quinta-feira, maio 27

O caminho do FCP e o trabalho da Selecção

Um divórcio já mais que esperado que nem a cordialidade envolvida branqueia e uma tentativa de branqueamento em relação a uma exibição deplorável, que só coloca à vista o que tem (ou não) sido feito no estágio da selecção nacional na Covilhã.

Já se esperava há muito. Há mais de três anos seguramente. O divórcio entre o FC Porto e Jesualdo Ferreira está enfim consumado. Sem guerras e cheio de cordialidade entre os intervenientes, o fim (oficial) da relação conheceu-se ontem e agora, para os dois, seguem-se novas aventuras. Fosse esta uma relação normal, e não desportiva e profissional, e o tempo de reflexão e pausa seria imperativo, mas, neste caso, é obrigatória a "bola para a frente" e a substituição será inevitável.

Hoje, O JOGO avança que a decisão está encravada entre dois nomes: André Villas Boas e Muricky Ramalho (quem?!). Um dos dois será o senhor que se segue.

Não será, ainda para mais pelos nomes avançados, uma escolha fácil e consensual. Aliás, consensual nunca o seria. Primeiro, porque todos os adeptos de futebol têm o condão de só ver o bom em alguém quando ele... vai embora. Por isso não me admira que surjam agora loas a Jesualdo Ferreira e ao seu futebol e profissionalismo. Já aqui o tinha dito, poucas seriam as escolhas que agradassem totalmente à massa de adeptos e estas duas (uma mais que outra) prováveis escolhas não serão excepção.

E porque é importante agradar aos adeptos? Porque é mais que óbvio que eles também jogam e treinador que não lhes agrade, ao mínimo deslize... cai fora. Os grandes do nosso futebol que o digam pois têm nos seus adeptos, "cães farejadores" de incompetência e mau futebol a quem só a(s) vitória(s) convencem. Parágrafo escusado este, se o senhor que se segue ganhar, mas aqui entra o segundo ponto e talvez o mais importante.

Há neste momento uma equipa que segue em melhor posição para vencer. Está formada, tem o mesmo técnico e mesmo a possível chacota de não ver os seus melhores jogadores vendidos só os tornará mais fortes. É obrigatório, então, contar com um Benfica ao seu melhor nível, desde logo, porque continuará com o seu mais importante reforço da época passada: Jorge Jesus. O modelo estará lá e os intérpretes de qualidade também estarão. Então, que fazer para ganhar a este Benfica?

Gostava de ter a resposta e que Muricky (mais uma vez, quem?!) e Villas Boas a soubessem também. A meu ver, o modelo de jogo será essencial. Equipa grande que se preze controla o jogo com bola e assume o protagonismo do mesmo. Joga subida e quer golo até a vitória estar conseguida, joga fora como se jogasse em casa (principalmente em Alvalade e na Luz) e quebra psicologicamente os adversários por isso mesmo.

Não estou a ver, sinceramente, um brasileiro, totalmente deslocado da nossa realidade - e deste tipo de futebol -, conseguir isso na sua primeira época em Portugal. Longe vão os tempos em que qualquer um ganhava campeonatos ao serviço do FCP. Hoje há um Benfica, forte, para destronar e isso tem de ser levado (muito) em conta. Do outro lado da barricada, haverá, certamente também, quem diga que não é um puto de 32 anos que vai conseguir isso tudo. Principalmente, porque tem como único ponto a favor, para quem só vê isso, a conotação com Mourinho, e Mourinho, como todos sabemos... há só um.

Dilemas e escolhas difíceis, para um Presidente que está agora, como nunca, posto à prova. Veremos se tem ainda arcaboiço para entrar bem e sair melhor, como é seu apanágio.

A selecção nacional deu a ver, na passada segunda-feira, o que realmente se tem feito no estágio da Covilhã. Equipa sem ideias, sem garra e sem motivação que não conseguiu marcar à fraca selecção de Cabo-Verde. Queiroz queixa-se e desculpa-se com a chegada a conta-gotas dos jogadores e diz que agora, com todos, é a sério. O espaço de manobra está a acabar. Garra e atitude controlam-se e seleccionador que falhe naquilo que pode controlar...

Cá estarei para dar a mão à palmatória se Queiroz realmente acertar. Espero até, ansiosamente, por isso. Não me preocupam os 23 convocados nem as suas escolhas, mas sim o trabalho que a equipa (vai) demonstra(r) em campo. Sejam quem forem (qualquer um de nós escolheria outros), se forem dignos terão sempre o nosso respeito. E para se ser digno a receita terá de ser outra. Como já disse, a margem de manobra para isso está a acabar.

8 comentários:

Riga/V-1-Boy disse...

o muricy foi só tri campeao brasileiro com o sao paulo, é dos melhores treinadores brasileiros

Jorge Borges disse...

Não sei se será verdade, mas da entrevista do jesus à RTP-N fiquei com a sensação que o Pinto da Costa o abordou para treinar o Porto.
Não seria inédito, e um enorme golpe (sim, este era um golpe que abalaria a estrutura).
Felizmente, Jesus é fiel à palavra.

Vilas-Boas é uma aposta arriscada. parece ter uma boa base de conhecimentos. Será que aguenta a pressão de ter que ganhar todos os jogos?
o brasileiro, confesso que nunca tinha ouvido falar.

Quanto à selecção: deste grupo eu escolheria 17 ou 18. cada cabeça sua sentença. Unanimidade é impossível.
O jogo contra cabo Verde foi muito fraco. Mesmo com as condicionantes que foram dadas como justificação... porra, era Cabo Verde!!!
As minhas expectativas são fracas. Não vou soprar na vuvuzela, mas estou a torcer por eles!

Peyroteo disse...

De facto, se existe aqui algum desconhecido é o Villas Boas e não o Muricy Ramalho :)
Quanto à selecção, ainda é cedo para tirar conclusões ou ficar preocupado. A equipa vai certamente apresentar-se de forma mais convincente no Mundial

LMGM disse...

Marco e já agora Peyroteo. O que é para vocês uma participação normal da selecção no mundial?

Para mim, é passar a fase de grupos. De seguida tudo o que vier é lucro.

Peyroteo disse...

Acho que podemos chegar perfeitamente a uns Quartos-de-final mas estamos num grupo muito mais complicado que o de 2006. A Costa do Marfim, com as individualidades que tem e jogando no seu continente, num dia bom pode derrotar Portugal ou Brasil. Daí que o primeiro jogo contra os africanos seja fundamental. Mas acredito que vamos fazer boa figura

Mr. Shankly disse...

É um prazer ler-te, Marco. Como normalmente concordo não comento, o que é profundamente injusto. Para variar, vou comentar, mas porque...discordo :) com a parte do Muricy Ramalho. Tem um grande prestígio no Brasil, o que, é verdade, não significa que venha a dar-se bem na Europa. Mas não é propriamente um desconhecido. Como bem diz o Peyroteo, é bastante mais conhecido que o Villas Boas.

Marco Morais disse...

Sim, realmente, não acompanho o campeonato brasileiro e não ponho em causa a competência do Murici. Apenas referi que não me parece que esteja no Brasil a solução para vencer Jorge Jesus e este Benfica.

LMGM,

Acho que passar a fase de grupos é o que se pode exigir. Depois, atendendo a que o Mundial é uma competição muito peculiar, não vale a pena exigir mais, apenas torcer e sofrer. =)

Rearviewmirror disse...

Se passarmos a fase de grupos (previsivelmente em 2º, atrás do Brasil) apanhamos "só" a Espanha logo a seguir...