segunda-feira, agosto 3

Queremos bola.

1. Pré-época

Mais uma vez, muita desorganização, falta de critério, negócios estranhos, reforços por chegar. Mais uma vez, em vez de se aproveitar este período para galvanizar as hostes (como muito bem tem feito o Sporting), tudo parece ser feito para prejudicar o clube.

Os resultados são o menos importante mas, na verdade, e com tanto jogo às tantas da manhã, um benfiquista típico pouco ou nada sabe sobre a equipa. Eu vi 45 minutos.

A Eusébio Cup jogou-se fora da Luz. Fico parvo com tantos benfiquistas que defendem este novo paradigma do clube-empresa. “O Benfica é do mundo”, “o Eusébio jogou no Continente Americano” ou “os emigrantes também têm direito a ver a sua equipa”. Tudo serve para justificar o injustificável. Pergunto: quantos dos jogadores entraram em campo neste último jogo com uma breve recordação que fosse do Eusébio? Alguém se terá realmente lembrado dele? Não é a referida taça uma homenagem ao nosso Rei?  

2. Saídas e entradas
Como disse, nada vi, pelo que não posso sequer dizer que gosto deste e não gosto daquele. Não me agrada a ideia dos marroquinos, não me agrada continuar a ver o Talisca na linha e não me agrada observar que contratámos um gordo que não joga porque tem seguido um regime alimentar especial. Ou seja, contratamos um mau profissional e tratamos do caso como se a culpa fosse do metabolismo do homem. Um gajo que se apresenta 10 quilos acima do ideal era imediatamente recambiado.

A saída de Maxi, desportivamente, será difícil de colmatar mas André Almeida poderá ter a sua oportunidade. Não é um reforço mas temos de dar o benefício da dúvida (o mesmo se aplica a Sílvio).  
Fejsa é outro que pode ser visto como reforço. Traz qualidade mas vamos ver se fisicamente não volta a ser um problema. Carcela é para jogar e Pelé pode ser opção (que parvoíce, esse já foi emprestado). Bilal tem 17 anos.

Na frente, sem Lima, perde-se muito. Mais uma vez, o Benfica falha totalmente. Um jogador que sempre deu tudo, que marcou 70 golos em 3 épocas, bi-campeão, um vencedor. Tinha de ficar, ou pelo menos devia o clube ter feito algum esforço. O brasileiro é dos que já tinha a camisola colada ao corpo.

3. A Supertaça
Ao contrário de muitos, acho que Jesus foi extremamente corajoso ao trocar o Benfica pelo Sporting. Apostou no risco, na exposição máxima, e num clube que não vence o campeonato há demasiados anos.

Tenho-o achado confiante mas cauteloso. Diferente na arrogância. Mais prevenido. Claro que tenho esperança que a qualquer momento saia dali o ego indomável e que rapidamente dê barraca. Mas quando se tem ali ao lado um presidente que, para o bem e para o mal, ama o clube, penso que é possível “dominar a besta”.

E o segredo do sucesso leonino pode muito bem estar na sinergia que possa existir entre estas duas figuras. Basicamente, o que terá faltado com Marco Silva.

Mas também Rui Vitória foi corajoso. Chegar a um clube bi-campeão, depois de 6 anos de uma liderança personificada, é sempre uma tarefa muito complicada.

O jogo de Domingo vai ser difícil para o Benfica. Os níveis anímicos de ambas as equipas são contrastantes e todos nós sabemos quem está por cima. O Sporting vai aparecer renovado, convencido e mais espectacular. O Benfica, mais amorfo, indeciso e ineficaz. Pelo menos foi essa a história que o último mês nos contou.  

4. O caminho
Já escrevi tudo o que tinha a escrever sobre a liderança do Luís Filipe Vieira. Se nunca apreciei o estilo, cada vez menos admiro a “obra”. O Benfica é um clube altamente endividado, cheio de negócios escuros e onde os interesses pessoais parecem sempre sobrepor-se à grandeza da instituição.

Tentar perceber as contas do clube é uma tarefa hercúlea. Tentar perceber as compras e vendas de jogadores que nunca vestiram a camisola do Benfica, é quase impossível. Os benfiquistas têm de exigir mais. E se não for títulos, que seja transparência e rigor.

3 comentários:

Peyroteo disse...

Excelente post. Não falta dizer nada

Ace-XXI disse...

Também me parece que esta tudo escrito mas atenção a euforia e a depressão dos adeptos com base em pré épocas é do mais ridículo que existe, domingo começa a doer so a partir daí é que vamos avaliar equipas e o trabalho dos treinadores.

Não reconheço assim tanta coragem na decisão de JJ, foi corrido do benfica não queria ir para o estrangeiro e tinha as portas do Porto fechadas havendo capacidade do SCP para lhe assegurar as condições financeiras pretendidas e o caminho era mais que obvio.

Vieira sempre foi isto mas verdade seja dita não foge muito da habitual imagem deixada pela generalidade dos dirigentes desportivos basta olhar para PDC que é o presidente mais titulado do mundo e ver a quatidade de negócios obscuros que a SAD do Porto faz anualmente o negocio Pablo Osvaldo é apenas mais 1 como tantos outros.

luis disse...

"Não reconheço assim tanta coragem na decisão de JJ, foi corrido do benfica não queria ir para o estrangeiro e tinha as portas do Porto fechadas havendo capacidade do SCP para lhe assegurar as condições financeiras pretendidas e o caminho era mais que obvio."

Não foi corrido. Recebu uma proposta de renovação de valor igual ao que auferia.

Queria ir para o estrangeiro se fosse para treinar equipas de topo (disse-o várias vezes). Dessas, nunca recebeu propostas e, acredito, por factores não-técnicos.

Não foi para o Sporting apenas pelo dinheiro. Obviamente que se fosse para ganhar o mesmo, seria mais difícil deixar a seguraça que o Benfica lhe dava.

Foi principalmente pelo desafio e pelo projecto que lhe foi vendido. Eu acho que trocar o Benfica Bicampeão por um Sporting aparentemente vários patamares abaixo é um acto de coragem. O homem tem imensos defeitos mas é um viciado em futebol e acho mesmo que encarou a mudança como um incentivo próprio.