segunda-feira, agosto 23

Façam as vossas apostas: Valdés melhor que Casillas e Belluschi melhor que Micael?

Do 8 ao 80, do céu ao inferno, ou vice-versa. O golo e a vitória como principais catalisadores desta doença bi-polar do futebol. Quem tem golo normalmente ganha, quem não tem normalmente não ganha, mas há muito mais para além disso.

Começando pelo jogo que começou a despoletar esta, ainda não consumada, reviravolta no futebol português, a Supertaça trouxe um Porto que não prestou reverência ao actual campeão. Surpreendeu, defendendo alto, e utilizou a fórmula contrária ao que vinha sendo habitual nos últimos anos, ou seja, prescindiu de um médio menos criativo por outro que obriga a subir a equipa e que mesmo perdendo mais bolas obriga também a equipa a recuperá-las mais próxima da baliza adversária.

Não será coincidência que as duas vitórias mais recentes do Porto frente ao Benfica tenham como denominador comum Fernando Belluschi. De facto, o criativo argentino é a pedra fundamental neste Porto ausente de Lucho. Já o deveria ter sido na época anterior mas Jesualdo assim não o entendeu, assim como Villas Boas durante toda a pré-época tendo sido depois bafejado pelo azar de Rúben Micael.

A partir daí foi-se desenrolando o fenómeno que já todos conhecemos bem e que foi decisivo para o Benfica campeão, só que agora surge por outras paragens afectando a equipa da Invicta. Os golos - sim, alguns de pénalti - desbloqueiam o futebol dos portistas que atingem assim grau de confiança para se entrosar e motivar. Com a(s) vitória(s) tudo soa melhor e Villas Boas já não é, aos olhos de Portugal, o bétinho teórico dos livros, para passar a ser um competente treinador com um discurso e estratégia muito bem orquestrados.

Isto, claro, aos olhos de Portugal, que como bem conhecemos é o país do 8 ao 80. Vão decorridas duas jornadas e não há coincidência nas quatro derrotas consecutivas do Benfica ou nas quatro vitórias consecutivas do Porto, mas ainda é demasiado cedo para anunciar campeões. Ainda há muito a provar em relação a estas duas equipas mas, para já, aquilo que define as suas posições foram as apostas dos seus treinadores. A André correram bem, a Jesus - tal como a Jesualdo com Guarín na Luz e Nuno na Carlsberg Cup - correram mal e isso, por agora, faz toda a diferença na estabilidade das duas equipas.

Já Braga e Sporting continuam muito parecidos à época transacta. O primeiro continua, e bem - ainda que não seja o modelo que eu defendo-, a apostar no fio-de-jogo que lhes valeu o segundo lugar na passada época. Muito dependentes do golo, os bracarenses vão ter que colocar na equação a estrelinha da época transacta e isso... não se pode controlar. Em Alvalade, as indefinições de sempre. Modelo de jogo não adequado aos jogadores que dispõe e mais uma vez... barafunda total. Ele é 4-4-2 clássico sem nenhuma razão aparente para isso, ele é 4x3x3 sem alas, ele é um 4x2x3x1 que já deu muitas provas de ineficácia. Pergunta: há extremos na academia? há treinadores na academia? a minha resposta é que tanto extremos como treinadores se os há bons em Portugal é em Alcochete certamente. Para quê tanta incerteza?

P.S. Faço um aparte sobre o assunto do momento no futebol português: o guardião Roberto. Como não é culpa total de Belluschi que o Porto tenha quatro vitórias consecutivas, também não é culpa total de Roberto que o Benfica tenha o mesmo número de derrotas. Mas é certo que o espaço para o guarda-redes espanhol acabou, como também é certo que não terá qualidade para ser o guardião que Jesus augurou. Não surpreende de quem disse não achar "grande piada a Casillas porque Valdés é bem melhor". Que os guarda-redes são como os melões já toda a gente sabe, mas há indicadores que não podem ser postos de parte como o número de vezes que a bola lhes chega durante um jogo. Jogar no Saragoça - ou porque não em Setúbal? - não é o mesmo que jogar no Benfica.

2 comentários:

T Nogueira disse...

Olá,

http://footinmyheart.blogspot.com/

Se concordar podemos fazer uma troca de links

Com os melhores cumprimentos,

Tiago Nogueira

J. disse...

Excelente post!!!
Concordo contigo especialmente na parte em que falas do Sporting.
Tanta incerteza acerca de como por a equipa a jogar, não vai dar bom resultado de certeza.

Extremos em Alcochete é coisa que não tem aparecido nos ultimos anos e creio que tão cedo não aparecerão. Aparecem centrais, laterais, médios e avançados. Confio que o clube continue a apostar naquilo que até agora é das poucas coisas que faz bem.