Foram
48 horas de espera e, pelo menos, uma das equipas não desapontou.
Falamos do Benfica que fez de outro 'dérby eterno', desta vez para a
Liga, outro degrau para aquele que é o
seu maior objectivo: devolver o título de campeão aos benfiquistas. E a
julgar por este Benfica-Sporting, na Luz, a equipa de Jorge Jesus não
encontrou nem no FC Porto, nem no Sporting, adversário à altura para o
impedir de tal feito. Tal como contra os dragões, nesta noite de
terça-feira o Benfica foi mais corajoso, mais pressionante - com e sem
bola - mais adulto, tendo também criado mais oportunidades. Aliás, a
certa altura era tanto o desperdício encarnado que se o Sporting
quisesse realmente entrar no jogo até o poderia ter conseguido. O que é
certo é que a estratégia de Leonardo Jardim nunca resultou em ataques
perigosos (os leões não construíram uma única oportunidade clara de
golo), falhando também (redondamente) na tentativa de segurar a saída de
bola do Benfica.
E até se aguardava com enorme curiosidade o desempenho leonino em campo, neste clássico, muito por culpa da antevisão feita pelo seu timoneiro. Leonardo Jardim 'abriu o jogo' e revelou a insatisfação por a sua equipa mostrar demasiado receio na entrada dos clássicos. Depois veio um adiamento que permitiu, ainda assim, revelar os mesmos 'onzes' desta terça-feira, fazendo chover pela comunicação social especializada e pela blogosfera o claro facto de que Leonardo quereria tapar a saída de bola benfiquista e assumir o protagonismo atacante do jogo. Mas tudo isso redundou num estranhíssimo desaparecimento do Sporting durante os 90 minutos. Demasiado amorfos, os leões deixaram embalar o Benfica e, por isso, passaram a maior parte do tempo no 'momento do jogo' onde a sua competência é menor. A organização defensiva leonina teve de levar com Gaitán, Markovic e Rodrigo, que iam jogando ao sabor de uma Luz frenética, e isso não é fácil para linha defensiva alguma.
Mais ainda quando os jogadores do Benfica se aperceberam que toda a pressão leonina não era mais que uma ilusão. Fejsa ainda começou a receber na direita, precavendo uma marcação que não chegou a existir, mas cedo reparou caminhar até ao meio-campo ofensivo para procurar Enzo, Rodrigo, Gaitán e Markovic sem ser incomodado. E aí começou a máquina encarnada a embalar. Com bola (e sem ela) os encarnados estavam 'on-fire' e, na primeira-parte, Rodrigo esteve perto de marcar por duas vezes (aos 5' atirou à malha lateral, e aos 26' viu um ressalto nos seus pés sobrevoar a baliza de Patrício), Markovic (teve excelente oportunidade aos 22' - quando esteve na 'cara' do guardião leonino) e Luisão (depois de um pontapé-de-canto ganhou o primeiro-poste e rematou por cima, aos 24') seguiram-lhe as 'pisadas' mas não conseguiram castigar a passividade leonina. Já Gaitán, esse, parece talhado para aparecer nos 'jogos grandes'. O feiticeiro argentino faz tudo para aparecer, nem que seja marcar de cabeça - como aos 27', quando abriu o activo com uma excelente movimentação e cabeçada.
Um filme de primeiro tempo em que só 'deu' Benfica, faria sempre qualquer seguidor do 'derby' interrogar-se sobre as opções de Leonardo Jardim. O madeirense quis jogar da mesma maneira que os encarnados e foi traído pela maior apetência do adversário para jogar um estilo criado há... 5 anos. Abdicou do trio do meio-campo (desviando André Martins para a direita) e com isso abdicou também de um possível controle, com bola, do jogo. Uma aposta que manteve na segunda-parte e que apesar de alguma subida territorial não teve mais do que algumas investidas do estreante Héldon. O cabo-verdiano conseguiu até a única jogada leonina digna de entrar em algum registo que se fizesse do jogo. Aos... 63', o ex-Marítimo conseguiu escapar a Maxi Pereira rematando depois por cima. Oblak não precisava então de aparecer (a não ser para socar alguns livres cruzados que o Sporting ia ganhando) e o que o Sporting fazia era manifestamente pouco para contornar um Benfica que, mesmo jogando uns metros mais recuado, ia conseguindo re-criar o perigo da primeira metade.
Rodrigo, sempre ele, andou a centímetros do golo logo no regresso dos balneários (depois de belo passe de Fejsa) e viu Patrício negar-lhe o golo por duas vezes. Aos 69' e aos 76' - esta bem flagrante - na jogada que antecedeu um momento iluminado. E se havia, dentro de campo, jogador que merecia esse lampejo divino ele era certamente Enzo Pérez. O argentino é um incansável trabalhador e um sublime artista sendo por isso uma pena que o '4-4-2' de Jesus o prenda tanto, porque quando Pérez tem oportunidade de aparecer à entrada da área pode fazer 'coisas' como 'aquilo' que aconteceu a Eric Dier momentos antes do médio encarnado rematar para o fundo das redes. Um golo que confirmava no marcador uma exibição adulta, dinâmica e corajosa de um Benfica que beneficia imenso que a 'horizontalidade' dos seus dois maiores adversários tenha rumado (toda) com Vítor Pereira para as 'Arábias'. Leonardo Jardim e Paulo Fonseca parecem ser dois discípulos que, jogando o mesmo jogo de Jesus, nunca conseguirão superar o mestre.
Benfica-Sporting, 2-0 (Gaitán 27' e Enzo Pérez 76')
Foto: Lusa
E até se aguardava com enorme curiosidade o desempenho leonino em campo, neste clássico, muito por culpa da antevisão feita pelo seu timoneiro. Leonardo Jardim 'abriu o jogo' e revelou a insatisfação por a sua equipa mostrar demasiado receio na entrada dos clássicos. Depois veio um adiamento que permitiu, ainda assim, revelar os mesmos 'onzes' desta terça-feira, fazendo chover pela comunicação social especializada e pela blogosfera o claro facto de que Leonardo quereria tapar a saída de bola benfiquista e assumir o protagonismo atacante do jogo. Mas tudo isso redundou num estranhíssimo desaparecimento do Sporting durante os 90 minutos. Demasiado amorfos, os leões deixaram embalar o Benfica e, por isso, passaram a maior parte do tempo no 'momento do jogo' onde a sua competência é menor. A organização defensiva leonina teve de levar com Gaitán, Markovic e Rodrigo, que iam jogando ao sabor de uma Luz frenética, e isso não é fácil para linha defensiva alguma.
Mais ainda quando os jogadores do Benfica se aperceberam que toda a pressão leonina não era mais que uma ilusão. Fejsa ainda começou a receber na direita, precavendo uma marcação que não chegou a existir, mas cedo reparou caminhar até ao meio-campo ofensivo para procurar Enzo, Rodrigo, Gaitán e Markovic sem ser incomodado. E aí começou a máquina encarnada a embalar. Com bola (e sem ela) os encarnados estavam 'on-fire' e, na primeira-parte, Rodrigo esteve perto de marcar por duas vezes (aos 5' atirou à malha lateral, e aos 26' viu um ressalto nos seus pés sobrevoar a baliza de Patrício), Markovic (teve excelente oportunidade aos 22' - quando esteve na 'cara' do guardião leonino) e Luisão (depois de um pontapé-de-canto ganhou o primeiro-poste e rematou por cima, aos 24') seguiram-lhe as 'pisadas' mas não conseguiram castigar a passividade leonina. Já Gaitán, esse, parece talhado para aparecer nos 'jogos grandes'. O feiticeiro argentino faz tudo para aparecer, nem que seja marcar de cabeça - como aos 27', quando abriu o activo com uma excelente movimentação e cabeçada.
Um filme de primeiro tempo em que só 'deu' Benfica, faria sempre qualquer seguidor do 'derby' interrogar-se sobre as opções de Leonardo Jardim. O madeirense quis jogar da mesma maneira que os encarnados e foi traído pela maior apetência do adversário para jogar um estilo criado há... 5 anos. Abdicou do trio do meio-campo (desviando André Martins para a direita) e com isso abdicou também de um possível controle, com bola, do jogo. Uma aposta que manteve na segunda-parte e que apesar de alguma subida territorial não teve mais do que algumas investidas do estreante Héldon. O cabo-verdiano conseguiu até a única jogada leonina digna de entrar em algum registo que se fizesse do jogo. Aos... 63', o ex-Marítimo conseguiu escapar a Maxi Pereira rematando depois por cima. Oblak não precisava então de aparecer (a não ser para socar alguns livres cruzados que o Sporting ia ganhando) e o que o Sporting fazia era manifestamente pouco para contornar um Benfica que, mesmo jogando uns metros mais recuado, ia conseguindo re-criar o perigo da primeira metade.
Rodrigo, sempre ele, andou a centímetros do golo logo no regresso dos balneários (depois de belo passe de Fejsa) e viu Patrício negar-lhe o golo por duas vezes. Aos 69' e aos 76' - esta bem flagrante - na jogada que antecedeu um momento iluminado. E se havia, dentro de campo, jogador que merecia esse lampejo divino ele era certamente Enzo Pérez. O argentino é um incansável trabalhador e um sublime artista sendo por isso uma pena que o '4-4-2' de Jesus o prenda tanto, porque quando Pérez tem oportunidade de aparecer à entrada da área pode fazer 'coisas' como 'aquilo' que aconteceu a Eric Dier momentos antes do médio encarnado rematar para o fundo das redes. Um golo que confirmava no marcador uma exibição adulta, dinâmica e corajosa de um Benfica que beneficia imenso que a 'horizontalidade' dos seus dois maiores adversários tenha rumado (toda) com Vítor Pereira para as 'Arábias'. Leonardo Jardim e Paulo Fonseca parecem ser dois discípulos que, jogando o mesmo jogo de Jesus, nunca conseguirão superar o mestre.
Benfica-Sporting, 2-0 (Gaitán 27' e Enzo Pérez 76')
Foto: Lusa












