segunda-feira, janeiro 18

Quase?

José Peseiro. Lê-se o nome e imediatamente se sente uma série de coisas. Bom futebol? muito. Sou um fã, aliás. Porque de Peseiro recordo algo que muito me apraz: impõe a sua filosofia em qualquer campo. Não será preciso recordar o banho de bola do seu Sporting ao Feyenoord, na Banheira, ou sublinhar o incrível jogo do seu Braga em Old Trafford - para não ir mais fundo ao baú. Contudo (lá está), falar de Peseiro é falar de 'pés-frios', de 'quases' e outras coisas cheias de explicações quase (lá está) ocultas e esotéricas. A verdade é que faltou sempre algo a José Peseiro, sendo que a única real hipótese que teve de ser campeão foi no seu (quase) reinado em Alvalade. No FC Porto, Peseiro terá uma oportunidade única de transcender essa realidade/mito (riscar o que não interessa) e confirmar-se como um talentoso treinador, forte em todos os momentos do jogo (com algumas dúvidas em relação aos momentos defensivos), mas com outro senão: a liderança. Será o momento do FC Porto, e a pressão de um contrato de '4 meses e meio', ideal para alguém como o coruchense? Isso... cof, será sempre para os Zandingas responderem. O que será certo é que o FC Porto jogará nos três corredores, defenderá à zona as bolas paradas, e poderá, até, utilizar o losango como sistema preferencial. De um tiro no escuro, o FC Porto sairá com maior qualidade de jogo da era Lopetegui. Se sairá também campeão? Perguntem ao Zandinga.


                                         É quase uma boa foto, não é?


A chegada do ex-Al-Ahly à Invicta pode também servir para trazer aos tempos modernos aquela coisa muito anos 90, e também muito 2005, que no FC Porto, há de facto, melhores condições para os técnicos se afirmarem. Já sabemos que a explosão de Jorge Jesus (via Benfica e agora Sporting) elevou o nível, mas haverá algo de verdadeiro na ideia de quem jurava a pés juntos que era mais fácil ser campeão no Porto do que noutro lado? Antes de JJ já sabemos que Jesualdo fez no Porto aquilo que não fez na Luz. Mas, havendo um antes e depois de Jesus no cenário futebolístico português, aquilo que Peseiro emprestará ao Dragão servirá para reacender-lhe a chama? Mais a mais, com uma desvantagem de cinco pontos e com o Tribunal a ferver com cada passe errado...

O FC Porto sai assim da novela de ano-novo por cima a nível de modelo-de-jogo, mas com dúvidas no que toca à união de um portismo sonâmbulo, infantil e mimado. Exigir-se-á um discurso motivador e marcante sempre sublinhado com um futebol de encher o olho, para quem já tem saudades, como os portistas, de ocupar o meio-campo adversário... na Luz. Até lá, quatro jogos de Liga que não serão para aquecer, visto que o FC Porto não tem qualquer margem de erro. Bem-vindos ao maior desafio da carreira de José Peseiro. Bem-vindos à Grande Lotaria FC Porto 15/16.

7 comentários:

Jorge Borges disse...

Também sou fã do futebol de Peseiro. De certeza que o Porto vai jogar muito melhor futebol, mas para isso não era preciso muito.
Os factores menos positivos, na minha óptica, são a disciplina e o discurso, áreas onde me parece que Peseiro tem ainda que trabalhar. Em tempos, disciplina era o que não faltava no Porto, hoje já não sei. Pelo que temos assistido ultimamente, as conferências de imprensa são cada vez mais relevantes. Há que ter um discurso mordaz, incisivo, provocador e até acintoso.

Mr. Shankly disse...

Gosto do Peseiro: bom futebol, coragem. O que lhe falta para a tal "união de um portismo sonâmbulo, infantil e mimado" tem que lhe ser dado pela SAD. E aqui a SAD parece não ter a dinâmica de outros tempos. Vamos ver.

Pedro disse...

Totalmente de acordo com o Shankly.
Peseiro no fcp de há uns anos tinha tudo para ter sucesso. Neste actual fcp tenho dúvidas.

Mike Portugal disse...

Este nome já me mete mais um bocado de medo. Se fosse o Conceição ou o Marco Silva não estaria tão preocupado, mas Peseiro vai conseguir colocar todo o potencial atacante do FCP a bombar. Veremos se já conseguiu arranjar forma de equilibrar a defesa.

luis disse...

Fazendo de Zandinga, acho que não vai resultar. Porque falta muita coisa no clube, principalmente identidade. E não me parece que Peseiro seja o mais indicado, mas sou só eu a adivinhar.

Peyroteo disse...

Bom treinador, capaz de colocar uma equipa a jogar um futebol de alto nível. Mas o Sporting era extremamente inconstante nessa época. Tanto goleava como no jogo seguinte perdia. Seria interessante ver as estatísticas mas não era uma equipa de conseguir uma sequência vitoriosa. A verdade é que nessa época ninguém o conseguiu.
Boas recordações de Peseiro, independentemente de não ter ganho. Aliás, das coisas que mais me revoltou em termos de Sporting, foi terem assobiado o homem quando foi receber a medalha na final da Taça UEFA.
Teve problemas com alguns dos jogadores com mais peso no plantel, principalmente com Polga e Rui Jorge. Mas teve toda a razão. Tello e Enakarire estavam melhor e mereciam jogar.

António Gomes disse...

Falar de peseiro é tb falar do treinador que nos últimos 20 anos no Sporting teve a pior percentagem de vitorias numa época (contando épocas completas)...

Dizer que ele pos o Sporting a jogar é um facto, MAS foi esporádicamnete, pois a percentagem de perto de 55% de vitórias dá que pensar...

http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=16&epoca_id=134

13 derrotas em 52 jogos(9 no campeonato)