quarta-feira, setembro 19

De um Comandante para outro

Entraram de pé direito! No primeiro teste sem o 'Incrível' Hulk, os dragões foram abençoados com um adversário sem argumentos de topo e controlaram um jogo que só tinha um perigo: a bola parada. De resto, a inaptidão croata a explorar o contra-ataque e a sua fraca organização a defender abriram caminho para os primeiros três pontos nesta nova edição da Liga dos Campeões. O colectivo, bem avisado por Vítor Pereira, nunca virou as costas ao jogo para no fim poder dedicar a vitória a dois símbolos do clube. Um deles jogou depois de saber do falecimento do pai, e como em muitas outras deslocações, onde os líderes realmente se assumem, foi igual a si próprio: decisivo!

Vai ser presa fácil este Dínamo Zagreb. Está visto que os croatas não são equipa de Champions pois não têm nem organização nem talento para isso. Já a eventual garra, ou atitude, que poderia sobrar foi totalmente ofuscada por um organização defensiva ao nível da III Divisão portuguesa e por uma falta de talento não muito habitual em equipas que podem militar com jogadores croatas.

Uma palavra a dizer neste descalabro tem, certamente, o FC Porto. Era imperativo mostrar atitude e controlo e o colectivo foi avisado disso mesmo. Havia uma vitória com alto grau de importância, por inúmeros factores, a ser conquistada e a mensagem passou claramente para dentro de campo. Se mais não houvesse seria sempre um jogo de Champions com um milhão de euros a ser recebido por vitória, mas... havia mais. Hulk, o jogador porta-estandarte, abandonou um clube que não tem por hábito mostrar sinais de fraqueza após as maiores vendas, depois, o 'presidente símbolo' do clube havia estado hospitalizado e não pôde deslocar-se com a comitiva a Zagreb, e (se ainda não chegasse) a poucas horas do início do encontro, Lucho, o actual capitão, soube do falecimento do pai.

Muitos factores fizeram o Porto entrar, no Maksimir, personalizado, confiante e mandão. Na antevisão, até pelas palavras do treinador croata, já se esperava um Porto dominador, mas toda a estratégia que pudesse haver para conter o maior talento azul e branco caiu por terra na fraca organização defensiva croata. Má ocupação dos espaços numa marcação que foi o brinde ideal para a equipa de Vítor Pereira se sentir à vontade. Não houve pressão nem atitude e só de bola parada os croatas poderiam assustar Helton. Já na segunda metade e depois da oportuna - como sempre -  chegada à área de Lucho (0-1), o Dinamo pôde marcar numa jogada que de tão atabalhoada só não confundiu, à segunda, Helton. Depois, fez-se justiça num marcador que, ainda assim, deixa por mostrar a má exibição de todos os que fizeram parte do trio atacante portista.

Que Jackson é inofensivo na área tem de ser dito em primeiro lugar. Em segundo, é claro que se pode dizer também que o colombiano tem bons pés, que vem buscar jogo atrás e que assiste bem, mas todas essas qualidades são esquecidas quando o vemos ser tão pouco assertivo na área. Sofreu um penálti (não assinalado) num lance em que foi pastelão e molengão (lá está, pouco assertivo) e aprendeu como se faz quando viu Lucho ser mais lesto a atacar a bola que deu o primeiro golo. E, depois de falhar escandalosamente a emenda a um excelente cruzamente de Alex Sandro, ainda há a cara de 'nada me corre bem' que não será solução para nada. É que se não sorrirmos para o espelho ele de certeza que não nos 'mostra os dentes'.

Outro problema na frente chama-se James. É um jogador de topo, é o jogador mais parecido com Deco desde que o mesmo saiu da Invicta e será concerteza uma das referências no futuro do futebol europeu. Só tem um problema: não é extremo. Arrastar, o já referido, Deco para a linha não seria considerado crime? Arrastar Zidane e Rui Costa para a linha não seria crime também? Pois bem, James na ala deveria ser contra-ordenação muito-grave. Vítor Pereira parece perceber isso mas a saída de Hulk trocou-lhe as voltas. Sem o 'Incrível' teria, e terá, que ser James a assumir a batuta. Não esperem é que o faça da mesma maneira. James é '10' e como tal terão que ser encontrados novos automatismos. Mais um teste à capacidade de um treinador que, valha ao menos isso a todos os portistas, tem uma capacidade de sofrimento notável.

Depois ainda há um Atsu muito verde, um Kléber que sofre do mesmo mal do que Jackson (não é Falcao), um Varela a gasóleo e um Iturbe que não conta. E para o mercado abrir faltam mais de 3 meses...


6 comentários:

luis disse...

Muito bom.

Em relação ao jogo, só vi a partir dos 55 minutos. O Dínamo está ao nível daquela equipa do grupo do SLB no ano passado. Péssimos, amadores mesmo.

Enorme Lucho.

Peyroteo disse...

Excelente post!

Não vi o jogo, só um pequeno resumo. Parece que o Porto fez por merecer a vitória contra um adversário provavelmente ainda mais fraco do que vaticinava aqui ontem. Mas isso não pode tirar o mérito de uma vitória fora.
Não sei se Vitor Pereira alguma vez perceberá o verdadeiro valor do James.

J. disse...

É sempre uma sorte apanhar uma equipa destas, mesmo a jogar fora, como jogo de entrada na Champions.
Mas no ano passado, contra o Apoel que tb era um clube fraco, foi o que foi....
Uma vitória fora na Champions independentemente do adversário é sempre um excelente resultado.

E acho que hoje tanto Benfica como Braga vão ganhar também!!!

Tasqueiro Emigrante disse...

Quando é que o VP vai perceber que o James tem que jogar atrás do avançado? Dass!

Para mim o Atsu é melhor que o Hulk, tem velocidade técnica e sabe jogar em equipa.

Quanto ao Lucho é preciso ter coragem para jogar horas depois de saber da morte do Pai...eu não conseguia...grande carácter!

Pedro disse...

"O Atsu é melhor que o Hulk"

Impressionante a qualidade da pinga neste país.

João Simões disse...

Cada vez mais acredito que este tasqueiro é o Pinto da Costa...undercover