quarta-feira, novembro 23

As vitórias 'destas' e as vitórias 'das outras'

Não é uma novidade para o FC Porto que a reacção a resultados negativos seja feita na maior competição de clubes e em terrenos complicados e bem longínquos. E por isso mesmo, por não ser novidade - por ser quase uma constante -, é que o discurso de quem está contra a equipa técnica em nada tem que mudar. Que se guardem os louvores para quando houver futebol de topo no Dragão, até lá a volatilidade, no discurso e nas mudanças no onze inicial, segue do lado de Vítor Pereira.

Não pode ser sempre a ganhar nem pode ser sempre a perder, diz a lógica. E diz-me a lógica também, aquilo que tenho defendido desde sempre: sem futebol de qualidade não pode haver regularidade, nem troféus. A contestação a Vítor Pereira e à sua equipa técnica surgiu dessa falha. O futebol não existe, o 'dedo' e ' visão' também não e consequentemente eclipsou-se a competência e, claro, os resultados positivos e regulares.

Com tudo isto, fora melhor que depois de um 'enxovalho', em Coimbra, o Porto não se apresentasse noutro registo em Donetsk. Mais aguerrida e mais esforçada a equipa foi mantendo-se dentro do jogo até conseguir as suas oportunidades depois de beneficiar da falta de sorte dos ucranianos. Não deixa de ser um registo melhor, e, para quem tanto gosta das comparações com a época passada, algo semelhante a algumas deslocações na caminhada para Dublin.

A diferença continuam a ser as escolhas, a mentalidade incutida, e o 'plano'. Quem está atento sabe que Vítor Pereira já mudou quase tudo o que havia para mudar. Hoje a escolha foi Hulk a ponta-de-lança, o estreante Djalma na esquerda, mais um Moutinho no meio-campo... tudo escolhas que fazem lembrar soluções de emergência. Quem se lembrar da equipa da época passada, lembra-se também que Hulk jogou a 9 quando Falcao esteve indisponível, lembra-se que Guarín (e Micael) só ganharam lugar quando Belluschi esteve lesionado. Ou seja, primeiro ganhou-se um onze que deu garantias e foi-se mudando em situações forçadas e pontuais, que fizeram baixar a qualidade futebolística mas não a regularidade das vitórias.

Com Vítor Pereira as segundas escolhas são as primeiras. Não foi então à toa a sua escolha para n.º2 no ano passado. Só que promovido a n.º1 as escolhas que eram secundárias e absolutamente pontuais passaram a primeiras, com inovações e fixações que não lembram a ninguém (como o aberrante esquema de dois trincos, por exemplo). De facto, com Vítor Pereira qualquer jogo, por mais importante que seja, parece a anterior equipa a disputar um jogo da Taça da Liga, tais são as alterações e invenções visíveis.

E é por isso tudo que a opinião não muda e nem mudará, assim como o discurso monossilábico, cinzento e robótico do técnico não mudará também. Quem tem tudo controlado não se expressa assim, quem tem confiança no seu trabalho está tranquilo e não numa guerra autista. Já dizia o outro que pressão e crise são despoletados por algo como a gripe das aves e não com o futebol. Não havendo confiança e alegria o talento não desponta e o pior é que com mais duas ou três vitórias destas tudo 'ficará bem' e os reais problemas não serão solucionados. E falo porque sei a diferença. Foram muitos anos a assistir aos festejos de vitórias 'destas' por parte dos rivais, quando no fim de tudo é sempre quem tem mais vitórias 'das outras' que realmente festeja.

Com Vítor Pereira ao comando este Porto não festejará nenhum título.

8 comentários:

luissm disse...

Fiquei muito contente com esta vitória:
a)2 pontos para Portugal que nos ajudaram a re-ultrapassar a França (viva o Olympiakos!);
b) um balão de oxigénio para o Vitinho.

;)

LDP disse...

Marco, a "regularidade das vitórias" do ano passado na ausencia de Falcao inclui o periodo de vitòrias quase consecutivas a ganhar por 1-0 com penalties 'dos outros'? Ou isso é sò hipocrisia?

Filipe disse...

Já festejou. O VP ganhou a supertaça.

O que parece óbvio neste momento é que o AVB é completamente medíocre como treinador. A equipa da época passada usou um modelo de jogo que o Jesualdo desenvolveu expressamente para o Falcão, com uma melhoria de rendimento acentuada devida à regularidade do Moutinho. As coisas correram quase sempre bem quando o Falcão esteve disponível.

No Chelsea em que tem que usar as suas próprias ideias tem sido um fartote de incompetência. Pode muito bem acontecer o VP passar a fase de grupos e o AVB falhá-la.

Joao disse...

Já festejou um título.

De vez em quando basta uma boa vitória para afastar alguns fantasmas...

Alguns dos jogadores se calhar já perceberam que não vão a lado nenhum se não forem 100% profissionais...

André Villas Boas precisa de um bom adjunto, Vítor Pereira parece-me um excelente adjunto! Já técnico principal...
Mas gostei de vê-lo a dar uns berros à malta, pareceu-me que o homem está vivo!

E o Apoel carago!

LDP, no ano passado as vitórias do Porto sobre o "mais grande" foram extraordinárias não foram? Até fomos à luz comemorar o campeonato e a eliminação do "mais grande". Para não falar dos 5 a 0!!!!

Marco Morais disse...

A Supertaça não conto como um título (apesar de o ser) porque futebolísticamente tem o relevo de uma só vitória. Conta tanto para mim como uma vitória ao Guimarães para a Liga, por exemplo. Ainda para mais é um título a que Vítor Pereira teve acesso pela época passada. Por isto tudo não me parece relevante.

LDP, que penáltis aconteceram quando Falcao esteve ausente? Hipocrisia é acusar o Porto de ter ganho com ajudas e desviar para o lado a conversa quando o Benfica teve séries de jogos a jogar contra 10 e foi campeão. Se me aqui acompanhas sabes que isso para mim é igual ao litro.

Não está aqui em causa o Villas-Boas do Chelsea nem o VP como adjunto. A decadência do Chelsea não prova a falta de fiabilidade da época passada, nem a presente fiabilidade do VP.

Mas pronto, AVB foi bom por causa de Jesualdo e de Moutinho...

LMGM disse...

Marco, o Vitor está a ser assassinado pelo balneário, mas as estrelinhas não querem morrer com ele, na europa com outros olhos a observarem há que lutar pela vida...

Aguardo pelo resultado de domingo, vamos ver que vai ter de "levantar a cabeça".

Marco Morais disse...

LMGM,

Os jogadores são humanos tal como os adeptos. Ainda para mais têm o privilégio de saber a fundo como funcionam certos aspectos do futebol que nos passam ao lado.

Se nós, adeptos, nos sentimos decepcionados e desmotivados, o jogador, que vive minuto a minuto o estado da equipa, também não estará imune a isso.

Mas concordo claramente contigo. E aliás viu-se nas 'flashes' que os jogadores perceberam que esta situação só os prejudica a eles e que, gostando ou não dos métodos e ideias, tendo ou não confiança no líder, teriam que reagir de alguma maneira.

Não acho é que sem um líder inequívoco a equipa volte a patamares que permitam conquistar títulos. E sim, títulos de jeito pois Supertaças são peanuts, daí eu nunca ter 'festejado' a suposta ultrapassagem de títulos ao Benfica.

Marco Morais disse...

Aliás, levante a mão quem ficaria satisfeito por ganhar uma Supertaça e deixar todas as outras competições por terra.

Mas pronto, também não vai ser sempre a levar 3. Qualquer treinador por mais mau que seja tem os seus momentos de glória. O problema é que Vítor Pereira já provou que não consegue ser regular.

Mas a coisa que mais irrita nele é não reconhecer os erros e dar aquela imagem autista de como não se tivesse passado nada. Para ele não houve erros pois "a equipa circula, tenta, sabe o que quer e joga à Porto".