segunda-feira, janeiro 9

Quem justifica a contratação?

Terminada a primeira volta do campeonato, permitam-me, em jeito de balanço, uma análise puramente magazinesca ao comportamento das aquisições dos três "grandes". Não, evidentemente, dos reforços agora chegados, mas dos adquiridos no início da temporada, atribuindo notas de 0 a 5 (não atribuo nenhuma nota máxima, por entender que só uma temporada inteira o justificará, e quanto a 0 só em dois casos o fiz). Trata-se de um juízo necessariamente subjectivo, com base nos jogos a que assisti e que, por isso mesmo, será mais fundamentado para os jogadores do Benfica, pois foram os que vi actuar mais vezes. Aproveitarei para escolher o meu 'onze' ideal dos três "grandes" e o melhor jogador da primeira volta.
BENFICA
Nélson (4) - Chegou e pegou de estaca. De tal forma, que já ninguém se lembra de Miguel. Destaca-se pelo acerto a defender e pela ousadia a atacar, com alguns centros precisos. Baixou um pouco quando utilizado a médio. Frente ao Paços de Ferreira, demonstrou que pode jogar também na esquerda.
Anderson (4) - Excelente contratação. Quase imbatível no jogo aéreo, mostra-se muito sereno e confere grande segurança à defesa. Conseguiu relegar Ricardo Rocha para o 'banco' de suplentes. Na marcação de cantos, surge com grande perigo, normalmente ao segundo poste, vindo de trás.
Léo (3) - Mais um que chegou, viu e venceu. É o melhor defesa-esquerdo que o Benfica apresenta desde há muitos anos. Não só defende bem (embora ainda possa melhorar), como ataca com vigor, sendo, por isso, mais completo do que Dos Santos ou o dispensado Fyssas (para não falar de autênticas "pérolas" que por aqui andaram, como Pesaresi, Escalona, Rojas ou Harkness). Confesso-me apreciador do seu futebol.
Beto (3) - Desde que não o coloquem a jogar a extremo-direito, é um jogador de grande utilidade. Corre quilómetros durante os jogos, constitui uma barreira importante à progressão dos adversários, contribuindo muito para a coesão defensiva da equipa. Em acções ofensivas, é um pouco desconcertante, alternando boas acções com erros (quase) infantis.
Karyaka (2) - Ainda não conseguiu justificar a sua contratação. Começou bem, mercê de um ritmo diferente, pois estava em plena competição, enquanto os colegas vinham do habitual defeso, mas depressa baixou para uma mediania pouco louvável. Já mostrou alguns atributos (foi importante na vitória no Dragão), mas parece-me demasiado lento. A rever, caso não se confirme uma transferência lucrativa.
Karagounis (2) - Chegou, treinou uma vez, foi titular frente ao Sporting, lesionou-se, esteve muito tempo ausente, regressou, mostrou algumas coisas e voltou para o 'banco'. Confesso que deposito grandes esperanças neste jogador. Tem características muito próprias, com bom controlo de bola e capacidade de drible. Por vezes, esquece-se de que o futebol é um jogo colectivo, mas pode vir a ser importante na 2.ª volta.
Miccoli (2) - Não há benfiquista que não simpatize com ele, mas, depois de uma fase de algum fulgor (sobretudo, uma excelente actuação diante do Lille, na Luz), lesionou-se. Desde que regressou, tem estado algo apagado, parecendo ansioso por conseguir marcar um golo. Pode ser que, quando este surgir, recupere o rendimento que levou à sua aquisição.
F.C. PORTO
Helton (1) - A infelicidade de ter Baía pela frente. A partir do momento em que Adriaanse se decidiu pelo veterano guarda-redes, a vida passou a estar difícil para o brasileiro, que se limita a aguardar uma oportunidade.
Paulo Ribeiro (1) - Terceiro guarda-redes do 'plantel', não é crível que venha a ser utilizado esta temporada. Aliás, não me parece que vá fazer carreira no clube. Para além de existirem Vítor Baía e Helton, Bruno Vale parece bem mais competente.
Sonkaya (1) - Ainda ninguém percebeu por que razão Adriaanse fez questão de contratá-lo. Começou por ser a aposta para defesa-direito, mas, depois de exibições medíocres, perdeu o lugar para os "adaptados" Bosingwa e Ricardo Costa. Com vida difícil para o resto da temporada.
Marek Cech (2) - É muito jovem, mas só pontualmente conseguiu desalojar César Peixoto. Terá certamente uma grande margem de progressão, mas ainda não conseguiu convencer. É um jogador certinho, mas não mais do que isso.
Paulo Assunção (3) - Adquirido em 2004/2005, mas emprestado ao AEK Atenas, tem mostrado ultimamente a sua utilidade. Basta ver o número de golos sofridos pela equipa antes da sua titularidade e aqueles que permite agora. Funciona como autêntico 'tampão' à frente da defesa.
Lucho González (4) - Grande jogador. Não só ajuda a defender, como surge com grande perigo na área a finalizar, ao estilo, por exemplo, de Paul Scholes. Tem um remate fácil, que lhe permite marcar de longe. Um dos melhores jogadores da primeira volta do campeonato.
Lisandro López (4) - Avançado de grande qualidade, faz da versatilidade uma das principais virtudes. Joga no centro e nas alas com igual eficiência. Outra das grandes contratações do FC Porto.
Jorginho (2) - Começou como titular, mas o nível que (não) conseguiu atingir afastou-o para o banco. Sem atingir o brilhantismo que teve em Setúbal, começa a ser um mal-amado no Dragão.
Alan (2) - Suplente de grande utilidade, mas não mais do que isso. Ainda não conseguiu afirmar-se verdadeiramente, mas demonstra ter qualidade. A seguir com atenção.
Sokota (1) - Enquanto jogou nada fez de relevante. Quando recuperar da grave lesão que sofreu, terá de provar que não foi apenas mais uma contratação para irritar o Benfica.
SPORTING
Tonel (2) - Acredito que alguns sportinguistas não concordarão com esta classificação, mas, apesar de alguns bons jogos, penso que o ex-Marítimo terá de fazer mais para poder afirmar-se como um jogador à altura do Sporting. Ainda no jogo com o Sp. Braga isso me pareceu evidente. No entanto, isso não significa que não possa consegui-lo este ano.
Edson (0) - Chegou, treinou, prometeu na pré-época, lesionou-se, não jogou, foi dispensado. Pior seria difícil.
Luís Loureiro (1) - Só se destacou pelos "amarelos que viu (um por jogo no início do campeonato) e, infelizmente, pelo golo que marcou ao Benfica. Parece-me um jogador mediano e desconfio que não terá sucesso no Sporting.
João Alves (1) - Ainda não conseguiu justificar a contratação. Não é decisivo, funcionando numa área de acção que também é a de João Moutinho. Os sportinguistas desesperam quando pensam no seu (elevado) custo.
Deivid (2) - Jogador intrigante. Fiquei impressionado com o golo que marcou de cabeça ao West Bromwich, no início da temporada, voltou a destacar-se no golo ao Nacional, mas parece que se apaga quando joga ao lado de Liedson. Enquanto este esteve afastado por Paulo Bento, deu boa conta do recado, mas o regresso do Levezinho tornou a ofuscá-lo. O atraso no regresso das férias também não ajudou nada.
Manoel (0) - Contratado ao Moreirense, foi dispensado ainda antes de a época oficial ter começado e nem no V. Guimarães tem conseguido afirmar-se.
Wender (1) - Já estava a tornar-se uma espécie de ódio de estimação dos sportinguistas. Paulo Bento entendeu dispensá-lo. Em má hora o fez. No entanto, o seu rendimento em Alvalade foi sempre pobre. Braga parece ser o local indicado para si, a fazer lembrar o chamado Princípio de Peter
Espero não ter-me esquecido de ninguém.
Onze ideal da 1.ª volta (só três "grandes"): Vítor Baía (FCP); Nélson (SLB), Luisão (SLB), Anderson (SLB) e Léo (SLB); Lisandro López (FCP), Petit (SLB), Lucho González (FCP) e Quaresma (FCP); Nuno Gomes (SLB) e Liedson (SCP).
Melhor jogador da 1.ª volta: Ricardo Quaresma (FCP)

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