quinta-feira, outubro 3

De tanto bater o coração do Benfica parou...

Em Paris acontecem muitas coisas fantásticas, mas não para as equipas portuguesas. À semelhança do que já havia acontecido com o FC Porto, na passada época (os dragões perderam no Parque dos Príncipes a oportunidade de se qualificarem em primeiro lugar do grupo), o Benfica deu também um claro indicador do estatuto das equipas portuguesas fora-de-casa em jogos a contar para a Champions League. 
 


Querer trazer para Portugal primeira vitória lusa, em solo parisiense, não passou de um mero desejo. De facto, a derrota por 3-0 às mãos do PSG junta aos (maus) indicadores dados neste início de época, outro - e também ele muito importante.

Nada de melhor há para se aferir as capacidades de uma equipa portuguesa, do que um jogo em casa do adversário mais forte da fase-de-grupos da Liga dos Campeões. E se, noutras épocas, os encarnados conseguiram boas prestações em estádios como Old Trafford, Anfield (e até Camp Nou), o desaire desta terça-feira ensombra, e de que maneira, o 'sonho' encarnado de ser um dos protagonistas da milionária competição.

As aspirações não caem por terra é certo (há ainda muitos jogos e tempo para outras opções) mas a fraca exibição da equipa não consegue escapar à ideia de que a manutenção de Jorge Jesus, e do núcleo duro da passada época, talvez tenha sido uma aposta precipitada. É que tudo tem o seu tempo e depois de um final de época extremamente desgastante, e infeliz, talvez as condições para a evolução da equipa se tenham esgotado em maio de 2013.

A prová-lo estão os resultados, até esta altura, no campeonato, e o facto do Benfica não ter conseguido fazer em Paris aquilo em que é reconhecidamente forte. Se com bola, o Benfica de Jorge Jesus sempre deixou muito a desejar nas (suas) 'etapas de montanha', sem ela o colectivo mostrou sempre equilíbrio e coesão. Mas isso, esteve longe de acontecer frente a um PSG que no seu estádio, já se sabe, entra sempre com intenções extremamente ofensivas.

Aos encarnados faltou coesão para travar Ibrahimovic (por duas vezes) e Marquinhos, mas faltou sobretudo estofo para impor o seu futebol na capital francesa, e é agora um facto que o coração do Benfica parou e tem de ser, urgentemente, reanimado para se atingirem os bons níveis de pulsação de outras épocas. Restará saber as opções para essa reanimação...

Paris St. Germain-Benfica, 3-0 (Ibrahimovic 5' e 30', Marquinhos 25')

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14 comentários:

Jorge Borges disse...

Tem sido um Benfica a preto e branco. Falta cor, chama, vontade, ânimo.
Ontem deixou uma triste imagem, ficando a sensação que se os franceses mantivessem o ritmo o resultado poderia ter sido histórico.
Não acho o PSG uma equipa assim tão transcendente quanto JJ quis fazer passar. Há um punhado de equipas bem acima.

Pedro disse...

Previsível. Eu repito-me mas é a mais pura das verdades. Tudo isto era previsível pq foi tudo isto que se passou nestes 4 anos de JJ.
Tacticamente JJ só por uma vez conseguiu ganhar um jogo: para a Taça de Portugal no Dragão quando vencemos por dois zero. Colocou Peixoto no meio campo e jogou apenas com Cardozo na frente. De resto, em todos estes anos, não houve uma única vitória de JJ contra uma equipa de nível igual ou superior. Pior, sempre que mexeu, perdeu e por vezes humilhado. tacticamente é um nabo, como líder patético, visão de jogo é zero. E ganha 4 milhões e temos medo que vá para o porto...é isto o SLB.

"Rui Esteves, à Benfica TV, antes do jogo:
"Atenção que eles têm o Ibrahimovic que recua no terreno, confunde o adversário e mete a equipa a jogar".
Jorge Jesus a seguir ao jogo:
"O Ibrahimovic fez um movimento diferente, em que recua, que não o vimos fazer nos jogos que observámos"."

Isto diz tudo. Tudo.

luis disse...

O sonho encarnado é um devaneio, um disparate. É preciso ser muito desligado da razão para sequer ponderar a hipótese de se vencer a LC. É irreal, surreal, doentio, mesmo.

As aspirações, num com mais duas equipas de nível médio-baixo, têm de passar por passar o grupo, coisa que, com JJ, não é líquido.

O Benfica que jogou contra o PSG, foi o mesmo que defrontou o Belenenses, o Gil Vicente, o Marítimo. Muito fraquinho, nada ambicioso, nada focado, desinteressado. E sem futebol.

A única opção para tirar o Benfica deste marasmo é a saída desta direcção e deste treinador.

O que nos está a acontecer é o seguimento lógico e óbvio dos últimos três anos.

Só surpreende quem preferiu sempre enfiar a cabeça na areia e refugiar-se em números mais ou menos manipulados.

O SLB é muito mais do que uma equipa que sabe ou não jogar futebol. E essa é mesmo a última das minhas preocupações.

LMGM disse...

Julgo que todos já percebemos que o descalabro do Sporting no ano passado passou muito por falta de liquidez nos bolsos do plantel.

Durante a pré-época foram várias as noticias de que era necessário fazer mais valias (grandes) com vendas de jogadores (se não estou em erro 90 milhões) para equilibrar contas.

Não será a "gasolina" que está a faltar ao plantel? Acho sempre muito estranhos estas súbitas quebras de forma em grupos de jogadores que inegavelmente sabem fazer mais. Até sem treinador...

Pedro disse...

O quê? A gestão do Grande Líder com ordenados em atraso? Impossível. Isso só no tempo do outro cujo nome não pode ser pronunciado (apesar de na realidade nunca ter acontecido)...

LMGM disse...

Não digo obrigatoriamente ordenados, mas pagamentos, os anos de "quase" são muito caros para os clubes, chegar a finais e segundos lugares também val€m dinh€iro...

Pedro disse...

Prémios...

Pois...não seria a primeira vez.

Luís Fiúza disse...

O que mais me fode é o treinador e outros deficientes desculparem-se com os milhões do PSG. E o Belenenses? Quantos milhões pôs em campo no sábado? Não admitir, não reconhecer os erros, cliché...
Infelizmente estes cabeçudos já não servem o Benfica. Servem a sua imagem e o seu patrimonio.

Jorge Borges disse...

Fiúza,
Já viste a luz?
Já não era sem tempo!

Luís Fiúza disse...

Jorge
Reconheço que acreditei nas pessoas tempo demais. No fundo o que me enganou foi o desejo de estabilidade, diretiva, e desportiva. Reconheço que errei ao contrário daqueles CHULOS DE MERDA.

LDP disse...

LMGM, é um cenário muito remoto. O económico.

Penso que a razão é uma única, e quem jogou futebol federado como eu sabe do que estou a falar: quando os jogadores não "querem" jogar á bola não há treinador que resista.

Muitas vezes a culpa nem é do treinador, entenda-se. Mas quando o sofá psicológico não é o ideal a equipa entra em depressão e daí ao desinteresse e á menor disponibilidade para encarar cada jogo, cada adversário ou simplesmente cada golo sofrido é um passo. Curto.

Não quer dizer que a equipa esteja contra o treinador. Simplesmente pode já não estar com ele, o que é substancialmente diferente.

Quando estás em boa forma física atinges níveis ainda maiores, como jogador e como equipa, se estiveres bem psicologicamente.
Se a tua cabeça tem dúvidas ou simples nuvens negras, o físico não correponde e não há muito a fazer no imediato.
Correrás sempre menos e mais lentamente. Chegarás sempre tarde ás bolas.
Rematarás sempre com cada vez menor pontaria.
E depois enervas-te e começas a fazer cada vez pior, com e sem bola nos pés.
E os jogadores contagiam isso uns aos outros.
Até que mandas tudo para o caralho e o treinador pouco ou nada pode fazer.

Repito, e a culpa, tantas vezes nem é do treinador.

Acho que todos temos de admitir que s não ganhamos bem(!) ao Estoril, temos de mudar de treinador antes que seja tarde. De um lado matematicamente - ainda não perdemos nada em nenhuma competição.
E de outro, psicologicamente, pois ainda vamos a tempo de, porventura com novos métodos e novas visões técnico/tácticas, reencontrar um equilíbrio que capacite a equipa que com a aceleração justa e atenção necessárias ainda podemos recuperar distâncias e pontos.

LDP disse...

(porra, alguém n'a bola leu com atenção o meu comentário de ontem á noite)

Pedro disse...

Então?

LDP disse...

Então, eu falei de depressão, cansaço psicológico que se traduz em físico, desgaste na relação com o treinador...e a bola fez uma capa com tudo isso.