sábado, março 30

Benfica 6 Rio Ave 1.

Vitória fácil, perante um Rio Ave que nunca se escondeu do jogo. O excesso de agressividade dos vilacondenses não foi suficiente e o Benfica marcou quatro golos em 46 minutos que acabaram com o jogo.

Grande eficácia ofensiva do Benfica, com destaque para Melga e Lima. E já lá vão 102 golos.

A equipa transpira confiança. Jesus e os jogadores, têm nas mãos a possibilidade de fazerem uma excelente época, com a conquista da dobradinha. Faltam apenas quatro jogos, quatro vitórias, para que o campeonato se decida.

Contudo, ainda nada foi conquistado, mas é inegável que os benfiquistas andam, por esta hora, muito satisfeitos.

O árbitro teve alguns erros como não ter expulsado um vilacondense por entrada sobre Sálvio (Aimar foi expulso em Olhão, lembram-se?) e por ter mostrado o segundo amarelo a Melga (fiquei convencido que não houve falta nenhuma).

O FCP, antes, venceu confortavelmente uma Académica que, parece, deixou de saber defender, como diria Pinto da Costa.

sexta-feira, março 29

A nova ascensão de Jesus e o 'filho' do Quintela

A conversa mais batida por estas alturas será mesmo a ressurreição de Jesus. O Mestre das parábolas vê agora o seu nome colado também ao futebol por um dos seus homónimos ter descido, nos últimos dois anos, aos infernos para agora estar em vias de ascender... outra vez. Durante a semana Zidane lembrou que com Ronaldo em actividade era injusto Messi ter quatro Bolas d'Ouro para apenas uma do português. Pois bem, fazendo a devida comparação à Liga Portuguesa, também será injusto que o FC Porto ganhe 3 campeonatos em quatro anos de Jesus. Injusto, justo... irrelevante. O cenário, se bem que mais negro para os dragões, continua em aberto, porém com enorme dependência para a excelente campanha encarnada. Haverá 'momento(s) mau(s)' do Benfica para relançar o campeonato? 

Este ano foi Vítor Pereira e a sua equipa a baquearem. Dois empates, aos quais se junta o outro (Olhanense no Dragão) que impediu a equipa de subir à liderança, 'deram' o primeiro lugar a um Benfica que volta a criar uma merecida onda de euforia. A incapacidade do FC Porto resolveu aparecer com regularidade e a equipa viu-se afastada, sem remédio, da Liga dos Campeões e está agora dependente de uma versão negra do Benfica de Jesus que pode não ser mais que um mito. Não se sabe, é esta a verdade. Os portistas esperam-no mas não se sabe ao certo se o Benfica vai mesmo cair para devolver ao Dragão a esperança da ultrapassagem.

Mas por mais importante que pareça, um possível desaire do Benfica não é o mais importante para o FC Porto. É que a tal incapacidade foi tão gritante que urge recolocar a equipa na senda das vitórias, o que não se afigura fácil tal foi a falta de ideias e de estofo de campeão nos últimos dois empates. Eram, como todos os jogos numa disputa 'renhida' a dois, provas de fogo e de afirmação, mas a única coisa que afirmaram foi que o Benfica é um justo líder. Se bem que a única coisa certa na vida é que tudo muda, mudará o FC Porto a tempo de apanhar um possível desaire do Benfica?

Terá de ser Vítor Pereira o obreiro da mudança. É que com o espinhense não se pode esperar a perfeição mas se há uma coisa em que ele tem sido exemplar é na evolução mostrada desde que pegou neste FC Porto. Não é o mesmo treinador que não sabia sequer o que dizer, que cara mostrar e provou merecer treinar um Ferrari azul e branco. Contudo no seu processo de aprendizagem deixa visíveis várias falhas. Este não agarrar da liderança foi mais uma delas e acontecesse isto no ano passado e já a casa lhe tinha caído de cima (certamente comigo a atirar telhas), mas hoje por hoje Vítor Pereira é o treinador em que o FC Porto tem que confiar, porque já provou saber resolver problemas, porque sem problemas para resolver não há evolução e porque... é o único que temos de momento.

No Sporting, Bruno de Carvalho vê finalmente realizado um dos seus, imagino, maiores sonhos. O presidente mudou, a posição e o discurso oficiais também mudarão certamente. Aguerrido e defensor do clube que ama, Bruno de Carvalho deixará certamente muitos comunicados e conferências de imprensa para reafirmar a posição do Sporting. Será muito presente e as suas palavras terão sempre como fundo a ideia de que o Sporting é um grande. Nada de mal aqui, não fosse a confusão que pode gerar haver dúvidas nisso. Precisará mesmo o Sporting de reafirmar posição de grande quando é sem dúvida um? Há que confundir o momento da equipa com o do clube, como fazem os idiotas que deixaram de tomar em conta o Sporting nas contas da 'grandiosidade' (seja lá o que isto for)? O que é uma certeza para mim é que o Sporting não precisa de ser grande, não precisa que o achem grande, nem precisa tão pouco de uma grandiosidade bradada aos sete ventos para nada. O Sporting precisa de títulos e que eles sejam ganhos com regularidade e o resto, até essa treta da grandiosidade, vem por acréscimo.

Se Bruno de Carvalho é o homem ideal? Sinceramente não me parece, até porque é fácil não sê-lo. Dizia-se contra o Papa Bento XVI que tinha cara de pedófilo e diz-se contra Bruno de Carvalho que tem pinta de personagem do José Diogo Quintela dos Gato Fedorento, mas não se pode ir por aí obviamente. Dizia eu que sinceramente não me parece o homem indicado, porque tal é o discurso e tal é a vontade de bradar 'o Sporting é grande!' que vai ser natural a confusão entre o que é o clube, o que é a sua história e o que é preciso para ganhar títulos com regularidade. O caminho do Sporting terá, nem que ganhe um campeonato, que ser sustentado por vários anos de trabalho invisível. É melhor preço a pagar do que querer todos os anos ser campeão para depois não sê-lo provocando ondas de celeuma em vez de fortalecer uma estrutura que pode ser única em Portugal e na Europa do futebol. Que se lembre de uma vez por todas que o Sporting não precisa destes títulos, que pode não ganhar enquanto se fortalece, para ser grande, para ombrear e para sabe-se lá mais o quê para justificar egocentrismos.

quarta-feira, março 27

Augusto Inácio

Augusto Inácio sempre foi das pessoas com ligações ao Sporting, que mais mereceu o meu respeito. Aliás, Augusto Inácio foi apenas o treinador que orientou a equipa campeã depois de 18 anos de jejum. Mas não é só por isso que merece o meu respeito.

Sempre foi daqueles que entre bloguistas, colunistas e comentaristas teve as palavras mais esclarecidas e clarividentes, na minha opinão. Por exemplo, com uma frase apenas explica perfeitamente o péssimo momento financeiro-desportivo do Sporting: "O clube não vende bem e não compra bem, logo não pode fazer uma boa equipa". Fica aqui a entrevista na íntegra, entrevista essa que estando datada de há 3 anos, se tivesse sido tomada mais a sério pela estrutura do Sporting, teria evitado muitos dos disparates que se cometeram desde essa altura.

Inácio está assim de regresso ao Sporting. E é com grande expectativa que vejo isso acontecer. Entretanto ainda o vamos ter que ver como adversário em Alvalade, situação que já está a criar alguma celeuma por aí. No entanto, uma vez mais Inácio responde com correcção: "Primeiro que tudo está o profissionalismo. Não admito que pensem que a minha cabeça esteja noutro sítio. Agora é o Moreirense e no final da época será o Sporting. Mas entendo que será estranho para os sportinguistas. Vou a Alvalade com a vontade de querer fazer o meu trabalho com profissionalismo. O resultado que acontecer... acontecerá".

Adiantando também porque não se demite: "Se tivesse menos pontos aí poderia ter uma conversa com o presidente. Com a situação atual, era impossível deixar o Moreirense".

Quando Inácio chegou ao Moreirense, tinham 8/9 pontos e já estavam praticamente condenados a descer de divisão.

terça-feira, março 26

Vitória no Azerbeijão

Foi com naturalidade que Portugal ganhou este jogo. Aliás, seria com naturalidade que Portugal ganharia a maior parte dos jogos deste grupo, coisa que quando não acontece é alvo de inúmeras especulações.

A primeira é que esta selecção já não tem qualidade para ser aquilo a que nos habituou. Eu discordo. Sei que virá um declínio no nosso futebol, mais que previsível dado os poucos valores que estão a sair do nosso futebol, mas acho que este declínio ainda está ainda por vir.

Portugal tem ainda 4/5 jogadores de nivel mundial (Pepe, Coentrão, Moutinho, Ronaldo e Nani), seguido de outros bons jogadores que não tendo a mesma expressão destes, completam um bom lote de futebolistas, o que seria mais que suficiente para ganhar pelo menos à Irlanda do Norte e a Israel. Para os próximos anos ainda vai dar, o problema vai ser daqui a 3/4 anos.

A segunda especulação tem a ver com a gestão de Paulo Bento. Eu aqui estou mais de acordo, porque é já uma espécie de "deja vú" em função daquilo que aconteceu no Sporting. Aliás, quando entrou na selecção teve o mesmo efeito que teve no Sporting. Juntou a equipa, arranjou 2/3 casos disciplinares para mostrar quem manda e deu a sensação que, pelo menos, quem jogaria o faria com total empenho. Mas depois, com o passar dos anos, sente-se um certo desgaste. Jogam sempre os mesmos, fazendo com que a competitividade interna sobre quem vai jogar vá diminuindo, e jogam sempre da mesma maneira, inovando muito pouco tacticamente. A equipa basicamente estagna e vai perdendo qualidades com o passar do tempo.

Terceira especulação: a mentalidade do jogador português. Totalmente de acordo. Damo-nos mal com o sucesso, e já não é de agora. Quase sempre depois de uma fase final de sucesso, seguem-se fases de qualificação medíocres. Ganhamos ares de superioridade, olhamos para os rankings, e contra adversários menores facilitamos.É novamente o que está a acontecer.

Conclusão: eu acho que vamos estar no Mundial do Brasil. Que vamos conseguir o segundo lugar, que num play-off não nos vai calhar a Espanha e que em 2014 vamos estar qualificados. Mas até lá ainda vamos fazer muitas contas.

Galhardetes.

A troca de galhardetes à antiga já não existe. Era um momento quase poético aquele em que os capitães, respeitosamente, trocavam o símbolo dos seus clubes. Os adeptos, como eu, admiravam aquela forma de fair-play e aqueles pedaços de pano valiam quase tanto como ter uma camisola de clube.

Hoje em dia, a troca de galhardetes é outra. É de baixo nível, desrespeitosa e toca a praticamente todos os clubes.

Vem isto a propósito das declarações entre Paulo Bento e Pinto da Costa. O presidente do FCP sempre nos habituou às suas lamúrias disfarçadas de assertividade, às suas provocações disfarçadas de ironia, e às suas faltas de respeito disfarçadas de inteligência mas, neste momento, já era tempo de haver quem não se vergasse ao estilo.

Paulo Bento, faz o seu papel, mal, no meu entender. Deveria escusar-se a responder a tamanhas idiotices. Mas, parece, é mais forte do que ele. O problema é que, na minha opinião, está a cometer o mesmo erro que cometeu no Sporting: dá o corpo às balas, por tudo e por todos, desgastando-se e focando-se em assuntos pobres em vez de estar exclusivamente focado na Selecção.

Os jornalistas, os comentadores, e os responsáveis máximos da Selecção ficam calados. Por respeito. Não aquele respeito que se bebia nas trocas dos antigos galhardetes. Um outro. Demente. Lastimável. Velhaco.

Pinto da Costa está em todas, especialmente, quando sente que o controlo lhe foge das mãos. Quando as vontades não lhe são feitas. E depois chora, como um bebé mimado a quem não dão mama.

domingo, março 24

Carvalho a presidente

Foi a vitória previsível de quem soube já há 2 anos, colocar a sua candidatura como sendo a candidatura da ruptura face ao rumo que a gestão que o Sporting tinha tido nos últimos anos.

A mim nunca me convenceu pessoalmente. Sempre achei que a ruptura era mais de discurso do que de ideias e que, quem de facto votava em BdC o fazia mais numa base mais emocional sobre aquilo que a sua candidatura representava, do que pelas suas ideias e projectos.

Mas por mais que queiramos que o futebol seja gestão e números, essa componente é também algo importante num clube como o Sporting. A tal gestão emocional... e oxalá seja esse o elo que nos volte agora a juntar todos como adeptos do mesmo clube que só querem que o Sporting seja melhor do que aquilo que tem sido.

Daqui para a frente muitos desafios se colocarão ao novo presidente do Sporting e resta-nos a todos desejar: Força Bruno, Força Sporting!!!

sexta-feira, março 22

Israel 2 - Portugal 1 ( ao intervalo - 3 a 3 resultado final)

Começa já a ser confrangedor ver os jogos da selecção. Não sei se a culpa é dos jogadores ou do próprio seleccionador, mas a forma como uma selecção como a de Israel vira este jogo é inadmissível.

Parece que andam ali todos a passo, a deixar o tempo passar, sem grande vontade de fazer o que quer que seja. Penso que tem mais a ver com uma questão de compromisso e exigência que qualquer outra coisa. Muitos jogadores aqui estão numa fase de carreira em que não percebemos muito bem quais são as suas ambições. Veloso, Meireles, B.Alves, Varela, Postiga... pode ser que isso passe para a selecção, não sei.

Mas lá que é confransgedor ver uma coisa assim, lá isso é.

Actualização: ficou 3-3 mesmo lá no fim, mas o principal está dito... não jogamos nada à bola!!!

Diz que o Garay se vai embora.

Por 20M, para o Manchester United (ver a partir dos 3:16). Depois do primeiro jogo com a camisola encarnada escrevi que "Garay é melhor do que David Luiz. Um central a sério". Com o passar dos jogos, essa convicção aumentou e hoje, é apenas uma constatação óbvia. O central argentino tem muita, muita classe e vai deixar saudades. Foi o que tivemos de mais parecido com o mestre Ricardo Gomes.

O Benfica encaixa 10M e perde um jogador muito mais valioso do que esse montante. Só de pensar por quanto foi vendido o Paulo Ferreira...

Um último debate para a coisa ficar decidida!

Esperava com alguma expectativa o debate de hoje. Porque saberia que certamente não seria a mesma boa onda do primeiro debate e se tentaria, por iniciativa dos candidatos ou por intervenção do investidor, que houvesse confrontação e discussões mais acesas.

Contudo, teve que ser o candidato mais fraco ( incrível como pessoas com este nível de discurso podem ter este tempo de antena) a decidir para que lado iria a balança deste debate. Numa posição confortável, BdC teve apenas que se refugiar naquilo que sempre disse, lançando apenas algumas farpas a Couceiro, mais numa tentativa de desgate que de efectiva vontade em confrontar ideias.

Aliás, é esta para mim a grande falha de BdC e temo que as pessoas o sigam mais pelo tom de discurso, que faz todo o sentido num momento em que se discute gestões do passado, do que pelas suas próprias ideias. Já tinha sido essa a minha impressão de há 2 anos e é outra vez  agora o que me faz duvidar em dar-lhe o meu voto.

Couceiro pagou também um preço com uma certa inexperiência em debates (perdeu-se um pouco com as atordoadas de Severino),mas ainda assim pareceu-me muito mais consistente na apresentação do seu projecto que BdC que teve 2 anos para o preparar.

E isso de certa maneira preocupa-me.
Não quero com isto dizer que vou votar em Couceiro.Mas queria e gostava que BdC fosse muito mais.
Precisamos que seja muito mais, se for este como aliás se prevê o novo presidente do Sporting
É só esta a confissão que tenho a fazer, e é esta a dúvida que tenho um dia antes das eleições.

quinta-feira, março 21

Curtas.

1. O Sporting vendeu Wolfswinkel por cerca de 10M, sendo que o lucro imediato deste negócio reverte apenas 3,5M para os cofres de Alvalade. Sempre fui um admirador de Wolfs (dentro e fora do campo) e sempre disse que gostaria de o ver de vermelho.

Godinho Lopes sai assim do Sporting, a delapidar ainda mais o património do Clube, que vive na corda bamba financeira.

2. As eleições do Sporting têm tido algum destaque e o debate tem existido. Não acredito em "programas" ou em "listas". Acho que o próximo presidente será escolhido pela "cara" e, se possível, por uma "bomba" qualquer - pode ser um jogador, pode ser uma parceria com um fundo.

3. Melgarejo está lesionado e o Recorde diz que tal facto fez "soar o alarme" na Luz. Imagino se se tratasse de Cardozo, Matic ou Sálvio.

4. Fim-de-semana sem bola devia ser proibido.

quarta-feira, março 20

Top 5

Top 5 Portuguese superkids Premier League clubs must consider: Ricardito, Bruma, Carlos Mané, André Gomes e João Mário. Ver aqui.

Ando há que tempos a dizer que o João Mário é de longe o jogador com mais potencial na equipa B. Para mim é melhor que Zezinho, Adrien ou André Martins e já devia ter tido hipótese de se mostrar na equipa A.

Debate Sporting - parte I

Encontrar o modelo certo para um debate entre 3 candidatos é certamente decisivo para decidir sobre a pertinência ou não desse debate. Ontem, apenas se viram pequenos monólogos entre os candidatos, seguidos de muito pouca discussão de ideias.

Foi impossível então qualquer esclarecimento adicional, porque o que se ouviu ontem foi algo que já se tinha lido antes num qualquer jornal desportivo. Compreendo que tenha havido alguma desilusão com o debate em si, mas não posso aceitar que se digam certas outras coisas.

Têm sido das eleições que mais me têm surpreendido. Dizem que se caracteriza por falta de ideias, mas eu acho precisamente o contrário. E olhem que, como sportinguista, já tenho mais experiência de eleições e debates que qualquer adepto de outro clube.

Antes, falava-se em jogadores a comprar, treinadores para contratar e milhões a entrar... e sim, também havia programas eleitorais e muitas ideias mas, à partida, a decisão partia da conjugação destes 3 factores.

Agora, e muito por fruto das circunstâncias, a coisa mudou. Ninguém sabe que jogadores teremos com determinado candidato, quem será o treinador (fala-se vagamente em Jesualdo, mas sem grande convicção), e também se fala em investidores aqui e ali, mas sem os números espectaculares do passado.

Se há algo que agora me parece claro, é que iremos votar naquele candidato que mais competente nos parece, o que é precisamente aquilo que nos tem faltado nestes últimos 4/5 anos: competência!

E apenas isso, só para mim, já é uma vitória. Que possamos decidir entre um candidato pela sua competência e não por aquilo que consegue trazer consigo.

terça-feira, março 19

Petardos & Cia.

A UEFA aunciou a abertura e um processo ao Benfica, após o enésimo jogo na Luz em que foram lançados petardos. Concordo e acho que devia haver um castigo severo. O Benfica pode desculpar-se, invocando que não apoia (formalmente) as claques. É um argumento que para mim não colhe, porque é ao clube que cabe a fiscalização de quem entra no Estádio e, no limite, o clube é responsável por velar pela segurança de quem usufrui das instalações.

Se a segurança não faz bem o seu trabalho tem que ser substituída. É preciso dar sinais de repúdio por estes actos de vandalismo, mas não bastam os sinais, urge agir. Da parte do Benfica apenas se ouvem lamúrias quando é em prejuízo do clube, logo a credibilidade e bondade das intenções ficam severamente afectadas.

Os estádios têm que voltar a ser palco de divertimento, uma forma agradável das pessoas se distraírem, não se podem tornar locais (ainda mais) inseguros. O Benfica tem que assumir as suas responsabilidades, que não são poucas. Enquanto não as assumir tem pouca legitimidade para apontar o dedo aos outros, ainda que esses outros sejam gente de poucos escrúpulos.

Ainda não percebi a piada de se ouvir um estrondo num estádio, ou atirar um objecto destes para um relvado e parar um jogo de futebol. Não se paga bilhete para ver futebol? Hoje são estrondos, amanhã pode ser mais grave e acabar numa fatalidade, como já aconteceu no passado.

Os energúmenos que não sabem ou não conseguem viver em sociedade têm que ser banidos dos campos de futebol. Não consigo perceber como é que estando os estádios dotados de tecnologia de ponta, com câmaras xpto não se consiga identificar e chamar à justiça os autores de tais actos. Talvez não haja muita vontade.

A violência no desporto está a aumentar exponencialmente e é urgente pôr cobro a isto.

domingo, março 17

Obrigado.

A Jorge Jesus por, finalmente, concertar uma estratégia vencedora, numa equipa que, apesar dos desequilíbrios evidentes, dá uma resposta em campo que nos deve deixar orgulhosos.

A qualidade individual é muita, sempre o defendi. Contudo, esta época, como já por diversas vezes referi, a equipa está bem melhor estruturada e os jogos, a maioria deles, são controlados, dominados. E isso marca uma diferença para a época passada, onde tudo acontecia sob o espectro da derrocada.

O Vitória de Guimarães é uma equipa interessante, mas pouco mais do que isso. Como a maioria das equipa portuguesas, está a léguas de FCP e Benfica.

A vitória desta noite foi justíssima, de uma equipa que controlou, dominou, jogou. Muito bem ofensivamente, com destaque para Cardozo e Gaitán, que fez uma exibição muito boa, talvez a melhor. Lima esteve uns furos abaixo mas faz um trabalho óptimo, como, aliás, Sálvio, para mim, um dos melhores jogadores a jogar na Europa.

O árbitro esteve, no geral, bem. Não se compreende como não expulsa o defesa vimaranense que fez o penálti (claríssimo) e equivocou-se no segundo amarelo que dá uma expulsão ao defesa do Vitória. Alguns fora de jogo mal tirados mas nenhum escandaloso.

Os petardos: somos um clube que tem agido pouco em relação a este assunto. Por isso, qualquer queixa que façamos, cai-nos em cima.

Liderança com quatro pontos de vantagem. Limpinha.

Eu proponho que se faça um Excel com os golos de penálti marcados por... Jackson Martínez. Alguém trata disso?

No fim disto tudo, nada está ganho, claro. Ainda restam alguns jogos complicados (este nem era um deles, face à realidade do Vitória actual) e Coimbra do ano passado ou deste ano pode repetir-se em menos de nada.

sexta-feira, março 15

Liga dos Campeões e Liga Europa.

Liga dos Campeões 1/4 de final (2/3 e 9/10 Abril):

Málaga-Borussia Dortmund
Real Madrid-Galatasaray
PSG-Barcelona
Bayern Munique-Juventus

Liga Europa 1/4 de final (4 e 11 Abril):

Chelsea-Rubin Kazan
Tottenham-Basileia
Fenerbahçe-Lázio  
Benfica-Newcastle

Uma eliminatória interessante para o Benfica, frente a clube histórico inglês. Ambiente não vai faltar e é para passar.

A bold, as equipas que vão passar, na minha opinião.

quinta-feira, março 14

Bordéus 2 Benfica 3.

Exibição personalizada q.b., com toda a gente concentrada. Com uma defesa remendada, Jesus acabou por apostar num meio-campo forte, com Matic e Enzo. Aliás, Jesus é o grande vencedor desta eliminatória, pois a equipa mostrou coerência mesmo desfalcada de três ou quatro titulares, nas duas mãos. Apenas acho que podia ter trocado Sálvio e Ola mais cedo. E grande Jardel, pá!

Cardozo, pá, que é aquilo? Parecia que estavas a marcar um penálti, a ajeitar a bola e tudo. E depois, pumba. Lá para dentro. Lá vai o outro actualizar o Excel. E o segundo? Hum, parecia mesmo outro penálti. És tão aborrecido, Tacuara.

Gostei da exibição, especialmente porque a equipa mostrou estar sempre por cima no jogo, apesar deste Bordéus ser fraquinho.

Grandes adeptos encarnados!

Agora era apanhar um Basileia, por exemplo.

Segunda divisão europeia.

Jesus tem uma questão complicada para resolver hoje, frente ao Bordéus, porque, segundo o próprio, o FCP fica em vantagem na luta pelo campeonato, caso o Benfica continue em prova. Eu compreendo o argumento mas o Benfica vai ter o apoio de cinco mil adeptos no estádio e isso é que importa.

O Bordéus, parece-me, é uma equipa ao alcance de um onze com alguns suplentes. Assim, JJ poderá fazer alinhar:

Artur
Melga e Maxi
Rod e Jardel
Matic e Gomes
Ola e Gaitán
Aimar
Rodrigo

Existem outras opções que podem entrar sem provocar grande desgaste. Mas, seja quem for que jogue, pede-se empenho e vontade de ganhar o jogo, porque jogar para o empate vai dar asneira.

Sem Rei mas com um Roque que desfez ilusões

A ilusão foi bem portuguesa na passada noite, em Málaga. 'Ilusión' e 'Ilusão' são palavras completamente diferentes, não tanto pela língua mas, pelo significado positivo ou negativo que espanhóis ou portugueses lhe conferem. Ilusão é criada por erros de percepção e no caso do FC Porto esses, foram bastantes. Durante a tarde 'cheirou-me' a 2004, 'cheirou-me' a Riazor, até porque a arrogância espanhola - assentada na tal ilusión positiva de remontar - teve o mesmo contexto da meia-final da Champions ganha ao Depor na Galiza. O equipamento violeta e a mesma entrada confiante reforçaram-me o sentimento, até o Málaga conseguir ser mais forte nos duelos e nunca mais largar as rédeas do jogo.

O jogo da 2.ª mão, em Málaga, era importante por várias coisas. A passagem aos 'quartos', o dinheiro, o prestígio, a confiança, a crença. Tudo coisas secundárias que dependeriam sempre de uma: estofo. Estofo de equipa grande, estofo de campeão. E foi por aí que o FC Porto mais uma vez baqueou na tal competição que não perdoa distracções, que não perdoa desequilíbrios, que não perdoa... ilusões. O FC Porto parecia mas não foi. Os toques, os passes, a intensidade, foram criando a falsa percepção que estes dragões tudo aguentariam para trazer da Andaluzia o resultado necessário para seguir em frente. Mas assim não foi, muito porque a determinada altura todos os duelos individuais foram perdidos permitindo ao Málaga ser aquilo que não foi no Dragão, nem na primeira meia-hora do 'seu' jogo.

Foi estranho, demasiado estranho, ver algo que começou tão bem desmoronar como um baralho de cartas. A determinado momento os dragões deixaram de ser mais rápidos, deixaram de chegar primeiro e permitiram ao Málaga construir, subir, criar. Vítor Pereira explica o fenómeno pela amostragem de cartões amarelos, mas o técnico espinhense terá que ir mais fundo no raciocínio. Terá de olhar para a queda da equipa no Parque dos Príncipes, terá que olhar para a história portista nos 'oitavos', para poder descortinar a verdade na quebra portista. E a verdade é que há sempre um tremelique, uma falta de forças e certezas, tão grande que não permite que a equipa continue a transcender-se. Olhe-se, por exemplo, para Helton. A segurança e agilidade espelhadas no campeonato português em nada se parece com as exibições a eliminar onde mais interessa, na Champions. De repente... tremelique e o 'Lado B' do guardião, e da equipa, fica extremamente visível. Demasiado para se permanecer na ilusão de que esta equipa faria, alguma vez, história.

Tudo se deita a perder pela não manutenção de ideais. Apregoa-se posse e ela até tem sido cada vez mais regular. Foi-o (como já referido) até na primeira meia-hora deste jogo. Mas perde-se um duelo e deixa-se de depender dos cartões amarelos e elas (a posse, a identidade e a certeza) desaparecem? O Málaga sobe linhas e deixa-se de se sair a jogar pelos centrais? Jogar fora e estar tão perto do que se quer não é desculpa para equipa que pensa ser grande. Essas, não deitam foram identidades e modelos por demais bradados ao vento. O 'La Rosaleda' era o teste e Santa Cruz fez questão de sublinhar o chumbo e de deixar a nu a diferença entre 'Ilusão' e 'Ilusión'.

O FC Porto quer sempre o seu jogo. Não o quer partir, não o quer descontrolado, mas, quando isso acontece, sofre como uma criança demasiado mimada. Não cria, não inova e deixa de marcar por isso. Fica a zero a ver o comboio passar. A falta de imaginação do último terço tem sido gritante para os objectivos propostos. As boas exibições no Dragão (PSG e Málaga) criaram a ilusão, mas fora dele, fora da zona de conforto, a força do FC Porto esfuma-se quando os adeptos mais precisam dela.

Segue-se o tão aborrecido campeonato que é  o principal causador destes tão dolorosos desaires. A falta de competitividade é tal que o 'bebé' pode sempre seguir no seu conforto. Sem jogos partidos, sem desafios, sem erros que se paguem caro, o FC Porto não pode sair da sua 'mediania'. Urgem desafios novos e competitividade. Talvez os dirigentes dos clubes de 'Champions' - os que caiem nas fases de grupos e nos oitavos - se devessem lembrar disso quando estragam a torto e a direito a nossa pobre Liga.

quarta-feira, março 13

Alianças.

Sobre a sempre tão falada "aliança" entre Sporting e FCP, fica aqui um excerto de uma entrevista publicada no Record, de dia 15 de Fevereiro de 2006:

"Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões."

Quem disse? João Rocha, ex-presidente do Sporting, recentemente falecido.

Porque no te callas?!

ISTO, era impensável se fosse ao contrário. No Porto não permitem sequer que os jogadores e técnicos confraternizem com colegas do Benfica. "Aconselham" a evitar fazê-lo e se o fizerem que seja longe das câmaras.

Evitam também que eles vistam de vermelho. À primeira oportunidade o Vitó vai "malhar" no Benfica. E nós temos este tipo que abre as pernas. Não, não estou a defender que devemos ser como eles, mas nem 8 nem 80.