sexta-feira, abril 17

Ca granda detalhe

A frase: "estes jogos são decididos por detalhes", não é minha e está até já demasiado gasta para ser de alguém. Usei-a muitas vezes por estes dias, querendo-me referir aos detalhes que podiam decidir o jogo de Quarta-Feira. Entre eles estavam os remates "de qualquer lado" que a eles entram mas que a nós não.

A primeira vez que a ouvi com mais atenção, foi pela boca de Mourinho, em 2004, na conferência de imprensa que fazia a antevisão do confronto com o Lyon a contar para.. os quartos-de-final da Champions. Os detalhes decidiram mesmo e daquela vez a nosso favor.

Mas desta vez não. Alguém se lembrou de a trinta metros da baliza de Helton fazer um golo. E conseguiu-o. Foi Cristiano Ronaldo quem o fez, um predestinado que com o seu talento ganha jogos para quem o tem do seu lado. Para quem não o tem, e fica em desvantagem depois de tamanha barbaridade, há que correr, lutar, olhar para a frente, para o lado e para trás, não venha de lá outro "detalhe". Ó esforço inglório que ainda assim tem que ser admirado. Não tendo os detalhes do nosso lado, joga-se com o que temos. Que irá sair dos pés de Hulk? zero! mas quem saberia? Muito jovem, agora, claro. Mas se houvesse de sair um detalhe seria dele, assim lá ficou, não conseguiu. O salto da 2ª divisão do Japão para um Dragão de Champions pesou. Há que dar tempo, pois quem conseguiu na Quarta-Feira o tal detalhe, também há cinco anos ficou a ver os Quartos-de-final referidos acima, pela TV.

O outro, o outro que também nos poderia comandar até à glória saíu lesionado quando os tinhamos encostados ás cordas. Em Old Trafford, com a bola tensa, provocou o detalhe que Cebola aproveitou. Por cá, cheio de azar, saíu quando era tempo de cérebro. Ele anda lá sempre, nem que à vista desarmada não se tope, mas desta feita não foram precisos óculos para se ver a falta que fez.

Revés, atrás de réves. Estava na cara o que ia acontecer. Superámos os de Manchester, aliás, se houve jogo que poderiamos selar a eliminatória era aquele, mas estes foram fortes demais. Oferecemos golos demais, um bastou para ser demais. Esse e os outros dois que conseguiram com mérito chegaram para nos afastar. Pois é: "estes jogos decidem-se nos detalhes".

Orfãos de comandante(s), lá esperneámos e para a história fica sempre a tirada bem portuguesa que retrata a tão querida vitória moral: É injusto, fomos melhores, e blá blá. Que fique a rectificação, só somos melhores quando ganhamos. Que se deixe a justiça para os tribunais e que se melhore o estofo, para o ano nos lembrarmos, até, de fazer coberturas defensivas a quem quer rematar de distâncias gigantescas.

Como já aqui foi dito, entusiásticamente, nas caixas de comentários: Parabéns Manchester! foram mais fortes desta vez, cá fica a espinha. Até uma próxima oportunidade. Mas também: Parabéns meu Porto que me conseguiste de novo provocar aquela sensação. Que orgulho!

P.S. Não estou a querer dizer, de maneira nenhuma, que com Lucho e Jesualdo no banco venceriamos de certeza. Mas concordarão que seria diferente, ainda que, claro, pudesse ter o mesmo desfecho.

1 comentário:

preto disse...

Engraçado que se tivesse sido um outro jogador qualquer a marcar aquele golo, toda a gente diria que foi sorte ou que o Helton foi mal batido... mas como foi a Ronalda já é um predestinado!