A vitória, incontestável, na Choupana tem como ponto de interesse máximo, a dúvida. Depois de defender que a ideia de Villas Boas tinha como base mudar o futebol portista, percebo agora que o lado mental do jogo é o que merece maior destaque para o novo treinador dos dragões. O Benfica fez do Sporting a sua rampa de lançamento enquanto vem orquestrando a luta em que no ano passado também foi mais forte: a do lado de fora de jogo. Já o Braga foi a Londres provar que alterar Jesualdo por Domingos não teria efeito prático.Primeiro foi a velocidade. Lembro-me do primeiro post que escrevi com Villas Boas no comando do FC Porto. Velocidade era o que O JOGO enunciava ser a prioridade do técnico portista, mas com a TV rapidamente (a maioria dos jogos de pré-época do Porto não tiveram direito a transmissão) se percebeu que não seria essa a prioridade.
Com os primeiros jogos oficiais ficou clara a ideia que o Porto iria (tentar) controlar o jogo com a bola e, claro está, a velocidade nunca poderá ser total num modelo de jogo que evoque isso. Acelerar e desacelerar é o que se pede, mas sendo isso conversa para outras discussões faço a pergunta que me traz aqui: alguém já percebeu a total ideia de André Villas Boas?
Os mais sucintos dirão e bem: "é a vitória, Marco, é a vitória". Pois bem, isso já se percebeu, mas como a assegurar? A determinados momentos do jogo, o Porto pressiona alto, joga com a tal velocidade que O JOGO augurava e tenta fazer golo para depois adormecer o adversário ao baixar, drasticamente, os ritmos de jogo. Não soa a
deja vu? Foi isso que aconteceu na Choupana. Depois de entrar
a matar com duas oportunidades claras de golo, o Porto marcou para depois adormecer e a explicação de Villas Boas é esta:
«Acho ainda, e aqui fica uma opinião muito franca, que se fizéssemos o 2-0 na primeira parte o Nacional podia fazer alterações ao intervalo e vir com alterações bem delineadas, o que podia ter criado mais dificuldades à nossa equipa. Se calhar, podia mesmo chegar ao 2-1 e meter sobre o jogo uma carga emocional fortíssima. Claro que isto não quer dizer que eu não queria chegar ao 2-0 antes do intervalo, mas podia de facto mudar o rumo das coisas.» Curioso, não? Confuso? também acho.
É o lado mental do jogo que mais move André. Um treinador a quem só ganhar interessa. Com bola, sem ela, com velocidade e sem velocidade o Porto de Villas Boas vai ter de estar, sempre, mentalmente preparado para ganhar. Essa é a ideia e o arsenal de armas para o fazer, já se percebeu, é grande.
Claro que haverá sempre quem encontre desculpa para tudo. Escandalosamente prejudicado em Guimarães o Benfica queixa-se de não ganhar (sublinhe-se que a vitória, para o SL Benfica, era mais que certa) a partida e ficar prejudicado em três pontos. A juntar a esses, queixam-se também de erros noutras partidas onde se somam três ou mais pontos. Se há de facto ideia em comum entre FC Porto e Benfica é que os dois gostam imenso de ganhar e qualquer erro de arbitragem lhes espolia os três pontos, ou seja, ganhariam sempre se o árbitro não os prejudicasse. Os adversários e erros próprios nem existem e para mim, nada fã destas conversas, dizer que o Benfica já tem desculpa se não for campeão é tão estúpido (desculpem a sinceridade) como dizer que o Porto, com Hulk, o seria na época transacta. Os donos da bola estão aí de novo e preferem levar a bola para casa a perder.
O Sporting provou de novo a sua extrema inabilidade para comprar, ou contratar, o que quer que seja. Apelidando-a de maldição - por não se perceber realmente bem o porquê - os adeptos vão desesperando com o mesmo filme todos os anos. Muda-se o treinador, mudam-se os jogadores, muda-se a direcção e o mal persiste. A minha explicação é, de facto, que o Sporting não sabe (nem deve) comprar. Entenda-se o que se queira entender com isto e perceba-se que ter que comprar porque não se tem é uma coisa, mas comprar tendo melhor em casa é simplesmente descabido. Tudo corre mal a Paulo Sérgio e porque será? Faz-me lembrar o post do J. que comparava o que Villas Boas faz com o que Paulo Sérgio (des)faz. Ambos mudam de sistema e ambos tentam jogar de várias formas, um ganha... o outro não. Não me parece que as equipas de Villas Boas estejam dependentes de o central ganhar a primeira bola ou não. Não me parece também que na Academia se cultive essa ideia, mas parece-me que ao Sporting CP isso pouco ou nada interessa.
Regressou a Champions e com ela a racional Fantasy League. Este ano, com o Porto fora das contas, posso, pela primeira vez, usar o meu cérebro e esquecer a paixão, que me custa todos os anos muitos pontos. E serve isto para dizer o quê? Que a minha aposta racional para a 1ª jornada foram dois indivíduos que equipam de vermelho e branco e que se chamam Fábregas e Arshavin. E, mais uma vez, serve isto para dizer o quê? Que a hecatombe de Londres era, facilmente, previsível. Não há, ainda, equipa portuguesa que aguente aquele estádio e porque não há, ainda, treinador português que vá lá sem medo (leia-se, sem alterar nada). Domingos já a andava a preparar. Um mais alto e tosco para a direita, o melhor para a esquerda para não render tanto, uns metros mais recuados e voilá... um cozido à portuguesa de grande qualidade. Domingos e Jesualdo são praticamente fotocópias e o Emirates só serviu para o provar.
Paulo Bento é a escolha e sinceramente não sei que diga porque não sei que Paulo Bento vamos ter. Bem, isto não será necessariamente verdade, mas não queria já
agoirar. No entanto será pertinente perguntar se vamos ter aquele Paulo Bento que equilibrou o Sporting aquando da saída de Peseiro? ou se vamos ter aquele Paulo Bento que disparava em todas as direcções - inclusive nos próprios jogadores - que mais parecia ter saído do Ultramar? ou aquele Paulo Bento viciado num losango sem vida e tacticamente inapto? As condicionantes são outras e, até por uma questão afectiva, eu preferia não apostar. Se é a escolha certa o tempo (que não é muito) logo o dirá.
Mas uma coisa já sabemos, se o, extremamente viciado em competição, Mourinho tiver aí uma semanita livre...