas da nossa Primeira Liga. Para o fim, e para já, temos esse grande senhor da verdade e director de conteúdos da Benfica TV, a afirmar em directo incentivos a equipas adversárias. E isto só nos ultimos 3 dias. 
Nem vou tentar adivinhar o que para ai vem.

É caso para dizer, que eles calados conseguem fazer......muito barulho!!!

domingo, maio 1

Ó mister, isto agora já não é igual

Dizia Jorge Jesus, numa resposta a uma pergunta que ia chatear muita gente, que se David Luiz fosse agora treinado por si lhe iria imediatamente garantir que nada do que JJ faz hoje é igual ao que o agora mister sportinguista fez há três, quatro, anos. Esta observação, feita na antevisão do FC Porto-Sporting que se aproximava, é só um pequeno apontamento na bíblia que pode ser recolhida por entre todas as antevisões, flashes e conferências que o Mestre da Táctica deu nos últimos anos. Desde que chegou à Luz, com a ajuda de uma primeira época que foi uma notória rampa de lançamento, Jesus tem ensinado muito aos que não percebem nada disto, e se o FC Porto, como ele garante, tem de pensar porque razão fica em terceiro duas vezes em três anos, então a nova derrota que uma equipa jesuíta lhe infligiu no Dragão só o pode ajudar. 

De facto as coisas não são iguais. E quem visse o jogo de sábado com atenção imediatamente perceberia que não é obra do acaso o Sporting ter passado grande parte da 1.ª parte mais perto da área de Casillas, do que o FC Porto da área de Patrício. Os leões, ajudados por um modelo superior, garantiram o óbvio controle do meio-campo e, ainda por cima, chegavam primeiro a todas as bolas. E de pé-para-pé foram construindo algo completamente antagónico ao que os dragões vêm fazendo desde Fonseca e Lopetegui. José Peseiro, técnico do futebol sexy (Ruud Gullit dixit) não fugiu à regra do descalabro e deslocou Herrera para uma zona mais avançada, desguarnecendo um miolo que já de si teria sempre muitas dificuldades para segurar o acordeão que é o tal meio-campo do Sporting a dois. 

Dava uma bíblia, já o dissemos. O tal miolo a dois, tão criticado no Benfica dos últimos seis anos, é uma coisa, afinal, não a dois, nem a três, mas a quatro, e às vezes a cinco (e a seis). É a dinâmica, explicou Jesus. É, assim, curioso o facto do técnico que desguarnecia o meio-campo aparecer agora no campo que mais o engolia, a dominar, a controlar e a tocar. Já Peseiro procurava a vertigem, o passe longo e as chegadas à área de Herrera. Extremos por fora (alô Lopetegui), Aboubakar em modo ilha, Sérgio sem andamento e Danilo sem conseguir impôr o físico: este foi o retrato do FC Porto até à magistral jogada de João Mário que abriu caminho ao primeiro golo do jogo.

Chegados aqui, ninguém se poderá queixar que o Dragão não ajudou. Jogar lá, hoje por hoje dizem, é um paraíso para os adversários e, até, para os árbitros, mas o efeito Dragão sentiu-se quando o Sporting, numa das raras vezes esta época, teve de baixar linhas para ver os dragões confirmarem a sua inépcia atacante. Uma aproximação, tardia diga-se, com alguns pés e alguma cabeça, à área do Sporting e que redundou numa grande penalidade que fará as delícias de paineleiros e seus seguidores. Espere-se então pelo veredicto dos mesmos e pela realidade paralela que as suas vozes ditam. Indiferente a isso, Herrera rematou para um empate insípido que castigava um Sporting que, ao contrário do que se faz passar sempre depois deste tipo de vitórias, não foi perfeito.

Até porque ó mister, isto agora já não é igual, e o Sporting que é reconhecidamente a equipa mais evoluída do campeonato, não tinha que descer para ver o que o FC Porto iria fazer. Até porque isso, já se sabe há muitas jornadas. Os azuis e brancos não se encontram e sofrem primeiro do que marcam. Talvez por isso, nem o respeito do Sporting lhe tenha valido. É que com mais um tempito de bola os leões haveriam de marcar o segundo, pelo inevitável Slimani - um argelino que é uma lição para um Porto que quer, forçosamente, aprender a defender da pior maneira. Um Porto desinteressante, à imagem do seu técnico, que nem quando vem dominando os jogos - como aconteceu, novamente e esporadicamente, no início do segundo tempo - convence. Não convence pela atrapalhação, pela falta de ideias e por demorar um segundo mais a pensar do que os adversários. Tudo a esforço, lembre-se, mas que ainda deu para José Peseiro reclamar as bolas nos ferros, um penálti não assinalado, e a eficácia do adversário. Ora, quase tudo isto, mais coisa menos coisa, pôde o Benfica reclamar para si, contra o FC Porto, na Luz. Mas Peseiro, definitivamente, já esqueceu como lá ganhou. Desse futebol, que o faria prometedor, e da exibição de Casillas, nada sobra. Basta recordar o boneco que fica no terceiro golo do justo vencedor, para se perceberem os problemas do FC Porto: ideias que não servem, hiperbolizam os jogadores que não servem, fazem com os que servem pareçam que não servem, o que por arrasto mostra um treinador que não serve, pouco apoiado por adeptos que não servem e, last but not least, dirigentes que não servem. Contudo, ao contrário do que se possa pensar, a distância não é assim tão grande. Afinal de contas para Benfica e Sporting transcenderem um estado (vegetativo) igual, só precisaram de um treinador. O FC Porto perdeu o seu há três anos. É normal, por isso, que isto agora já não seja igual.  

sábado, abril 30

Porto 1 Sporting 3

Grande, muito grande. Só uma grande equipa, magistralmente treinada, poderia chegar a um jogo destes, com toda a pressão em cima dos ombros, e vencer categoricamente. Vai ser mesmo até ao fim...

sexta-feira, abril 29

Antri-Amor?

Saber-se-á, no sábado, se o amor, ou anti-amor, dos portistas afectará a equipa no mais importante jogo que os dragões têm à disposição para salvar a pele desta época. Sim, a mesma está perdida e nem mesmo a Final da Taça poderá dar tão boas sensações como uma boa exibição frente a um verdadeiro candidato ao título - coisa que, sabe-se há muito, o FC Porto não conseguiu ser. Assim, se os portistas ganharem saber-se-á que a chama está viva. Se perderem, tudo se porá, novamente, em causa. Estas serão as leituras assentes na dualidade vitória/derrota que tanto tolda as 'análises', mas o FC Porto-Sporting será muito mais que isso.

Pode o FC Porto perder e criar boas sensações? Pode. Até porque os resultados nem sempre condizem com o futuro próximo, José Peseiro teria, numa realidade paralela, hipóteses de perder com o Sporting e augurar a nova época no banco do Dragão. Mas nesta, na realidade dos resultados, José Peseiro sabe que ganhando ao Sporting consegue nova almofada de esperança portista na sua pessoa. Uma almofada que vai andando bem vazia, visto que chegam, e até sobram, os dedos de uma mão para contar as boas exibições do seu FC Porto. Talvez por isso, alheios como sempre ao vencedor de um campeonato que não será seu, os jogadores e equipa técnica apostem tudo neste duelo para recriar a imagem de um FC Porto vencedor. E esse não é aquele que, 11 pontos atrás, reclama erros dos árbitros para se chegar à frente. Os mais avisados saberão da manha, mas quem vai na cantiga das arbitragens não só coloca o passado de títulos em causa, como não faz a menor ideia do que é ser adepto dos dragões. 

Da mesma maneira ficará o sabor agridoce de 'dar' o campeonato ao Benfica. Como se fosse o FC Porto a dar um campeonato que em dezembro estava 'perdido' para as águias. Tivessem os portistas o mesmo estofo, a mesma crença, a mesma força mental, e o mesmo modelo, e talvez a vantagem fosse sua - como foi, durante alguns meses. Assim, reclamar erros externos (para a notória podridão interna) e 'escolher' vencedores melhores ou piores para o seu coração, só pode ser idiota. Um bom FC Porto lutaria para ganhar, um medíocre faria os possíveis, e um mau, pelo menos, não se meteria em confusões que não são suas, como tal nunca, por nunca, um qualquer Porto faria fretes para ver o Sporting campeão em detrimento do Benfica, ou vice-versa.

Não quer isto dizer que o Sporting não possa ganhar, se assim o quiser. Tem melhor colectivo, tem jogadores catapultados pelo modelo e tem no currículo exibições de sobra para os leões augurarem poder vencer no Dragão. Mais a mais porque não se sabe qual FC Porto irá aparecer: o bom, o medíocre ou o mau. Mas sendo que todos eles têm algo em comum (o erro), não surpreenderá ver o Sporting, pela cartilha de Jesus, alternar a espera desse(s) erro(s) com uma posse-de-bola a espaços, assente na superioridade do seu meio-campo. Para isto tem o FC Porto de encontrar soluções. Esse é o trabalho de Peseiro, e é esse que estará na mesa quando se decidir quem será o futuro técnico. Não mostrar nada em casa, contra um Sporting com qualidade mas sobejamente conhecido, enviará o coruchense para destinos mais exóticos. (De)mo(n)strando qualidade, Peseiro entrará na linha normal que rege os treinadores dos grandes: ganhar todos os jogos. Ou seja, a derrota manda-o para as Arábias - ou coisa que o valha - e a vitória garante-lhe o próximo jogo com o mesmo desafio: jogar bem e ganhar. Não é à toa que poucos têm sucesso neste ofício.  

quinta-feira, abril 28

Um pouco de prosa

“Jorge Jesus não está preocupado com a nomeação de Bruno Paixão para o jogo com o Moreirense. O treinador do Sporting até confessou que se trata de um árbitro de quem gosta muito.
"O árbitro Bruno Paixão é um bom árbitro. Temos confiança total em todos os árbitros, mas está sujeito a críticas, tal como eu estou.
Se o presidente dos árbitros, Vítor Pereira, acha que ele tem capacidade para estar à altura e responsabilidade de um jogo que define a possibilidade de ganhar ou não um título, é um dos árbitros que eu gosto, que confio muito e aceito esta nomeação pela qualidade que tem. Confio plenamente em todos e muito mais no Bruno Paixão" comentou o técnico, em conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Moreirense.” in Sapo Desporto de 15/042016

“Sobre os árbitros nomeados para a antepenúltima jornada da I Liga, Bruno de Carvalho criticou a nomeação do árbitro Bruno Paixão para o jogo de sexta-feira entre Benfica e Vitória de Guimarães, por não ser internacional.

"Num campeonato que se está a disputar ponto a ponto, todos os jogos que envolvem os dois candidatos são jogos de grande responsabilidade e risco. Nunca percebi o critério de nomeações dos árbitros, mas achava que havia um. No momento em que estamos, pensava que os árbitros internacionais fossem utilizados", sublinhou.” in Sapo Desporto de 28/04/2016

Pelo meio, houve um Moreirense-Sporting cuja arbitragem nem me atrevo a comentar…

Enfim, eu como benfiquista (segundo uma certa corrente do blogue, equivale a ser diminuído mentalmente), não encontro explicação para isto. Mas de certeza que há, e não há nenhuma contradição nem é anormal o presidente do Sporting dizer o que disse, depois de na jornada anterior nada ter dito sobre a nomeação dos mesmos árbitros. Estou curioso para perceber e aprender com que sabe tanto. Ou então rir a bom rir.

Ainda assim, se é permitido a um benfiquista ousar pensar, penso poderem-se extrair algumas conclusões (alternativas ou cumulativas):
a)      Bruno de Carvalho e Jorge Jesus não têm o discurso sincronizado;
b)      Bruno de Carvalho tem medo que o Bruno Paixão tenha uma arbitragem para o Benfica como teve para o Sporting na semana passada;
c)       Bruno de Carvalho não se apercebeu que o Bruno Paixão apitou o Sporting na semana passada;
d)      Bruno de Carvalho não é para ser levado a sério;
e)      Bruno de Carvalho disse o que disse para ouvir um sonoro: mééééééé;
f)       Não e passa nada, é tudo perfeitamente normal. Isto são coisas de benfiquista para tentar desacreditar o Presidente do Sporting, aquele que acusa os outros de lutarem mais fora das 4 linhas do que dentro de campo, e que é diferente deles.
g)      Foi tudo uma invenção da imprensa, como é sabido toda (mas toda mesmo) ao serviço do Benfica, pois Bruno de Carvalho não disse nada daquilo. Ai está no facebook? Então devem-lhe ter corrompido a página.
h)      JJ e/ou Bruno de Carvalho estava a ser irónico;

Escolham a que mais vos convier, ou acrescentem outras…

Uma capa que é um poema...


terça-feira, abril 26

Curtas

- Ninguém falha. Primeiro o Sporting, que despachou com facilidade o União. A equipa está confiante e tem o trio de meio campo numa forma excepcional. É possível vencer no Dragão e continuar a sonhar...

- O Benfica também não desarma. Antes jogava mal e ganhava confortavelmente. Agora continua a jogar mal mas vence com muito sofrimento. A verdade é que não perde pontos e tem tudo para ser campeão.

- Já em relação ao Porto, a sua vitória só serviu mesmo para "enterrar" mais a Académica. No entanto, o jogo de sábado próximo já poderá ter outra importância. Não que altere a classificação mas porque ao Porto não interessa nada este Sporting campeão. E isso nota-se até nos adeptos. Anteriormente não hesitariam em preferir o Sporting ao Benfica. Este ano assiste-se ao contrário. Mais um sinal do trabalho bem feito por esta direcção do Sporting.

- Lá por baixo, e de forma surpreendente, o Tondela aparece com possibilidades de evitar a descida de divisão. Outrora com mais de 10 pontos de atraso em relação à permanência, vê agora esse objectivo a apenas 3 pontos e na próxima jornada vê os dois concorrentes directos defrontarem-se...

- Em terras de Sua Majestade, parece que o Leicester vai mesmo ser campeão. Só mesmo em Inglaterra. Sim, mas isso não é propriamente um elogio. É mais um embaraço que outra coisa.

segunda-feira, abril 18

O ovo ou Peseiro? O Silvestre ou a galinha?

Entre o que sai cá para fora e o que fica lá dentro está a nossa dúvida. Muitas vezes, homens com a corda na garganta, como José Peseiro, têm de dar uma de Goebbels e (tentar) distrair a malta. Aliás, se havia coisa que o FC Porto não precisava, no entender do coruchense, era que mais um dos dele lhes virasse as costas. Daí que o habitual fizemos tudo para ganhar o jogo que perdemos não o ferisse. É anormal. Não dura. Vai passar. Natural, pensamos. Até as casas de apostas sabiam, pagando 1.25€ pela vitória dos portistas. Coisas da probabilidade, e tal. Mas, no meio de tudo isto, verdade, mentira, real, irreal, quem nasceu primeiro? o golo de Varela ou a liberdade, secundada por várias linhas de passe, que permitiu a Silvestre rematar de onde rematou (fazendo um golo extraordinário)? Não perguntem a Julen Lopetegui. Ele não saberá.

Talvez o basco seguisse a maré. Afinal de contas também Manuel Machado foi na cantiga: O primeiro golo é de uma excelente execução e o segundo deu-lhes estabilidade. Está então encontrada a fórmula para ganhar sempre: marcar um grande golo a abrir e outro logo de seguida (com o Benfica tem resultado). Mas, mais a sério, depois do golo de Varela os dragões partiram para uma grande exibição. Restavam 90 minutos e meio, e por isso é lógico que se pense que o que se passou a seguir nada tem que ver com o mísero minuto e meio que antecedeu o magistral golo. É até descabido pensar o que contrário.

Porém, uma mente desassossegada quer mais. E os três jogos com 24, 25 e outra vez 24 remates, não a satisfazem. É que nos dois que terminaram com derrotas rotuladas de vergonhosas, não houve mobilidade, não houve linhas de passe, não houve deambulações, nem aproximações, nem basculações; mas também não houve grandes golos. Porém, se calhar, o FC Porto fez mais naquele minuto e meio que nos 180 anteriores. Quem sabe? José Peseiro, decerto, deve sabê-lo melhor que todos. Até porque um grande golo, e uma vantagem, não é nada que o seu FC Porto não tenha já desperdiçado enquanto não consegue fazer três passes seguidos ou posicionar-se para evitar uma transição. Porque razão então o resto do FC Porto-Nacional foi um compêndio de boas jogadas, que redundaram num futebol extremamente agradável e numa goleada sem golos encaixados?

Peseiro não o vai admitir, é certo. Mas uma mente desassossegada quer saber mais. Ainda mais uma mente desassossegada que acha que o técnico tem faltado à sua obrigação na produção do futebol sexy que todos lhe reconhecem. Ganhar, ganhar, ganhar, já ouviu tanta, e tanta, vez na sua carreira. E talvez por isso, depois de se fartar de perder, já devesse ter entendido que o importante é que a equipa seja fiel ao que, neste domingo, demonstrou. Nem que só remate 10 vezes. Aliás - para além da parvoíce que é alguém gabar-se de rematar duas dezenas de vezes e não acertar com a baliza - a ciência da vitória está no desapego que um bom modelo dá às mentes daqueles seres que são magistrais quando ganham e borra-botas quando perdem. Ontem já não pareceram tão maus, hein?

domingo, abril 17

Suado

Vitória difícil do Sporting, o que é perfeitamente normal tendo em conta o aproximar do fim do campeonato e o consequente aumento de pressão.
Já muito se falou (e continuará a falar) da legalidade do golo de Slimani. Na minha opinião, não é claro que o argelino esteja adiantado em relação à bola e, na dúvida, é suposto beneficiar quem ataca, algo que muita gente parece esquecer nestas alturas.
O assistente voltaria a estar em evidência mais tarde, anulando mal um golo a Teo (grande passe na jogada do golo). 
Acaba por ser compreensível que, após o primeiro lance duvidoso, o assistente não quisesse arriscar em lances seguintes.
No entanto, este foi um lance mais claro e o erro existiu. 

quarta-feira, abril 13

Curtas - Europa

1 - O Benfica recebe o Bayern ainda com esperanças de seguir em frente. Convenhamos, a tarefa é gigantesca. E o facto de ter sobrevivido em Munique jé já assinalável e surpreendente para muitos, nos quais me incluo.
As hipóteses do Benfica diminuem ainda mais pela ausência dos seus dois melhores jogadores (Gaitán e Jonas). A equipa que vai jogar, em condições normais, não dará muita confiança aos benfiquistas, em termos puramente técnicos. Dará sim garantias em termos de raça e motivação. Os nomes do outro lado assustam qualquer um mas não seria o primeiro gigante a cair por terra. Veja-se o caso do Sporting com o Manchester City. Estivemos muito perto de perder essa eliminatória... Ao estar perto de eliminar o Sporting, o City ganhou confiança e cresceu bastante como clube. Desde aí foi campeão duas vezes e vice outra duas. Está agora nas semi-finais da Champions. Competir com os grandes é muito positivo...

2 - O Braga... É, diria, impossível. Não vejo a mínima hipótese de reverter o 1-2 da Pedreira. Nem o golo de Wilson Eduardo permite grandes sonhos. O Braga teria de fazer um jogo ao nível do que fez em Sevilha (ganhou 4-3) na pré-eliminatória da Champions. Mas aí o Braga tinha outros argumentos e o Sevilha tinha perdido a 1ª mão e precisava atacar. O Shakthar não precisa de nada disso. Campanha muito meritória do Braga (e do Benfica também), independentemente do que aconteça nesta segunda mão...


terça-feira, abril 12

Voando sobre um ninho de abutres

Está mais que visto que tudo o FC Porto precisa é aquilo que tem tido. Quanto mais não seja para se perceber que o caminho tem de ser outro. Sim, às vezes precisamos de subir uma montanha só para percebermos que não precisávamos, para nada, de a subir. Depois daquilo, pensamos, vai correr tudo às direitas - afinal de contas esfalfei-me para a subir e Deus não tem outro remédio se não dar-me aquilo que eu quero. José Peseiro, por sinal, pensa, mais ou menos, assim. Tudo nos acontece, desabafa a cada derrota. E lá ficam os portistas à espera que esse tudo deixe de acontecer.

Claro que pelo meio a culpa é do árbitro. E tanto que o FC Porto precisava de ficar igual aos rivais, no discurso após as constantes derrotas que o seu karma lhes oferecia para mudarem de rumo. Se o árbitro, pois bem, marcasse um penálti aqui, ou ali, talvez o FC Porto tivesse discernimento e capacidade para controlar um jogo que seja... sem sofrer qualquer golo. Talvez. Mas enquanto isso, e enquanto os árbitros não querem as couves, talvez, também, fosse bom ao FC Porto arranjar maneira de tornar as balizas dos adversários maiores, enquanto encolhe a sua. É que isto de entrar a saber que, de qualquer maneira e feitio, se vai sofrer, não augura nada de bom para esta pré-época.

Uma pré-época que, recorde-se, foi iniciada (e oferecida de bandeja) pelo candidato Pinto da Costa. Pinto da Costa, sabemos, candidata-se contra Pinto da Costa - o mesmo que achou por bem prescindir de um bicampeão para reclamar louros para a sua estrutura. AVB e VP nada tiveram que ver com um sucesso inteiramente merecido por parte de quem foi buscar os Hulks, os James e os Falcoes. Estava na cara que, como se lhe viu, e ouviu, dizer: Com Hulk e James qualquer um é treinador. Por isso é que precisamos, agora, de Lopetegui. 

E o pobre do Julen - que só teve o mal de não ser assim tão bom para ganhar a Liga ao serviço de um FC Porto com matéria-prima para tal - tem que levar até com a culpa da sua escolha. Afinal de contas, o basco, numa altura qualquer da sua entrevista de emprego, deve ter garantido a Jorge Nuno que ele seria o homem certo para o lugar. Não há que pensar mais, interiorizou PC. Seguindo-se um ano e meio em que os adeptos portistas até já não levavam a mal que as (constantes) notícias que dão conta que JJ, mais mês menos mês, estará na Invicta a demonstrar a sua sagaz superioridade assim como a condição inevitável - que é tê-lo - para se ser campeão em Portugal. Um dia riem-se de ele ter ajoelhado, outro dia - à falta de melhor - já não se importavam de o ter no banco. O que uns quantos títulos não fazem.

Fazem isso e mais. Para nada importam contas e comissões, salários e abutres. Até suspeições, bem fundadas, de corrupção passaram ao lado. O que importava era ganhar e a banda seguia a tocar. Estava visto que o amor incondicional era o mesmo que levou a que depois da entrevista de Pinto da Costa - vista como essencial na inversão de rumo - bastasse uma derrota de pré-época para que caísse, de novo, o Bolhão, a Trindade, Cedofeita, a Lapa e os Clérigos. Afinal, mas ninguém percebeu que a época já acabou?

Deixem, assim, José Peseiro trabalhar em paz. Talvez, em paz, o coruchense tenha tempo para aproximar os jogadores e, ao menos, se vejam três passes seguidos ao pé da área dos adversários enquanto alguém se lembra de a meter lá para dentro. Já sabemos que as coisas dos títulos o têm assustado e que o único que ganhou até foi levando de vencido o FC Porto. Esperam agora os adeptos que ele se lembre que está do outro lado e que não seja acusado de infiltrado como foram Artur Jorge ou Marco Silva. Até nisso ainda vamos ver os portistas imitarem os seus rivais - enquanto os adeptos de Sporting e Benfica se vão deslocando em bom número para apoiarem a sua equipa na recta final. Um caos que ao novo Joker de Suicide Squad lhe agradaria imenso. Afinal de contas, estabilidade é coisa de meninos. E numa Liga, cada vez mais decidida a três, a (des)união do FC Porto dará os seus frutos. Contudo só se poderá fazer reset lá para maio. Depois se verá a tão louvada habilidade presidencial para escolher treinadores. É que se JJ não ganhou com um Porto forte, e o Sporting não ganhou com um Benfica, ou com um FC Porto, forte(s), também o FC Porto não ganha com um Sporting e um Benfica fortes. E estando Guardiola fora do baralho, vai ser muito difícil que alguém possa empatar, sequer, como Mourinho no seu primeiro jogo oficial de 2002/2003. Aí a vassoura do Baía já daria jeito (porque agora é cedo, não é?).

Esperemos...


...Que esta assustadora capa não passe de (mais) um vil ataque da imprensa ao bom nome do Sporting e do seu treinador. Há limites...

segunda-feira, abril 11

Curtas

1 - Sporting-Marítimo. Um "chouriço" desbloqueou um jogo que se complicava. Não foi das melhores exibições do Sporting mas é importante ganhar, mesmo quando a qualidade de jogo não é por aí além. Isto também vem ao encontro da teoria que o Sporting é uma equipa mais categórica fora de Alvalade. Até pode ser do relvado...

2 - Tudo na mesma. O Benfica continua a resistir, com maior ou menor dificuldade. Numa das roulottes que circundam Alvalade nos dias de jogo, vi 25 minutos do jogo do Benfica (entre os 45 e os 70m). Até a mim me estava a incomodar o anti-jogo dos estudantes, ainda que não tenha sido muito diferente do que o Benfica fez no jogo com o Sporting. Eu não gosto nada de ver. Quanto tempo efectivo se jogou naquele período? Nem metade... Vitória importantíssima do Benfica, com dois bons golos.

3 - O Porto continua o seu caminho penoso. Duas derrotas consecutivas, o desistir definitivo do segundo lugar (boas notícias para o Sporting). Não vão ser fáceis estes 5 jogos que faltam para terminar o campeonato. Dificilmente servirão para motivar a equipa para a final da Taça. Final essa em que o Porto terá muito mais a perder do que a ganhar. Uma coisa me parece óbvio. Peseiro não continuará...

sexta-feira, abril 8

Sulimane absolvido...

Excelente a estratégia montada pelo Sporting neste caso. Não deu qualquer hipótese para um eventual castigo, uma vez que, penalizando o argelino, não haveria justificação para deixar impunes os jogadores do Benfica também processados. E isso era impraticável.
Só foi pena que o jogador tenha estado condicionado durante tantos meses. Slimani pode agora voltar às correrias desenfreadas, vociferando algo semelhante a falar com batatas a ferver na boca, apavorando os adversários...

Padrinho oferece pré-época

É cada vez mais desinteressante seguir quaisquer declarações no universo futebolístico nacional. As excepções, curiosamente, vêm de fora. De tal modo que ouvir Guardiola dizer que "o Benfica é isto, ou aquilo" gera imediatamente a desconfiança de todos. Deixou-se de medir a verdade e, há muitos anos também, que se espera que a nossa verdade se torne a verdade dominante, a verdade hegemónica. Tudo o que não corresponda à expectativa... é mentira, ponto. Foi assim que Pinto da Costa saiu mais uma vez a terreiro. Com a complacência de um subordinado que não pode recalcitrar contra o padrinho (- não me diga que também lê os blogs, foi lá que tirou as perguntas? - não, nã, não...) PC fez aquilo que a maioria dos portistas esperava: uma reedição do fim de outros tempos de crise, em que as frases fortes de recuperação se vieram a confirmar pela mão de Mourinho e André Villas-Boas, em épocas que se perderam por confiar o leme a quem não teve/tem unhas para segurar o barco.

André saiu sem derrotas para a Liga. Vítor Pereira perdeu um jogo em dois anos. Fonseca seguiu a linha do Braga (deixou a equipa na Europa e na Taça, mas sem campeonato) e Lopetegui teve permissão para brincar com um dos melhores plantéis de sempre do FC Porto, rodando-o até cair. Ficaram as desmedidas expectativas e as (outras) imagens mentais dos adeptos. É que sem o amén constante que as vitórias criaram, muita coisa que estava guardada - fossem as comissões, fosse o distanciamento na comunicação, fossem os contentores de jogadores - saiu cá para fora como forma de colocar o presidente em xeque. E isso pode estar tudo muito certo, mas sem massa crítica na hora da vitória (e foram tantas, que davam tantas oportunidades) Pinto da Costa foi, e quer ser, Paul Newman em A Cor do Dinheiro. Ultrapassado, tenta apanhar o barco num salão de jogos cheio de caras novas e com um acerto que não lhe permitiria ganhar o que já ganhou.

Louve-se então o futebol português pela qualidade que Jorge Jesus encabeçou, levantando o Benfica, deixando-lhe bases, fazendo depois o mesmo no Sporting, e tome-se consciência que um Porto normal, ou até um melhor do que isso (como o do primeiro ano de Lopetegui) não terá hipóteses de devolver aos portistas as alegrias a que estão habituados. Daí o reforço do carácter, da qualidade, e da alma do plantel, e o assumir de que o maior dos males desta época - a desmesurada pressão de ganhar sem ter competência para isso - acabou. Segue-se uma pré-época de seis jogos que levará a uma final onde os dragões encontrarão, de novo, a pressão de ter que vencer. Isto porque essa, juntamente com todas as questões mentais, emocionais e físicas que colocou, terá impedido o FC Porto de dar não uma boa, nem uma média, nem, sequer, uma medíocre resposta ao que se esperava dele. Falamos do novo treinador, que em três semanas arranjou plano para ganhar na casa do bicampeão, mas que nas restantes viu a equipa penar por entre o futebol sexy que prometeu - e que era a única coisa de realmente interessante que advinha da sua contratação.

José Peseiro está assim, também, em risco. Trabalha com Pinto da Costa porque é ele, obviamente, que está lá. Não poderia ser de outra maneira. Daí que os seis jogos que se seguem, sem pressão e dados como prenda, para o teste final de um só jogo, sirvam como teste ideal a quem faz desconfiar pelo historial nesse capítulo. Peseiro já havia cedido e, quer queiramos, quer não, cedeu de novo (ou de forma muito parecida) ao não conseguir aguentar algumas boas indicações deixadas na Amoreira e na Luz. Não pôde com o Dragão, não soube jogar com o estatuto de outsider (algo brilhantemente conseguido por Rui Vitória) e não se focou onde, reza a lenda, é mais forte: no modelo, no plano, na ideia. E assim sendo, o coruchense deixa imensa dúvidas para um desiderato que envolverá um playoff fulcral em Agosto.

PS: Guardiola sabe o que diz e como o diz. E o que o de Santpedor quis dizer sobre o Benfica teve um objectivo claro. Ora não quer isto dizer que os elogios, bem reais, que fez às virtudes do Benfica (que contrastam, sobretudo, defensivamente com a maioria das equipas que observa) e que a dificuldade em jogar entre-linhas que o seu Bayern teve contra o bicampeão nacional atesta, fossem feitos de forma cordial ou falsa. Os problemas, para os bávaros, estiveram lá. Mais a mais quando a equipa, desde que a Juventus a colocou em causa, passa um mau momento. Guardiola sabia das dificuldades e quis proteger a aura de favorito na Champions com um mau resultado frente ao Benfica. E o 1-0, aos olhos de toda uma Alemanha habituada às goleadas, nunca lhe garantiria isso sem o aviso prévio de que o Benfica tem, realmente, qualidades acima da média. Pep colocou-as no holofote enquanto escondeu o mau momento da sua equipa. Com isso galvanizou o Benfica, que conseguiu, por mérito próprio, um jogo de bom nível em Munique. E tão raros que são esses jogos, onde os grandes portugueses não se tornam pequeninos nos Allianz desta vida. E este coloca a 2.ª mão, e respectivas abordagens, como um dos jogos mais interessantes de seguir nesta Liga dos Campeões.

quinta-feira, abril 7

quarta-feira, abril 6

Bayern 1 - Benfica 0

Faço desde já meia retractação: Afinal ontem o Benfica não foi goleado como eu antevira. Previa eu e desejam muitos.

É verdade que o Benfica perdeu e isso não deve ser motivo de festa. E só é motivo de festa para os incautos, fanáticos, ou então para visões adversárias mal intencionadas. Uma coisa é perder-se e isso é triste. Outra coisa é perder-se mas fazer-se uma exibição digna, séria, agradável, de colocar em sentido o adversário, e porque não dizer, de todo inesperada
É bom não esquecer que o Benfica foi gozado por toda a Europa, inclusivamente através de videos e gif's. Pensava-se que eram favas contadas. Todo o sentimento revelado após o jogo de ontem encerra um pouco de reacção a tudo isto. Só quem é parvo é que não percebe isto.
Não estou contente pelo resultado, óbvio. Estou satisfeito porque o Benfica deixou na arena de Munique uma boa imagem, foi uma equipa solidária, que remou de cabeça erguida contra a adversidade, e tentou a sua sorte quando teve oportunidade, que conquistou o respeito de muitos.

Apanhando-se a perder aos 2', pensava-se (sim, eu pensei) que a hecatombe iria ser muito maior do que se supunha antes do apito inicial. Mas não foi. E grande parte da responsabilidade de não o ser coube ao Benfica. Por muito que doa a muita gente, a exibição do Benfica foi personalizada, de sofrimento, é verdade, mas nunca de agachamento ou encolhimento frente a um dos mais poderosos clubes do mundo, e, a par do Barcelona, dos mais sérios candidatos a vencer a Champions. 
O Benfica não foi mais além porque não conseguiu, O Bayern não foi mais além porque o Benfica não deixou. É esta a história do jogo. E tudo isto com Ederson (mostruso ontem) que o ano passado defendia no Rio Ave, Lindelof e Renato Sanches (acabados de sair da formação), André Almeida, Eliseu (das piores duplas de laterais que o Benfica teve nos últimos anos), e sem treinador no banco. Imagine-se agora com gajos nascidos 10 vezes e com um treinador decente a orientá-los.
A vitória do bávaros não se questiona porque foram (e são) melhores que o Benfica.
As palavras de Pep Guardiola antes e depois do jogo demonstram que para se ser rivais não é preciso ser-se insultuoso e mal-educado. Já se sabe que causaram azia a muita gente, mas pronto, aguentem!

Não alinho pelo diapasão das queixas sobre a arbitragem. O árbitro não foi mau para o Benfica. O lance em que se reclama penalty para mim é um lance normal. Não sei onde pretendiam que o Lahm colocasse a mão. Numa situação de carrinho é ali que mão naturalmente está. Em Portugal marcava-se. Sei que muita gente em Portugal e na Europa acha que devia ter sido marcado, em coerência comigo e com o que penso sobre bola na mão/mão na bola, mantenho o meu critério e acho que o árbitro ajuizou bem. No critério disciplinar esteve bem.

É também claro que há quem ridiculamente pretenda tirar mérito ao jogo (não ao resultado) do Benfica. Ou é porque o Bayern esteve uns furos abaixo, ou porque não quiseram carregar mais, ou porque vêm de uma paragem, ou até porque (imagine-se!) estiveram quase a ser eliminados pela Juventus (essa equipazeca de trazer por casa). Já estamos habituados: o Zenit vinha de uma paragem, o grupo da Champions era o mais fácil, o Belenenses abriu-se todo, o Tondela só não corre contra o Benfica. O Braga não quis jogar para se poupar e ainda assim foi prejudicado porque com 3-0 não viram um penalty (foi mesmo dentro da área?)... Enfim, para esses só há uma coisa a dizer: Inácios!

Ainda assim há uma 2ª mão, e desengane-se que o Bayern se vai acobardar ou gerir a vantagem por jogar na Luz. Está tudo em aberto, até a hipótese de o Benfica ser goleado em casa.

PS - desculpa Luis, só vi agora o teu post, mas já tinha escrito muito :)

PS1 - Luis: depois de ler o teu post, digo publicamente aquilo que já te disse em privado através de e-mail (que não seis e chegou aos outros). Concordo com tudo o que escreveste neste post, Letra por letra. Como sabes, há algum tempo questionei a minha continuidade no blogue, devido precisamente ao mau clima que por aqui grassa. Desde aí tenho evitado comentar para não piorar o ambiente. As intervenções serão cada vez mais raras, Pelo menos enquanto se discutirem "merdinhas". Há conversas e comentários do nível do "tasqueiro" (esse misterioso blogger).
Espero que o Sector volte a ser o que foi, e as pessoas percebam ao estado que as coisas chegaram. Não é um adeus, por enquanto é um "até um dia destes". 

O futebol tem de ser festa.

O post anterior do Peyroteo é a perfeita imagem do que tem acontecido esta época, em que parece haver uma realidade e outra coisa qualquer.

Continuo a pensar que um determinado contexto influi na capacidade que alguém tem, ou terá, de interpretar aquilo que são os factos.

As ironias, as descontextualizações, as constantes desconsiderações, a falta de bom-senso, o desplante e a arrogância mais não são do que máscaras que pretendem, precisamente, desmarascarar uma terrível incapacidade de viver os momentos com a sobriedade que se impõe.

Obviamente que, como o Peyroteo, ontem, muitos adeptos do Sporting e FCP vibraram com o golo madrugador do Bayern. Muitas mãos se esfregaram. Muitos desejos de goleada fizeram sentido. Nada de mal, nisso.

Ao mesmo tempo, havia muitos benfiquistas a pôr a mão na cabeça (eu, por exemplo), completamente borrados com uma eventual derrota por números pornográficos. Normal.

Neste blogue, não há muito tempo, as humilhações de Sporting e FCP, no mesmo estádio de ontem, não serviram para menosprezar ninguém. E tinha sido tão fácil.

Este despeito todo, disfarçado de brincadeira e humor, mais não é do que um desconhecimento profundo da realidade actual do futebol. Cada vez mais fechados no clube em si, cada vez mais isolados dos outros. Como que a querer escrever uma história impossível.

O Benfica, ontem, não foi à Alemanha perder por poucos. O Benfica, ontem, foi à Alemanha jogar olhos nos olhos com uma das melhores equipas do mundo. Esta realidade, para nós, é muito valiosa.

Perder, como ontem, não tem nada a ver com vitórias morais. Perder, como ontem, tem a ver com orgulho, dignidade, identificação, clube, paixão, futebol. E, isto, aparentemente, é demasiada coisa para ser compreendida por um sportinguista dos sete costados como o Peyroteo, que há poucos anos enfiou 12 golos dos bávaros em dois jogos.

O futebol é muito mais do que insinuações baratas, acusações falsas, desprezo e desvalorização pelos adversários. A alegria de ontem devia permanecer.

Confesso que estou farto deste clima de guerrilha. Confesso que este SectorB32 se tornou num espaço demasiado triste para quem gosta de futebol (e assumo, também, toda a minha responsabilidade nesta questão, obviamente) - o Marco é uma excepção da qual muito me orgulho.

Por isso, até ver melhorias (se as houver), afasto-me novamente. Eu próprio contribuí (e muito) para que de um ambiente de amigos se passasse para um ambiente do qual não quero fazer parte. E posso dizer que estou bastante arrependido.
 
Se o Sporting for campeão nacional, aqui ficam desde já os meus sinceros parabéns. A esta distância, considero que qualquer um dos dois clubes de Lisboa merece o título.

Agora, se me dão licença, vou tentar aproveitar o futebol.

Curiosidades

Ainda sem saber a que horas o Benfica será recebido na Câmara Municipal de Lisboa, vejamos então a dimensão do feito ontem alcançado.
Olhando para o histórico, é raríssimo o Bayern perder pontos em casa com equipas portuguesas. Só aconteceu duas vezes e pelo mesmo resultado: 0-0. Adversários: Porto (90/91) e Sporting (2006/07).
Derrotas que causam euforia, por 1-0, com a de ontem, foram outras duas. Adversários: Boavista (2001/2002) e... Belenenses (2007/2008). Sim, o Belenenses. E mais irónico ainda: Quem treinava o Belenenses? Isso mesmo, Jorge Jesus... Tão bom!

terça-feira, abril 5

Orgulho. Muito. Que orgulho.

Seis anos depois a encolher-nos contra os grandes. Hoje fomos enormes contra uma das três melhores equipas do mundo. Esta merda não é o Belenenses. A esses demos 11. O futebol do Benfica diverte-nos e isso só pode ser bom.

Curtas do Belenenses-Sporting

1 - Grande jogo do Sporting. Como se previa, o Belenenses correu mais do que contra os rivais, mas correu sobretudo atrás da bola. Carrossel leonino.

2 - William fez um jogo estrondoso e só foi pena ter escorregado naquele lance em que podia entrar baliza adentro. Em grande forma, na melhor altura possível. De realçar a garra de Schelotto, Slimani e Adrien, a classe de João Mário, Ruiz e Coates (comprar já!), a evolução de Semedo. Já Patrício enerva qualquer um com aquela mania de ficar com a bola demasiado tempo na mão, bem além do permitido. Com um árbitro minimamente rigoroso, ontem teriam sido sancionados 4 ou 5 lances do género...

3 - Jesus devia ter dado mais tempo a Barcos. O argentino entra com vontade, joga bem, mas 5-10 minutos não chegam para mostrar serviço.

4 - Lamentável a situação que o Belenenses, um clube histórico, vive actualmente. Ridículo mesmo. O que beneficiou com o facto de se ter "vendido" ao Benfica? Nada...

5 - Mas nem tudo é mau. O relvado do Restelo é espectacular. O Estádio está muito bonito e tem aquela vista privilegiada. Excelente local para assistir a um jogo de futebol. E ainda melhor quando se está numa bancada cheia de leões entusiastas. Fabuloso espectáculo proporcionado por nós, em especial as claques.
Só foi pena alguns excessos verbais em direcção aos adeptos azuis. Não havia necessidade de insultar, muito menos a mãe...

6 - Também continuo sem perceber porque se assobia e insulta Carlos Martins. Carlos Martins é um doente do Sporting. A certa altura, quando foi bater um canto perto dos adeptos leoninos, perante os impropérios, Martins abanou a cabeça, visivelmente incomodado. Carlos Martins é um profissional. Festejou títulos e golos contra o Sporting, jogando pelo grande rival. E então? Queriam o quê?
Fica aqui a minha palavra de simpatia para com Carlos Martins. E ainda joga o suficiente para ser o melhor da sua equipa.

Octávio Machado. É impossível não gostar deste homem.

"Alguns [jogadores do Sporting] interrogam-se como é que há outros que chegam lá [à Seleção] tão depressa. Aqui no Sporting não se fazem apelos para que se valorize este ou aquele jogador para chegar à equipa nacional. Mas às vezes parece que alguns estão a pedir algo ao selecionador nacional, já chegámos a este ponto. À seleção tem de se chegar por mérito e não a queimar etapas".

"Tenho confiança no Fernando Santos, mas a realidade é que os jogadores do Sporting têm de trabalhar mais do que os outros para chegarem à seleção. Uns são chamados depressa demais, basta 3 ou 4 jogos. Mas, por vezes, tal como aparecem, desaparecem".

O discurso e o Fim

Meses depois, José Peseiro deixou, finalmente, de lado a hipótese de lutar pelo título. Talvez a derrota perante o último classificado no Dragão tenha sido algo importante para isso, não se sabe, mas o que é certo é que, quando confrontado com a pergunta da praxe, Peseiro desviou o jogo pela primeira vez. "É preciso é recuperar a equipa para Paços", fintou o técnico, acabando por esbarrar naquilo que devia ter feito desde que chegou. A questão do título tornou-se insuportável para o FC Porto. E não à questão de meses, mas sim de anos. Com outros métodos - que o Dragão deixou para trás quando achou por bem deixar sair Vítor Pereira - as outras equipas (Benfica e Sporting) estão na real luta pelo título. Essa sim a Liga da Verdade, tão propalada e desenganada, que deixa novamente de fora um FC Porto que no ano passado teve possibilidades matemáticas até à penúltima jornada mas que, na realidade, não lutou pelo título. É que lutar pelo título é aquilo que o Sporting fez, ontem à noite, no Restelo, e o que o Benfica fez, na passada sexta-feira, na Luz.

Já o FC Porto luta por outras coisas. Luta por entender que a sua realidade, por mais que lhe custe, é neste momento outra. E, por isso mesmo, meses depois, sabe-se que o discurso inicial de Peseiro não fez sentido. Nem o inicial, nem aquele que foi arrastado até este jogo. Talvez perdendo com o último classificado em casa que, sem nenhuma razão aparente, conseguiu marcar um golo no Dragão, sem sofrer nenhum antes e depois do belo arco do triunfo, o FC Porto perceba o seu real estado. Um estado, diga-se, muito parecido ao do Sporting e Benfica antes da entrada de Jesus. Há muitos anos, 20 talvez, leões e águias tinham o título na boca mas não na mente (nem nos treinos, nem nos jogos). Hoje, com um a ultrapassar com golos, e mais golos, a saída de um técnico influente, e com outro a seguir as mesmas bases, o FC Porto e o Dragão viram-se para os jogadores, para a SAD e para os treinadores. Viram-se para as comissões e para os fundos, como para as percentagens. Nada disso lhes interessou quando se ganhou no último minuto. Hoje interessa porque o FC Porto perdeu o comboio e não sabe às quantas anda.

Foi-se o fazer das tripas coração, porque não há jogadores da casa. Idiotices que não vale a pena rebater. Idiotices como ir buscar um técnico para ganhar uma Liga perdida na pré-época com a manutenção de outro que, sabia-se, não dava mais do que aquilo. Talvez chegasse, pensou-se nos corredores. Mas o Benfica recuperou-se e o Sporting subiu dois, três, quatro, degraus na qualidade de jogo, na atitude e até na crença. O FC Porto afundou-se por falta de método e por não saber cair na realidade de ter que primeiro pensar em recuperar a qualidade para depois pensar na Liga. E o exemplo de um Benfica que partiu muito atrás devia deixar os portistas envergonhados. Sim, Rui Vitória pode ser muita coisa mas escondeu a questão do título quando as coisas estavam complicadas e focou-se no essencial: devolver ao Benfica a qualidade que o fez bicampeão. E, pormenores à parte, conseguiu-o. Com brilhantismo e com golo - quando ninguém, tirando ele, acreditava. E se foi com ajuda do Benfica LAB, com processos de Jesus, com sessões de treino do ano passado, ou não, pouco mérito lhe tira. Saber onde se está é uma virtude. Saber como ganhar, marcando, marcando e marcando, também.

Aqui, até a questão da sorte pouco interessa. Ou vai-se criticar Vitória por ter sorte - atributo esse que todos querem ter para si? Da mesma forma que não se pode defender Peseiro por ter azar. É que um, percebe-se, soube onde estava e o outro não. Peseiro achou que estava no Porto da hegemonia sem se aperceber que para essas malucas se confeccionarem tem de se trabalhar imenso para elas. E não é com o soundbyte do título que o desiderato se torna mais fácil (ver a equipa do técnico do futebol sexy sem conseguir fazer três passes seguidos prova isso mesmo). Noutras eras talvez fosse, mais fácil, mas hoje o lugar do FC Porto - é bom que se perceba - é bem atrás dos dois da 2.ª Circular. Uma desvantagem que pode ser ultrapassada devolvendo o método e cerrando fileiras. Para trás ficarão as caras de uma trilogia de derrotas e que não podem ser recuperadas para o que aí vem. Quando se olha para Casillas, Indi, Marcano, Herrera, Brahimi, Aboubakar, Peseiro... lembramo-nos do quê? Passes errados, remates falhados, posicionamentos desacertados, cabeças baixas, desalento e discursos inapropriados. Resta-lhes lutar pela Taça de Portugal, aproveitando o que aí vem para, sem o peso do título, rectificarem a ideia anterior. Se o vão fazer ou não, mais taça menos taça, pouco interessará, porque o Dragão vai seguir, como sempre, em frente e estará aí, mais comissão, menos comissão, mais cedo ou mais tarde, de novo no lugar que é seu. E esse não é, como se pode pensar o lugar de um campeão inquestionável. Hoje a Liga é a três. E o futebol português, e o FC Porto agradecem. Lutar pelo título, nestas condições, dará melhores equipas ao Dragão do que muitas daquelas que foram campeãs com o brasão abençoado ao peito. Depois as contas far-se-ão no fim - que é como quem diz por volta do minuto 92. 

segunda-feira, abril 4

Benfica curtas.

1. Vitória muito boa para o Benfica frente ao Braga. Num jogo algo atípico, venceu o mais forte, o mais preparado e o letal. Muita gente preferiu abordar apenas os primeiros 15 minutos de jogo descobrindo apenas posteriomente que no futebol, quando uma equipa falha dois golos, isso não significa que essa mesma equipa consiga vencer o jogo (que tem 90 minutos). Até porque temos sempre o exemplo do jogo de Alvalade, onde este mesmo Braga foi incapaz de aguentar uma vantagem de 2 golos, sofrendo 3. Na sexta, sofreu 5 e podia ter sofrido 8.

2. Mais uma vez a equipa respondeu com um futebol de ataque avassalador. Pizzi, Jonas, Mitro, Gaitán e Sanches são imparáveis quando as coisas correm bem. Jardel e Almeida estiveram também em bom plano. Fejsa tem de se aguentar. É o único 6 da equipa e dá muita qualidade.

3. O Inácio ficou muito aborrecido porque segundo ele o árbitro não assinalou um penálti quando estava 3-0. E adiantou que o Braga fazia o 3-1 e entrava no jogo. Sim, houve um penálti sobre Almeida não assinalado e sim, o Benfica mesmo assim marcou 5 golos. E disse ainda o Inácio que o penálti do Braga só foi marcado porque estava 5-0. Não foi porque o lance foi real, não foi porque aquela jogada existiu de facto, foi porque já estava 5-0.

Entretanto, apanhei o cantor do FCP a dizer que 3 dos golos do Benfica foram ilegais e que ficou um penálti para o Braga por assinalar. Chegámos a isto. Lamentável. Mesmo a improbabilidade de alcançar o segundo lugar não é desculpa para tamanha parvoíce.

4. Terça há tourada, na Baviera. Vamos ver se não se sangra muito. Estou naturalmente convicto que não temos quaisquer hipóteses perante um colectivo muitos degraus acima, e perante um conjunto de individualidades de qualidade superior.

As palavras de Guardiola são de cortesia e naturalmente também, inteligentes. Passa manteiga pelo adversário e ao mesmo tempo avisa e motiva os seus próprios jogadores. Eu preferia que se tivessem mostrado arrogantes, e menos focados. Pode ser que estejam desinspirados.

sexta-feira, março 25

Relíquias do Futebol #5 - Cruyff



O Luís já prestou a devida homenagem a Johan Cruyff (na verdade, Hendrik Johannes Cruijff)  mas achei interessante juntar-lhe esta reportagem de Junho de 1973, logo após o Ajax ter ganho pela terceira vez consecutiva a então Taça dos Campeões Europeus. Na época seguinte, seguiria para o Barcelona. Curiosamente, o valor da transferência era tão elevado que o governo espanhol rejeitou. O Barcelona haveria de contornar a situação, registando Cruyff como uma peça de maquinaria agrícola...

quinta-feira, março 24

Johan Cruyff (1947-2016), um dos mais brilhantes jogadores da história do futebol.


Curtas.

1. Conversa de encostado: "Júlio César mostrou-se animado com a recuperação, afirmando que espera regressar "antes do previsto", expressando confiança em Ederson: "Estou encantado com ele. Nunca tive dúvidas, pois sei a qualidade dele."

2. Quem diria que a selecção nacional teria em tão pouco tempo uma renovação tão eficaz? Os nomes são muitos, com qualidade, para uma equipa-tipo que pode conviver com a experiência e a juventude: Patrício; Carvalho e Pepe; Guerreiro e Cedric; William, Sanches e João Mário (Adrien, Danilo, Gomes, Tiago), Dani, Ronaldo e Nani (Rafa, Bernardo Silva). Eu gosto.

3. A converseta dos penáltis é hilariante. Não é normal uma equipa não ter uma única grande penalidade marcada contra si, isso parece-me evidente. Mas quando confrontados com os quase 5 anos que o Sporting esteve sem eles, a resposta de muito sportinguistas é bem elucidativa: mas ficou algum por assinalar?

Não sei o que é mais engraçado, se a comparação entre um ano e cinco, se o acreditar que em 5 anos não houve mesmo nenhum penálti por assinalar. Hoje em dia é praticamente impossível tentar discutir futebol com estes adeptos. Visto de fora, chega a ser penoso, como me confessou um amigo não adepto de nenhum dos grandes.

4. A homenagem a Quinito revelou-nos um homem amargurado e deprimido. E, infelizmente. o culpado parece ter sido o futebol.

quarta-feira, março 23

Benfica revisitado #3



Um adepto do Benfica "criou" esta imagem do golo de Jonas e espalhou pelas redes sociais para ver se os sportinguistas mordiam o isco. Repito, espalhou. Ou seja, tanto a "manipulação" da imagem como a "inundação" das redes sociais foi obra de um benfiquista. Benfiquista esse que ainda ontem de tarde se vangloriava do seu feito em blogs encarnados, como se pode ver pelo link colocado pelo Ace em post anterior.
É um bocado triste mas é uma estratégia que não é nova. Já o que me parece mais surpreendente é que um conhecido frequentador aqui do Sector, já avisado e, de certeza, conhecedor da verdadeira autoria desta imagem, tenha feito hoje, no seu blog, um post, pela hora de almoço, a gozar com os sportinguistas, atribuindo-lhes a adulteração da imagem e consequente distribuição pelas redes sociais. Isto, convenhamos, é ainda mais triste...

Slimani com processo disciplinar por queixa do Benfica

Link: http://www.dn.pt/desporto/benfica/interior/slimani-com-processo-disciplinar-por-queixa-do-benfica-5002092.html


Não sei se está incluida na mini-campanha do costume, ou se é apenas uma tentativa de demonstração de carácter como a de antes.
Mas alguém me consegue explicar como é que uma acção de um lado merece reprovação e castigo, e algo parecido do outro lado é para se desculpar porque  faz parte do jogo e somos nós do Sporting que somos complexados e de mentalidade pequena?
João Mário dá um exemplo de como deveriam ser as coisas....dos dois lados!!!

João Mário marca um belíssimo golo de carácter.

"É um excelente jovem jogador [Renato Sanches]. Tem vindo a mostrar isso no Benfica. A entrada sobre o Bryan Ruiz são coisas que acontecem. Não acredito que tenha essa maldade. São coisas que acontecem num jogo, num dérbi. Não é um jogador maldoso, pelo que tenho visto", afirmou João Mário em conferência de imprensa."

Depois de mais uma mini campanha plantada pelos do costume contra Renato Sanches no passado fim-de-semana, eis que um colega de profissão vem em sua defesa. João Mário foi o meu destaque num post que fiz no final do ano passado e confirma o que escrevi sobre ele: classe, na altura dentro e, agora, fora do campo.

Não faço ideia se o jogador do Sporting vai ser encostado por estas declarações. Mas se for, tem mesmo de vir para o Benfica.

terça-feira, março 22

Dirigente, Estádio -Porta 18 e carro do clube

Um simples copy paste:

- "José Carriço, que chegou a diretor do Departamento de Apoio aos Jogadores do Benfica, foi detido pela PJ no final de julho por transportar 9,5 quilogramas de cocaína num veículo do clube encarnado"
-" Durante este período foram realizadas ações de vigilância, tendo sido registadas em mais de uma dezena de ocasiões as entradas e saídas da Luz por parte de cidadãos colombianos, com o pretexto de se irem reunir com José Carriço. Estas movimentações faziam-se pela porta n.º 18 do estádio"
é preciso ter em consideração as escutas telefónicas realizadas durante a investigação que indicam que o administrativo ainda tinha funções de liderança no Departamento de Apoio aos Jogadores do Benfica e mantinha uma relação próxima com Luís Filipe Vieira, o presidente do clube encarnado"

Resposta do clube:
"João Gabriel, frisou na noite de quarta-feira ao JN que este é “apenas um problema da justiça com o cidadão José Carriço. Nada a ver com o Benfica”

Aqui está o link: 
http://observador.pt/2015/08/27/operacao-porta-18-entrada-da-cocaina-na-luz-detencao-jose-carrico/"

Deve ser dificil muito dificil ter que digerir isto e ainda vir para aqui com discursos moralistas...
lol

Sporting revisitado #18.


"O líder da Juve Leo foi detido esta manhã, na sequência da operação que levou a detenção de Paulo Pereira Cristóvão, ex-vice presidente do Sporting, adianta o jornal Correio da Manhã na sua edição online.

De acordo com aquele diário generalista, Mustafa, líder da claque Juve Leo, foi detido na operação que foi levada a cabo pela Unidade Nacional de Contra-terrorismo da Polícia Judiciária. Mustafa e Paulo Pereira Cristóvão são suspeitos de assaltos à mão armada na região da Grande Lisboa, sequestros e associação criminosa".

Esta foto é recente, a história tem um ano. E todos são inocentes (até quem aparentemente praticou crimes violentos) até prova em contrário.

O curioso nisto é não ter lido nada vindo do mundo sportinguista, que é sempre tão célere a estabelecer rotas de droga e outros crimes ali para os lados do Estádio da Luz. Não que eu duvide das teorias que apresentam, mas sempre pensei que eram muito mais amigos do "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Pelos vistos, não.

Simão Sabrosa pode estar a caminho do Cova da Piedade

Era só isto...

segunda-feira, março 21

Deu Benfica.

1. Bola no pé esquerdo de Eliseu. Passe longo, tenso, a encontrar a cabeça do jogador mais baixo do Benfica. Daí sai a desmarcação de Jonas. A bola vem alta e Jonas respira. Os benfiquistas respiram. O tempo pára. Dá para pensar em tudo. Naqueles dois segundos em que nada se movia, tudo se pensou. "Quero gritar golo". "Não me fodas, Jonas, não me fodas, Benfica". "Se falhar o remate, vai ser uma desilusão, especialmente depois de ter achado que a bola já tinha entrado. Será que sonhei?". "Foda-se, como se pode falhar esta oportunidade? Perdermos a liderança assim vai custar muito". "Acertou na bola, e ela, vai entrar". "Não me fodas, Mika, mantém-se quieto, porque o tempo também parou para ti". O tempo parou para todos. Menos para Jonas, que continuava a respirar. É gooooooooooooooooooooloooooooooooooooooooooooo! Que gritaria, que enorme felicidade, que descontrolo. Que vitória!

2. Estrondosa vitória do Benfica. Uma força incrível duma equipa que pareceu demasiado tempo à deriva de um Boavista muito competente.

3. Estádio do Bessa cheio, a abarrotar de vermelho, com 22 mil adeptos. Sporting e FCP, juntos, neste mesmo estádio, ficaram a 5 mil deste registo.

4. Equipa desfalcada: sim, serve de desculpa para um jogo menos conseguido da equipa de Rui Vitória. Ederson não é o titular e conta ainda com poucos jogos no onze. A ala direita de ontem teve  dois jogadores que chegaram agora de lesões graves, sem ritmo competitivo. Samaris teve de jogar a central, ao lado do novato Lindelof. No meio, sem Fejsa, novamente, e com Pizzi na esquerda. E na frente, com o mexicano no lugar do titularíssimo Mitroglou e sem poder contar com Gaitán. Um autêntico milagre.

sexta-feira, março 18

Relíquias do Futebol #4 - Íbis



Este não tem nada a ver com o futebol português mas todos já ouvimos falar do Íbis, a pior equipa do Mundo. E nada melhor que conhecer este pequeno clube de Pernambuco através desta divinal reportagem de 1989, apresentando alguns dos craques da equipa. O nº 10 que era cabeleleiro e por isso passou a ser conhecido como Mauro Shampoo. O guarda-redes cujo salário foi uma dentadura nova em vez de dinheiro. E o médio que não tem problemas em afirmar que pior que a equipa do Íbis só mesmo o seu salário.

Sporting revisitado #17.

"Estávamos em Fevereiro de 1997 e eu [Inácio] era o treinador do Felgueiras. Estávamos muito bem lançados para alcançar a subida de divisão. Entretanto, recebi um convite do Marítimo. Falei com o presidente da altura e ele disse-me que não deveria perder essa oportunidade”, afirmou Inácio em entrevista ao Record.

“Quando chegou, a equipa estava a escassos pontos da subida. Ele [Jorge Jesus] perde com o Beira-Mar e Académica e falha o objetivo [equipa fica em quarto lugar]. E sabe o que é que veio dizer para os jornais no final do jogo? Que se tivesse entrado mais cedo teriam subido facilmente. Passei-me da cabeça. Só podia estar a gozar comigo", acrescentou depois.

A relação entre ambos não mais foi reatada, conforme deu a entender à mesma publicação: "O que esse senhor fez não merece o meu respeito".

Tão amigos que eles são. Mas sobre amizades e desavenças há revistas da especialidade.

Aqui o que é interessante é que Jesus nunca perde. Se chega ao Sporting e ganha, depois do trabalho de Leonardo Jardim e Marco Silva, aquilo é tudo dele, é tudo novo, porque ele em duas semanas põe a equipa a jogar à imagem dele.

Se o Benfica, depois dele, perde, é porque ele já não lá está (o tal cérebro). Se afinal, o mesmo Benfica, ganha, é porque ele fez um grande trabalho no passado (como disse em relação ao Braga, quando deixou o clube minhoto).

E claro, se chega ao Felgueiras e perde, a culpa é do Inácio.