quarta-feira, fevereiro 12

À Luz de Enzo 'Ferrari' se derreteu a invenção de Leonardo


Foram 48 horas de espera e, pelo menos, uma das equipas não desapontou. Falamos do Benfica que fez de outro 'dérby eterno', desta vez para a Liga, outro degrau para aquele que é o seu maior objectivo: devolver o título de campeão aos benfiquistas. E a julgar por este Benfica-Sporting, na Luz, a equipa de Jorge Jesus não encontrou nem no FC Porto, nem no Sporting, adversário à altura para o impedir de tal feito. Tal como contra os dragões, nesta noite de terça-feira o Benfica foi mais corajoso, mais pressionante - com e sem bola - mais adulto, tendo também criado mais oportunidades. Aliás, a certa altura era tanto o desperdício encarnado que se o Sporting quisesse realmente entrar no jogo até o poderia ter conseguido. O que é certo é que a estratégia de Leonardo Jardim nunca resultou em ataques perigosos (os leões não construíram uma única oportunidade clara de golo), falhando também (redondamente) na tentativa de segurar a saída de bola do Benfica. 


E até se aguardava com enorme curiosidade o desempenho leonino em campo, neste clássico, muito por culpa da antevisão feita pelo seu timoneiro. Leonardo Jardim 'abriu o jogo' e revelou a insatisfação por a sua equipa mostrar demasiado receio na entrada dos clássicos. Depois veio um adiamento que permitiu, ainda assim, revelar os mesmos 'onzes' desta terça-feira, fazendo chover pela comunicação social especializada e pela blogosfera o claro facto de que Leonardo quereria tapar a saída de bola benfiquista e assumir o protagonismo atacante do jogo. Mas tudo isso redundou num estranhíssimo desaparecimento do Sporting durante os 90 minutos. Demasiado amorfos, os leões deixaram embalar o Benfica e, por isso, passaram a maior parte do tempo no 'momento do jogo' onde a sua competência é menor. A organização defensiva leonina teve de levar com Gaitán, Markovic e Rodrigo, que iam jogando ao sabor de uma Luz frenética, e isso não é fácil para linha defensiva alguma.



Mais ainda quando os jogadores do Benfica se aperceberam que toda a pressão leonina não era mais que uma ilusão. Fejsa ainda começou a receber na direita, precavendo uma marcação que não chegou a existir, mas cedo reparou caminhar até ao meio-campo ofensivo para procurar Enzo, Rodrigo, Gaitán e Markovic sem ser incomodado. E aí começou a máquina encarnada a embalar. Com bola (e sem ela) os encarnados estavam 'on-fire' e, na primeira-parte, Rodrigo esteve perto de marcar por duas vezes (aos 5' atirou à malha lateral, e aos 26' viu um ressalto nos seus pés sobrevoar a baliza de Patrício), Markovic (teve excelente oportunidade aos 22' - quando esteve na 'cara' do guardião leonino) e Luisão (depois de um pontapé-de-canto ganhou o primeiro-poste e rematou por cima, aos 24') seguiram-lhe as 'pisadas' mas não conseguiram castigar a passividade leonina. Já Gaitán, esse, parece talhado para aparecer nos 'jogos grandes'. O feiticeiro argentino faz tudo para aparecer, nem que seja marcar de cabeça - como aos 27', quando abriu o activo com uma excelente movimentação e cabeçada.

Um filme de primeiro tempo em que só 'deu' Benfica, faria sempre qualquer seguidor do 'derby' interrogar-se sobre as opções de Leonardo Jardim. O madeirense quis jogar da mesma maneira que os encarnados e foi traído pela maior apetência do adversário para jogar um estilo criado há... 5 anos. Abdicou do trio do meio-campo (desviando André Martins para a direita) e com isso abdicou também de um possível controle, com bola, do jogo. Uma aposta que manteve na segunda-parte e que apesar de alguma subida territorial não teve mais do que algumas investidas do estreante Héldon. O cabo-verdiano conseguiu até a única jogada leonina digna de entrar em algum registo que se fizesse do jogo. Aos... 63', o ex-Marítimo conseguiu escapar a Maxi Pereira rematando depois por cima. Oblak não precisava então de aparecer (a não ser para socar alguns livres cruzados que o Sporting ia ganhando) e o que o Sporting fazia era manifestamente pouco para contornar um Benfica que, mesmo jogando uns metros mais recuado, ia conseguindo re-criar o perigo da primeira metade.

Rodrigo, sempre ele, andou a centímetros do golo logo no regresso dos balneários (depois de belo passe de Fejsa) e viu Patrício negar-lhe o golo por duas vezes. Aos 69' e aos 76' - esta bem flagrante - na jogada que antecedeu um momento iluminado. E se havia, dentro de campo, jogador que merecia esse lampejo divino ele era certamente Enzo Pérez. O argentino é um incansável trabalhador e um sublime artista sendo por isso uma pena que o '4-4-2' de Jesus o prenda tanto, porque quando Pérez tem oportunidade de aparecer à entrada da área pode fazer 'coisas' como 'aquilo' que aconteceu a Eric Dier momentos antes do médio encarnado rematar para o fundo das redes. Um golo que confirmava no marcador uma exibição adulta, dinâmica e corajosa de um Benfica que beneficia imenso que a 'horizontalidade' dos seus dois maiores adversários tenha rumado (toda) com Vítor Pereira para as 'Arábias'. Leonardo Jardim e Paulo Fonseca parecem ser dois discípulos que, jogando o mesmo jogo de Jesus, nunca conseguirão superar o mestre.

Benfica-Sporting, 2-0 (Gaitán 27' e Enzo Pérez 76')

Foto: Lusa

terça-feira, fevereiro 11

Só deu Benfica.

Na Luz o jogo foi de sentido único. O Sporting, talvez fruto das mudanças tácticas, nunca se encontrou e foi sempre uma equipa subjugada à vontade do Benfica. Dizer que "não esteve em campo" é não reconhecer o bom jogo do Benfica e é, acima de tudo, destilar veneno sobre o Sporting.

Os homens de Alvalade continuam aí, mesmo depois desta derrota. Os da Luz, têm a porta aberta para o título, que tem de continuar ainda mais aberta já em Paços de Ferreira, no Domingo.

Gostei da equipa do Benfica. Até porque individualmente as coisas nem saíram assim tão bem, o que acaba por ser bom sinal.

Enzo foi um verdadeiro maestro e terminar aquele lance, daquela forma, dizimando Dier e Patrício, foi qualquer coisa de extraordinário. Exibição fantástica. Luisão, cortou tudo, foi o líder, imperial, soberbo. De resto, a equipa esteve sempre concentrada, intensa quando era preciso e, acima de tudo, respeitou o adversário, procurando sempre ganhar os lances e nunca desistir deles.

Rodrigo podia ter feito uma exibição mosntruosa, assim foi só má. Falhou todas as decisões, todas as oportunidades de golo. Uma pena.

A arbitragem foi simplesmente imaculada, o que só pode ser uma boa notícia. Marco Ferreira aumentou ainda mais a sua percentagem em relação a vitórias do Benfica e nós, benfiquistas, rejubilamos.

O Sporting fica agora a cinco pontos mas, na minha opinião, continua com hipóteses para lutar pelo título. Vamos ver como reage já na próxima jornada.

Porto Inseguro assistirá a tempestade de transições ou trovoada de chutões?

Antes de se começar qualquer comentário sobre o Benfica-Sporting desta terça-feira convém elucidar os leitores de que é bastante difícil, na corrente época, que num assunto como o 'derby eterno' não se misture, com Benfica e Sporting, um terceiro interessado. Aliás isso, apesar de contornos absolutamente diferentes, também noutras épocas o foi. O FC Porto sempre foi incluído como um seguidor atento dos clássicos da capital, mas neste assume, convenhamos, uma posição bastante desconfortável. E as explicações para esse desconforto serão dadas mais à frente neste texto. Isto porque terá que se dar 'o seu a seu(s) dono(s),' sendo que esta terça-feira o protagonismo é, e terá que ser, dos dois maiores clubes de Lisboa.

Esse seria um protagonismo que em condições normais, dois dias depois da primeira data marcada para o 'derby', já se estaria a esfumar. Hoje, dia 11 de fevereiro, ainda se discutiriam lances de arbitragem, se fosse caso disso, e alguns apontamentos tácticos que pudessem ter estado à vista durante os 90 minutos. Contudo quis a 'contingência' (ou a cobertura) que assim não fosse, passando a ser ela a protagonista dos dois dias a seguir a um clássico que (ainda) não existiu. Mas mesmo não tendo existido, a aproximação do adiamento à hora marcada para o jogo de domingo permitiu revelar dois 'onzes' iniciais em sistemas idênticos. Ou seja, mesmo que se tenha, por minutos, evitado uma tragédia humana nas bancadas da Luz, só hoje, por volta das 22 horas, se saberá se foi também evitada uma 'tragédia' futebolística.

Claro que a mente de quem escreve estas linhas terá que ter o cuidado para não se deixar toldar pelos dois extremos que criaram a análise ao possível jogo entre Benfica e Sporting. Duas polaridades criadas pelo exagero. Primeiro pela negatividade de uma cobertura que cedeu ao temporal e, segundo, pelo exacerbado optimismo em relação às nuances tácticas que Jardim incluiu num 'onze' que teria sempre de ser de recurso. Obviamente que a primeira fica para outras linhas e outras publicações, pois por aqui só com dados muito relevantes se poderia fazer uma análise que não se enviesasse. Congratule-se somente o facto de ninguém ter saído ferido da Luz, porque o futebol nessas situações é o que menos interessa.

Já, em relação ao segundo ponto, há muito a ser dito. Dois sistemas 'iguais' desenhariam o 'derby'. Dois '4-4-2 clássicos' que teriam como ponto forte a presença nas áreas e o impedimento à saída de bola do adversário. Ora, neste cenário, será difícil imaginar-se um bom futebol na Luz. Se os sportinguistas estarão contentes com o arrojo do seu técnico é porque esquecem que o Benfica - que tem maior qualidade individual - joga no mesmo sistema. E se Montero e Slimani, mais Heldon e André Martins, conseguirem tapar as saídas de bola de Luisão Garay e Fejsa, também do outro lado Rodrigo e Lima, com Markovic, Gaitán e Enzo, farão o mesmo a Maurício, Rojo e Dier. Assim, como todos sabemos, num clássico onde a vitória pode dar o primeiro lugar, o medo pode forçar ao... 'chutão'.

A questão é: terão as duas equipas controle emocional e coragem nas decisões para fazer chegar a bola ao sítio (grande-área adversária) onde o seu 4-4-2 é mais perigoso? Sem querermos ser demasiado negativistas, há sempre a hipótese de no Benfica-Sporting de logo à noite 'choverem' transições rápidas, com a bola a passar pouco tempo no pé de cada jogador, numa procura intensa e vertical pelas áreas. Nelas vão estar Rodrigo e Lima e Montero e Slimani, daí que os 'miolos' (Fejsa e Enzo; Dier e Adrien, com os 'alas' sempre à espreita) se possam deixar encantar por isso quando tiverem a bola. Sem ela, já se sabe... o combate vai ser intenso!

E é aqui, no meio de toda esta verticalidade, que entra o FC Porto de Paulo Fonseca. Noutras épocas os dragões olhariam para o 'derby' de forma diferente. Uma diferença, digamos, horizontal. Foi mesmo esse 'horizonte' que marcou a diferença dos últimos três anos em relação ao adversário mais próximo: o Benfica. Os encarnados mantiveram-se sempre fieis a um estilo vertical, de pouco controle emocional, numa procura pouco racional pela baliza. E os dragões, nesse contexto, controlariam sempre os seus adversários por uma troca de bola que já não existe nos jogos da equipa de Paulo Fonseca. O FC Porto trocou assim a segurança da horizontalidade por uma verticalidade que é pior que a dos seus adversários. E isso acontece, como é óbvio, por querer fazer o mesmo que eles sem jogadores para tal.

De facto, só num campeonato que, pela fraca qualidade dos seus adversários, oferece vitórias, um FC Porto que não consegue fazer 5 passes seguidos no meio-campo do seu adversário consegue números a rondar os 65% de posse-de-bola (assim como um segundo-lugar à condição). E essa [posse] é também oferecida pelo posicionamento dos Paços de Ferreira e dos Olhanenses que visitam o Dragão. Uma equipa que joga tão mal não devia ganhar tanto, mas os seus adversários (os mesmos de Benfica e Sporting) assim lhe permitem ao não lhe explorarem convenientemente debilidades que estão à vista de todos. Mas, perceba-se de vez, que o FC Porto joga mal porque... treina mal. E treina mal porque treina uma ideia que não serve para marcar a diferença em relação aos dois rivais pelo título. Daí que não sirva de nada ao FC Porto demarcar o seu Estádio do Dragão, e a sua cobertura, como um 'Porto Seguro' quando o seu futebol é o mais instável dos últimos (pelo menos) 10 anos.

segunda-feira, fevereiro 10

O sucesso da Benfica TV.

Ao fim de sete ou oito meses os últimos números apontam para mais de 300 mil assinantes. Este valor é brutal, por si só, mas especialmente se tivermos em conta os seguintes factores:

a) Assinantes SportTV.
b) Crise económica e dificuldade das famílias em fazer mais uma despesa.
c) Depressão da família benfiquista após um dos finais de época mais decepcionantes de sempre.

Provavelmente, se os que ainda habitam na SportTV ou por hábito, ou porque ainda resistem ao futebol inglês, ou porque não podem ter mais uma despesa em cima da outra (acumulando os dois canais); se a crise financeira fosse um pouco mais favorável (como era após o lançamento da SportTV, por exemplo); se o Benfica tivesse ganho duas das três competições na época passada;

então, provavelmente estaria a escrever um post sobre um número de assinantes ainda mais monstruoso, talvez a rondar o meio milhão.

As transmissões têm tido qualidade e acima de tudo não há cá linhas tortas ou imagens que ficam na gaveta (Enzo foi castigado pelas imagens). Os comentários também têm agradado, mantendo algum nível, que é o que se exige.

Contudo, nos conteúdos gerais, parece-me que há ainda muita coisa que tem de mudar (aquela rábula da pergunta ao Sílvio, que me recuso a comentar, é só mais um exemplo). O canal é do Clube, deve servir o clube, mas não deve ser um veículo de propaganda presidencial.

Há espaço para crescer, publicidade para ser feita e muitos adeptos (transversal) para conquistar. 500 mil é um número que pode aparecer, já no final desta época, caso o sucesso desportivo passe a fazer parte desta história televisiva.

Um dia o futebol tuga teve alguém recheado de bom-senso, desportivismo e dignidade.

"O Sporting não procura instabilidade com ninguém. Esta situação com o Benfica é fruto da nova imagem que o Sporting criou: quer entendimento, está dentro do espírito de colaboração do clube. O Sporting mostrou elevação e o que é a sua postura em termos de entendimento com outros clubes", afirmou à Rádio Renascença.

E prosseguiu: "O que aconteceu foi uma situação anómala. Situações menos seguras podem acontecer, mas felizmente a estrutura da segurança do estádio, a Proteção Civil, bombeiros e  PSP analisaram e chamaram atempadamente e com cuidado a situação para que não houvesse pânico. Decidiu-se com naturalidade e calma, sem as pessoas perceberem a dimensão do que se passava. As pessoas saíram sem pânico e correu tudo bem".

Quanto ao adiamento do encontro, Jaime Marta Soares garante que os adeptos vão viver o encontro na terça-feira (data ainda sjeita a confirmação) "com a mesma intensidade".

domingo, fevereiro 9

Benfica-Sporting adiado.

O jogo grande foi adiado por motivos de segurança e o FCP em caso de vitória frente ao Paços de Ferreira, ganha três pontos ao Benfica e ao Sporting. Estão em todas.

PS: o jogo está marcado para Terça-Feira, pelas 20:15.

sexta-feira, fevereiro 7

Benfica-Sporting: o dérbi dos dérbies.

Desde que Jorge Jesus chegou à Luz o Benfica venceu todos os dérbies disputados em casa, não sofrendo nenhum golo e marcando sete (Cardozo leva três). Para Domingo, a tendência será para manter, pelo menos no plano teórico: temos melhor plantel, melhores soluções, somos líderes e, claro, contamos com o apoio de 55 mil nas bancadas.

Olhando para os trajectos das duas equipas, constatamos o óbvio: o Benfica está a fazer um campeonato ligeiramente abaixo do habitual e o Sporting está a fazer um campeonato surpreendente.

Olhando para a época passada, os sportinguistas têm motivos para sorrir, não só porque continuam na luta pelo título, mas também porque a equipa, apesar da falta de qualidade individual (em comparação com o rival), tem respondido com algumas exibições agradáveis e, especialmente, com uma postura altamente profissional e dedicada o que, aos olhos de um adepto, vale ouro.


O comparativo que vou fazer de seguida é subjectivo mas desafio-vos a fazer o mesmo na caixa de comentários (com certeza que existirão opiniões convergentes em muitos casos).

Guarda-redes
Oblak vs. Patrício - o titular da Selecção Nacional leva clara vantagem. É mais experiente e é mais seguro. Oblak vem de um erro crasso que custou dois pontos, mas Patrício tem a aura de ser um bom guarda-redes para... Cardozo. Para mim, contudo, ganha Patrício.

Lateral direito
Maxi vs. Cédric - o paraguaio está em boa forma, apesar de ter perdido alguma capacidade ofensiva. Tem muita experiência, conhece bem o adversário e dá sempre tudo em campo. Já Cédric tem feito uma tempoarada razoável, com alguma qualidade, até. Vantagem ligeira para Maxi.

Centrais
Garay/Luisão vs. Maurício/Rojo - Garay é classe, Luisão é experiência como nenhum outro. A dupla benfiquista tem muitos jogos em conjunto, ao contrário da dupla de Alvalade. Vantagem clara para Garay/Luisão.

Lateral-esquerdo
Siqueira vs. Piris - o lateral do Benfica é o melhor do plantel mas nem isso é tranquilizador. Tem feito uma época fraca e nunca foi capaz de fazer a diferença. Já Piris, é um desconhecido mas que, da última vez que jogou (que eu me lembre) foi com o Benfica e fez uma exibição razoável. Empate.

Trinco
Fejsa vs. Dier - o sérvio "é só pau" e honestamente não o vejo como substituto de Matic (nem de Javi). Tecnicamente está entre os dois, mas tacticamente é inferior. Já Dier, é apenas um jogador razoável, que não pode ser comparado a William Carvalho. Uma incógnita, no fundo. Empate.

Meio-Campo
Enzo/Amorim vs. Adrien/Martins - os primeiros de cada equipa têm feito uma época de grande qualidade, apesar do argentino estar uns furos acima de Adrien. Já entre Amorim e Martins, não consigo escolher, porque não aprecio o Amorim e o Martins tem desiludido (um jogador que considero acima da média). Ligeira vantagem para a dupla benfiquista.

Extremos
Gaitán/Markovic vs. Heldon/Wilson - De Gaitán e Markovic tudo se espera. Se engatam, são capazes de desfazer a defensiva sportinguista. Mas também podem passar ao lado do jogo. Heldon, se mantiver o nível do Marítimo, pode ser um elemento perigoso, ao contrário de Wilson, que considero o mais fraco deste quarteto (de longe). Vantagem para o Benfica.

Avançados
Lima vs. Montero - sabemos que os dois, em forma, são óbvias mais-valias. Contudo, o brasileiro tem feito uma época de pouca qualidade e Montero parece que se divorciou dos golos. Contudo, este último tem mais influência na equipa do que o brasileiro. Vantagem para Montero.

Nos bancos o Benfica tem melhores opções: Sulejmani, Cardozo, Rodrigo, Djuricic contra Carrilho, Capel, Magrão e Vitor.

Contudo, dentro do campo, tudo muda, ou não. Espero e estou convencido que o Benfica vence, por 2-1, golos de Lima e Markovic, e Montero. Deixa o teu prognóstico, também.

quinta-feira, fevereiro 6

Sulejmani escreveu 'certo' por linhas fechadas

Um ponto prévio à análise deste Penafiel-Benfica, que contou para os quartos-de-final da Taça de Portugal, terá sempre que ter em conta não só a discussão entre estilos de jogo, como o grau de dificuldade que se pode ter a replicar um estilo ofensivo ou um estilo defensivo. E para isso convém lembrar que cada um deles não é totalmente ofensivo ou defensivo. Ambos implicam sempre outros momentos que não aquele em que se pretende passar mais tempo, e, neste caso, tanto o Penafiel contemplou, ainda que muito pouco, o momento ofensivo do jogo, como o Benfica teve em atenção o defensivo. Mas a realidade de nova batalha de estilos - tanto em voga em Portugal - trouxe um Benfica à procura da vitória e um Penafiel a tentar segurar ao máximo... o empate. 


E com isto não queremos dizer que o Benfica fez sempre bem e o Penafiel sempre mal. Aliás, aos encarnados - que se apresentaram em poupança para o dérby (fazendo alinhar, entre outros, André Gomes, Rúben Amorim, Sulejmani, Djuricic, Caveleiro e Cardozo - titular 88 dias depois) - faltou sempre criatividade e ideia para jogar entre as linhas fechadas do conjunto penafidelense. Assim, a equipa de Jorge Jesus teve a bola mas só conseguiu criar situações de algum perigo na primeira-parte, por via da sua supremacia individual. Fosse com Cardozo (9'), Jardel (10'), Sulejmani (12') e André Gomes (16'), a partida representou sempre a mais-valia dos jogadores encarnados em relação aos líderes da II Liga.

Consequentemente, se haveria coisa que pudesse equilibrar tal facto essa era a táctica. Daí que Miguel Leal tenha tentado sempre que 10 dos seus jogadores fechassem o espaço ao Benfica, deixando sempre mais solto o desacompanhado avançado (Caballero na primeira-parte e Guedes na segunda) na tentativa de segurar as bolas que fariam a equipa subir. Algo que aconteceu pouco e que remete a estratégia do Penafiel para a manutenção de um empate que, ironicamente, haveria de ser desfeito pelo já referido capítulo das individualidades. Sulejmani foi sempre o mais hábil jogador encarnado em campo e como Jesus nada fazia para jogar entre as linhas cerradas do Penafiel (Djuricic foi uma nulidade e Jesus decidiu abrir ainda mais os alas com Rodrigo, Lima e Markovic em campo), o sérvio teve de achar sozinho espaço para facturar. E essa podia ser uma daquelas jogadas em que a força do colectivo foi evidente mas, pelo contrário, na esquerda, Sulejmani teve de, sozinho, romper pelo meio e achar espaço para bater Coelho.

Daí que toda esta discussão pudesse ser muito mais benéfica para os dois treinadores, num nulo que se manteve 84 minutos por Miguel Leal fazer dos seus dois extremos... laterais, e por Jorge Jesus nunca ter 'obrigado' a equipa a forçar por entre as linhas do Penafiel. Ainda assim, contemplar-se-á sempre mais a estratégia encarnada pela procura de uma vitória que contempla também a bola no pé. É de lembrar então, por isso, que o jogo se chama futebol e não 'sembol', daí que Sulejmani tenha mesmo escrito 'certo' pelas linhas deste Penafiel-Benfica que leva a que os encarnados tenham encontro(s) marcado(s) com o FC Porto nas meias-finais da Taça de Portugal (26 de março e 16 de abril).

Penafiel-Benfica, 0-1 (Sulejmani 84')

Foto: Lusa


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quarta-feira, fevereiro 5

Benfica em frente na Taça de Portugal.

Bom jogo de Taça de Portugal entre Penafiel e Benfica. Os encarnados encararam o jogo como se exigia, até porque do outro lado esteve uma equipa que lutou até ao último minuto por um resultado positivo.

Gostei mais da primeira parte do que da segunda, colectivamente. Contudo, houve algumas exibições pouco convincentes.

Artur - Sem trabalho mas sempre atento. Depois do frango de Oblak não me surpreendia se fosse titular contra o Sporting.

Sílvio - É muito fraco. Perde bolas, falha passes e, de vez em quando, acerta uma. Só me lembro de dois jogos razoáveis: na Grécia e contra o Sporting, também na Taça de Portugal. O resto foi sempre uma nulidade.

Maxi - Está melhor e comete menos faltas. Nunca foi brilhante defensivamente mas na verdade, hoje em dia, parece-me mais fiável nesse papel do que a atacar.

Luisão - Sempre atento, resolveu todos os lances.

Jardel - Cada intervenção, uma falta. Não sabe mais e é sempre um perigo pô-lo a jogar. É pouco inteligente.

André Gomes - Primeira parte muito boa. Segunda parte mais fraca, menos intensa e com passes falhados. Precisa de jogar para evoluir e hoje aproveitou a oportunidade.

Ruben Amorim - Jogo fraco, com muitos passes falhados. Não me inspira confiança e mais desconfiado fico quando num jogo destes não se destaca.

Cavaleiro - Gosto e é uma excelente opção. Falta-lhe entrar na equipa verdadeiramente. Para já parece um elemento estranho, apesar de algumas boas intervenções. Só tem de jogar e aproveitou, como sempre, para mostrar serviço.

Sulejmani - O mais esforçado e interessado no jogo. Jogou e fez jogar. Mereceu o golo da vitória, sem dúvida.

Djuricic - Talvez o relvado e o sistema excessivamente defensivo do Penafiel não o tenham ajudado a fazer uma boa exibição. Mas exige-se mais a um jogem que tem tanto potencial. Foi difícil dar por ele em campo.

Cardozo - Noite infeliz do paraguaio. Má exibição, sem grande entendimento com os colegas.

A seguir, ou FCP ou Estoril, nas Meias-Finais da competição.

terça-feira, fevereiro 4

Benfica: um negócio apenas para alguns ganharem dinheiro à custa de quem paga quotas e bilhetes.

Piotr Parzyszek esteve perto de ser contratado pelo Benfica ao De Graafschap, mas acabou por assinar pelo Charlton. O avançado polaco fartou-se de esperar que o emblema português consumasse a contratação, e decidiu aceitar a propista inglesa.

«Não me arrependo. Decidi não ir para lá. Quero jogar, não quero ficar na bancada, jogar pelas reservas ou ser emprestado», começou por dizer o avançado, que relatou aos compatriotas do «Przeglad Sportowy» as negociações.

«A primeira negociação teve lugar no início de dezembro, e tudo foi tratado. Tinham só de enviar-me o contrato e os bilhetes para fazer os exames médicos. Só passadas três ou quatro semanas é que me enviaram um papel. Não era o normal, o acordo concreto, era apenas um papel», explicou.

«Esperei até ao Natal e depois viajei para a Polónia. Dissera-me que entre o Natal e o Ano Novo tinha de ir a Lisboa. Disse que tinham deixado passar três semanas em que podia ir, e que naquela altura não dava, pois não tinha férias. Voltei à Holanda a 3 ou 4 de janeiro e disse que ou me enviavam os bilhetes e o contrato, ou terminávamos as negociações. Enviaram-me os bilhetes mas não o contrato. Não vou jogar num clube que não confia em mim, que me trata desta forma. Precisava também da garantia que, se não ficasse no plantel, escolheria o clube ao qual seria emprestado. Eles também não queriam aceitar isto. Perdi interesse em ir para para lá e até o nome Benfica deixou de atrair-me», concluiu o jogador.

Resumo da jornada.

Depois de uma jornada atípica - sem vitórias de nenhum dos três "grandes" - tudo ficou na mesma, mas diferente.

Houve quem dissesse que o Benfica ganhou um ponto ao FCP, mesmo antes do Sporting jogar, o que não deixa de ser fantástico, pois o clube de Alvalade é quem mais perto do Benfica está. Felizmente, a equipa de Jardim não aguentou a pressão e repetiu o nulo da época passada contra o mesmo adversário.

O FCP foi mais do mesmo: uma equipa sem orientação alguma e sem capacidade de resposta. Finalmente, com um nabo ao leme, o FCP vacila. Mas com outros nabos, foi repetidamente campeão, ganhou taças e supertaças por isso, o melhor é mesmo contar com os portistas, mesmo que estejam a fazer uma época fraquíssima.

Em Barcelos, após o fim do jogo, mais do mesmo: foi a relva, foi a chuva, foi o Lima e o Cardozo. Jesus em vantagem e com menos um, demorou 20 minutos a fazer alterações. Foi azar, diz. Para mim foi, pela enésima vez, incompetência e dois pontos perdidos contra uma das mais fracas equipas do nosso fraco campeonato.

O árbitro fez o que pôde num jogo com muito contacto físico. Nos lances principais, falhou no lance do penálti sofrido por Rodrigo, mas acertou na expulsão de Siqueira (quantas vezes já disse que não é jogador para o Benfica?) e no penálti dos descontos. E no geral, fez uma arbitragem acertada.

Em Alvalade, o Sporting revelou mais uma vez que é uma equipa com fragilidades próprias de um plantel onde a qualidade não abunda. E quando os que a têm não a mostram, mais complicado fica. No fim, ainda perdeu William Carvalho para o dérbi do próximo fim-de-semana.

A arbitragem foi razoável. Ficou um penálti por marcar para cada lado mas pareceu-me sempre equilibrada.

No resto dos jogos, boa vitória do Belenenses frente ao Braga (grande Jesualdo, tem mais derrotas do que vitórias!) e do Setúbal contra o Rio Ave. Três pontos importantes para a manutenção. O Estoril não foi para além de um empate caseiro e acabou por perder o quarto lugar para o espectacular Nacional que foi a Guimarães derrotar os vitós.

O Sporting continua com a melhor defesa e com o melhor ataque o que não deixa de ser surpreendente. Jackson apanhou Montero no topo dos melhores marcadores.

domingo, fevereiro 2

No caminho Marítimo para um 'tetra' nada Académico será que Fonseca vai ver Luz?

Olhando para o Marítimo-FC Porto só há uma coisa que realmente (mas realmente mesmo) surpreenda. E essa não é a derrota que os tri-campeões nacionais averbaram nos Barreiros (1-0), não é o mau futebol praticado (também mostrado há uma semana no Dragão frente ao mesmo adversário), nem tão pouco a excessiva procura de Quaresma, o desaparecimento de Jackson no 'fio-de-jogo' (ou amostra dele), ou um meio-campo remodelado que não consegue segurar os jogos. A verdadeira surpresa surgiu até depois do jogo, quando Paulo Fonseca, ao invés do habitual discurso enrolado e encenado, admitiu que a equipa não soube ser agressiva e controlar o adversário na sua melhor fase.




E esse parece ter sido um assomo de 'luz', um 'glimpse' de verdade, numa mente que outrora só viu bons jogos, boas tentativas e erros de arbitragem para justificar as outras duas derrotas que já averbou na Liga 2013/14. E se Paulo Fonseca já percebeu que a este FC Porto lhe falta garra, e pressão, para controlar, defensivamente, os adversários (em Alvalade para a Taça da Liga e na Luz para o campeonato, o FC Porto foi engolido pela pressão dos rivais), essa até pode ser uma 'vitória' no dia de outro, já habitual, péssimo resultado para os dragões.

De facto, Paulo Fonseca acerta quando diz que o Marítimo entrou forte, esticado no terreno (como já o havia feito no Dragão com uma equipa 'reserva') e que criou imensas dificuldades a uma conjunto que parece acomodado sem bola. Ora, sabendo-se de antemão que as câmeras de TV, e os olhos dos espectadores e tele-espectadores, seguem, na maior parte dos casos, a bola, fica difícil perceber porque é que as anteriores versões do FC Porto (Villas-Boas e Vítor Pereira) concediam pouco tempo de jogo ao adversário e, por consequência, poucas situações de golo. Factos que assentavam numa extraordinária reacção defensiva à perda do esférico, que permitia que o FC Porto tivesse mais domínio e, por consequência, mais oportunidades para si.

Perdendo-se isso 'ganha-se' tempo a defender e probabilidades de maus resultados. E várias equipas adversárias, incluindo o Marítimo, já perceberam que se incluírem pressão na equação o FC Porto treme e pode conceder vantagens - como a que concedeu ao Marítimo, fruto de penálti de Danilo sobre Danilo Pereira (convertido por Derley) - que depois já não pode recuperar. E não pode porque as ideias do FC Porto para atacar são as ideias individuais dos seus jogadores, e se isso resultou, há uma semana, no Dragão - com um 3-3-4 à Adriaanse reeditado este sábado nos Barreiros -, na Madeira, tal insistência em não dar à equipa caminhos mais eficazes, simples e, sobretudo, colectivos, trouxe o completar de um 'trio' de derrotas (Académica, Benfica e Marítimo) que em nada cheira a um 'tetra' (campeonato).

Marítimo-FC Porto, 1-0 (Derley g.p. 13')

quarta-feira, janeiro 29

Curtas.

1. Diz que o Benfica vendeu um jovem com enorme potencial a um empresário, por 15M. Ainda vai chegar o dia em que o Benfica vai ficar completamente subjugado a interesses de terceiros. Ups, já chegou esse dia?

2. Matic foi-se embora e com ele um futebol de classe mundial. Não pelo que tenhamos visto esta época, claro, mas por tudo aquilo que fez na passada. O Presimente (desculpa Ricardo do "Ontem" mas não resisto a adoptar a alcunha que criaste, por ser tão apropriada) LFV foi apanhado nas escut... perdão, nas câmaras de televisão (LINK) a MENTIR aos benfiquistas e a entalar pela enésima vez o treinador, ao retirar-lhe um peso pesado da equipa (que começava agora a exibir-se a um plano superior).

É hora dos benfiquistas abrirem os olhos. Já chega disto, não?

3. A Taça da Liga continua a ser maltratada por tudo e por todos. Adeptos, jogadores, dirigentes. A rábula da última jornada revela bem o que é o futebol português: existe um regulamento que obriga a que o jogo se dispute no campo do adversário, no caso de impossibilidade de utilização do campo dos visitados. Em vez de se possibilitar o jogo em campo neutro, como seria natural. Mas o pior é que ninguém sabia disso. Nem o Benfica, nem o Gil, nem ninguém. Bem sei que a regra é ignóbil mas se existe, para que servem os dirigentes? Felizmente o Benfica já estava apurado para as Meias-Finais. Mas, e se não estivesse?

4. Ainda na Taça da Liga, é hilariante ver e ouvir os adeptos portistas a defenderem o indefensável. Afinal de contas estão habituados, mas não deixa de ser muito giro. Contudo, não alinho no queixume que se instalou em Alvalade. O Sporting tem razão naquilo que é óbvio: o jogo no Dragão foi atrasado e as responsabilidades têm de ser apuradas (rir). E é apenas nisso que o Sporting se deve concentrar. Porque caso contrário, vão entrar no despique do penálti que foi ou não foi, nos penáltis contra o Marítimo, contra o Penafiel e nunca mais se entendem. E nessas conversas os portistas levam um grande avanço.

Ps: os copy-paste que surgiram em todos os blogues em relação a uns atrasos no início de alguns jogos em edições anteriores da Taça da Liga são a prova provada de que não se olha a meios para vencer no FCP. Mentem, descontextualizam, comparam o incomparável, e alegremente seguem as suas vidas, convencidos que o mundo está cheio de otários, como às vezes parece estar cheio de filhos-da-puta.

segunda-feira, janeiro 27

A grande vitória de Bruno de Carvalho

Goste-se ou não do estilo, a verdade é que Bruno de Carvalho tem feito muito pelo Sporting e pela união dos seus adeptos. Mais, tem feito também muito pelo futebol português, tomando a iniciativa de reunir os clubes da Liga e propor uma revolução no actual panorama.

Tem logo o mérito de definir quem está disposto a ouvir ideias que eventualmente possam melhor e, por outro lado, quem não quer, de maneira nenhuma, alterar o status quo. A revitalização do Sporting e a atitude de Bruno de Carvalho na defesa do clube obrigam o sistema a mostrar-se de uma maneira que já não víamos desde o final dos anos 80/princípios de 90.

O descaramento é total, independentemente da importância da competição. A vergonha de sábado passado só demonstra que Bruno de Carvalho está no caminho certo e era bom que ele não travasse esta "guerra" sozinho.

domingo, janeiro 26

Taça da Liga

Foi de facto uma vitória à Porto. Concordo com o Paulo Fonseca. São de facto vitórias destas que melhor caracterizam o Porto. Isso é inegável. Daquelas que não se viam há algum tempo.
Coincidências? pois, pois...

sexta-feira, janeiro 24

Curtas.

1. Incontornável o assunto "Veloso". A minha opinião é simples: Veloso foi um jogador à Benfica, e quem o viu jogar sabe que, tirando a espectacularidade de Coentrão (que mesmo assim, durou apenas duas épocas) ou o rigor de Schwartz, nunca mais o Benfica teve um lateral da sua qualidade e entrega.

Veloso venceu muito com o Benfica e o Benfica venceu muito com Veloso. Mesmo depois daquele penálti falhado. Terminou a carreira saíndo por uma porta que já não era do tamanho que mereceria.

E esse foi o erro do Benfica que, como instituição, falhou neste caso como em muitos outros. Não sou de endeusamentos mas quando olho para alguns que andam a papar croquetes e a ganhar ordenados no Benfica actual, depois de terem traído o clube, cuspindo-lhe em cima, não consigo ficar indiferente ao descalabro do lateral.

Independentemente da situação pessoal, social e económica de Veloso, o homem deveria ser parte activa no presente do Benfica. Pelo seu passado, claro, mas também pelo que pode siginificar no futuro, através da passagem da sua experiência em prol do clube.

Ver, ouvir ou ler benfiquistas a dizerem que o clube não é a Santa Casa é triste. Porque quem o faz não entende o básico: o problema não é ajudar o Veloso só porque estoirou como quis o dinheiro que ganhou, o problema é não termos querido que o Veloso ajudasse o clube, e que continue sem ajudar o clube, estando o clube cada vez mais distante de tudo aquilo que o Veloso tão bem representou.

Hoje, está mais do que visto, falta benfiquismo no clube. Falta Veloso, como faltam muitos outros. Ir buscá-los apenas quando se encontram na miséria seria apenas mais uma estratégia de marketing à moda de Vieira e não um decisão de fundo. Por isso, Veloso, anima-te, porque deves estar aí a receber um telefonema.

2. Sálvio está de regresso e deverá estar apto já no final de Fevereiro. Uma excelente notícia, enquanto esperamos pelo regresso de Cardozo. O paraguaio continua lesionado e não se sabe quando voltará.

3. Depois da saída de Matic, espero que não saia mais ninguém, pois isso significaria hipotecar o sucesso da equipa. O FCP reforçou-se com Quaresma e o Sporting dedicar-se-á exclusvamente ao campeonato por isso, as dificuldades para o Benfica serão mais do que muitas.

4. Os castigos ao "cuspos" e ao Carlos Eduardo continuam na gaveta.

domingo, janeiro 19

Benfica 2 Marítimo 0.

Nova vitória, tranquila e justíssima. A equipa não acusou a saída de Matic e fez 45 minutos bons. Depois houve mais 45 de algum desacerto o que impediu uma goleada. O Marítimo foi quase sempre uma equipa apática, sem grande atitude e facilitou a tarefa dos encarnados. Estranho.

A qualidade do plantel não deveria dar hipóteses em 80% dos jogos e quando temos Rodrigo, Markovic e Gaitán a jogar desta forma, sempre amparados por um quinteto defensivo concentrado e um Enzo a toda a hora, os golos e as vitórias aparecem.

Rodrigo está de volta e pouco me interessa se falha golos, tendo em conta os que tem marcado. Parece muito mais confiante e só teria a ganhar se jogasse mais adiantado. Lima continua a ser um jogador que merece todo o respeito mas as coisas não lhe estão a sair bem. O banco talvez fosse boa solução, ainda há muito jogo e vamos precisar do brasileiro do ano passado (com Cardozo cada vez mais longe).

Markovic mudou de atitude e tem justificado a titularidade. Tem tanta qualidade que é impossível ficarmos indiferentes à sua classe. Oblak, agarrou o lugar. Não sei se é superior a Artur. Sei que transmite maior confiança e que, no limite, vai falhar como Artur falhou, por isso, mais vale apostar em alguém que tem margem de progressão.

O árbitro falhou (o assistente) quando não assinalou um claro fora-de-jogo no segundo golo do Benfica. Errou também quando não assinalou penálti sobre Markovic (e ainda lhe deu amarelo por simulação) e quando não expulsou um maritimista por agredir o Gaitán. Tudo isto, para o que estamos habituados, até resultou numa arbitragem razoável (pelo menos não tendenciosa como no jogo passado).

Jesus continua com o microfone aberto e o clube continua a sofrer com isso. Já não acredito em falta de profissionalismo ou em incompetência. O que se passa é desleixo e propósito de uma estrutura que insiste diariamente em disparar sobre os seus próprios pés.

O treinador é para treinar e falar sobre o jogo. Num jogo em que fomos beneficados com um golo em fora-de-jogo, vir falar em jeito de coitadinho sobre o penálti que não foi marcado, é estúpido. Esses são assuntos que deveriam ser tratados por um dirigente que, semanalmente, fizesse o seu trabalho. Assim, temos Jesus a dar o corpo às balas e a ridicularizar o clube por não ter capacidades para desempenhar tal papel.

Os débeis que continuam a insisnuar que o Benfica foi beneficiado frente ao FCP, são os mesmos que continuarão a definhar na sua imbecilidade. E a eles o Benfica deverá ou ignorar, ou atacar sem piedade. Agora isto, é inútil.

Também gostei muito das entradas dos putos nos descontos.

sexta-feira, janeiro 17

É que nem sei por onde começar.

O Benfica virou a primeira volta do campeonato com a liderança isolada, depois de ter derrotado o FCP. Está na Taça de Portugal, onde eliminou o Sporting. É, também, a primeira equipa a qualificar-se para as meias-finais da Taça da Liga. Contudo, no universo encarnado, tudo parece estar a correr mal.

São as declarações absurdas de Jesus (já aqui falei em tempos de um açaime para o senhor, reforço a ideia), são as incongruências inexplicáveis da liderança de Vieira, são as reacções dos putos a quem começam a crescer os pêlos no peito, é a chantagem de Matic, a relva miserável do Estádio da Luz, as contas no vermelho, o Hugo Leal na Benfica TV.

Este Benfica de LFV não sabe conviver com o sucesso. São constantes tiros nos pés que, aliados por vezes aos "azares" das arbitragens, deitam por terra todo o (bom) trabalho feito.

Vamos por partes.

Ainda o clássico
Diz o senhor que recebe árbitros em casa que o FCP foi prejudicado e roubado e mais não sei o quê. Como reage o Benfica? Com o silêncio. Em vez de se ripostar com vigor ao senhor que recebe árbitros em casa, deixa-se passar a ideia que só ganhámos porque o homem do apito assim o quis.

Diz o senhor que recebe árbitros em casa que o árbitro "não sabe apitar jogos do FCP". Pois não sabe, isso é por demais evidente, especialmente por não ter assinalado um fora-de-jogo claríssimo a Jackson no lance mais perigoso do jogo do FCP, um penálti do tamanho do mundo a Mangala ou uma mão de Quaresma um segundo antes da bola ter tocado na mão de Rodrigo, como alguns paneleiros andaram a vincar esta semana toda. Sim, é provável que Garay tenha feito falta para penálti e que o lance de Jackson tenha sido mal interrompido. Mais do que isso é pura imaginação, delírio e criatividade. Afinal de contas o senhor que recebe árbitros em casa ainda tem boa capacidade para isso.

Saída de Matic
Não percebo várias coisas neste assunto. Mas é óbvio que Matic forçou a saída. E é óbvio que o Benfica não tem dinheiro, daí a necessidade de vender. O sérvio, com anteriormente Witsel, por exemplo, não resistiu à cor do dinheiro o que, a esta distância, é perfeitamente compreensível.

A equipa vai sentir a falta do "melhor médio defensivo do mundo". Mas, digo eu, a equipa tem sentido a falta do mesmo desde que a época começou. Matic esteve sempre em baixo de forma, apesar de ter acabado num plano razoável.

O plantel tem soluções para, a nível interno, garantir a vitória no campeonato. E estou certo que Jesus vai resolver, bem, esta questão. Com o regresso de Sálvio as coisas podem melhorar, até. Já Cardozo, dizem-me, não se sabe quando voltará.

Entretanto, Ola John parece estar de saída. É uma pena se se confirmar. O holandês é um jogador muito inteligente, tecnicamente superior e, ainda este Quarta-Feira, fez uma boa exibição, tendo em conta a pouca utilização. Mas Jesus prefere maltratar o rapaz publicamente.

Benfica TV
Parece que se tornou num antro de "facadistas". Agora até o Hugo Leal por lá anda. Depois de ter visto o Pacheco a comer gambas, ter de gramar a pastilha de mais um traidor é demasiado terrível. Quem toma estas decisões?

Discutir o Benfica
No início da época passada escrevi sobre a dificuldade que existia em encontrar algum equilíbrio em blogues benfiquistas. Só piorou. De um lado marcham os fiéis do comandante Vieira, implacáveis. Do outro, e cada vez mais, alguns alucinados com a mania da perseguição. As posições estão cada vez mais extremadas e é quase impossível discutir seja o que for sem ter de gramar com debilidades insuportáveis. O Benfica já bateu no fundo e estes benfiquistas continuam a escavar ainda mais fundo. Contudo, diga-se, o seguidismo da actual direcções é bem mais chocante e perturbador.

Outras cenas
Depois de terem castigado o Enzo (com imagens da Benfica TV), ainda estou à espera que façam o mesmo com o ordinário do "cuspos" do FCP e com o Carlos Eduardo (pelo que fez depois de receber um cartão vermelho em Alvalade).

Emtretanto, chamaram-me à atenção para isto, que está à venda no site oficial do Benfica:


Chama-se "Vodka Preta Eusébio". Depois da T-shirt "A mão de Vata", o criativo da Luz continua a bombar ideias. De merda.

quarta-feira, janeiro 15

Voltar aos golos na Taça da Liga

Ninguém liga a esta Taça, é verdade. No entanto, se estamos envolvidos nesta competição, convém levá-la a sério, principalmente quando só nos resta o campeonato. E calhando no grupo do Porto, eliminar o campeão nacional nesta fase é sempre aliciante. Por isso o resultado de ontem foi tão bom. Os números foram exagerados? É possível, mas este 3-0 dá muito jeito, sendo um importantíssimo critério de desempate.
Foi bom voltar (oficialmente) a marcar e melhor ainda foi aumentar para oito o número de jogos consecutivos sem sofrer, ontem principalmente pela ineficácia dos insulares.
Destaque para o fantástico golo de Carlos Mané e para as exibições de Boeck e do inevitável William Carvalho.
Agora resta esperar que o Penafiel não saia do Dragão com um cabaz...

domingo, janeiro 12

À Luz do 'SL Eusébio' se derreteu um Dragão de cera

Se surpreende, e irrita, alguém que o FC Porto torne a perder na Luz, então a 'culpa' terá que ser atribuída aos colectivos portistas que, nas passadas três épocas, fizeram parecer fácil a conquista de pontos em casa do Benfica. E dizemos ''fizeram parecer fácil'' porque, obviamente, essas conquistas nunca o foram. Para se ganhar (ou pelo menos não perder) na casa de um dos maiores rivais, o grau de concentração tem de ser máximo e a resposta aos melhores momentos do adversário tem de ser (imensamente) forte, e isso foi coisa que, neste domingo, o FC Porto de Paulo Fonseca, para além de outros erros, nunca teve. O Benfica, com um jogo bastante conseguido em todos os aspectos, regressou assim às vitórias frente ao rival da Invicta, podendo juntar os três pontos - que lhe garantem a liderança isolada da Liga - a uma bonita homenagem ao seu melhor jogador de sempre: Eusébio da Silva Ferreira.


Uma prova de respeito que se estendeu até às camisolas dos jogadores encarnados, onde, em vez do nome dos pupilos de Jorge Jesus, se pôde ler ''Eusébio''. E, mesmo que se queira tirar o contexto emocional da análise ao Clássico, isto de ter onze 'panteras negras' em campo tem que ter ajudado. Ainda para mais se repararmos na forma como o Benfica disputava cada lance, cada bola dividida, cada confronto com um jogador do FC Porto. Por outro lado foi extremamente visível a falta de controle emocional do colectivo portista, principalmente na imensidão de passes errados ao longo de todo o desafio. E nesse 'campo', foi até um regresso que Paulo Fonseca promoveu ao eixo da defesa quem mais esteve em foco - pelo lado negativo. Otamendi não tem um (!) único passe acertado na primeira-parte, não surpreendendo por isso que, já depois de ter errado dois na tentativa (sempre frustrada) de sair a jogar, à terceira, outra das suas 'experiências' acabasse por estar na origem do primeiro golo do Benfica.

Rodrigo - depois de Jackson ter ficado a centímetros do golo, aos 9' - finalizou de maneira extremamente eficaz - fuzilando Helton - numa jogada que demonstra todo o poder de decisão de Lazar Markovic. O sérvio ganhou a tal bola mal endossada por Otamendi e galgou pelo meio-campo portista afora, medindo de forma exemplar o tempo e o espaço para entregar ao avançado espanhol. Uma desvantagem que seria, sempre, para desconfiar, não fossem os portistas 'experts' em gelar a Luz. Mas isso, a acontecer, terá que estar guardado para outro dia, pois este estava destinado a perdurar na memória encarnada como uma homenagem selada com chave-de-ouro. Algo que se foi tornando óbvio de cada vez que o FC Porto tentava imprimir o estilo das épocas anteriores. Passe curto, na tentativa de controlar o ímpeto encarnado, mas uma falta gritante de solução perigosa no último terço, o que, aliado à falta de uma pressão convincente no momento da perda da bola, impedia uma reacção forte, e corajosa, ao melhor período do Benfica.

De modo que neste contexto estar, ao longo do jogo, na pele de um adepto do FC Porto que tenha visto esta partida não deveria ser uma experiência nada agradável. Pela mente ecoariam certamente as conquistas anteriores - ou pelo menos outros jogos em que a equipa praticou na Luz um futebol 'à Porto' - daí que a esperança que as coisas mudassem depois do intervalo terá que forçosamente ser metida na equação. Mas aí, na resposta a mais uma tentativa infrutífera de recriar o futebol das últimas épocas (controlar o Benfica no seu meio-campo usando passes curtos), os encarnados marcaram e gelaram toda a expectativa de que o jogo pudesse ter outro dono que não a equipa de Jorge Jesus. Um golo que surge ainda a segunda-parte não tinha 'aquecido'. Garay, aos 53', 'corrigiu' - com uma excelente movimentação e cabeçada - um erro de Artur Soares Dias na jogada anterior, em que deixou passar um penálti claro (por mão na bola) de Eliaquim Mangala. Contudo o central argentino haveria de aproveitar o canto assinalado, para fazer, com golo, esquecer esse momento infeliz do árbitro da partida, e para dificultar ainda mais uma tarefa portista que já parecia bem improvável.

Algo que tem uma explicação também ela bastante clara. Ao FC Porto 'Série Fonseca' falta-lhe carácter, controle emocional - momentos depois do segundo golo encarnado, foram várias as confusões entre jogadores -, e sobretudo ideia de jogo. O que convenhamos não se constrói lançando jogadores para o relvado na tentativa que algo mude por algum lampejo individual. A entrada de Quaresma (por Licá) o prova, quase tanto como o (novo) desaparecimento de Carlos Eduardo de outro 'jogo grande'. Para o(s) jogador(es) sobressaírem terá que haver colectivo, e uma ideia forte, algo que este FC Porto não tem, por mais vezes que cruze para a área à espera que Jackson resolva. Esse é o principal problema dos campeões nacionais. E ainda que possa haver alguém que se vá lembrar que Artur Soares Dias teve uma tarde para repensar alguns dos seus critérios (esteve manifestamente mal ao não deixar seguir uma bola que deixava Varela isolado e expulsou mal Danilo por alegada simulação - ainda que não fosse penálti o lateral não forçou a queda), tudo isso só retirará a culpa própria da análise que tem ser feita a um jogo onde o Benfica acabou por ser superior em todos os momentos do mesmo.

Benfica-FC Porto, 2-0 (Rodrigo 13' e Garay 53')

Foto: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens


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OJogo, ABola e Record em sintonia com a liderança, finalmente.

Vitória incontestável do Benfica. Bom jogo de futebol. Agora é embalar, se for possível. A equipa da Luz esteve muito bem, apesar do 442 do bico para a frente. Houve garra e coesão e quando se junta a isto a qualidade de Markovic, Garay, Maxi, Matic, Enzo, Gaitán ou Rodrigo, os adversários e os árbitros pouco podem fazer.

Benfica 2 - Porto 0

Venceu o Benfica. Foi melhor em todos os capítulos do jogo. O Eusébio foi homenageado. A Luz fez homenagem que o Rei merecia.

Soares Dias é um grande artista. Olho para ele e não consigo esquecer o histórico Braga-Guimarães de há uns anos atrás. O homem tem arte e tentou inclinar o campo até ao 2-0. Hoje não era dia, e o Porto não fez a sua parte.

sexta-feira, janeiro 10

Espírito do King assiste à batalha das cautelas

Parece incrível que depois de disputar, e de assistir, a tantas batalhas pela hegemonia do futebol português, Eusébio não esteja presente, no domingo, para novo e escaldante duelo. E tantos deles foram contra o FC Porto - como outros contra o vizinho Sporting. Mas a verdade, tão nua como crua, é que o King já não estará entre nós, pelo menos em corpo, como em tantos outros clássicos. A sua morte, incrivelmente respeitada por quase todo o país futebolístico, merece também a homenagem com a bola a rolar. Ele que enquanto jogador assustou os nortenhos, ficando ligado a um período dourado do Benfica, mas que os 'ajudou', com isso, a despertar para a ambição de 'ganhar tudo', demonstrando, ao serviço do Benfica e da Selecção Nacional, que era possível. Após a sua retirada, Eusébio, viu o FC Porto crescer para um nível que provoca agora uma reacção contrária à de quando o Pantera Negra desfilava pelos relvados. Coisas do tempo. Os dragões souberam crescer e na altura que o maior símbolo benfiquista (infelizmente e cedo demais) desaparece, dominam agora os confrontos com o rival da capital.




Não estaremos em erro se referirmos que o FC Porto se chegou 'à frente' recorrendo a algo que é tão antigo como o próprio jogo. Aliás, até o Benfica de Eusébio usou, e abusou, dessa arma para chegar ao topo do Mundo. Falamos, pois claro, da ambição e essa tem, sem sombra de dúvida decidido os últimos clássicos - quer na Luz, quer no Dragão. Quase todos eles têm pesado mais na balança portista e em quase todos eles há uma história parecida para contar. Quer seja no momento de montar a equipa, quer seja no plano a apresentar para atacar o adversário, quer seja nas substituições operadas, o FC Porto - desde André Villas-Boas - tem partido à frente do Benfica de Jesus. Enquanto que os dragões não mudaram o sistema, o estilo, as ideias e as posições, usando as substituições para sublinhar, até, as decisões do plano, Jorge Jesus fez tudo o contrário.

De David Luiz a Roderick, do jogo ofensivo ao jogo sem bola, o Benfica deparou-se sempre com um FC Porto de controle e de posse, pressionando com grande intensidade sempre que perdia o esférico. Momentos que fazem sorrir os portistas mas que agora recordam a expressão ''do passado vivem os museus''. E na nova infra-estrutura portista se poderá recordar o assomo de ambição que foi a substituição de Kelvin por Lucho - que culminou no momento-chave da Liga da época passada. Mas agora a história é diferente pois a juntar a Jesus, Pinto da Costa decidiu adicionar aos clássicos outro 'cauteloso' treinador. Ao FC Porto de Paulo Fonseca ainda não se lhe viu coragem suficiente para se augurarem decisões como a retirada de Rúben Micael, por James (meias-finais da Taça), ou a aposta em Djalma na lateral-direita (na vitória por 2-3 em 2011/12). Aliás, o técnico portista já assumiu, em Alvalade, uma postura notoriamente cautelosa, assumindo, por arrasto, não conhecer a cultura da massa associativa portista. E a julgar pela renitência, e teimosia, em alterar a dinâmica de um meio-campo que já custou os 'oitavos' da Liga dos Campeões ao FC Porto, não se esperem de Fonseca grandes e ambiciosas intervenções.

Daí que talvez a inoperância mostrada pelos dragões ao longo da época - o FC Porto só conseguiu boas exibições na segunda parte frente ao Braga e na vitória caseira frente ao Olhanense (4-0) - talvez seja o maior trunfo de um Benfica que pouco tem para mudar em relação às outras épocas. A desconfiança num clássico arrojado, de parte a parte, é por isso enorme, e talvez a probabilidade do Benfica mudar os seus padrões seja tão grande como a do FC Porto aparecer tão incisivo na Luz como nas épocas recentes. Isto se o espírito futebolístico de Eusébio não aparecer na Luz a contagiar as duas equipas. Mas aí a ambição do King será como um sopro, que só apanhará quem tiver a vela bem içada...

«...nunca fui para um jogo com o Benfica pedindo algo diferente aos jogadores. Nunca pedi para deixarmos de pressionar, para deixarmos de ter a iniciativa, e a bola. Isso nunca. Isso seria adulterar a essência do treino e dar uma indicação clara de que estamos receosos. Parti sempre para ganhar, mas fiel à nossa identidade.» (Vítor Pereira, hoje, em entrevista a O JOGO)

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quinta-feira, janeiro 9

Hilariante.

O Sorteio da Taça de Portugal (link) ditou um Penafiel, perdão, um Benfica, a jogar fora contra um... Penafiel.

terça-feira, janeiro 7

Curtas.

1. O Rei morreu, o país parou durante um bocado e os habituais filhos da puta saíram da toca para verter um pouco de fel. Não são apenas tacanhos e imbecis. São uns enormíssimos filhos da puta.

2. O Sporting, através da presença de Bruno de Carvalho, marcou uma posição importante e que rompe, claramente, com o passado recente e aquilo que foi a postura da direcção anterior. Merece o meu aplauso e ainda mais o meu respeito.

3. No fim-de-semana há dois jogos muito importantes: Benfica-Porto e Estoril-Sporting. Os canarinhos jogam um futebol muito bom e não será, certamente, um jogo fácil para o Sporting. Contudo, o favoritismo é verde pelo que é natural que possa ganhar pontos a pelo menos um dos seus adversários directos na luta pelo título.

Na Luz, e aproveitando a emoção causada pela morte de Eusébio, haverá com certeza uma força qualquer vinda das bancadas e se a equipa souber capitalizar esse apoio pode, finalmente, vencer o FCP (já lá vão uns anitos).

4. Quaresma está de regresso ao FCP. É uma boa contratação? Eu acho que sim.

5. Rinaudo, um jogador que era idolaterado em Alvalade há poucos meses atrás, vive no esquecimento. Falta-lhe qualidade, para Jardim? Confesso que nunca o achei grande espingarda.

domingo, janeiro 5

Eusébio.

Créditos de Pedro Gonçalves

"Eusébio atiiiiiira... Golo! Golo do Benfica. Golo de Eusébio!".

"Os jogadores faziam barreira e o Eusébio preparava-se para bater o livre. Só que os jogadores estavam todos de costas para a bola. Nisto, o guarda-redes, grita: virem-se para a frente! E diz um dos jogadores que estavam na barreira: então, e só tu é que vês o golo?!".

Eusébio, jogador do Benfica. Jogador do mundo.

Até Sempre Rei Eusébio

Sabia-se que o dia ia chegar. Que estava cada vez mais próximo.
O Benfica e o futebol português estão de luto!

quinta-feira, janeiro 2

Benfica para o que falta.

2013 foi um ano madrasto para os benfiquistas. Em duas semanas tudo se perdeu e sempre de forma cruel, ora com golos sofridos nos descontos, ora em fora-de-jogo, e até auto-golos. O final da época foi penoso, com alguns episódios que envergonharam o mundo benfiquista. Mas sobre isso, já tudo se disse, e já tudo se escreveu.

A nova época começou com uma derrota e a permanência de Jesus está permanentemente em cima da mesa. Luis Filipe Vieira sabe gerir como ninguém as culpas e deixará JJ na mão assim que tal seja possível ou conveniente.

A equipa ressentiu-se da lesão do seu melhor jogador, Sálvio, e a ausência prolongada de Cardozo diminiu a qualidade ofensiva. São, de facto, duas ausências de vulto mas que não explicam o péssimo futebol praticado na maior parte dos jogos.

Estamos na frente do campeonato, é verdade. Mas apenas com um terço disputado e já com as abébias todas concedidas. Continuamos na Taça de Portugal, depois de eliminarmos o Sporting, um potencial vencedor.

Na Europa, mais do mesmo. A bitola de JJ é baixíssima e os falhanços sucessivos na LC, em grupos medíocres, são encarados com a maior das naturalidades.

Para o Benfica, a época pode estar agora a começar. Ainda muita coisa pode ser ganha. Falta bom futebol, falta qualidade de forma consistente, falta quase tudo. Mas ainda vamos a tempo.

Destaques

Artur
O brasileiro é apenas um guarda-redes mediano. Na verdade, nunca vi ali nada mais do que isso e os erros que acumulou fizeram dele um "Quim", o que nunca poderá ser bom. Oblak deve ter a sua oportunidade mas, do que vi, não sei se será muito melhor. Contudo, prefiro que se aposte num puto com potencial.

Garay e Matic
Têm muita classe mas com a cabeça noutras paragens é complicado. Vitor Pereira enfrentou um problema parecido na sua primeira época. Jesus, caso os internacionais fiquem no plantel, pode "ganhar" dois jogadores no que falta da época (até agora estiveram praticamente ausentes).

Fejsa
Custa-me que este tipo de jogadores façam parte da equipa. O homem não dá uma para a caixa, faz faltas atrás de faltas. É consistente, sim. Na falta de qualidade. Não é jogador para o Benfica e com ele em campo reina a confusão.

Maxi, Siqueira, Cortez, Sílvio, Almeida
Maxi tem surgido nos últimos jogos em boa forma. Contudo, parece sempre distante. Siqueira é apenas razoável. Tecnicamente é básico e mostra ser incapaz de provocar desequilibrios ofensivos (trabalha sempre em esforço). Para além disso, é feito de porcelana. O brasileiro não é jogador de futebol mas isso foi o que eu aqui escrevi depois de ver o seu primeiro jogo. Sílvio é um equívoco. Fez dois bons jogos mas de resto é sempre uma nulidade absoluta. Não compreendo como se pode ser tão fraco e fazer carreira no mundo da bola ao mais alto nível. Por fim, Almeida, para mim o melhor lateral, nunca joga.

Lima, Rodrigo
O brasileiro anda francamente a jogar mal. Não acerta uma e parece sentir a falta de Cardozo (nunca será capaz de substituir o paraguaio). Regista-se a entrega mas, é pouco. Já o espanhol anda ligeiramente melhor mas continua com um futebol confuso. Contudo, tem a desculpa de nunca jogar a 9, que é o seu lugar.

Amigos da Sérvia
Markovic, Djuricic e Sulejmani mostraram ainda muito pouco. Markovic tem muito talento mas tem uma atitude de merda. Ou muda (muito) ou vai fazer uma carreira parecida com a de Dani. Djuricic pouco se viu, assim como Sulejmani. Parecem-me todos bons jogadores mas com uma intensidade quase nula. Têm de mostrar muito mais.

Ola John
Custa-me ver o holandês com um pé fora do Benfica. É um jogador muito inteligente e não está a ser devidamente aproveitado. Tem de jogar mais, até porque já mostrou muita qualidade e empenho.

Gaitán
Está a fazer uma época razoável mas eu continuo a achar que só joga quando quer e isso é inadmissível. Não sente o lugar em perigo e isso torna-o ainda mais relaxado. Contudo, por vezes, parece ser o único que joga bem, o que diz muito do resto da equipa.

Cavaleiro
Gosto. Tem coragem, tem técnica e joga sempre com vontade. Posso estar a exagerar, mas parece-me um jogador à Benfica.

Amorim, Gomes
Foi um bom regresso, voltou mais concentrado, mais focado e mais jogador de equipa. Contudo, é mais um que sofre de lesões dia sim dia não. André Gomes é um jogador que aprecio mas, enfim, parece que só serve para jogar no jogo mais complicado da época.

Enzo
O melhor de todos. Uma máquina.

Posto isto, se jogadores como Matic, Garay e Lima voltarem à boa forma, se Sálvio ainda puder ajudar, se Cardozo regressar (tem ido duas vezes por mês à Suíça por causa da hérnia), se os sérvios decidirem jogar à bola, se Ola for aproveitado, se Oblak não fizer pior do que Artur, se Enzo não se lesionar, se os laterais pelo menos não estragarem nada, talvez a equipa volte a jogar bom futebol e, talvez, ganhemos qualquer coisa de jeito no final da temporada (leia-se CAMPEONATO).

São muitos "ses". Mas lá está, com LFV e JJ no comando, queriam o quê?

segunda-feira, dezembro 23

Festa do futebol.

Em nome do SectorB32, desejo um Bom Natal e um feliz Ano Novo aos adeptos do clube que lidera o campeonato. Com link para o jornal Record, ABola e OJogo.

O desejo aplica-se também aos adeptos dos outros clubes.

Estranho

Ia jurar que o Sporting tinha vencido o Nacional por 1-0 mas no site da Liga aparece um 0-0, e três equipas com 33 pontos na tabela. Alguém me consegue explicar isto?

terça-feira, dezembro 17

A moda de André requer nova aura

É mais que sabido. Se um treinador ganha, e convence, pode ir para o banco vestido como quiser, com a barba e penteado que quiser e ter, lá, a atitude que quiser, que isso tornar-se-á sempre moda. E essa é uma palavra que está directamente ligada com o treino, pelas sensações que o discurso, plano de jogo e, essencialmente, os resultados provocam. Ora, André Villas-Boas sabe-o bem. Ele que quando saiu do FC Porto - com Liga, Taça de Portugal e Liga Europa no bolso - se tornou o técnico da moda na Europa. A aura de quem ganha tudo suplanta a razão e mais não quis o Chelsea, quando o levou da sua 'cadeira de sonho' até Stamford Bridge, do que emular as conquistas que o jovem técnico havia conseguido em tão pouco espaço de tempo.

E tudo isso foi sempre uma questão de crença ou até, se quisermos, de fé. A experiência com Mourinho - um dos pioneiros da moda (ele que tornou em ícones o bloco de notas, o sobretudo, o discurso agressivo e confiante e a barba por fazer) - havia corrido bem e o jovem AVB era o sucessor ideal para voltar a fazer com que Stamford Bridge se tornasse de novo atraente para o Mundo do futebol. É que depois de Mourinho, nem com a Liga dos Campeões (conquistada com um futebol extremamente aborrecido) o tornou a ser. Mas André não vingou. E não vingou sobretudo porque foi traído. Foi-lhe prometida a renovação total de um plantel que seria, supostamente, escolhido por si, mas a manutenção dos 'eternos' colocou em causa a sua liderança no balneário dos blues. AVB começou por agir como se eles não estivessem lá mas as suas presenças foram reclamando lugares no 'onze', adiando a prometida renovação - que deveria ter acontecido no defeso.

E, claro, uma casa dividida entre si nunca, por nunca, subsiste. Villas-Boas acabou por sair do Chelsea numa altura em que o FC Porto ainda não tinha formado o líder Vítor Pereira. O técnico de Espinho não conseguia impor o seu jogo e os resultados, e futebol, apresentados nunca chegaram a convencer na primeira época aos comandos do Dragão. Mas AVB refutou sempre a hipótese de voltar à Invicta pois não lhe interessava regressar ao ponto de partida, e à zona de conforto, mas sim tentar provar que o seu talento chegava para a Premier. A sua aura chegava ainda para haver interesse britânico e foi o Tottenham a dar-lhe a mão e a oportunidade de mostrar se o seu futebol realmente se compadecia com o efeito criado na época 2009/10.

Uma experiência que conheceu, nesta segunda-feira, o seu fim. Um término que nunca terá que ver com uma primeira época em que os spurs lutaram, até à última jornada, pelo objectivo principal (quarto lugar) e em que chegaram aos quartos-de-final da Liga Europa. No entanto o futebol esteve sempre algo longe do rótulo que o próprio AVB criou. A aproximação às ideias de Pep Guardiola, e ao seu Barcelona, não encontraram paralelo numa ideia de jogo que subsistiu sempre mais pelos intérpretes do que pelo colectivo. A liberdade total dada a Gareth Bale fazia sentido, mas um meio-campo pouco criativo juntamente com o cariz vertical dos restantes jogadores fez cair a posse-de-bola no esquecimento.

Daí que tenha dado sempre a ideia de que AVB queria outras características no seu plantel. Algo que ficou provado nas compras feitas com o dinheiro realizado após a inevitável saída de Bale para o Real Madrid. Se na primeira época o técnico lutou pela permanência de Modric e acabou sem nenhum criativo no plantel (Van der Vaart saiu em janeiro), as compras de Eriksen e de Paulinho começavam a desenhar um Tottenham mais dono e senhor da bola. Juntamente com um avançado mais posicional e, muito menos, vertical que Defoe (Soldado), os spurs foram sempre senhores da bola quando o dinamarquês esteve em campo. As boas sensações haviam voltado a White Hart Lane, com períodos de futebol extremamente apetecível. O problema para o técnico é que o seu maestro é de cristal e as suas lesões não auguravam uma utilização regular. E sem ele, o jogo dos spurs tornou-se tão amorfo - em termos de oportunidades - criadas como se o futebol se tratasse de um jogo sem balizas.

E o problema de não criar não é só o de marcar pouco. Também a defesa fica demasiado exposta, e a dos spurs foi, sempre, reconhecidamente o calcanhar de aquiles da equipa. Se excluirmos o guardião Lloris, o único defesa de classe mundial que AVB teve à disposição foi Vertonghen. E se os laterais ainda escapam (Rose e Walker), os restantes centrais (Kaboul, Dawson e Chiriches) são de um nível que em nada tem a ver com a competitividade da Premier. O desastre que atirou AVB para fora de White Hart Lane (leia-se goleadas frente ao City e ao Liverpool) tem, então, muito que ver com a relação plantel-sistema de jogo-linha defensiva. Nunca teve um maestro que lhe potenciasse um sistema de jogo que lhe segurasse a linha defensiva. Mas dito assim, pode parecer que Villas-Boas não teve responsabilidade na formação do seu plantel. Teve tempo e dinheiro para formar uma linha defensiva e teve sempre Lamela (o único que podia chegar aos níveis de Eriksen) no banco ou na ala. E, por isso, foram também erros próprios a dar origem a dois resultados que não se compadecem com o que a aura e discurso do técnico prometeram. Os spurs não podem perder por 6-0 e por 0-5 num curto espaço de tempo e ao mesmo tempo quererem afirmar-se como uma das equipas mais fortes da Premier. Não o são, não o foram e ainda que o pudessem vir a ser não chegaram a tempo de salvar a aura de André.


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segunda-feira, dezembro 16

Curtas pós-fm-de-semana.

1. Vitória complicada pelos erros defensivos já habituais na equipa do Benfica. Sinceramente, vi uma equipa que, ofensivamente, jogou razoavelmente e que, sempre que quis, marcou um golo. Ou seja, já vi bem pior este ano.

2. Não é a altura certa para criticar Artur mas o brasileiro tinha mesmo que sair. Já sabemos que pelo treinador não seria pelo que, infelizmente, teve mesmo que ser pela lesão. Ao que chegámos. Ola John aparece do nada e muita gente decide lançar as setas ao holandês: porque não corre, porque não quer, orque não presta. Quando se ostraciza um jogador como Ola, poucas esperanças podemos ter. E o pior é que a maralha vai atrás, e critica um gajo que não joga há meses, está desmotivado e sem rotinas nenhumas.

3. FCP e Sporting venceram, como era sua obrigação também. Os primeiros não võ desistir nunca e os segundos parece, definitivamente aprovados. Jogos contra equipas bem inferiores tronam-se em autênticos passeios de uma equipa que parece estar junta há cinco anos. Muito bom.

4. AVB está fora do Tottenham. Adivinhava-se o descalabro sem Bale, mas mesmo assim, esotu surpreendido. E agora, volta para o seu FCP?

5.  Na Liga Europa, o Benfica vai à Grécia, outra vez, defrontar o PAOK (e depois provavelmente o Tottenham) e o FCP recebe o Eintracht Frankfurt (e depois provavelmente o Nápoles).

sexta-feira, dezembro 13

Curtas de fim-de-semana.

1. Na Liga Europa, o Benfica pode jogar com Juventus, Dinamo Kiev, Dnipro, Ajax, Lazio, Swansea, Bétis, Viktoria Plzen, PAOK, Macabi Telaviv, Anzhi, Maribor, Chernomorets, Esbjerg ou Liberec. Sinceramente, gostava que nos calhasse em sorte a Juventus. Seria uma reedição de uma eliminatória que, apesar de perdida, me traz enormes recordações. Um dos melhores jogos que vi do Benfica, num estádio da Luz a abarrotar, com uma exibição de sonho de Paneira e com um pontapé de bicicleta de Vialli, de fora da área, à barra.

2. Os adversários do FCP poderão ser: Nápoles, Valência, Fiorentina, Shakhtar Donetsk, Tottenham, Rubin Kazan, Sevilha, Lyon, Basileia, Eintracht Frankfurt, AZ Alkmaar, Trabzonspor, Ludogorets, Genk ou Salzburgo. O reencontro com AVB seria interessante.

3. Confirma-se que a lesão de Cardozo é mais grave do que se esperava. Até ao fim do ano, pelo menos, não há Tacuara.

4. Estou muito curioso para observar a exibição do Benfica, este fim-de-semana, contra o Olhanense. Não espero nada, mas espero tudo. Continuo à espera daquele clique que eleve a equipa para um patamar mais alto.

5. É Natal, e esta é uma iniciativa muito interessante. A copiar.

quinta-feira, dezembro 12

Com pé-frio em colchão de barras...

...imagine-se a noite do FC Porto em Madrid. Quatro bolas nos ferros da baliza do Atlético Madrid e um penálti falhado é o saldo da visita portista ao líder do Grupo G. Uma deslocação que com outro acerto poderia ter aberto a porta dos oitavos-de-final à equipa de Paulo Fonseca, visto que o Áustria Viena acabou por vencer o adversário directo dos azuis e brancos (Zenit) por... 4-1. Assim, soube a pouco a improvável prenda austríaca que acabou por não contar para nada fruto da atracção do dragão pelos ferros da baliza de Aranzubia, do regresso aos penáltis falhados e de uma inconsistência defensiva que nunca segurou Diego Costa.

De facto este Atlético não é produto da imaginação dos optimistas. Os colchoneros acabam a fase-de-grupos com 16 pontos (apenas um empate, na Rússia) e foram de longe a equipa mais competitiva e realista do grupo dos dragões. E quem vê o seu jogo sabe o porquê. Duas 'linhas de quatro' extremamente rigorosas a defender (principalmente a do meio-campo) e um jogo extremamente fácil a atacar que, na procura bem directa por Diego Costa, deixa as coisas extremamente difíceis para equipas como o FC Porto - que apresentam uma linha defensiva bem subida.

Mas os dois golos sofridos em Madrid até seriam um mal menor se os finalizadores portistas estivessem em 'noite sim'. Mal sabiam os azuis e brancos que, afinal, a bola enviada à barra por Jackson Martinez, aos 8', não era um sinal positivo mas sim um (bem) negativo. Isto porque, em fase tão madrugadora do jogo, ninguém poderia adivinhar que este Atlético-Porto iria parecer, para os dragões, um daqueles jogos de Pro Evolution Soccer contra a CPU em que o sistema, pura e simplesmente, não deixa a bola entrar. Assim, no intervalo de mais um golo estranho para se sofrer na Liga dos Campeões (Raúl García na área, quase sem ângulo bate Helton) e da 'diana' que fez o resultado final (a escapadela habitual de Diego Costa), o FC Porto viu Varela acertar novamente no poste e Josué falhar o primeiro penálti da sua carreira profissional.

Para quem tinha de, obrigatoriamente, ganhar, toda esta queda pelas barras era já de mais. E imagine-se quando Jackson, ainda antes do intervalo, viu a intercepção do seu remate ir embater, caprichosamente, no poste direito da baliza colchonera. Um tremendo pé-frio que tanto fazia os dragões acreditarem que era possível como os fazia desanimar, mais um pouco, a cada bola que os ferros negavam. No entanto, a boa produção ofensiva portista conheceu o seu fim com o apito do árbitro para o descanso, porque depois do intervalo o Atlético recolheu-se e agradeceu as mudanças do FC Porto. Primeiro para o 4-3-3 puro (Licá abriu a ala e a falta de Josué tornou o jogo portista mais previsível) e depois para o 4-4-2 clássico (Ghilas substituiu Lucho e alargou o número de avançados). Mas essas tentativas de Paulo Fonseca só retiraram do relvado as opções para jogar interiormente, e, por fora - com o recurso aos habituais cruzamentos -, o Atlético estava já por demais avisado. De facto, se com três médios a bola já mal chegava a Jackson, imagine-se com dois...

E para se provar que o caminho, para (pelo menos) continuar a criar perigo no Calderón, era o jogo interior, basta recorrer-se à única jogada de (real) perigo dos dragões na segunda-metade. Diagonal de Licá até à área, passe interior de Danilo e... bola no poste (69'). Um 'poker' aos ferros já bem normal por essa altura. Com uma alteração ainda por fazer Paulo Fonseca decidiu-se pela troca directa de médios (Herrera entrou por Defour) mas talvez devesse ter apostado em reforçar o miolo (saindo Varela) e entregar o ataque a três avançados puros como são Jackson, Licá e Ghilas. Talvez aí o jogo interior valesse para mais umas bolas... ao ferro. Essas, e não só, relegam um FC Porto, que não mostrou calibre caseiro, para um nível de dificuldade abaixo. E talvez aí (Europa League) não se note tanto a falta de estofo europeu destes dragões.

Atlético Madrid-FC Porto, 2-0 (Raúl García 14 e Diego Costa 37')

Foto: UEFA


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Fala Paneira.

"O Benfica entrou displicente. O Benfica tem que entrar a matar! O FCP tinha perdido pontos. O Benfica podia conquistar o primeiro lugar, e ficar isolado, à espera do que podia acontecer com o Sporting. Mas não entrou com essa filosofia de equipa que quer ganhar o campeonato! Não quer. Ali tinha que entrar com tudo".

O grande e saudoso Vitor Paneira diz tudo, à jogador da bola, à adepto. O Benfica é actualmente um clube sem grande exigência, onde até os próprios adeptos parecem resignados aos empates e derrotas. Somos uma espécie de country-club, onde a malta vai ver uns amigos nas roulotes e bancadas e, por acaso, também, uns gajos que jogam à bola.

No outro dia vi o senhor ex-jogador Pacheco a passear no Estádio da Luz, nos camarotes, e fiquei azul. Não tenho nada contra a pessoa, mas foda-se, um gajo que fez o que fez, naquele ano, anda agora a passear os cotos pelos camarotes da Luz?

Este Benfica está doente, já o digo há muito tempo. Dou por mim e já nem fico nervoso com os jogos. Dou por mim e vejo o Pacheco no Estádio, como se fosse parte da história do Clube, quando o que lhe fez foi apunhalá-lo pelas costas. E hoje, damos-lhe gambas?! Mas está tudo doido?! Ó que caralho.

Vieira e os seus muchachos só descansam quando estoirarem com o Benfica por completo.

terça-feira, dezembro 10

Benfica na Europa dos pequeninos.

A vitória contra o PSG B não foi suficiente. Jesus é o responsável por mais uma participação negativa na maior prova do futebol europeu. Jogos decisivos são todos, minha grande aventesma. Obrigado por mais uma exibição sôfrega e obrigado por teres dispensado o Saviola. Era demasiado inteligente para ti (como Aimar ou Ola John).

Vieira, a construção do Benfica europeu fica para a próxima. Demite-te, por favor. Já chega disto. Hoje, o Benfica parecia aquele Benfica do Camacho e do Mário Wilson. Agora, pensa.

Vendam o Artur, já.
Aproveitem e dêem uma entaladela ao Markovic.

Enzo Perez, estrondoso. Maxi, em grande, finalmente. Luisão, Feijsa, Garay, Sílvio, positivos.

A prestação global da equipa foi muito fraca. Acompanhei a segunda parte em Atenas e não consigo compreender como não ganhámos nenhum dos jogos com os gregos. Os belgas, com menos um, e com menos dois, tiveram oportunidades de golo. Enfim. Este Benfica está gasto, apesar de tudo poder mudar. Não sei como, mas podemos estar a levar três a dois minutos do fim que eu acredito que vamos dar a volta, por isso...

Curtas-longas.

1. A tragédia grega que aconteceu à equipa da Luz na época passada bem que podia acontecer (em menor dimensão, mesmo assim), hoje, ao Olympiacos. Na recepção ao milionário PSG, os encarnados têm que dar tudo, coisa que não têm feito ultimamente.

2. Em caso de eliminação da LC, será apenas mais um falhanço a toda a linha de Jorge Jesus. Ao fim de cinco anos ninguém pode achar estranho esse cenário, tendo em conta as últimas presenças nesta competição.

3. A nível europeu é por demais evidente que o Benfica de Jesus não deu o salto qualitativo. Continuamos muito longe do topo e sem níveis competitivos que nos permitam vencer clubes do patamar acima do nosso.

4. A eventual ida para a Liga Europa vai possibilitar-nos fazer mais uma caminhada interessante. O nível as equipas é médio, apenas, e, com alguma sorte (à imagem do ano passado, com muita mesmo) poderemos chegar novamente à Final da competição e, assim, paracer que somos um clube europeu. Não o somos.

5. É óbvio, mesmo para um cego apoiante da dupla Vieira/Jesus, que o plantel não está a render nem 75% do seu potencial. Os motivos podem ser menos claros mas, sem pensar muito, podemos especular sobre uma relação entre técnico e jogadores que já não tem volta a dar. Pode, até, esta relação, não ser impeditiva de se alcançar o sucesso, mas convenhamos, pode fazer toda a diferença.

6. No campeonato, aquele que deveria ser o nosso principal foco, continuamos a dar o flanco, a desperdiçar pontos contra equipas menores (muito menores), a apresentar as mesmas debilidades de sempre e, pior, uma falta de atitude competitiva que é, simplesmente, inadmissível.

7. Do outro lado da segunda-circular habita a maior surpresa do campeonato. Não por estar em primeiro lugar, mas especialmente por liderar o campeonato depois de uma época desastrosa e marcadamente negativa, apresentando o melhor futebol da Liga, mesmo que eu considere que sem grande competitividade.

8. De facto, olhando para o líder, há coisas que nos fazem, ou deveriam fazer, inveja: a vontade de vencer, o querer jogar bem, o lançamento sem vergonhas de jovens que, mesmo não sendo um portento com potencial de vendas de milhões, têm lugar neste Sporting em construção.

9. Não sei se o Sporting vai aguentar. Ninguém sabe. As lesões, os castigos, a própria pressão que vai aumentando com a aproximação do final do campeonato, tudo pode mudar, de repente. Contudo, olhando para o trabalho feito pela direcção e, em especial, para o trabalho de Jardim, é difícil prever o descalabro leonino.

10. Sempre defendi que a qualidade de um treinador deve ser o ponto principal de uma equipa de futebol. Jardim é a prova viva disso mesmo. Competente, equilibrado, sensato e com resultados. Ainda não ganharam nada, é certo, mas, o que terá mais valor: ser campeão com uma equipa milionária, mas apenas na última jornada, ou pegar num clube em cacos, numa equipa sem estrelas, com dispensas a torto e a direito, e cheia de malta que nada provou ainda no mundo do futebol e levá-la à liderança isolada ao fim de 12 jornadas?

11. Concluíndo, o Sporting é, unanimamente, um líder justo. Como benfiquista, sinto alguma inveja. Não da liderança em si, mas antes da paixão que sentem os sportinguistas por todos os 90 minutos da sua equipa, pelo amor pela cor das camisolas, pela equipa que se formou entre adeptos-direcção-plantel. Tudo o que falta ao Benfica, apesar dos pornográficos milhões investidos.

domingo, dezembro 8

Leonardo sem medo das alturas


O que têm em comum o Barcelona de Guardiola, o Benfica 2009/10 de Jesus e o Sporting de Leonardo Jardim? A pergunta sugere comparações desmedidas e a resposta só trará pertinência num facto que não tratará de colocar os leões num pedestal. Antes que o leitor se assuste, mais vale seguir a direito para um assunto que o bom futebol dos leões criou nesta Liga 2013/14. É que o trabalho do técnico madeirense ao serviço do Sporting tem tido tanta qualidade como a preocupação que gera nas equipas adversárias. Desde as primeiras mostras de força do novo leão, aos bons resultados conseguidos, têm-se seguido as declarações de respeito dos treinadores adversários. De facto um dos grandes méritos deste Sporting é o de ter conseguido colocar os opositores a pensarem primeiro no novo líder da tabela do que em si próprios. E isso, por norma, gera sucesso.

Não precisaremos de recuar muito no tempo para nos lembrarmos de uma altura em que os adversários tinham deixado de respeitar o Sporting. Uma 'olhadela' nos jogos da época passada revelará certamente opositores que, quer na sua casa, quer em Alvalade, tentavam jogar de igual para igual com os leões. Não será preciso recordar, também, que muito desse atrevimento roubou várias vitórias à equipa de Alvalade e, com elas, um estatuto que vem sendo agora (bem) recuperado. Por isso coloque-se sempre abaixo do futebol e do colectivo criados por Leonardo Jardim, os golos de Montero, o trabalho de William Carvalho, as defesas de Rui Patrício, ou, até, as declarações do presidente Bruno de Carvalho. Leonardo Jardim é o responsável máximo pelo respeito que o leão incute agora nos adversários, até porque sem ele, como em épocas passadas, as individualidades não sobressairiam, e sem ele este (justo) primeiro lugar na tabela não seria possível.

Quem tiver dúvidas que olhe para os longos nove anos a ver o primeiro lugar entregue a outros clubes, e que olhe também para um Gil Vicente-Sporting em que uma das sensações da prova respeitou tanto os leões que se esqueceu, durante grande parte do jogo, de si própria, ao ponto de (mais) uma abordagem serena de Leonardo conseguir outra vitória importantíssima para as contas leoninas desta nova época. Com o Gil Vicente sempre muito retraído, e cheio de dúvidas, o futebol leonino continuou a potenciar o seu 'matador' que pôde assim destacar-se de Jackson Martínez na tabela dos melhores marcadores.

Assim vai a aprendizagem do novo leão que, ainda assim, terá de reter desta visita a Barcelos que quando o adversário se ajoelha a clemência nunca pode ser de mais, sob pena de o mesmo se poder levantar e levar-lhe a vitória. Afinal de contas não morrerá literalmente ninguém, porque falamos, obviamente, de um (mero) jogo de futebol. Vem o facto à baila porque na segunda metade, o Sporting desperdiçou inúmeras situações para chegar à tranquilidade e isso teve o condão de fazer o Gil despertar e criar oportunidades para poder empatar. E na hora em que um galo, que estranhamente não acordou a tempo, poderia causar mossa, Pecks acaba (bem) expulso na tentativa de segurar o leão ao seu meio-campo (falta duríssima sobre William Carvalho). Aí, porque o bom futebol tem o condão de fazer os adversários cometerem erros (destes), o jogo virou, de novo, a favor de um líder que é tão justo como o segundo golo de Montero na partida. Saúda-se assim o regresso do leão a uma posição que não ocupava desde janeiro de 2005 e que é sua por mérito da ideia trazida à realidade pelo seu técnico.

Gil Vicente-Sporting, 0-2 (Montero 19' e 74')

Foto: Lusa


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sexta-feira, dezembro 6

Benfica empata com o Arouca.

Sim, o Arouca fez um jogo absolutamente miserável, Rui Costa ajudou à festa, dando a mão a um gritante anti-jogo e sendo complacente com a dureza dos homens de Pedro Emanuel. De facto, é difícil de explicar como é que a equipa que mais amarelos tem no campeonato, vem à Luz e só leva dois ou três cartões, nos últimos dez minutos de jogo.

De resto, foi também o habitual. Uma equipa do Benfica sem rei nem roque, completamente desfeita na segunda parte, fruto das alterações de Jesus, da má forma de alguns e da falta de qualidade de outros.

Já dei para este peditório e não vou continuar a malhar na incompetência do nosso treinador. É o homem que lá está, é com ele que temos que levar. Que se foda. O Sporting que seja campeão, pode ser que assim aquela malta se vá toda embora do Clube.

Sorteio do Mundial: nem bom, nem mau.


Curtas.

1. O Benfica recebe hoje o Arouca e, obviamente, só a vitória interessa. O Sporting vai a Barcelos e pode perder pontos pelo que, hoje, não podemos falhar, como não falhámos na semana passada (nem o Sporting).

Cardozo continua de fora, e já não deve jogar mais este ano. Cavaleiro está de volta, assim como Funes Mori.

Lima deve fazer dupla com Rodrigo e Markovic deve ser, novamente, encostado à linha, ficando Sulejmani de fora. Assim, queimam-se logo vários jogadores ao mesmo tempo.

2. O Jornal do Sporting tem uma peça sobre o Apito Dourado. Obviamente que é uma provocação, que surge precisamente um dia depois de Bruno de Carvalho ter dito que o futebol precisa de afastar-se do clima habitual de guerrilha.

Ainda no Sporting, o clube aposta agora no mercado chinês, depois do falhanço total com a história do indiano. Será que o Futre tinha razão?

3. Durante a tarde haverá ainda o sorteio do Mundial. Preferem ver Portugal num grupo da "morte", à imagem do que nos aconteceu no último Europeu, ou num grupo tipo Angola-México-Irão?

segunda-feira, dezembro 2

O líder

Por muito que o Record e o site do Benfica possam pensar o contrário, o Sporting é o líder. Empatado no confronto directo com o Benfica, tem, no entanto, 28-9 no goal average contra 20-8 dos encarnados. Sendo assim, e existindo regras, o critério da ordem alfabética não parece ser o mais correcto.
Obviamente que esta situação, nesta fase do campeonato, é pouco ou nada relevante. Mas também é óbvio que é preciso ser sério.
Dito isto, o Sporting está no topo por mérito próprio. Tem sido a equipa mais consistente e com mais ambição da prova. Ontem foi ainda mais convincente. Trucidou o Paços e Montero voltou aos golos (11 em 11 jogos!).
Quem sabe se, com um Benfica-Porto ainda por realizar, o Sporting não chega ao Natal em primeiro...