terça-feira, dezembro 1

Atrás do leão

1 - Já muito se tinha criticado Lopetegui e a equipa nunca tinha batido bem no fundo exibicionalmente. Agora imaginem o que será depois de dois jogos em que qualquer ilusión que possa haver se desvanece totalmente. Sempre disse que foram certos apontamentos, da passada época, a assegurar a continuidade do basco. Jogos em que o FC Porto foi de facto arrasador, os quais criados e impulsionados por uma força impressionante no duelo individual defensivo. O FC Porto agigantou-se em Basel e destruiu a equipa de Paulo Sousa no Dragão. Apanhou o verdinho Sporting de Marco Silva e depois de meia-parte às turras pelo controle do jogo vingou-se da Taça esfaqueando-o com profundidade. Até o Bayern caiu no seu covil, depois de uma 1.ª parte onde saltam à vista os dois primeiros golos. Mas foi na 2.ª que os dragões se sobrepuseram e obrigaram Pep a reconhecer que o seu meio-campo não chegava. Até Boateng teve de subir para trinco...

Viveu de ilusión, podemos dizer, até porque nada disso valeria título algum. Para os ganhar, Lopetegui teria de criar uma nova equipa, com valores bem mais completos que aquela que, lembre-se, não foi capaz de ganhar ao maior rival da pretérita temporada, nem ao Marítimo e Nacional na ilha, nem ao Belenenses no Restelo, nem ao Boavista em casa... Demasiados desaires para quem pensa que sabe tudo e que a Nação não sabe nada. Esquece-se Lopetegui, tal qual se esqueceu Fonseca, que os portistas - como escreve hoje MST n'A Bola - sabem reconhecer os sinais de sucesso. E de Lopetegui desconfiam desde aquele primeiro jogo de apresentação contra o Saint-Étienne: "Se calhar o treinador precisa de uma torre maior".

Precisará certamente de uma torre bem imponente para perceber que o seu 'miolo' perdeu a criatividade de Óliver e a segurança de Casemiro. Talvez por isso o 'duplo-pivot' que pretende incluir (à força) continue com os mesmos defeitos: não ataca com qualidade e não defende, sequer, o espaço à frente dos centrais. Danilo não sabe sequer o que é isso e Rúben continua pouco imperial a varrer aquela zona. Não porque seja fraco fisicamente, não porque seja um jogador com muito mais vocação ofensiva, mas porque o técnico nada pretende daquela zona. Bem posicionado, Neves chegava e sobrava para chegar primeiro às bolas. Mas de perfil com alguém e sem ninguém oferecer coberturas, o FC Porto é presa fácil para jogos onde controla com a bola de um lado ao outro, mas não cria, nem marca o suficiente para gerir e compensar uma organização defensiva que se exibe a anos-luz do ideal. E será difícil o FC Porto mudar, porque Lopetegui demonstra a cada flash pensar saber tudo sobre o jogo. Para ele o Porto domina e cria sempre imensas oportunidades. Empata ou perde por azar ou por erros dos árbitros. Vá-se lá saber porque a Invicta não o grama. Talvez os portistas não gostem de comer gelados com a testa. Talvez.

2- Não vai ser preciso esperar muito para as contas ficarem ao contrário. Com o Sporting em 1.º lugar e com penáltis a favor no último minuto, a maioria encontra(rá) outro bode expiatório. Agora é o Sporting que controla a Liga, os árbitros e os adversários (o que se vai falar de Tonel equivalerá ao caso Deyverson?). As parvoíces do costume impedem a maioria de perceber que os leões encaram os jogos como tem de encarar. Todos da mesma maneira, ou seja todos com períodos de muita pressão à beira da grande-área e baliza adversária. Sem recorrer a cruzamentos a cada ataque, os Sporting vai construindo várias formas de chegar à baliza. E mais, mudam por necessidade e não porque sim. Parece simples, mas são coisas destas que fazem os campeões. E Jesus sabe-o. O resto da estrutura confia nele e sabe quem manda no campo. Basta ler a última entrevista de BdC para se perceber isso e para se perceber quem é o maior candidato ao título.

3- Seguindo o Sporting-Belenenses lembrei-me, inevitavelmente, do Benfica-Belenenses. Era impossível não lembrar aquele jogo em que na Luz elas entraram todas. E se Júlio César se lembrasse de alvejar a baliza dos de Belém, aposto que ao final se leria 7-0 no marcador. Uma grande vitória, bem atípica, mas que não augurou nada de bom para as águias. Poucos minutos depois, já no Braga-Benfica, os encarnados marcam dois golos em três lances de ataque, obrigando o tão elogiado Braga a encontrar soluções que não envolvessem a sua já conhecida boa organização defensiva. E aí, Paulo, aí é que são elas! De duplo-pivot em riste (Paulo nunca o larga) o Braga partiu para cima. Contudo, daquela forma, as jogadas foram obrigatoriamente desviadas para a ala (e a boa exibição de Renato Sanches não explica tudo), ao mesmo tempo que as recuperações altas seriam uma miragem. O Benfica fechou e chamou ao jogo os seus dois melhores momentos. Fechar e soltar deu uma boa primeira-parte no Dragão e uma vitória no Calderón. No AXA, já nem era preciso arriscar tanto e por isso o bloco baixou até ficar confortável. Tanto que permitiu alguns apontamentos bastante perigosos e que poderiam relançar o jogo. Porém, o Benfica foi bem mais incisivo na finalização. Do lado bracarense a falta de convicção para fazer as bolas baterem no cordame foi gritante. Essa e também a falta de coragem de Fonseca que sabendo que tinha o jogo perdido nunca povoou o 'miolo'. Não se lembrou, portanto, das poucas alegrias que teve no Dragão, quando desenhava, já em sacrifício, um 3x3x4, que ainda lhe permitiu uns balões de oxigénio. Ontem preferiu salvaguardar-se numa estatística que indicou um Braga superior... mas derrotado. Num grande teria obrigatoriamente de usar o último recurso. Lutando pela Europa resta-lhe a consolação de ter dominado o bicampeão nacional, enviando três bolas ao ferro - ainda que tenha visto Gaitán meter também o seu travessão a abanar, e Pizzi arrancar um penálti que não seria assinalado.

P.S. Se notarem alguma aversão a 'duplos-pivots' é porque ela, de alguma forma, existe. Não existe naqueles que ocupam bem os espaços e que se desfazem quando têm de o fazer. Mas Porto e Braga sofrem a bom sofrer com uma opção que mete menos um a atacar e menos um a defender. Um duplo-pivot, de perfil, sem cobertura, não permitiria, por exemplo, aquilo que Moutinho fez no Dragão ou aquilo que Enzo fez na Luz. Talvez por isso, quando leio que Fonseca assenta as suas ideias num 4x4x2 igual ao de Jesus, fico com vontade de perguntar de quantos duplos-pivots campeões nacionais, nos últimos 15 anos, se lembram?

15 comentários:

Mike Portugal disse...

Epa, vocês têm que coordenar melhor os posts para não estarem a lançar uns em cima dos outros.

Marco Morais disse...

Culpa minha! Talvez por achar que quantos mais posts melhor e por não me importar de que na próxima vez que abrir o blog estar outro post à frente deste. Daqui por 5 minutos, por exemplo, já não tinha mais tempo hoje de vir aqui lançar este. Acho que o pessoal não se importa. É só fazer scroll =) Abraço, Mike.

luis disse...

Também não vejo inconveniente na sobreposição de posts.

Bom post, Marco.

Marco Morais disse...

Abraço, Luís! =)

Peyroteo disse...

Acho que agora preciso de publicar um post para estar de acordo com a tabela classificativa :) Sporting, Porto, Benfica...

Sérgio disse...

Marco o meu muito obrigado por mais um grande post (em qualidade).

Posso dizer que aprendo mais contigo com os teus posts do que com as imensas horas por vezes perdidas num qq programa desportivo onde se assiste a tudo menos o que realmente interessa e faz deste desporto o maior entre os demais!

SL,

Marco Morais disse...

hahah! Força, Peyroteo! =)

Sérgio, muito obrigado. Abraço!

Ace-XXI disse...

Excelente post.

Jorge Borges disse...

Sobre a sobreposição de post's, nada contra. Não vejo inconvenientes.

Sobre o post, como sempre, muito bom.

Sobre o peyroteo: registo a "fuga" para não falar da megafantabulástica vitória do Sporting... e do Tonel :)

Mike Portugal disse...

Não fui muito especifico, de facto. A questão da sobreposição de posts é porque é mau a nível de internet e conteúdos, estar a colocar informação "nova" quando a anterior ainda não teve tempo de maturar. Ainda estamos a comentar o post anterior e já há um novo. E até há casos em que não há tempo de comentar o post pois aparece logo outro. É má politica, apenas isso. Vocês fazem o que quiserem, mas o conselho está dado.

luis disse...

Mike, o teu conselho é válido mas, neste contexto, não tem esse impacto que referes.

Quem visita um blogue diariamente conhece os posts publicados. Logo, se tivermos um, ou dois, novos, os visitantes vão dar por isso.

Quantas vezes o post anterior teve mais interacção do que o posterior? Tem a ver com o conteúdo e com o interesse dos visitantes. Não tem a ver com a frequência ou com a ordem dos posts.

abraço

Peyroteo disse...

O que tem o Tonel?

Foi um vitória fantástica do Sporting sim. Acreditou até ao fim e ganhou na KOMPENSA(N)ção.

Mike Portugal disse...

Peyroteo,

O jogo não estava a correr bem ao SCP, mas no último minuto viu uma luz ao fundo do TONEL.
looool

Peyroteo disse...

Quando não há como colocar em causa a marcação do penalty, tem que se pegar noutra coisa qualquer. Desde que o Tonel saiu do Sporting, já jogou noutros 3 clubes antes do Belenenses. O Sporting já teve 3 lances idênticos esta época e este é o primeiro a ser assinalado. Os outros foram com o Nacional e com o Boavista.
Um penalty nos descontos é sempre complicado de digerir. Já com o Tondela foi o mesmo. A falta também foi indiscutível. E quem a cometeu? Murillo, um jogador emprestado pelo Benfica. Esse nunca lá vai jogar :)

luis disse...

É engraçado porque muitos sportinguistas este ano estão a sofrer exactamente o que os benfiquistas sofreram o ano passado.

É penáltis a favor, expulsões dos adversários. Até lances bem ajuizados que se tentam negar por outros motivos que não os óbvios (este lance do Tonel em comparação com o do Rio Ave em que não se discutia o acerto da decisão do fiscal, mas sim o seu mau posicionamento).

Acho que dá para perceber a figura triste que muita gente andou a fazer.

Não tenho visto grande coisa do Sporting. Tem uma vantagem clara contra o Benfica (Jesus conhece o adversário melhor do que a sua própria equipa, quase) e de resto tem tido alguma dificuldade contra equipas medíocres.

Mas são, por motivos já falados (ler o post do Marco, por exemplo), o principal candidato ao título.