terça-feira, fevereiro 11

Porto Inseguro assistirá a tempestade de transições ou trovoada de chutões?

Antes de se começar qualquer comentário sobre o Benfica-Sporting desta terça-feira convém elucidar os leitores de que é bastante difícil, na corrente época, que num assunto como o 'derby eterno' não se misture, com Benfica e Sporting, um terceiro interessado. Aliás isso, apesar de contornos absolutamente diferentes, também noutras épocas o foi. O FC Porto sempre foi incluído como um seguidor atento dos clássicos da capital, mas neste assume, convenhamos, uma posição bastante desconfortável. E as explicações para esse desconforto serão dadas mais à frente neste texto. Isto porque terá que se dar 'o seu a seu(s) dono(s),' sendo que esta terça-feira o protagonismo é, e terá que ser, dos dois maiores clubes de Lisboa.

Esse seria um protagonismo que em condições normais, dois dias depois da primeira data marcada para o 'derby', já se estaria a esfumar. Hoje, dia 11 de fevereiro, ainda se discutiriam lances de arbitragem, se fosse caso disso, e alguns apontamentos tácticos que pudessem ter estado à vista durante os 90 minutos. Contudo quis a 'contingência' (ou a cobertura) que assim não fosse, passando a ser ela a protagonista dos dois dias a seguir a um clássico que (ainda) não existiu. Mas mesmo não tendo existido, a aproximação do adiamento à hora marcada para o jogo de domingo permitiu revelar dois 'onzes' iniciais em sistemas idênticos. Ou seja, mesmo que se tenha, por minutos, evitado uma tragédia humana nas bancadas da Luz, só hoje, por volta das 22 horas, se saberá se foi também evitada uma 'tragédia' futebolística.

Claro que a mente de quem escreve estas linhas terá que ter o cuidado para não se deixar toldar pelos dois extremos que criaram a análise ao possível jogo entre Benfica e Sporting. Duas polaridades criadas pelo exagero. Primeiro pela negatividade de uma cobertura que cedeu ao temporal e, segundo, pelo exacerbado optimismo em relação às nuances tácticas que Jardim incluiu num 'onze' que teria sempre de ser de recurso. Obviamente que a primeira fica para outras linhas e outras publicações, pois por aqui só com dados muito relevantes se poderia fazer uma análise que não se enviesasse. Congratule-se somente o facto de ninguém ter saído ferido da Luz, porque o futebol nessas situações é o que menos interessa.

Já, em relação ao segundo ponto, há muito a ser dito. Dois sistemas 'iguais' desenhariam o 'derby'. Dois '4-4-2 clássicos' que teriam como ponto forte a presença nas áreas e o impedimento à saída de bola do adversário. Ora, neste cenário, será difícil imaginar-se um bom futebol na Luz. Se os sportinguistas estarão contentes com o arrojo do seu técnico é porque esquecem que o Benfica - que tem maior qualidade individual - joga no mesmo sistema. E se Montero e Slimani, mais Heldon e André Martins, conseguirem tapar as saídas de bola de Luisão Garay e Fejsa, também do outro lado Rodrigo e Lima, com Markovic, Gaitán e Enzo, farão o mesmo a Maurício, Rojo e Dier. Assim, como todos sabemos, num clássico onde a vitória pode dar o primeiro lugar, o medo pode forçar ao... 'chutão'.

A questão é: terão as duas equipas controle emocional e coragem nas decisões para fazer chegar a bola ao sítio (grande-área adversária) onde o seu 4-4-2 é mais perigoso? Sem querermos ser demasiado negativistas, há sempre a hipótese de no Benfica-Sporting de logo à noite 'choverem' transições rápidas, com a bola a passar pouco tempo no pé de cada jogador, numa procura intensa e vertical pelas áreas. Nelas vão estar Rodrigo e Lima e Montero e Slimani, daí que os 'miolos' (Fejsa e Enzo; Dier e Adrien, com os 'alas' sempre à espreita) se possam deixar encantar por isso quando tiverem a bola. Sem ela, já se sabe... o combate vai ser intenso!

E é aqui, no meio de toda esta verticalidade, que entra o FC Porto de Paulo Fonseca. Noutras épocas os dragões olhariam para o 'derby' de forma diferente. Uma diferença, digamos, horizontal. Foi mesmo esse 'horizonte' que marcou a diferença dos últimos três anos em relação ao adversário mais próximo: o Benfica. Os encarnados mantiveram-se sempre fieis a um estilo vertical, de pouco controle emocional, numa procura pouco racional pela baliza. E os dragões, nesse contexto, controlariam sempre os seus adversários por uma troca de bola que já não existe nos jogos da equipa de Paulo Fonseca. O FC Porto trocou assim a segurança da horizontalidade por uma verticalidade que é pior que a dos seus adversários. E isso acontece, como é óbvio, por querer fazer o mesmo que eles sem jogadores para tal.

De facto, só num campeonato que, pela fraca qualidade dos seus adversários, oferece vitórias, um FC Porto que não consegue fazer 5 passes seguidos no meio-campo do seu adversário consegue números a rondar os 65% de posse-de-bola (assim como um segundo-lugar à condição). E essa [posse] é também oferecida pelo posicionamento dos Paços de Ferreira e dos Olhanenses que visitam o Dragão. Uma equipa que joga tão mal não devia ganhar tanto, mas os seus adversários (os mesmos de Benfica e Sporting) assim lhe permitem ao não lhe explorarem convenientemente debilidades que estão à vista de todos. Mas, perceba-se de vez, que o FC Porto joga mal porque... treina mal. E treina mal porque treina uma ideia que não serve para marcar a diferença em relação aos dois rivais pelo título. Daí que não sirva de nada ao FC Porto demarcar o seu Estádio do Dragão, e a sua cobertura, como um 'Porto Seguro' quando o seu futebol é o mais instável dos últimos (pelo menos) 10 anos.

3 comentários:

Adolfo Sapinho disse...

O dérbi... Justíssimo!

Quando é assim não há nada a dizer.

Banho tático do JJ ao LJ.

O Enzo Pérez jogou o que quis. Vinha buscar a bola atrás sem pressão, recebia a bola vinda dos defesas no meio campo do Sporting sem pressão, enfim. . . Foi uma sorte não termos levado mais uns poucos.

Esta tática é para jogar em casa com a Académica, não fora com o slb. . .

Parabéns aos lampiões!

SL

Tasqueiro Ultra-Copos disse...


http://www.supersporting.net/wp-content/uploads/2014/01/brunodecarvalho2218145543.jpg

o sporting é isto, só paleio e depois na hora da verdade contra equipas mais fortes falha sempre. continua a tentar bruno...

Adolfo Sapinho disse...

Obrigado tasqueiro por nos lembrares que já não temos um presidente que lambe o cú à vossa eminência.

realmente, a única coisa porreira depois de uma vitória do slb sobre o Sporting, é perceber que alguns azuis até ficaram contentes por causa do bruninho...

quem diria...