Quase todos não dormem quando perdem, acordam e deitam-se a pensar no futebol e a sua principal linha de pensamento é o jogo. Tudo lá vai dar... sem excepção. O que torna então alguns mais especiais que outros?Toda a gente pensa, toda a gente opina e no entanto, como não podia deixar de ser, há sempre alguns que estão mais perto da razão que outros e o que define isso é a lógica e validade dos seus pensamentos. Contrariamente a outros, André Villas Boas não deixa que a sua equipa esteja dependente do que as outras possam fazer. Donos e senhores da bola, os seus jogadores - ainda que ainda haja alguns que precisem de um puxão de orelhas nesse aspecto - não abdicam dela e quando a perdem lutam e correm que nem
cães de caça para a ganharem novamente. Aceleram e desaceleram conforme o jogo mais precisa e mesmo demonstrando a cada jogo algumas falhas, dão já muita forma à ideia. E essa ideia é o ponto mais forte deste Porto 2010/2011.
No Sábado, o FC Porto de Villas Boas deu mais uma prova da sua competência ao virar o jogo, por duas vezes, frente ao vice-campeão e equipa de Champions, Braga. E o segredo para acertar mais vezes que os outros está claramente na lógica do modelo de pensamento. Se assim não fosse Villas Boas não tinha ganho, até agora, todos os jogos oficiais que disputou mas, também muito importante, não diria isto: "Quando se sofre e se perde o controlo é grave e entra-se num jogo de transições que não é o nosso. Com a nossa calma e força, acabámos por conseguir resolver".
São todos estes testes que vão provando que o André tem tudo na cabeça. Tudo imaginado e tudo pensado. Paulo Sérgio também terá, Jesus idem, mas o modelo, a linha e o paradigma são diferentes e estarão mais perto da sucesso. Para além disso a identificação com o clube é óbvia - o discurso, actos, vivacidade no banco e nos festejos são prova disso - e, com tudo tão Porto, começa a nascer aquela aura especial, aquela que vira jogos, aquela que ganha títulos.
Demasiado cedo dirão alguns, mas quando a identificação é tão óbvia e as linhas de pensamento tão parecidas estamos sempre dispostos a defender quem também as defende. Será ou não assim?
Benfica: 5 pecados mortaisClaramente prejudicado em Guimarães, o SL Benfica pode queixar-se, com muita razão, da arbitragem de Olegário. Seriam mais 3 pontos e provavelmente ninguém questionaria nada. Mas o Benfica está diferente. Preso, sem confiança, bloqueado. O andamento, ajudado pelo número de derrotas na nova época, não é o mesmo e há três nomes que podem explicar isso: Roberto, Ramires e Di Maria.
O primeiro conseguiu tirar a tranquilidade à defesa de betão da época passada e a falta dos seguintes explica a incapacidade de acelerar os ritmos do jogo. Di Maria arriscava em demasia mas empurrava a equipa para cima do adversário e mesmo perdendo muitas bolas formatava o jogo para sequências de transições onde o Benfica, com um queniano incansável, era fortíssimo. Organização defensiva, atacante, transições e bolas paradas.Com a falta de dois nomes e a inclusão de um o Benfica ficou mais fraco em todas elas. Depois com tudo - sim até a arbitragem de Sexta - a ajudar, o efeito bola de neve é assustador.
No Sporting é, também, assustador outro efeito. O efeito
deja vu. Vendo o Sporting de Paulo Sérgio dá ou não a ideia que poderíamos estar a ver um jogo da era Paulo Bento, ou mesmo da era Carvalhal? Da serena prestação frente à Naval nada restou e jogo onde o Sporting pode aproveitar o deslize alheio, pura e simplesmente, não ganha. Já o disse várias vezes e torno-o a dizer: Academia! só lá estará a solução. Entregue-se o futebol a quem dele percebe.