Mais uma humilhação em Londres, mais uma confirmação de um fim de ciclo, mais uma invenção de Jesualdo que tem (mais uma) marca na derrota, mais uma lição do que as equipas portuguesas não devem fazer se quiserem vingar na Europa. Tudo com selo Jesualdo, treinador que, em quatro anos, montou um Porto que, na maior parte das vezes, nunca conseguiu manter o seu estilo em jogos a doer. Isto também, porque as suas carências não estavam visíveis em jogos fáceis e são (como neste último ficou comprovado) mais que muitas.
É um facto que este Porto gosta de cordas. Gosta de se encostar às cordas: recua, recua, recua por não saber pressionar e ontem, com a inclusão de um central na zona do meio-campo, o resultado foi um centro-campista na zona dos centrais. Ora, o Arsenal com um só avançado e com um meio-campo com cinco jogadores imagine-se o que fez a Meireles e Micael. Este Porto gosta também de andar na corda-bamba: não sei se gostar será a palavra indicada, mas bem que parece visto que vem de uma equipa que se deixa sofrer constantemente como bem comprovam estes últimos exemplos (Olhanense e Arsenal, até ao 2-0 é para ver jogar). E agora com este fétiche com cordas, a próxima servirá certamente para se enforcar. Fim de ciclo no Dragão.
Quatro anos de Jesualdo. Quatro anos sem cumprir com rigor muitos dos momentos de jogo que fazem as verdadeiras grandes equipas. Veja-se ontem. Organização defensiva: zero! Os jogadores pareciam baratas tontas, sem zonas definidas, não iam ao duelo individual e não se impuseram na maior parte do tempo. O mesmo na transição defensiva: Incrível passividade nos primeiros minutos, o que forçou o Coelho que Jesualdo tirou da cartola a encostar-se a B. Alves e Rolando. De facto os primeiros minutos foram de equipa de Infantis. Sem ambição, sem garra, sem confiança, sem coragem, o que me leva à transição atacante: incapazes de conseguir dois passes seguidos diz-vos alguma coisa? Já em organização ofensiva, os mesmos problemas: falta de tranquilidade na decisão e a agravar ainda mais, um jogador que não decide, por uma vez que seja, bem! Hulk é patético - até quando deve ir no um para um (a sua melhor qualidade) abranda, desvia para o lado e chuta. Todas as outras vezes, vai no um-para-um ou chuta. Enfim...
Todos estes problemas, obviamente, foram constatados na parte que interessa do jogo. Que interessa se a segunda parte foi melhor que a primeira e que vários destes momentos foram melhorando progressivamente? Que interessa isso quando já se estava na corda bamba e era só um Nasri fazer, por magia, aparecer bidões em campo?. Não se joga assim! e bem pode Jesualdo abanar a cabeça, como se não fosse culpa sua, que nem isso o penitenciará. Como se as suas frases anteriores não o desmentissem: "A posição 6 é a mais importante na equipa", pois está claro, então que fazemos? A resposta foi dada em Londres: como não fazer quando Fernando faltar (ou mesmo quando ele estiver), na primeira parte; e como fazer quando Fernando não estiver, na segunda. Incrível a falta de leitura do professor.
Como é que uma equipa que não gosta de ter a bola - a posse para as equipas de Jesualdo é altamente desvalorizada - não pressiona, ao menos, no momento em que não a tem? É, de facto, constrangedor ver que o FCP, em largos períodos no jogo, só jogou com bola, à imagem daqueles miúdos que só correm quando a têm e depois ficam "à mama" à espera que ela lhes chegue.
Mas depois dirão: "Se aquelas, do Falcao e do Rodriguez entravam...", pois mas essas só servem para comprovar o que se poderia ter feito se a atitude fosse outra logo de início. Não foi assim que se conquistaram coisas, não foi assim que o talento português se sobrepôs ao dinheiro estrangeiro, não foi assim que já fomos grandes, e o objectivo tem que (sempre) ser esse. Não sendo assim, obrigado por tudo professor mas teremos que seguir rumos diferentes. Até à despedida que nos honre e mostre o lado melhor da sua equipa no que resta da temporada.
P.S. À parte de tudo, Falcao é um jogador fantástico. Como é possível perder 5-0 e fazer um jogão de todo o tamanho? Tivessem todos o mesmo estofo mental, a mesma vontade, e hoje poderíamos estar a falar do Arsenal de iniciados que vai ser posto à prova por outra equipa qualquer.